Abrir menu principal
Question book-4.svg
Esta página cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde dezembro de 2010). Ajude a inserir referências. Conteúdo não verificável poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
L'Internationale
Português:  A Internacional
Internationalen em sueco.

Hino do Movimento Comunista Internacional
Movimento Socialista Internacional
Movimento Social-Democrata Internacional
Movimento Democrático Internacional
Movimento Anarquista Internacional

Letra Eugène Pottier, 1871
Composição Pierre De Geyter, 1888
Adotado 1890

A Internacional (em francês: L'Internationale) é um hino internacionalista, sendo também uma das canções mais conhecidas de todo o mundo.

A letra original da canção foi escrita em francês em 1871 por Eugène Pottier (1816-1887), que havia sido um dos membros da Comuna de Paris. A intenção de Pottier era a de que o poema fosse cantado ao ritmo da Marselhesa. Em 1888, Pierre De Geyter (1848–1932) transformou o poema em música.

A Internacional ganhou particular notoriedade entre 1922 e 1944, quando se tornou o Speaker Icon.svg hino da União Soviética. Desde então, foi traduzida em inúmeros idiomas. A canção é tradicionalmente cantada com o punho fechado ao ar. Apesar de estar associada aos movimentos socialistas, A Internacional também serve de hino para comunistas, social democratas e anarquistas.

ComposiçãoEditar

A Internacional foi composta em 18 de Junho de 1888 por Pierre Degeyter, operário anarquista de origem belga fixado com a sua família na cidade francesa de Lille. Naquele dia fora oferecido a Degeyter um livro de poemas de Eugéne Pottier, operário francês também anarquista, membro da Comuna de Paris durante a qual foi eleito maire do 2.º Bairro de Paris. Após o sangrento esmagamento da Comuna, de cuja defesa participou, Pottier partiu para o exílio durante o qual escreveria diversos poemas, entre os quais o que viria a constituir a letra de A Internacional.

É fundamentalmente a partir de 1896, após a realização do congresso do Partido Operário Francês realizado nesse ano em Lille e durante o qual foi tocado e cantado, que o hino se espalha por toda a França e pela Europa através dos delegados estrangeiros presentes.

DifusãoEditar

A Internacional tornou-se o hino do socialismo internacional revolucionário. Seu refrão: C'est la lutte finale./Groupons-nous et demain/L'Internationale/Sera le genre humain, que, traduzindo livremente, significa, "Esta é a luta final./Vamos nos juntar e amanhã/A Internacional/Irá envolver toda raça humana" (a tradução mais usual costuma ser:Bem unidos façamos, / Nesta luta final, / Uma terra sem amos /A Internacional). A Internacional foi traduzido para várias línguas. Tradicionalmente, é cantado com a mão esquerda levantada.

Em muitos países europeus, a canção foi considerada ilegal no início do século XX por causa de imagem comunista.

A versão em russo serviu como hino da União Soviética de 1917 a 1941, quando foi trocada pelo Hino nacional da União Soviética por Stalin e também foi usada como hino do Partido Comunista da União Soviética. A troca se deu porque os líderes soviéticos acreditavam que os soldados sentiriam-se mais motivados com um hino com teor nacionalista e patriótico, do que com um hino sobre o ideal comunista no mundo. Foi traduzida originalmente por Aron Kots (Arkadiy Yakovlevich Kots) em 1902 e impressa em Londres na revista de imigrantes Zhizn (Vida). A primeira versão russa consistia em três versos e o refrão. Mais tarde, foi aumentado e algumas palavras foram trocadas.

