Ângela Ferreira

artista plástica de origem portuguesa

Ângela Ferreira (Maputo, Moçambique, 1958) é uma artista plástica de origem portuguesa. Viveu na Cidade do Cabo durante o apartheid e que atualmente vive e trabalha em Lisboa. Licenciou-se em escultura e obteve o seu Master of Fine Arts (MFA) na Michaelis School of Fine Arts, Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul, e é doutorada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Ângela Ferreira
Nascimento 1958 (65 anos)
Maputo
Cidadania Portugal, África do Sul, Moçambique
Alma mater
Ocupação escultora, artista de instalações, criador de vídeos
Ângela Ferreira, Pan African Unity Mural - detalhe de exposição no Maat - 2018. Tinta acrílica sobre parede, dimensões variáveis.

ArteEditar

O trabalho artístico de Ângela Ferreira reflete sobre as consequências do colonialismo e do pós-colonialismo na sociedade contemporânea através de uma investigação histórica e formal apurada. É representada pela Galeria Filomena Soares em Lisboa, Portugal e a Galeria Stevenson na Cidade do Cabo, África do Sul.

Atualmente apresenta a exposição individual Monuments in Reverse (17 janeiro - 15 março 2015) no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura em Guimarães, Portugal, que reúne um conjunto de obras realizadas entre 2008-2012. A exposição com curadoria de Ana Balona de Oliveira tem por objetivo mostrar o processo artístico e reflexivo da artista, potenciando o estabelecimento de novas relações entre as obras presentes na exposição, e dando visibilidade a aspetos menos óbvios da sua prática.[1]

Participação na 52ª Bienal de VenezaEditar

A 52ª Bienal de Veneza realizou-se entre 10 de junho e 21 de novembro de 2007 com o título Think with the Senses - Feel with the Mind. Art in the Present Tense, com curadoria geral de Robert Storr (n.1949). Ângela Ferreira representou Portugal nesta edição com o projeto Maison Tropicale com curadoria de Jürgen Bock (n.1962).[2] O seu projeto constituíu-se por documentação fotográfica e uma escultura realizadas a partir da sua investigação às três Casas Tropicais do arquiteto francês Jean Prouvé (1901-1984).[3][4][5] Estas casas foram instaladas nas cidades de Niamey em Níger e em Brazzaville na República do Congo entre 1949-1951 e retiradas em 2001 depois de adquiridas por Eric Touchaleaume.[6]

Foi produzido um catálogo bilíngue em paralelo com a exposição. A publicação contém informação sobre o projeto de Ângela Ferreira e ensaios de Jürgen Bock, Manthia Diawara, Andrew Renton e Gertrud Sandqvist.

A representação portuguesa na 52ª Bienal de Veneza foi organizada e financiada pelo Instituto das Artes do Ministério da Cultura Portuguesa e pelo Turismo de Portugal. O pavilhão de Portugal localizou-se na Fondaco Marcello, um armazém situado numa das margens do Grande Canal, entre as pontes Academia e Rialto.

No âmbito da participação de Ângela Ferreira na 52ª Bienal de Veneza foi realizado o documentário Maison Tropicale por Manthia Diawara (n.1953), produzido pela Maumaus. O filme revela algumas das histórias e memórias das pessoas ligadas às Casas Tropicais de Jean Prouvé.

Ficheiro:Ângela Ferreira, .jpg
Ângela Ferreira, Pau-a-pique, 2016 Madeira, bambu, slide, desenho, fotografia. Performance: Selma Uamusse, na Old School, Lisboa. Fotografia: Vera Marmelo
Ficheiro:For Mozambique.jpg
Ângela Ferreira, For Mozambique (Model no. 3 for propaganda stand, screen and loudspeaker platform celebrating a post-independence Utopia), 2008 Madeira, ferro, impressão sobre PVC, 2 DVD projeção de video 2- canais, 60’ (loop) 450 x 500 x 100 cm Col. Fundação Calouste Gulbenkian.

Arte públicaEditar

  • 2013 – Entrer dans la mine, Bienal de Lubumbashi, Républica Democrática do Congo[ligação inativa]
  • 2012 – Rega, Parque de Escultura Contemporânea, Almourol, Vila Nova da Barquinha, Portugal
  • 2010 – Cape Sonnets - Utopia and Monument II, Steirischer Herbst festival, Curadoria: Sabine Breitwieser. Graz, Áustria
  • 2008 – Monumento ao D. Flavin - 7 Maravilhas, Castelo de Guimarães, Guimarães
  • 2008 – Meridian House, Frieze Sculpture Park, Londres
  • 2008 – Sesriem - O poço das seis correias, Santo Tirso, Portugal
  • 1998 – Kanimambo, Parque das Nações, Lisboa | Lisbon, Portugal

Coleções públicasEditar

A obra de Ângela Ferreira pertence a várias coleções públicas: Maat, Lisboa, Portugal; Fundação EDP, Lisboa, Portugal; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Fundação Serralves, Porto, Portugal; CGAC, Santiago de Compostela, Espanha; Market Gallery Foundation, Joanesburgo, África do Sul; South African National Gallery, Cidade do Cabo, África do Sul; The Johannesburg Art Gallery, Joanesburgo, África do Sul; MEIAC - Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz, Espanha; Museion - Museum of Modern and Contemporary Art, Bolzano, Itália; e The Walther Collection Neu-Ulm/Bulafingen, Alemanha.

PrémiosEditar

  • 2018 — Honorary Research Fellow, WCI, Wits University
  • 2015 — Distinção Mulheres Criadoras de Cultura, categoria Artes Plásticas
  • 2015 — Prémio Novo Banco Photo 2015
  • 2003 — Honorary Research Associate, Michaelis School of Fine Art, Cidade do Cabo, África do Sul
  • 1997 — Finalista do Prémio União Latina, Lisboa, Portugal
  • 1995 — Prémio de escultura, Bienal Caldas da Rainha
  • 1989/90 — Bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
  • 1989/90 — Artista convidada, AR.CO. Lisboa

Ligações externasEditar

Referências

  1. Balona, Ana Oliveira. «Ângela Ferreira - Monuments in Reverse» (PDF). Consultado em 7 de março de 2015 
  2. Dgartes. «Press release». Consultado em 7 de março de 2015 
  3. Bock, Jürgen. «Maison Tropicale» (PDF). Consultado em 7 de março de 2015. Arquivado do original (PDF) em 3 de março de 2016 
  4. Cardoso, Ana. «Portugal em Veneza e a Maison Tropicale em trânsito». Consultado em 7 de março de 2015 
  5. Ponte, Sofia (2 de agosto de 2007). «Sobre um estado de transição». Consultado em 7 de março de 2015 
  6. Hamilton, William L. (maio de 2007). «From Africa to Queens Waterfront, a Modernist Gem for Sale to the Highest Bidder». New York Times. Consultado em 7 de março de 2015