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Abiy Ahmed Ali

primeiro-ministro da Etiópia
Abiy Ahmed Medalha Nobel
Nome nativo Abiy Ahmed Ali
Nascimento 15 de agosto de 1976
Beshasha, Kaffa
Cidadania Etiópia
Alma mater Universidade de Addis Ababa
Ocupação político, militar
Prêmios Nobel da Paz (2019)
Religião Protestantismo
Página oficial
https://pmo.gov.et/pm/

Abiy Ahmed Ali (em amárico: አብይ አህመድ አሊ; em oromo: Abiyyi Ahimad Alii; Beshasha, Kaffa, 15 de agosto de 1976) é um engenheiro informático, militar, político, e estadista etíope, atual primeiro-ministro de Etiópia desde 2 de abril de 2018. É presidente do Partido Democrata Oromo (ODP) e líder da Frente Democrática Revolucionário do Povo Etíope (EPRDF), coalizão dirigente desde 1991.[1][2] Antes da sua eleição como primeiro-ministro, Abiy foi deputado da Assembleia Parlamentar Federal e Ministro da Ciência e da Tecnologia entre 2015 e 2016.[3]

Ex-oficial dos serviços de informações do exército etíope, Abiy assumiu o cargo de primeiro-ministro em abril de 2018, em plenos protestos generalizados contra o regime autoritario de Hailemariam Desalegn. Abiy é o primeiro oromo étnico (a etnia maioritária do país) a exercer a chefia do governo da Etiópia. Desde a sua chegada ao poder, Abiy tem encabeçado um amplo processo de reforma política, social e económica, desde a libertação de mais de 7600 prisioneiros considerados como presos políticos apenas na Região de Oromía (mais outros 575 a nível nacional) e de regresso de vários dirigentes opositores exilados; a liberalização progressiva da economia em detrimento do habitual monopólio estatal; e de uma reforma constitucional que levasse à revisão do sistema de federalismo étnico implementado no país, considerado como um dos principais motivos para as tensões raciais persistentes em Etiópia.[4][5] Abiy tem anunciado que procura uma transição progressiva para uma plena democracia multipartidária. A sua administração tem alentado também um aumento da participação das mulheres na política etíope, instigando a eleição de Sahle-Work Zewde como presidente da república e promovendo a nomeação da advogada ativista pelos direitos das mulheres Meaza Ashenafi como presidente da Suprema Corte Federal, além de atingir a paridade de género no seu gabinete.[6]

Em 11 de outubro de 2019 Abiy foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz por seu trabalho em encerrar vinte anos de impasse entre a Etiópia e a Eritreia.[7][8]

Começo da vida e educaçãoEditar

Abiy Ahmed nasceu na cidade de Beshasha, na histórica província de Kaffa (na região de Oromía), Etiópia, em 15 de agosto de 1976.[9][10][11][12] Seu pai, Ahmed Ali, é um Oromo muçulmano, enquanto sua falecida mãe, Tezeta Wolde era uma cristã ortodoxa amhara,[9][13] é cristão pentecostal evangélico devoto da Igreja dos Crentes do Evangelho Pleno[14].

Abiy, que tinha começado os seus trabalhos de doutoramento como estudante regular, completou esse grau académico em 2017 no Instituto para Estudos de Paz e Segurança, Universidade de Addis Abeba.[15] Fez seu trabalho de doutorado no distrito eleitoral de Agaro com a tese doutoral intitulada "O capital social e seu papel na resolução de conflitos tradicionais em Etiópia: o caso do conflito interreligioso no estado da zona de Jimma". Como rastreamento de sua tese doutoral, publicou um artigo de investigação sobre estratégias de redução no Boletim do Corno de África num número de revista especial dedicado a contrarrestar o extremismo violento.[16]

Carreira militarEditar

Como adolescente no início de 1991, aderiu à luta armada contra o regime marxista-leninista de Mengistu Haile Mariam após a morte de seu irmão mais velho, como membro do ODP (Partido Democrata Oromo), que nesse momento era uma organização pequena de só uns 200 combatentes no grande exército de coalizão de uns 100.000 combatentes que resultou na queda do regime nesse mesmo ano.[9][17][18] Como só tinha tão poucos combatentes PAO num exército com seu núcleo de ao redor de 90.000 tigrayanos, Abiy rapidamente teve que aprender o idioma tigriño. Como orador de tigriño num aparelho de segurança dominado por tigrayanos, poderia avançar em sua carreira militar.[17]

Carreira políticaEditar

Membro do Parlamento!Editar

Começou sua carreira política como membro do ODP (Partido Democrata Oromo). O ODP é o partido dirigente na Região de Oromia desde 1991 e também um dos quatro partidos de coalizão da coalizão dirigente em Etiópia, o EPRDF (Frente Democrático Revolucionário do Povo Etíope). Converteu-se em membro do comité central de ODP e membro do congresso do comité executivo de EPRDF, em rápida sucessão.