A Internacional não é cantada apenas por comunistas mas também por socialistas (em muitos países) ou sociais-democratas, e os anarquistas, que a mantêm na íntegra, sem cortes como outras vertentes fazem. Em A Revolução dos Bichos, de George Orwell, a canção recebe uma paródia

Como hinoEditar

Em PortugalEditar

O autor da versão portuguesa da sua letra é o anarcossindicalista Neno Vasco que no ano de 1909 traduz do francês para o português este hino. É contudo claro que ela acompanha de perto o original francês, reflectindo no seu fraseado a influência da literatura e poesia ligadas ao anarcossindicalismo, majoritário no movimento operário português nas primeiras décadas do século passado.

Não se conhecendo qualquer registo fonográfico português do hino anterior a 1926 e à sua proibição pelo salazarismo, é de admitir que a primeira gravação seja a realizada para o LP "Cânticos Revolucionários em Português", gravada em Lisboa em 1975 pela editora Metro-Som (LP 105), com interpretação de "elementos dos coros da Fundação Calouste Gulbenkian e do Teatro S. Carlos e intervenção da Banda Portuguesa, Siegfried Sugg no acordeão e Daniel Louis em toda a percussão". A direcção musical é de J. Machado e J. Gomes, seguindo os arranjos muito de perto as versões francesas então mais conhecidas, nomeadamente as popularizadas pelo Groupe 17.

Por altura da comemoração do 60.º aniversário do Partido Comunista Português (1981), integrou-se no programa a produção e gravação de uma versão claramente portuguesa do que os estatutos do PCP não definem como respectivo hino.

No BrasilEditar

Assim como em Portugal, não há uma data exata da chegada do hino em terras brasileiras. Contudo, sabe-se que seu canto foi amplamente difundido na grande Greve Geral promovida por anarco-sindicalistas em São Paulo em 1917. É certo, todavia, que o hino dos trabalhadores aportou em terras tupiniquins junto com trabalhadores imigrantes alemães, portugueses, espanhóis e italianos.

A letra mantém-se muito próxima à versão de Neno Vasco. Mas mantém versos antimilitaristas ("Verás que nossas balas, são para os nossos Generais" - o equivalente a General em Portugal). Isto poderia ser explicado pela participação distinta dos militares portugueses e brasileiros na política em seus respectivos países. Enquanto o Brasil teve um Golpe de Estado Militar (1964) de caráter reacionário empenhado em desmobilizar pela repressão toda e qualquer organização popular, conforme desejava a Operação Condor, em Portugal, ao contrário, os militares fizeram uma revolução democrática social e pró-trabalhadores (Revolução dos Cravos) em 1974.

É usada como canção oficial do Partido Comunista Brasileiro e do Partido Comunista Revolucionário. Os anarquistas brasileiros também o adotam. Porém, diferentemente dos comunistas, mantêm a versão original da tradução de Neno Vasco para o verso "Messias, deus, chefes supremos", ao invés de "Senhores, patrões, chefes supremos". O verso é suprimido na versão do Partido Comunista para evitar conflitos com alas da Igreja Católica que o apoiavam.

No Brasil, A Internacional foi gravada pela banda paulista de punk rock Garotos Podres no álbum Garotozil de Podrezepam, lançado em 2003, utilizando a tradução utilizada em Portugal. O ex-vocalista da banda, Mao, é doutor em História e estudioso dos escritos de Karl Marx.[1]

