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Éramos Seis

romance escrito por Maria José Dupré
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Éramos Seis (desambiguação).
Éramos Seis
Capa da primeira edição do livro em 1943.
Autor(es) Maria José Dupré
Idioma Português
País  Brasil
Gênero Drama
Editora Nacional (original)
Lançamento 1943
Páginas 259

Éramos Seis é o título do segundo romance escrito por Maria José Dupré (1898-1984), publicado em 1943. Faz parte da Série Vaga-Lume desde o início da década de 1970. A obra recebeu da Academia Brasileira de Letras o Prêmio Raul Pompeia.[1]

O livro foi adaptado na dramaturgia pela primeira vez em 1945 no filme argentino de mesmo título. Na televisão ganhou quatro versões em formato de telenovela, sendo a primeira delas em 1958, pela RecordTV.

Índice

EnredoEditar

Éramos Seis conta a história de Dona Lola, uma bondosa e batalhadora mulher que faz de tudo pela felicidade de sua família. Paulista do interior do Estado de São Paulo (nascida na cidade de Itapetininga), Lola é esposa de Júlio Abílio de Lemos, um vendedor, com quem tem quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Isabel. A obra cobre um período de vinte e oito anos, iniciando em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial (mencionada inclusive pela personagem Tia Emília) e terminando em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, no final do Estado Novo.

O romance é narrado em primeira pessoa pela protagonista Lola (cujo nome verdadeiro é Eleonora), e se desenrola tendo duas cidades como cenário: São Paulo (cenário principal) e Itapetininga.

O período de grandes transformações sociais e comportamentais da sociedade paulista serve como pano de fundo ao romance e, por vezes, tais mudanças influenciam diretamente as ações dos personagens. Acontecimentos como a gripe espanhola de 1918, a Revolução Paulista de 1924, e a Revolução Constitucionalista de 1932 são vivenciados pela família Lemos sob o olhar de Dona Lola. No capítulo final, também se fala brevemente sobre a Segunda Guerra Mundial (através de uma carta de Alfredo).

A vida de Dona Lola é narrada desde a infância das crianças, quando Júlio trabalha em uma loja de tecidos e ambos se sacrificam para pagar as prestações da casa onde moram, na avenida Angélica, em São Paulo (nas proximidades do parque Buenos Aires, no local onde mais tarde se ergueu o Edifício São Clemente), passando pela chegada dos filhos à fase adulta e de Dona Lola à velhice. Quando a história começa (em 1914), é o primeiro ano em que Dona Lola e a família residem na casa da Avenida Angélica; antes, o casal residira em uma pequena casa alugada no bairro do Bom Retiro desde o casamento. Na reta final do livro (já em 1934), Dona Lola vende a casa da Avenida Angélica (onde viveu por dezenove anos) e se muda para uma casa menor que aluga no bairro da Barra Funda, junto com Carlos, o último filho que ainda mora com a mãe. A história dá um salto de oito anos para o capítulo final, quando Dona Lola já reside em um quarto alugado em uma pensão de freiras.

Ao longo dos anos, a vida de Dona Lola muda com os acontecimentos: a morte de Júlio por uma doença estomacal; a partida de Julinho para trabalhar no Rio de Janeiro (e sua posterior ascensão social ao se casar com uma moça de uma família da alta sociedade carioca, Maria Laura); o sumiço de Alfredo pelo mundo, para não ser preso; a união de Isabel com um homem desquitado, Felício (que não é aceita por Lola devido às convenções morais da época); e, por fim, a inesperada morte de Carlos, o primogênito e o filho mais devotado à mãe, também vitimado por uma doença estomacal. Júlio morre em 1926 e Carlos em 1934, o que faz com que a família de Lola se desfaça em um período de oito anos.

O título do romance vem da situação de Dona Lola ao fim da vida, sozinha num quartinho alugado em uma confortável pensão de freiras, dirigida pelas Irmãs Esperança, na Rua da Consolação, em São Paulo. Eram seis e agora só resta ela.

No início da história, em fins de 1914, Isabel tem três anos, Julinho tem cinco, Alfredo tem sete, e Carlos tem nove. Eles estudam na escola particular de Dona Benedita.