Em 2014, durante seu tempo no parlamento, Abiy converteu-se no diretor-geral de um novo Instituto de Investigação do Governo chamado Centro de Informação de Ciência e Tecnologia (STIC). No ano seguinte, em 2015, Abiy converteu-se em membro executivo de ODP. No mesmo ano foi reeleito para a Câmara de Representantes dos Povos por um segundo mandato, desta vez para sua casa no woreda de Gomma.

A princípios de 2018, muitos observadores políticos consideraram a Abiy e Lemma como os políticos mais populares dentro da maioria da comunidade Oromo e outras comunidades etíopes. Isto veio após vários anos de distúrbios em Etiópia. Mas apesar desta qualificação favorável para Abiy e Lemma, os jovens da Região de Oromia pediram uma acção imediata sem demoras para trazer uma mudança fundamental e liberdade à Região de Oromia e Etiópia, caso contrário, esperar-se-ia mais descontentamento. Segundo o próprio Abiy, a gente está a pedir uma retórica diferente, com uma discussão aberta e respeitosa no espaço político para permitir o progresso político e ganhar às pessoas para a democracia em lugar de pressioná-las. Até princípios de 2018, Abiy continuou ocupando o cargo de chefe da secretaria de ODP e do Escritório de Desenvolvimento Urbano e de Moradia de Oromia e como Vice-presidente da Região de Oromia. Depois deixou todos estes postos após sua eleição como líder de EPRDF.

Referências

  1. «Ethiopia's ODP picks new chairman in bid to produce next Prime Minister» (em inglês) 
  2. «EPRDF elects Abiy Ahmed chair» (em inglês) 
  3. «Dr Abiy Ahmed sworn in as Prime Minister of Ethiopia» (em inglês) 
  4. «Ethiopia's Oromia regional state pardons 7,611 detainees» 
  5. «Ethiopia frees abducted Briton Andargachew Tsege on death row» 
  6. «In Ethiopian leader's new cabinet, half the ministers are women». Washington Post (em inglês) 
  7. Busby, Mattha (11 de outubro de 2019). «Ethiopian prime minister Abiy Ahmed wins 2019 Nobel peace prize – live news». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 11 de outubro de 2019 
  8. «Abiy Ahmed Ali, primeiro-ministro da Etiópia, ganha Nobel da Paz 2019». G1. Consultado em 11 de outubro de 2019 
  9. a b c Dawit Endeshaw. «The rise of Abiy 'Abiyot' Ahmed» 
  10. «Abiy Ahmed ateuliwa kuongoza Ethiopia». BBC News Swahili (em suaíli). Abiy alizaliwa Agaro kusini Ethiopia katika eneo la Jima tarehe 15 Agosti 1976 == Abiy was born in Agaro south of Ethiopia in the Jima area on August 15, 1976 
  11. «Abiy Ahmed Ali – 28.03.2018». DW.COM (em suaíli). Abiy Ahmed alizaliwa August 15, 1976 nchini Ethiopia == Abiy Ahmed was born on August 15, 1976 in Ethiopia 
  12. «Ethiopia in democratic, transformational leadership». ethpress.gov.et. Consultado em 11 de março de 2019. Arquivado do original em 6 de maio de 2018 
  13. Somini Sengupta. «Can Ethiopia's New Leader, a Political Insider, Change It From the Inside Out?» 
  14. «God wants Ethiopians to prosper: The prime minister and many of his closest allies follow a fast-growing strain of Christianity». The Economist. 24 November 2018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  15. «IPSS Student named to Ethiopia's Cabinet». Consultado em 11 de março de 2019. Arquivado do original em 9 de junho de 2016 
  16. «Countering Violent Extremism through Social Capital: Anecdote from Jimma, Ethiopia». Horn of Africa Bulletin (em inglês). 29: 12–17. ISSN 2002-1666 
  17. a b «Can Abiy Ahmed save Ethiopia?» (em inglês) 
  18. «Dr Abiy Ahmed interview with Amhara TV», ZeHabesha TV, 21 de novembro de 2017, consultado em 18 de fevereiro de 2018 

Ligações externasEditar