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Academia Real dos Guardas-Marinhas

A Academia Real dos Guardas-Marinhas constituiu uma instituição portuguesa de ensino superior naval, criada em 1796.

Tinha como objetivo formar os guarda-marinhas, para se tornarem oficiais da Marinha Real Portuguesa, estando na origem das atuais escolas navais de Portugal e do Brasil.

Foi seu primeiro comandante D. Manuel Carlos da Cunha e Tavora, conde de São Vicente.

HistóriaEditar

A Academia Real dos Guarda-Marinhas foi criada por Carta de Lei de 1 de abril de 1796. Ficou instalada na Sala do Risco do Arsenal Real da Marinha de Lisboa.

A nova academia tinha como função formar os futuros oficiais da marinha de guerra, que até aí tinham uma formação prática na Companhia dos Guardas-Marinhas e uma formação científica na Academia Real de Marinha. Com a criação da Academia dos Guardas-Marinhas, a Companhia dos Guardas-Marinhas foi nela integrada, constituindo-se como o seu corpo de alunos. A formação científica que era realizada na Academia Real de Marinha passou a ser feita na nova academia, passando aquela a concentrar-se apenas na formação dos pilotos (oficiais náuticos civis) e na formação preparatória dos futuros oficiais engenheiros do Exército.

Os alunos eram admitidos à Academia dos Guarda-Marinhas como aspirantes a guarda-marinha, sendo promovidos a guarda-marinhas depois de aprovados nas matérias do primeiro ano letivo. Ao finalizarem o curso da Academia, os guarda-marinhas eram promovidos a segundos-tenentes da Armada. Tanto os alunos como os lentes tinham um estatuto equiparado aos da Academia Real da Marinha e aos da Universidade de Coimbra.

Em 1808, a Academia dos Guarda-Marinhas acompanha transferência da Corte Portuguesa para o Brasil. A Companhia dos Guarda-Marinhas, os professores, o material escolar e a biblioteca da Academia embarcam na nau Conde Dom Henrique, desembarcando no Rio de Janeiro em março de 1808. No Rio de Janeiro, a Academia instala-se no edifício do Convento de S. Bento.

A Academia Real dos Guarda-Marinhas irá permanecer no Brasil, mesmo após o regresso do Rei D. João VI a Portugal em 1821.

Em 1822, perante a Independência do Brasil, a Academia divide-se entre os que pretendem aí permanecer e os que pretendem regressar a Portugal. Finalmente, em 1825, a Academia divide-se em duas, uma brasileira e outra portuguesa. A Academia portuguesa regressa a Portugal e volta a instalar-se no local do Arsenal da Marinha de Lisboa de onde tinha saído 17 anos antes, sendo reformada em 1845, altura em que mudou a sua designação para "Escola Naval". A Academia brasileira passou a designar-se "Academia Imperial dos Guardas-Marinhas", depois designou-se "Escola de Marinha" em 1858 e, finalmente, "Escola Naval" em 1887.

Organização e ensinoEditar

A Academia Real dos Guarda-Marinhas funcionava na dependência do Inspetor-Geral da Marinha. Os alunos formavam a Companhia dos Guarda-Marinhas sob o comando de um oficial general da Marinha. O Corpo da Academia era constituído por três lentes de matemática, dois seus substitutos, um lente de artilharia, um mestre de aparelho e um mestre de desenho e construção naval.

Na Academia era ministrado um Curso Militar de Marinha, com uma componente científica e uma componente de artes náuticas. A componente científica constituía um curso matemático semelhante ao da Academia Real da Marinha. O curso militar durava três anos letivos, além de um ano de embarque.

No primeiro ano letivo, era realizada a cadeira matemática de aritmética, geometria e trigonometria reta e as artes do aparelho. Entre o primeiro e o segundo ano letivo, era realizado o ano de embarque. No segundo ano letivo, era realizada a cadeira matemática de álgebra, secções cónicas e mecânica e as artes de desenho e construção naval. Finalmente, no terceiro ano letivo era realizada a cadeira matemática de trigonometria esférica, navegação e tática naval, e nas artes, a continuação do desenho e a cadeira de artilharia.

Ligações externasEditar

Ver tambémEditar