Júlio é um marido e pai com um lado rude, e ao mesmo tempo afeiçoado a sua família. Entre seus filhos, não esconde a predileção por Isabel, a única menina. Trabalha como vendedor na loja de tecidos do Sr. Barbosa, mais tarde como gerente, e em seguida passa a trabalhar no escritório da loja. Júlio morre em 1926, devido à uma úlcera, alterando completamente a vida de sua esposa e filhos.

Também são expostos outros personagens, como os familiares e amigos de Lola: na cidade de Itapetininga, interior paulista, mora a mãe, cujo nome não é mencionado, pois ao narrar a história em primeira pessoa, Lola se refere à mãe apenas como "mamãe" (nas telenovelas baseadas no livro a personagem foi nomeada como Dona Maria). É uma doceira viúva, que trabalha fazendo goiabadas em barra e em calda, marmeladas, pessegadas, doces de figos cristalizados, bolos, biscoitos de polvilho, sequilhos, e também sabão, os quais vende em seu próprio domicílio ou por encomendas, inclusive para festinhas; é considerada a melhor doceira de Itapetininga. A mãe de Lola mora com suas outras duas filhas: as irmãs Clotilde e Olga.

A mãe de Lola morre dois dias após o Natal de 1920 (cinco anos antes de Lola ficar viúva). O pai de Lola já é falecido quando a história começa (Lola conta que ele morreu cerca de um ano após ela se casar com Júlio), e por mais de trinta anos foi professor de uma escola rural, e posteriormente diretor, sendo um pedagogo elogiado. Era irmão de tia Emília e tia Elvira.

Clotilde é mais velha que Lola e ficou solteira. É doceira junto com a mãe, e passa grandes temporadas com Lola em São Paulo, participando ativamente dos acontecimentos na família da irmã, a quem é extremamente afeiçoada. Olga é dois anos mais nova que Lola, professora na Escola Isolado do Tanquinho em Itapetininga, e se casa com Zeca (no último dia do ano de 1915). Zeca, namorado e posteriormente marido de Olga, é um rapaz que trabalha em uma farmácia em Itapetininga, onde vive com os pais e irmãos (que são apenas citados rapidamente na história durante seu casamento com Olga). Olga e Zeca tem cinco filhos ao longo da história: o primeiro é uma menina (nascida no final de 1918), o segundo, o terceiro (que nasce prematuro) e o quarto são meninos (nascidos respectivamente em 1920, 1924 e 1931), e o quinto não é mencionado quando nasce, apenas Lola diz que Olga espera o quinto filho em 1933. Nenhum deles tem o nome mencionado nem participam da ação da história, mesmo sendo primos dos filhos de Lola.

Três tias de Lola aparecem no livro: Candoca, Emília, e Elvira. As tias Candoca e Emília participam de toda a história ao longo do romance; já a tia Elvira aparece apenas em um momento da narrativa.

Tia Candoca também reside em Itapetininga, e é dito que ela é a única irmã da mãe de Lola que mora nesta cidade (o que presume-se que a mãe de Lola teria outras irmãs). Assim como a irmã, tia Candoca também é viúva, tem filhos (apenas mencionados vagamente na história, com exceção de Mocinha, a filha casada). Ela se muda para São Paulo em 1923, dois anos e meio após o falecimento da irmã, indo morar em uma casa na Rua Bandeirantes, no bairro da Luz . Tia Candoca mora acompanhada de uma cozinheira idosa chamada Benedita, e uma neta ainda criança (durante a Revolução de 1924, a neta tem oito anos, e Lola conta que é extremamente chorona), deixada aos seus cuidados quando sua filha, Mocinha (prima de Lola) e o marido Nelson, se mudam para a cidade de Rio Preto (em Minas Gerais) para uma temporada de cerca de dois anos. A narrativa demonstra que Tia Candoca tem grande afeição por animais de estimação, tendo um cachorro chamado Pirata, uma cabra chamada Esmeralda, e um papagaio chamado Mulata. Enquanto reside em Itapetininga, tia Candoca cuida de uma cunhada que sofre de um desequilíbrio mental; após a mudança para São Paulo, a cunhada não é mais mencionada (possivelmente teria sido internada em uma casa de saúde em São Paulo, conforme foi dito por Clotilde como sendo a intenção da família de tia Candoca).

