Aarão Reis

Aarão Leal de Carvalho Reis (Belém do Pará, 6 de maio de 1853Rio de Janeiro, 11 de abril de 1936) foi industrial, empresário, engenheiro e urbanista brasileiro. Além de outras realizações, Aarão Reis ficou famoso por ter sido nomeado para fazer o levantamento do local apropriado para a construção da nova capital do estado de Minas Gerais, Belo Horizonte; após o levantamento, Aarão Reis permaneceu como chefe da comissão que construiu desta capital. Reis destacou-se ainda como empresário e um dos pioneiros na difusão da eletricidade no Brasil da Belle Époque. Anos antes, Aarão Reis planejou a cidade de Soure, na Ilha do Marajó. Dirigiu o Banco do Brasil e o Lloyd Brasileiro, e foi eleito deputado federal em 1911 e 1927.[1]

Aarão Reis
Nascimento 6 de maio de 1853
Belém
Morte 11 de abril de 1936 (82 anos)
Cidadania Brasil
Progenitores
Ocupação engenheiro civil, urbanista, físico, matemático
Aarão Reis em selo postal de 1953.

BiografiaEditar

Filho de Anna Leal de Carvalho Reis e Fábio Alexandrino de Carvalho Reis, de chegou a presidência da província do Pará, Aarão nasceu em 1853 na capital da província do Pará, onde seu pai exercia então o cargo de inspetor da alfândega.

Matriculando-se na Escola Central - futura Escola Politécnica do Rio de Janeiro - em 1869, ali concluiu o curso de engenheiro geógrafo em 1872, o de engenheiro civil em 1874, e recebeu o grau de bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas, já tendo antes exercido o magistério como professor de matemática elementar em diversos colégios.

Em 1873, antes de bacharelar-se, entrou como praticante para a direção das obras públicas da alfândega; em 1875, apenas formado, foi nomeado para fiscalizar as obras do novo matadouro da corte, onde sustentou uma luta com os empreiteiros que procuravam combater as cláusulas firmadas com o governo, trabalho que exerceu até ser rescindido o contrato, em novembro de 1878; em 1879 fez parte da comissão, que, sob a presidência do conselheiro Cristiano Benedito Ottoni, deu parecer sobre a rescisão do contrato e avaliou as obras feitas e por fazer no novo matadouro, dirigindo o serviço das obras feitas; e depois, como engenheiro gerente, incorporou a companhia ferro-carril de Cachambi, que conseguiu montar em oito meses, construindo os primeiros dois quilômetros de via férrea, regulamentando e iniciando o tráfego.

Com o advento da Proclamação de República, Aarão Reis, republicano e positivista, pode colocar sua formação a serviço dos ideais de progresso e modernização do país: foi engenheiro-chefe da Estrada de Ferro de Pernambuco (1889) e diretor-geral da Secretaria de Estado da Agricultura, Indústria, Viação e Obras Públicas (1890). Durante o Governo Provisório marechal Deodoro da Fonseca, atuou como consultor técnico junto aos ministros da Agricultura, Demétrio Ribeiro (1890) e Francisco Glicério (1890-1891) e das Relações Exteriores, Quintino Bocaiúva (1891); ocupou o cargo de engenheiro-chefe da Estrada de Ferro da Tijuca (1891-1892); presidiu, entre 1891-1892, a Companhia Geral de Melhoramentos no Maranhão.[1]

Quando se viu pela primeira vez desempregado, entre 1898 e 1906, Aarão Reis permaneceu afastado da vida pública. Na ocasião, aventurando-se na iniciativa privada, adquiriu em 1899 as instalações da Companhia Agrícola Brasileira e, meses depois, fundou em terras de sua propriedade, a Fábrica Serra do Mar, fabricante de fósforos de segurança e proprietária da marca “Bandeirinhas”. Era um empreendimento individual que funcionou sob a direção exclusiva de Aarão Reis até agosto de 1904, ocasião em que, incorporada à Empresa Industrial Serra do Mar, tornou-se uma sociedade por ações.[1]

