1ª Esquadrilha de Ligação e Observação

Insígnia da 1ª ELO

A Força Aérea Brasileira participou da composição da Força Expedicionária Brasileira, com um pequeno contingente de 30 homens para integrar a Esquadrilha de Ligação e observação, pertencente à Artilharia Divisionária e destinada aos trabalhos de regulação do tiro de artilharia, de observação do campo de batalha e às missões de ligação. Os pilotos e o pessoal de manutenção dos aviões eram da Força Aérea Brasileira; os observadores aéreos eram oficiais do Exército, da Arma de Artilharia.[1]

Criação e embarqueEditar

A 1.ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1.ª ELO) foi criada pelo Aviso nº 57, de 20 de julho de 1944. Designado o seu Comandante, o Capitão Aviador João Afonso Fabrício Belloc, a Esquadrilha foi, em seguida, rapidamente organizada. A 19 de Setembro de 1944, a 1.ª ELO, já com todo o seu pessoal selecionado, apresentou-se no 1.° Regimento de Obuses Auto-Rebocado, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, pronta para o embarque para o Teatro de Operações da Itália. A 22 de outubro de 1944, a 1.ª ELO deixou o porto do Rio de Janeiro, a bordo do navio transporte de guerra norte-americano- "General Meigh", juntamente com o 3.° Escalão da Força Expedicionária Brasileira, desembarcando em Nápoles a 6 de outubro; a 10 de outubro, a borda da barcaça de invasão LC-1-l16, a 1.ª ELO se desloca para o porto de Livorno, onde chega a 12 de outubro, indo, em seguida, acampar nos arredores da cidade de Pisa.[2]

Operações aéreasEditar

A 4 de novembro de 1944, a Esquadrilha instala-se no aeródromo de San Rossore, onde recebe os seus 9 aviões L-4, do tipo Piper Cub, com motor de 65 C.V. Os L-4 eram equipados com rádio, mas eram completamente desprovidos de armamento.

As missões aéreas realizadas pelas 1.ª ELO eram longas e árduas; a topografia da região em que operavam, os Montes Apeninos, as condições atmosféricas durante o inverno, com nuvens dificultando a visibilidade e a passagem entre os morros, a pouca potência de seus pequenos aviões, o desconforto da cabina não aquecida, a longa permanência sobre as linhas de frente, as pistas de pouso precárias de onde tinham que operar e o fogo antiaéreo inimigo eram os fatores desfavoráveis que tinham que ser enfrentados. A 1.ª ELO deslocava a sua base frequentemente, acompanhando os movimentos da Força Expedicionária Brasileira e, das Unidades de Artilharia, cujos tiros deviam estar prontos a regular. As pistas de aterragem utilizadas eram preparadas sumariamente e tinham de 200 a 300 metros de comprimento; em dois dos casos, a largura útil da pista, recoberta por chapas de aço perfuradas, era de 6 metros.

Os aeródromos e pistas utilizadas para base da 1.ª Esquadrilha de Ligação e Observação foram os seguintes:

  • 14 de novembro de 1944: aeródromo de San Giorgio, em Pistóia;
  • 12 de dezembro de 1944: dado o avanço da tropa terrestre e dada a dificuldade de vencer trechos longos de montanhas durante o inverno, a 1ª ELO foi levada mais para a frente, para Suviana, onde passou a operar numa pequena pista, de chapas de aço perfuradas, no meio das montanhas cobertas de neve;
  • 15 de março de 1945: nas vésperas da "ofensiva da Primavera", a 1ª ELO foi avançada para Porreta Terme, onde já se achava o Quartel General da Divisão

Brasileira; pequena pista, de chapas de aço perfuradas, numa região coberta de neve;

  • 27 de abril de 1945: cidade de Montecchio;
  • 2 de maio: cidade de Piacenza;
  • 8 de maio: cidade de Portalbera;
  • 10 de maio: cidade de Alessândria, tudo acompanhando os deslocamentos da Força Expedicionária Brasileira, durante a "Ofensiva da Primavera" e durante o período de ocupação, após o término da guerra.

Durante a Campanha da Itália, a 1.ª Esquadrilha de Ligação e Observação realizou 1.654 horas de voo, 682 missões de guerra e mais de 400 regulações de tiro de Artilharia. Cada piloto executou de 70 a 95 missões de guerra. Os Observadores Aéreos que trabalharam na 1.ª ELO fizeram, em média, 6O missões de guerra cada um; eram os seguintes os oficiais do Exército, da de Artilharia: Capitão Adhemar Gutierrez Ferreira, Primeiros-Tenentes Jorge Augusto Vidal, Elber de Melo Henriques, Oswaldo Mascolin, Adalberto Vilas Boas, Walter de Oliveira, Pedro Augusto Gomes Galvão e Seguntos-Tenentes Iônio Ferreira Alves, Mário Dias e Cauby Eduardo Maia; o Primeiro-Tenente Raul Ribeiro Guimarães fez a apenas 14 missões.[2]

Referências do comando da força expedicionária à atuação dos Observadores AéreosEditar

 
Inauguração da 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação da Aeronáutica, no Galeão, em 1957.