Tia Emília é a mais velha das irmãs do pai de Lola e mora na cidade de São Paulo. É a "tia rica" de Lola, e reside em um palacete na Rua Guaianases, no bairro Campos Elíseos. Seu marido foi um homem muito rico e importante, e ela é apaixonada pela história das famílias paulistas, conhecendo a árvore genealógica de todas. A própria Tia Emília se considera uma "colecionadora da origem dos paulistas", e desde solteira se interessava por árvores genealógicas, tendo uma memória prodigiosa para guardar nomes e datas. Tinha cadernos com as histórias dos fundadores da cidade de São Paulo anotadas, e quando conversava com pessoas interessadas, falava intensamente sobre este assunto. No início do livro, Tia Emília ainda anda de carruagem puxada por dois cavalos, por detestar automóvel; algum tempo mais tarde, ela acaba cedendo e passando a andar de automóvel.

Quando a história começa (no final de 1914), tia Emília tem cerca de setenta anos, é viúva há alguns anos, e mora com duas de suas filhas, Justina e Adelaide. Ambas tem mais de cinquenta anos e são as últimas que permanecem vivendo com a mãe, já que, como o livro menciona, Tia Emília teve outros filhos que estão casados, dois filhos solteiros (que ela menciona quando estão viajando para a Argentina), além de netos e bisnetos. É mencionado que uma outra filha é casada com o diretor de um banco (que emprega Carlos no banco após a morte de Júlio), o mais velho dos filhos é advogado, e o caçula (provavelmente um dos dois filhos ainda solteiros mencionados) aparece na história ao visitar sua prima Lola, levando um cheque da mãe (também após a morte de Júlio). Com isso fica definido que tia Emília tem pelo menos seis filhos: Adelaide, Justina, a filha casada com o diretor de um banco, o filho mais velho que é advogado, e os dois filhos solteiros (incluindo possivelmente o caçula). Porém, na primeira visita das sobrinhas que é narrada no livro, Tia Emília encomenda a Lola sapatinhos de tricô para novos netos que estão para nascer; como destes seis filhos mencionados, apenas dois são casados (o filho mais velho que é advogado, e a filha casada com um diretor de banco), fica claro que Tia Emília tem mais filhos.

Justina ficou viúva jovem e sem filhos, voltando a morar com a mãe, e morre devido a problemas cardíacos logo no início do livro. Adelaide ficou solteira e permanece vivendo com a mãe até o falecimento de tia Emília no final do romance, quando vende o palacete e se muda para a fazenda da família em Campinas.

Entre os netos de Tia Emília, aparecem apenas Laura, que se casa em uma cerimônia no palacete da avó (evento no qual Lola e Júlio comparecem, mas não é dito qual filho de tia Emília é o pai ou a mãe de Laura), e uma outra neta que está presente no velório de Justina, e leva Lola e tia Elvira para comer na copa em determinado momento da noite (mas essa neta não tem o nome mencionado). Tia Emília morre com quase 90 anos, alguns meses após a Revolução de 1932.

Também aparece na história (em passagem rápida) a tia Elvira, irmã de Tia Emília e do pai de Lola. Diferente da irmã, tia Elvira é pobre, e mora em Santos com a família - Lola a encontra no velório de Justina.

Da família de Júlio, só aparecem três personagens: a mãe, a irmã Maria, e o tio Inácio. A mãe de Júlio (também viúva, e, assim como a mãe de Lola, não tem seu nome mencionado na história, narrada em primeira pessoa por Lola, que se refere à personagem apenas como "minha sogra" ou "a mãe de Júlio" - nas telenovelas baseadas no livro a personagem foi nomeada como Dona Marlene), e a irmã mais nova deste, Maria, que é solteira, residem juntas em Belo Horizonte (capital de Minas Gerais). Durante a visita de Tia Emília em que ela conhece a mãe de Júlio, a narrativa demonstra, de leve, que, aparentemente, a mãe de Júlio teve outros filhos além dele e de Maria, mas estes não são citados.

Também é mencionado o Tio Inácio, tio de Júlio que também reside em Itapetininga e só aparece brevemente no casamento de Olga e Zeca; foi por passar férias na casa deste tio em Itapetininga que Júlio (já residente em São Paulo) conheceu Lola e a pediu em casamento (conforme as recordações narradas por Lola). Tio Inácio é um homem antiquado, que usa palavras em desuso (como chamar farmácia de "botica" e violino de "rabeca"), e, aparentemente, ficou solteiro, pois não se menciona esposa nem filhos, nem mesmo quando ele comparece ao casamento de Olga e Zeca.