Posteriormente, Aarão Reis procurou aplicar seus conhecimentos sobre eletricidade junto à iniciativa privada, atuando como empresário na geração e distribuição de energia elétrica para iluminação públicaNo estado do Rio de Janeiro, Aarão Reis monta a sua primeira empresa de envolvida com eletricidade: a “Industrial Serra do Mar”, instalada oficialmente em agosto de 1904, a empresa seguiu o caminho das autoprodutoras e distribuidoras de energia elétrica localizadas fora das grandes cidades: primeirmente usou a eletricidade para sua própria produção, no caso específico, para a fabricação dos “Fósforos Bandeirinhas” e, em seguida, foi obtendo concessões para a iluminação pública dos municípios de Vassouras e Barra do Piraí, no entorno da fábrica - localizada no então povoado que mais tarde daria origem a cidade de Mendes - e de trecho da Estrada de Ferro Central do Brasil.[1]

Em 1911, a empresa Serra do Mar já possuía contratos para distribuição de energia elétrica para os municípios de Barra do Piraí e Vassouras e trechos da Estrada de Ferro Central do Brasil. Pretendendo distribuir energia elétrica para todo o Estado do Rio de Janeiro, criou a Empresa Fluminense de Força e Luz (EFFL), constituída em outubro de 1911, que tinha como objetivo a incorporação dos conhecimentos técnicos sobre eletricidade do engenheiro Aarão Reis (1853-1936) ao negócio da distribuição de iluminação pública e privada.[1]

Fundou a sociedade União Beneficente Acadêmica da Escola Central com seu colega José de Nápoles Telo de Meneses, e dela foi presidente.

 
Planta cadastral do Arraial de Bello Horizonte, 1895. Acervo Museu Histórico Abílio Barreto

O Projeto de Belo HorizonteEditar

 
Aarão reis

Como chefe da comissão de construção da nova capital, Aarão Reis desenhou a planimetria da nova cidade.Todo o planejamento de planimetria, arquitetura, e construção foi feito por ele nos anos entre 1894 e 1897. Depois do planejamento e construção, ele se mudou para Belo Horizonte, tendo morado em uma casa no local onde hoje é o Parque Municipal de Belo Horizonte. O plano do engenheiro para a criação de BH consistia na definição de uma avenida (a Avenida do Contorno) para delimitar a futura área urbana da cidade, e fazer com que a cidade fosse construída apenas dentro de tal avenida, conforme seu projeto para as ruas, avenidas e bairros. Devido ao grande crescimento econômico que mais tarde ocorreria na região de Belo Horizonte, este projeto de delimitação da área urbana no interior da avenida se tornou inviável e a cidade cresceu em meio as montanhas, muito além do limite original. A região de Belo Horizonte que se localiza no interior de tal avenida é hoje o centro da cidade, já que Belo Horizonte cresceu muito além do previsto. Aarão Reis foi homenageado na cidade de Belo Horizonte, com a nomeação de uma rua com seu nome, próxima a Praça Rui Barbosa (Praça da Estação).

BibliografiaEditar

Referências

  1. a b c d e FREITAS F°, Almir Pita; SOUZA, Antonio Lopes de; MARTINS, Margareth Guimarães; QUAGLINO, Maria Ana; HAZAN, Sergio Sami (2013). «Energia Elétrica e Iluminação Pública no Brasil da "Belle Époque": as empresas do engenheiro Aarão Reis» (PDF). São Paulo: I Simpósio Internacional Eletrificação e Modernização Social: a expansão da energia elétrica para a periferia do capitalismo; organizado pelos departamentos de Geografia e de Economia da Universidade de São Paulo e pelo Departamento de Geografia Humana da Universidad de Barcelona/Geocrítica. Consultado em 10 de maio de 2021 
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