Já nos últimos dias da "Ofensiva da Primavera", o Boletim Interno n.° 120, de 30 de abril de 1945, da 1.ª Divisão de Infantaria Expedicionária, publicou a seguinte referência, altamente honrosa, ao trabalho da l.ª Esquadrilha de Ligação e Observação:

"A rapidez e desenvolvimento dos engenhos da guerra moderna exigiram da Artilharia, a arma do projetil, meios próprios que se sobrepusessem ao terreno e ao clima e que orientassem, com segurança, precisão e oportunidade, os seus tiros através das linhas inimigas. E foi no modesto e frájil avião de turismo, transformado agora em olhos prescrutadores e audazes, que se encontrou a solução, de tão magno problema, pois o seu emprego estava sujeito a várias exigências técnicas como pouca velocidade, fácil manobra no campo e estabilidade no ar. Nasceu, assim, esse órgão novo e eficiente, entre nós batizado de Esquadrilha de Ligação e Observação, elemento integrante da Artilharia Divisionária.

Dizer do seu trabalho nesta Campanha é cantar um hino ao destemor e à noção do dever dos aviadores e artilheiros que a constituem. Não houve mau tempo, não houve neve, tão pouco acidentes e pistas impróprias, às quais, às vezes, não podiam regressar, que arrefecesse o ânimo e a disposição dos seus componentes."

Em 14 Jun 45, a Esquadrilha encerrou suas atividades conforme consta do BI n.° 73-A da AD:

"De acordo com a ordem verbal do Exmo Sr Gen Div Cmt da 1ª DIE é extinta a Esquadrilha de Ligação e Observação. Em consequência, os oficiais aviadores, e praças da Aeronáutica, deverão se apresentar ao 1° Grupo de Caça, com sede na cidade de PISA e os oficiais e praças do Exército às Unidades a que pertencem".

Após o término da II Guerra Mundial a função do Observador Aéreo, embora continuasse existindo nos Quadros de Organização dos Grupos de Artilharia, perdeu o seu verdadeiro significado.

A não ser a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e a AMAN, que se referiam muito sumariamente à conduta do tiro pelo Observador Aéreo e a existência na carga do Regimento Escola de artilharia de dois Pipers (L-4), que tinham participado da campanha da Itália, nada mais existia que pudesse dizer que o problema ainda vivia em nosso Exército.

Embora faltasse matéria, não faltava, entretanto, a ideia. Assim, por ato ministerial (Port Reservada n.° 58/54) de 11 de agosto de 1952 foi criado o CURSO DE FORMAÇÃO DE OBSERVADORES AÉREOS.

No primeiro semestre de 1954 foram concluídas a organização da documentação referente ao Curso e a montagem das missões de voo. Para a realização dos voos, foram utilizados os aviões L-4, que estavam entregues à Escola de Aeronáutica, sendo os pilotos fornecidos pela própria Escola. Em meados de 1955, foram entregues, também à Escola de Aeronáutica, os aviões L-19A recebidos dos Estados Unidos, em face do Acordo Militar Brasil - Estados / Unidos.

A fim de atender as necessidades do Exército, tendo em vista que a pilotagem e a manutenção das Aeronaves do Exército estavam sob a responsabilidade da FAB, foi criada pelo Decreto n.° 38.295 de 12 Dez 55, a 1.ª ELO com sede no Campo dos Afonsos, para "trabalhar em cooperação com o Exército". Pelo Decreto n.° 41.077, de 19 Mar 57 foi organizado o CATTer (Comando Aerotático Terrestre) que tinha como finalidade a instrução e o adestramento das Unidades Aéreas destinadas ao emprego conjunto com as Forças Terrestres. Atualmente, esta missão é atribuída ao COMAR (Comando Aéreo Regional). Em 1972 a 1.ª ELO foi absorvida pelo 3.° EMRA, sediado na Base Aérea de Santa Cruz. O 3.° Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque dispunha de Aeronaves L-42, helicópteros UH-lH e Xavante.

Posteriormente, pelo Decreto n.° 44.833, de 8 Nov 58, foi organizada a 3.ª ELO, sediada em Porto Alegre para trabalhar em cooperação com o Exército. Esta unidade da FAB foi equipada inicialmente com aviões I-6 (Paulistinha). Hoje dispõe de aviões L-42 e, transformada em 5.° EMRA, teve sua sede transferida para Santa Maria, RS. Além destes, existiam, em apoio ao Exército: o 4.° EMRA, sediado em Cumbica-SP, o 2.° EMRA, em Recife e o 1.° EMRA, com sede em Belém do Pará.

A presente organização até 1981, quando os EMRA foram extintos, dando lugar aos G Av, para atender ao Exército. Assim temos sediado na Base Aérea de Santa Cruz no Rio de Janeiro, no local do 3.° EMRA, o 1.° / 3.° G Av que, extinto em 1989, delegou a tarefa L/O para o 3.°/8.° G Av, sediado na Base Aérea dos Afonsos.

Em 7 Ago 54, no Boletim do Exército n.° 32, foram publicadas as normas para o funcionamento do Curso que teve início em 19 Out, na Escola de Instrução Especializada.

Daí por diante até os dias atuais, vem o Curso de Observador Aéreo entregando anualmente ao Exército turmas de novos especialistas.

A partir de 1957 passaram a frequentar o Curso oficiais de Infantaria e Cavalaria juntamente com os de Artilharia, numa demonstração do grau de importância que o Exército dá a esta especialidade.

Posteriormente também oficiais de Engenharia e do Corpo de Fuzileiros Navais passaram a frequentá-lo.

Referências

  1. com a primeira ELO na Itália" Editora: Incaer, Ano: 1991, autor: Fausto Vasques Villanova.
  2. a b "com a primeira ELO na Itália" Editora: Incaer, Ano: 1991, autor: Fausto Vasques Villanova.

Ligações externasEditar

Fonte: "com a primeira ELO na Itália" Editora: Incaer, Ano: 1991, autor: Fausto Vasques Villanova.