Na casa de Lola também vive a empregada Durvalina, muito querida pela família, e que mora com a mãe quando não dorme na casa de Lola. Também vive na casa o gato de estimação dos filhos de Lola, chamado Caçarola, que é descrito como sendo um gato amarelo.

Outro personagem que aparece é Barbosa, dono da loja de tecidos onde Júlio trabalha. Barbosa é tio de Maria Laura, filha de seu irmão que mora no Rio de Janeiro.

Os amigos de Alfredo na infância são citados brevemente: os meninos conhecidos como Raio Negro e Vira Mundo. Já o padrinho de Alfredo (cujo nome não é mencionado) aparece rapidamente na história, por ocasião da fuga do afilhado, ainda na infância. É um amigo da família, na casa do qual os filhos de Lola costumam jogar bola aos domingos.

Dois personagens fundamentais no desenrolar do destino de dois dos filhos de Dona Lola são Felício e Maria Laura. Felício é um homem desquitado (com um filho pequeno) e que se une à Isabel, com quem tem dois filhos (um deles chamado Carlos, em homenagem ao tio, e que visita Dona Lola frequentemente no final). Maria Laura é apenas mencionada no romance várias vezes. É uma moça da alta sociedade carioca, filha do patrão de Julinho no Rio de Janeiro (irmão do Sr. Barbosa) e de Dona Júlia (apenas citada por Julinho em uma carta à Lola); o casal tem outros filhos, mas Maria Laura é a única filha moça. Ela se casa com Julinho, com quem tem duas filhas, e permanecem vivendo no Rio de Janeiro.

Os amigos de Isabel são apenas mencionados por nome: Luísa e Eduardo. Uma outra amiga e sua mãe aparecem quando Isabel sai de casa para se casar com Felício, e se hospeda na casa desta amiga até o dia do casamento; em seguida, a mãe da moça visita Dona Lola para lhe dar notícias de Isabel.

Ao lado da casa de Lola mora a vizinha Genu (Genoveva), a grande amiga de Dona Lola, por quem nutre uma amizade sincera e verdadeira. É uma viúva um tanto amarga (e ao mesmo tempo extremamente solidária na amizade com Dona Lola), nascida em Minas Gerais, que detesta pessoas que tem uma condição financeira melhor, inclusive a irmã que é rica (apenas mencionada na história), apesar de sempre a visitar no palacete onde esta reside com o marido e os filhos. Grande apreciadora de velórios e enterros, independente do defunto ser parente, amigo ou desconhecido, Dona Genu presta toda a assistência à pessoas doentes, e depois ajuda em todos os preparativos do velório, e passa a noite rezando ao lado do caixão. À muito tempo perdeu o marido e o único filho homem em um espaço de apenas um ano, criando sozinha as outras quatro filhas (sendo mencionadas por nome apenas três: Lili, Leonor e Joca).

A narrativa do romance deixa vagas informações sobre as filhas de Dona Genu: Joca é casada, e tem muitos filhos (sendo que os dois mais velhos chegam a lutar na Revolução de 1932), mas vive um casamento conturbado, e por isso Dona Genu detesta o genro; é a única das quatro irmãs que não mora com a mãe. Lili é solteira; trabalha fora e é quem auxilia Alfredo no dia de sua fuga. Leonor teve um filho que morreu na infância, mas a narrativa não deixa claro se Leonor é casada, pois em uma conversa com Dona Lola, Dona Genu comenta que Leonor estava namorando um boiadeiro. Também não é definido qual delas é a mãe da netinha de Dona Genu que morre aos dois anos de idade, por ocasião da gripe espanhola. E, por fim, a quarta filha de Dona Genu não é mencionada durante a história, apenas é dito que Dona Genu tem quatro filhas (podendo ser esta a filha que acompanha a mãe ao hospital quando Carlos está gravemente doente, e também a filha que Dona Genu diz que irá se casar, já na reta final da história).

Na reta final da história, também aparece a Irmã Cristina, uma das freiras que trabalha no hospital onde Carlos é operado, e consola Lola diante dos acontecimentos.

