António Jacinto da Silva Brito Pais
António Jacinto da Silva Brito Pais ComTE • ComA • ComC • MPCG • MPBS • MPCE • MC1914 • MV (Odemira, 15 de Julho de 1884 — Sintra, 22 de Fevereiro de 1934) foi um aviador militar português.
| António Jacinto da Silva Brito Pais | |
|---|---|
| Nascimento | 15 de julho de 1884 (135 anos) Colos, Portugal |
| Morte | 22 de fevereiro de 1934 (49 anos) Sintra |
| Ocupação | Piloto e militar |
| Serviço militar | |
| Serviço | Força Aérea Portuguesa |
| País | |
| Anos de serviço | 27 |
| Patente | Tenente-coronel |
| Condecorações | Ordem da Torre e Espada Ordem Militar de Avis Ordem Militar de Cristo Medalha da Cruz de Guerra Medalha comemorativa das campanhas Medalha de Bons Serviços Medalha de Comportamento Exemplar Medalha da Vitória |
BiografiaEditar
NascimentoEditar
António Jacinto da Silva Brito Pais nasceu em 15 de Julho de 1884, na vila de Colos, concelho de Odemira.[1] Era filho de José Brito Pais Falcão e de Maria Engrácia da Silva Jorge.[1]
Carreira militarEditar
Em 1907, alistou-se no exército como recruta, na arma de infantaria, tendo sido parte da companhia dos alunos Escola do Exército.[1] Em seguida serviu como aspirante no Batalhão de Caçadores n.º 5, tendo sido promovido a alferes em Novembro de 1910.[1] Pouco tempo depois, foi enviado para os territórios da Companhia do Niassa, em Moçambique, mas regressou a Portugal logo em 1912, por motivos de doença.[1] Foi promovido a tenente em 1914, e em 1915 viajou até Angola, como parte do 3.º Batalhão Expedicionário.[1] Voltou a Portugal em Agosto de 1915, onde faz parte dos Regimentos de Infantaria n.os 1 e 13 e dos Grupos de Metralhadoras n.os 1 e 2.[1] Em Junho de 1917 embarcou com destino a França, integrado no Corpo Expedicionário Português.[1] Logo que chegou a França, ingressou na Escola de Aviação de Avord, de forma a receber a formação para piloto aviador.[1] Em Setembro desse ano, foi promovido a capitão, e em Novembro recebeu o seu brevet.[1] Em 1 de Março de 1918, começou a exercer como comandante interino e segundo comandante de um batalhão, durante os quais superintendeu os trabalhos de fortificação e de defesa antiaérea.[1] Durante a guerra, destacou-se pela sua conduta como oficial, especialmente durante o comando de uma companhia do 15 de Infantaria, e por ter defendido com valentia uma posição durante um ataque inimigo, tendo por estes feitos recebido o grau de cavaleiro na Ordem da Torre e Espada.[1]
Regressou a Portugal após o final da Primeira Guerra Mundial, tendo sido destacado para o Grupo de Esquadrilhas de Aviação Republica, na Amadora.[1] Pouco depois, assumiu o comando da Esquadrilha de Bombardeamento e Observação, e cerca de quatro anos depois, em 1923, tornou-se comandante do Grupo.[1]
Em 1919, combateu durante a Revolta de Monsanto, onde esteve do lado das forças republicanas..[1]
Em 1924, foi o comandante do avião Pátria, que fez o Raid Aéreo Lisboa-Macau, junto com Sarmento Beires e Manuel Gouveia.[2] Esta foi uma das principais viagens na história da aviação portuguesa, que teve como principal objectivo demonstrar a capacidade dos transportes aéreos para fazer a ligação entre Portugal e as colónias.[3] Por este feito, foi premiado com o grau de comendador na Ordem da Torre e Espada.[1] Já anteriormente tinha tentado preparar um raid aéreo à Ilha da Madeira, que não foi bem sucedido, embora Brito Pais tenha recebido um louvor pelo seu zelo na organização do raid.[1]
Posteriormente, Brito Pais foi promovido a Major, continuando a prestar serviço na Amadora, acumulando estas funções com a posição de vogal na Comissão Técnica da sua Arma.[1] Em 1926, atingiu o posto de tenente-coronel, e em seguida assumiu o comando do Grupo de Informação n.º 1 e do Grupo Independente de Aviação e de Bombardeamento.[1] Entre 1930 e 1933, fez parte do júri das provas de aptidão nos exames para a posição de major aviador.[1] Em 16 de Novembro de 1932, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que Brito Pais iria ser destacado para chefe interino dos Serviços Meteorológicos do Exercito.[3] Nesse ano tornou-se também adjunto do inspector da aeronáutica, e em seguida assumiu funções como instrutor na Escola Central de Oficiais.[1]
