Nota: Para outros significados, veja Aruanã (desambiguação).

Aruanãs são peixes de água doce da família Osteoglossidae, muitas vezes conhecidos como língua-de-osso. Nesta família de peixes, a cabeça é ossuda e o corpo largo é coberto por escamas enormes, formando um padrão de mosaico. As espinhas dorsal e anal possuem leves raios e são longas, enquanto as peitorais e ventrais são pequenas. O nome "língua-de-osso" é derivado de um osso dental na parede da boca, a "língua", equipada com dentes que mordem contra os outros no céu da boca. Os peixes podem obter oxigênio pelo ar sugando até o saco de gás, que é alinhado com capilaridades como tecido. Os aruanãs são obrigados a respirar ar.[1]

Como ler uma infocaixa de taxonomiaAruanã
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Osteoglossiformes
Família: Osteoglossidae

Etimologia editar

"Aruanã" procede do tupi antigo aruanã.[2]

Classificação e zoogeografia editar

Osteoglossídeos são peixes primitivos do terciário e são colocados na ordem Osteoglossiformes da classe Actinopterygii. Existem 10 espécies: três da América do Sul, uma da África, quatro da Ásia e as duas remanescentes da Austrália.

Osteoglossídeos são peixes exclusivos de água doce e são encontrados dos dois lados da Linha de Wallace.[3] Isto pode ser explicado pelo fato de os aruanãs asiáticos (S. formosus) terem divergido dos australianos Scleropages, S. jardinii e S. leichardti, há cerca de mais de 140 milhões de anos, o que torna provável que aruanãs asiáticos tenham sido transportados para a Ásia pelo subcontinente indiano.[4][5]

Alimentação editar

Osteoglossídeos são carnívoros, especializados em pegar a comida da superfície. São excelentes saltadores; foi relatado que espécies de Osteoglossum foram vistas pulando mais de 6 pés (quase 2 metros) da superfície d'água para apanhar insetos e aves em galhos na América do Sul, daí o apelido de "macacos d'água". Foi especulado que Aruanãs capturariam presas tão grandes como morcegos que voam baixo e pequenos pássaros. Todas as espécies são grandes, e o pirarucu é um concorrente para o título de maior peixe de água doce. O aruanã geralmente cresce em torno de 0,9 a 1,2 metros, mas isso só é possível em cativeiro.

Várias espécies de osteoglossídeos exibem extensos cuidados parentais. Eles constroem ninhos e protegem os mais jovens depois que chocam. Algumas espécies são chocadeiras de boca: os pais carregam às vezes centenas de ovos em suas bocas. Os mais jovens podem fazer várias viagens experimentais fora da boca do pai para investigar os arredores antes de partir em definitivo.

No aquário editar

Aruanãs tendem a formar cardumes com de cinco a oito indivíduos; infelizmente, tendem a mostrar excesso de dominância e agressão. Deve-se colocar os peixes num aquário mínimo de 1500 litros (396,258 galões) com boa filtragem, e mais 100 para colocar outras espécies (devido ao seu tamanho, o pirarucu não é recomendado para aquários menores de 10000 litros). Tal peixe não é recomendado para criadores amadores. São compatíveis com peixes como peixes-faca-palhaços, pacus, oscares e outros peixes semiagressivos que não caibam na boca do aruanã.

Espécies australianas devem ser mantidas sozinhas no aquário.

Folclore editar

Para os chineses e outras culturas asiáticas, o dragão é um símbolo de boa sorte e prosperidade. Os chineses chamam o aruanã de "peixe-dragão" por possuir a aparência do dragão, especialmente as escamas largas e os barbilhões. Aruanãs são também usados no feng shui para atrair boa sorte e saúde.

Os aruanãs têm um importante papel na mitologia dos índios carajás, do Brasil.[6]

Espécies editar

A família contém duas subfamílias, Heterotidinae e Osteoglossinae, com todos menos dez espécies, Espécies são dadas com um ou mais nomes comuns. Antigamente, o pirarucu e o aruanã-africano eram colocados na família dos aruanãs. Os osteoglossiae, porém, agora são colocados na sua própria família, arapaimidae.