Em Itapetininga, ao lado da casa da mãe de Lola mora a vizinha Dona Carola, amiga da família e uma mulher muito fofoqueira, que só aparece no velório da mãe de Lola. Os outros amigos e vizinhos de Itapetininga são apenas citados no livro em recordações de Lola e conversas com suas irmãs sobre algumas histórias referentes a estes conterrâneos: Dona Sinhá, Juquinha (possivelmente um filho de tia Candoca), Dona Tuda, Maria da Glória, Nhazinha, Mariazinha do Nico, a família Brito, Doca e seu noivo Gumercindo, o casal Benevides, Lolota, Soares, Maroquinhas e seu marido Chico. Já na Avenida Angélica, são citados como vizinhos apenas o dono do armazém, Dona Tudinha e Dona Laia, uma mulher rica que mora em um palacete na esquina próxima à casa de Lola e faz uma encomenda de doces para o chá de noivado de uma de suas filhas.

AnáliseEditar

Para Avelino A. Correia, a obra parece "comum" no drama que aborda, pois não traz uma história de amor nem questionamentos filosóficos ou intelectuais, mas um "drama mais ou menos comum a todas as famílias que lutam para conseguir estas três necessidades fundamentais: boa convivência, teto e o pão nosso de cada dia"; mas ressalta que a forma como a narrativa evolui, de modo "simpático, irresistível e envolvente", a torna "incomum" e fascinante. Na verdade o ponto forte da obra é justamente destacar a vida de uma família comum, os dramas pessoais, a questão da terceira idade, do papel do gênero numa metrópole de aspecto interiorano que vai virando uma megalópole. A forma como é abordado acaba por fazer temas comuns a ponto de passarem despercebidos como algo a pensar, principalmente a questão de que tantas décadas em dedicação a um lar acaba não tão recompensador, por mais que seja algo inerente da existência, porém mostra o desvalor que os próprios filhos, ao criar seus próprios mundos divergentes do lar original, acabam por dar aos seus progenitores; ainda mais aquela que sobrevive a todos estes desafios diários e constantes.[1]

AdaptaçõesEditar

TelevisãoEditar

 
Gessy Fonseca nos bastidores da primeira adaptação para a televisão em 1958, pela RecordTV.
  • Em 1958 a RecordTV adaptou o livro em formato de telenovela pela primeira vez, sendo escrita e dirigida por Ciro Bassini. Foi exibida entre 3 de fevereiro e 24 de abril de 1958 em 22 capítulos, exibidos em dois capítulos semanais e ao vivo – uma vez que na época ainda não existia videotape no Brasil e as novelas não eram diárias. Trouxe como protagonistas Gessy Fonseca e Gilberto Chagas.[2] Foi a telenovela mais assistida no Brasil naquele ano.[3]
  • Em 1967, a segunda versão foi adaptada por Pola Civelli, na Rede Tupi, sob a direção de Hélio Souto. Estreou no dia 1° de maio de 1967, terminando no dia 2 de junho, num total de 29 capítulos exibidos ao vivo, de segunda a sábado. Teve como protagonistas Cleyde Yáconis – que também esteve na primeira versão no papel de Clotilde, irmã de Lola – e Sílvio Rocha.
  • Em 1977, a Rede Tupi realizou a terceira adaptação, sendo a segunda vez em sua grade, escrita por Silvio de Abreu (em sua primeira novela como autor) e Rubens Ewald Filho, dirigida por Atílio Riccó e protagonizada por Nicette Bruno e Gianfrancesco Guarnieri. Estreou em 6 de junho de 1977 e teve seu último capítulo exibido em 31 de dezembro do mesmo ano, em um total de 165 capítulos. Foi a primeira vez que o texto original do livro foi ampliado, acrescentando personagens inexistentes na obra e outros apenas citados, e criando novas histórias para vários personagens que, no livro, tem uma trajetória bem mais simplificada.