FalecimentoEditar
Faleceu na manhã do dia 22 de Fevereiro de 1934, num acidente aéreo que também vitimou os capitães Rodrigues Alves e Avelino de Andrade[4], junto ao campo de aviação da Granja do Marquês.[2] Às 9:30 desse dia, descolaram dois aviões Morane do campo de aviação, um conduzido por Rodrigues Alves e Avelino de Andrade, e outro por Brito Pais, que estava a fazer a prova semestral que era obrigatória para os pilotos.[1] Quando estavam a passar pela zona entre Algueirão, Sabugo e Coutinho Afonso, os dois aviões circulavam na mesma direcção, com um em cima do outro, sendo o mais baixo de Brito Pais.[1] Este aumentou a velocidade ao mesmo tempo que o outro avião baixou, provocando a colisão entre os dois aparelhos, tendo a asa do avião de Brito Pais ficado presa nos montantes do outro avião.[1] Ambos os aparelhos ficaram desgovernados, acabando por cair a cerca de 120 m de distância.[1] Segundo uma testemunha ocular, Brito Pais ainda terá tentado controlar o seu avião, que tinha ficado sem uma asa por causa do acidente, de forma a aterrar num campo próximo, mas sem sucesso, tendo colidido no solo com um muro de pedra, provocando a sua morte imediata.[1] Embora ambos os aviões tivessem paraquedas, não puderam ser utilizados devido à reduzida altitude a que se deu o acidente, a cerca de 200 m de altura.[1] os corpos dos três aviadores foram conduzidos para a Escola de Aviação de Sintra, onde foram feitas as últimas homenagens às vítimas.[1] Depois iniciou-se o cortejo fúnebre até Lisboa, composto por três ambulâncias, duas delas transportando os restos mortais, e quatro automóveis onde viajavam vários aviadores e oficiais.[1] A comitiva também foi acompanhado durante algum tempo por quatro aviões.[1] O cortejo chegou à Igreja de Santo António de Lisboa às 14:15, onde os corpos ficaram na sacristia.[1] Às 15 horas, chegou a viúva de Brito Pais, que pediu que o seu marido fosse enterrado no Talhão dos Combatentes, no Cemitério do Alto de São João.[1]
HomenagensEditar
Durante a sua carreira militar, Brito Pais foi alvo de vários louvores e condecorações, incluindo comendas na ordens da Torre e Espada, Cristo e Avis, e as medalhas da Cruz de Guerra, das Campanhas do Sul de Angola, das Campanhas de França, de Bons Serviços (grau prata), de Comportamento Exemplar (grau prata), e da Vitória.[1]
Em 16 de Outubro de 1934, a Gazeta informou que tinha sido feita a cerimónia da primeira pedra para um monumento aos aviadores do Raid Lisboa - Macau, no Largo Brito Pais, em Vila Nova de Milfontes, ponto de onde tinha partido o Raid.[2]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag «Deu-se hoje em Sintra um grande desastre». Diário de Lisboa. Ano 13 (4047). 22 de Fevereiro de 1934. p. 1-5. Consultado em 19 de Janeiro de 2018 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares
- ↑ a b c ORNELLAS, Carlos de (16 de Outubro de 1934). «Raid Lisboa - Macau» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 46 (1124). p. 518-519. Consultado em 19 de Janeiro de 2018 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ a b «Figuras do dia: Antonio Jacinto de Brito Pais» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 45 (1078). 16 de Novembro de 1932. p. 540. Consultado em 19 de Janeiro de 2018 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ BROCHEDO, Alfredo (1 de Março de 1934). «Aviação de Dor e de Glória» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1109). p. 132. Consultado em 19 de Janeiro de 2018 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
Leitura recomendadaEditar
- "Viagens Aeronáuticas dos Portugueses", Portugal-Macau 1924, por Mário Correia, págs. 95 a 107, Museu do Ar, 1997
- Alentejanos da História: António Brito Paes Falcão o piloto aventureiro. Correio do Alentejo. http://www.correioalentejo.com/index.php?go=alentejanos&id=7
- Joaquim Falcão de Lima "Gente de entre Searas e Montados". Guarda-Mor, 2009