Esta espécie é uma das conhecidas como aruanãs-asiáticos ou Língua-de-osso-asiática.
Esta espécie é uma das duas muitas vezes chamada aruanã-australiana ou língua-de-osso-australiano.

Um estudo genético mostra que a linhagem que leva ao arapaima e ao aruanã-africano diverge há cerca de 220 milhões de anos, durante o fim do Triássico; a linhagem levando aos aruanãs prateados e negros da América do Sul divergiu há cerca de 170 milhões de anos, durante o Jurássico Médio. A linhagem levando aos aruanãs australianos divergiu dos asiáticos há cerca de 140 milhões de anos, durante o começo do Cretáceo.[5]

Relato de Fóssil editar

Pelo menos 5 peixes de paleoespécies conhecidos somente por fósseis, são classificados por Osteoglossídeos; Esta data vai até ao fim do Cretáceo, e é largamente considerada parte dos aruanãs Osteoglossomorpha. Ossos Osteoglossomórficos foram encontrados em todos os continentes menos na Antárctica.[7]

Genus Brychaetus editar

Brychaetus muelleri (Agassiz, 1845) é conhecido como o fim do Cretáceo para o Paleoceno. Seus fósseis foram encontrados na Europa, América do Norte, e norte da África. Este peixe de água doce tem muitos dentes longos e sem corte. Platops e Pomphractus são sinônimos.[8]

Genus Joffrichthys editar

Este gênero norte-americano inclui duas espécies, J. symmetropterus e J. triangulpterus. As espécies posteriores se formaram no Paleoceno da formação dos montes de Dakota do Norte, nos Estados Unidos.[9]

Gênero Phareodus editar

Este gênero inclui pelo menos duas espécies, P. testis (Leidy, 1873) e P. encaustus. Representantes foram encontrados no meio do Eoceno para o Oligoceno na Austrália e América do Norte, incluindo na formação do Green River no Wyoming, nos Estados Unidos.[8]

P. testis era um peixe de água doce com uma linha oval, uma cabeça pequena e levemente pontuda. Suas espinhas dorsal e anal são situadas posteriormente, com a espinha anal sendo mais larga. Sua espinha caudal é um pouco torcida. Tem uma espinha pélvica fina, e é sinónimo de Dapdoglossus.

Referências

  1. Berra, Tim M. (2001). Freshwater Fish Distribution. San Diego: Academic Press. ISBN 0-12-093156-7
  2. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 63.
  3. Ismail, Mohd Zakaria (1989). «Systematics, Zoogeography, and Conservation of the Freshwater Fishes of Peninsular Malaysia». Colorado State University (doctoral dissertation). 25 páginas 
  4. Kumazawa, Yoshinori; Nishida, Mutsumi (2000). «Molecular Phylogeny of Osteoglossoids: A New Model for Gondwanian Origin and Plate Tectonic Transportation of the Asian Arowana». Molecular Biology and Evolution. 17 (12). PMID 11110903. Consultado em 12 de julho de 2006 
  5. a b Kumazawa, Yoshinori (2003). «The reason the freshwater fish arowana live across the sea». Quarterly Journal Biohistory (Winter). Consultado em 2 de julho de 2006. Arquivado do original em 5 de fevereiro de 2012 
  6. Povos indígenas no Brasil. Disponível em https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Karaj%C3%A1. Acesso em 31 de janeiro de 2019.
  7. Guo-Qing, Li; Wilson, Mark V. H. (1998). «Osteoglossomorpha» (article). Tree of Life. Consultado em 14 de abril de 2006 
  8. a b Frickhinger, Karl Albert (1995). Fossil Atlas: Fishes. Trans. Dr. R.P.S. Jefferies. Blacksburg, Virginia: Tetra Press 
  9. Newbreya, M. G.; Bozekb, M. A. (2000). «A New Species of Joffrichthys (Teleostei: Osteoglossidae) from the Sentinel Butte Formation, (Paleocene) of North Dakota, USA». Journal of Vertebrate Paleontology. 20 (1): 12–20. doi:10.1671/0272-4634(2000)020[0012:ANSOJT]2.0.CO;2. Consultado em 14 de abril de 2006