CinemaEditar

  • Apesar de nunca ter sido adaptada para o cinema nacional, a obra foi transformada em filme sob o mesmo título em 1945 na Argentina, contando com Sabina Olmos e Roberto Airaldi nos papeis principais e a direção do chileno Carlos F. Borcosque.[12]

PersonagensEditar

Personagem
do livro
Adaptação para a TV
1958 1967 1977 1994 2019
Dona Lola Gessy Fonseca Cleyde Yáconis Nicette Bruno Irene Ravache Glória Pires
Júlio Gilberto Chagas Sílvio Rocha Gianfrancesco Guarnieri Othon Bastos Antonio Calloni
Alfredo Fábio Cardoso Plínio Marcos Carlos Alberto Riccelli Tarcísio Filho Nicolas Prattes
Carlos Randal Juliano Roberto Orosco Carlos Augusto Strazzer Jandir Ferrari Danilo Mesquita
Isabel Arlete Montenegro Guy Loup Maria Isabel de Lizandra Luciana Braga Giullia Buscacio
Julinho Silvio Luiz Tony Ramos Ewerton de Castro Leonardo Brício André Luiz Frambach
Tia Emília Wanda A. Hammel Dina Lisboa Nydia Lícia Nathalia Timberg Susana Vieira
Olga Maria Aparecida Báxter Apenas citada Jussara Freire Denise Fraga Maria Eduarda de Carvalho
Clotilde Cleyde Yáconis Apenas citada Geórgia Gomide Jussara Freire Simone Spoladore
Felício Apenas citado Apenas citado Adriano Reys Marco Ricca
Maria Laura Apenas citada Apenas citada Indianara Gomes Luciene Adami Rayssa Bratillieri
Zeca Inexistente Inexistente Paulo Figueiredo Osmar Prado Eduardo Sterblitch
Mãe de Lola Inexistente Inexistente Leonor Lambertini Yara Lins Denise Weinberg
Mãe de Júlio Inexistente Inexistente Linda Gay Lia de Aguiar Walderez de Barros
Tia Candoca Inexistente Inexistente Geny Prado Wilma de Aguiar Camila Amado
Justina Inexistente Inexistente Lourdes de Moraes Mayara Magri Julia Stockler[13]
Adelaide Inexistente Inexistente Carmem Monegal Bete Coelho
Dona Genu Inexistente Inexistente Maria Célia Camargo Jandira Martini Kelzy Ecard
Lili Inexistente Inexistente Beth Goulart Flávia Monteiro Triz Pariz
Durvalina Inexistente Inexistente Chica Lopes Chica Lopes Virgínia Rosa

Referências

  1. a b Correia, Avelino A, Maria José Dupré (resumo biográfico)  in Dupré, Maria José (1972). Éramos Seis 17ª ed. São Paulo: Ática. p. 7-8. CDD 869.935 
  2. «Éramos Seis: relembre todas as versões desse clássico da TV». Observatório da Televisão. Consultado em 23 de março de 2018 
  3. «Éramos Seis, um sucesso em adaptações». Junior de Castrro. Consultado em 23 de março de 2018 
  4. Armando Antenore (15 de junho de 1994). «Romance português substitui 'Éramos Seis'». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 17 de agosto de 2018 
  5. Nilson Xavier. «Éramos Seis - Bastidores». Teledramaturgia. Consultado em 27 de julho de 2014 
  6. «Desculpe a nossa falha». Folha de S.Paulo. UOL. 25 de dezembro de 1994. Consultado em 27 de julho de 2014 
  7. «Novela supera expectativa de audiência». Folha de S.Paulo. UOL. 6 de dezembro de 1994. Consultado em 27 de julho de 2014 
  8. Cristina Padiglione (4 de outubro de 2018). «Escolha por Glória Pires para ser a 5ª Dona Lola de 'Éramos Seis' é perfeita». Tele Padi. Consultado em 27 de janeiro de 2019 
  9. Flávio Ricco (25 de janeiro de 2019). «Globo estabelece nova ordem para fila das 18h e antecipa "Éramos Seis"». UOL. Consultado em 27 de janeiro de 2019 
  10. Patrícia Kogut (5 de fevereiro de 2019). «Antonio Calloni fará par com Gloria Pires em 'Éramos seis'». O Globo. Consultado em 5 de fevereiro de 2019 
  11. «Elenco de "Éramos Seis" é definido na Globo». UOL. 8 de abril de 2019. Consultado em 10 de abril de 2019 
  12. «Éramos Seis - Filme». Cinemateca Brasileira. Consultado em 23 de março de 2018 
  13. Patrícia Kogut (29 de julho de 2019). «Julia Stockler estreará nas novelas em 'Éramos seis'». O Globo. Consultado em 29 de julho de 2019 

Ligações externasEditar