A letraEditar

Uma das versões brasileirasEditar

De pé, ó vitimas da fome

De pé, famélicos da terra

Da ideia a chama já consome

A crosta bruta que a soterra


Cortai o mal bem pelo fundo

De pé, de pé, não mais senhores

Se nada somos em tal mundo

Sejamos tudo, ó produtores


Bem unidos façamos

Nesta luta final

Uma terra sem amos

A Internacional


Senhores, Patrões, chefes supremos

Nada esperamos de nenhum

Sejamos nós que conquistemos

A terra mãe livre e comum


Para não ter protestos vãos

Para sair desse antro estreito

Façamos nós por nossas mãos

Tudo o que a nós nos diz respeito


Bem unidos façamos

Nesta luta final

Uma terra sem amos

A Internacional


O crime de rico, a lei o cobre

O Estado esmaga o oprimido

Não há direitos para o pobre

Ao rico tudo é permitido


À opressão não mais sujeitos

Somos iguais todos os seres

Não mais deveres sem direitos

Não mais direitos sem deveres


Bem unidos façamos

Nesta luta final

Uma terra sem amos

A Internacional


Abomináveis na grandeza

Os reis da mina e da fornalha

Edificaram a riqueza

Sobre o suor de quem trabalha


Todo o produto de quem sua

A corja rica o recolheu

Querendo que ela o restitua

O povo só quer o que é seu


Bem unidos façamos

Nesta luta final

Uma terra sem amos

A Internacional


Nós fomos de fumo embriagados

Paz entre nós, guerra aos senhores

Façamos greve de soldados

Somos irmãos, trabalhadores


Se a raça vil, cheia de galas

Nos quer à força canibais

Logo verás que as nossas balas

São para os nossos generais


Bem unidos façamos

Nesta luta final

Uma terra sem amos

A Internacional


Pois somos do povo os ativos

Trabalhador forte e fecundo

Pertence a Terra aos produtivos

Ó parasitas deixai o mundo


Ó parasitas que te nutres

Do nosso sangue a gotejar

Se nos faltarem os abutres

Não deixa o sol de fulgurar


Bem unidos façamos

Nesta luta final

Uma terra sem amos

A Internacional

Versão PortuguesaEditar

De pé, ó vítimas da fome!

De pé, famélicos da terra!

Da ideia a chama já consome,

A crosta bruta que a soterra.


Cortai o mal bem pelo fundo!

De pé, de pé, não mais senhores!

Se nada somos neste mundo,

Sejamos tudo, ó produtores!


Bem unidos façamos,

Nesta luta final!

Uma terra sem amos

A Internacional!


Messias, Deus, chefes supremos,

Nada esperemos de nenhum!

Sejamos nós quem conquistemos

A Terra-Mãe livre e comum!


Para não ter protestos vãos,

Para sair deste antro estreito,

Façamos nós por nossas mãos

Tudo o que a nós diz respeito!


Bem unidos façamos,

Nesta luta final!

Uma terra sem amos

A Internacional!


Crime de rico a lei o cobre,

O Estado esmaga o oprimido.

Não há direitos para o pobre,

Ao rico tudo é permitido.


À opressão não mais sujeitos!

Somos iguais todos os seres.

Não mais deveres sem direitos,

Não mais direitos sem deveres!


Bem unidos façamos,

Nesta luta final!

Uma terra sem amos

A Internacional!


Abomináveis na grandeza,

Os reis da mina e da fornalha

Edificaram a riqueza

Sobre o suor de quem trabalha!


Todo o produto de quem sua

A corja rica o recolheu.

Querendo que ela o restitua,

O povo só quer o que é seu!


Bem unidos façamos,

Nesta luta final!

Uma terra sem amos

A Internacional!


Fomos de fumo embriagados,

Paz entre nós, guerra aos senhores!

Façamos greve de soldados!

Somos irmãos, trabalhadores!


Se a raça vil, cheia de galas,

Nos quer à força canibais,

Logo verá que as nossas balas

São para os nossos generais!


Bem unidos façamos,

Nesta luta final!

Uma terra sem amos

A Internacional!


Somos o povo dos activos

Trabalhador forte e fecundo.

Pertence a Terra aos produtivos;

Ó parasitas, deixai o mundo!


Ó parasita que te nutres

Do nosso sangue a gotejar,

Se nos faltarem os abutres

Não deixa o sol de fulgurar!


Bem unidos façamos,

Nesta luta final!

Uma terra sem amos

A Internacional!


Referências

Ligações externasEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre A Internacional
 
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com A Internacional
Precedido por
Deus, salve o Tsar
Hinos nacionais russos
1917 - 1944
Sucedido por
Hino nacional da União Soviética