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Mapa do Palatino. O Aius Locutius é o número 4, à esquerda, no centro-abaixo.

Aius Locutius ou Aius Loquens era uma lista de dividades ou numina romanas associadas com a Batalha do Ália no início do século IV a.C..

HistóriaEditar

Segundo a lenda, um plebeu chamado Marco Cedício teria ouvido uma voz noturna sobrenatural no bosque sagrado de Vesta, na base do monte Palatino. Ela teria alertado-o sobre o iminente ataque gaulês, recomendado que as muralhas fosse fortificadas e instruiu-o a passar esta mensagem aos tribunos da plebe; porém, por conta do status humilde do mensageiro, a mensagem foi ignorada. O resultado foi que os gauleses conseguiram invadir e incendiar a cidade. Tão logo os gauleses foram expulsos, o Senado mandou construir um templo e um altar (conhecidos como "Ara Aius Locutius" e "Ara Saepta") para agradecer e apaziguar a divindade desconhecida que havia dado o alerta. Conta-se que o local escolhido foi o mesmo no qual Cedício ouviu as vozes. Posteriormente, os historiadores romanos disputaram sobre a localização exata do presságio e nenhum traço restou nem do templo e nem do altar; este último tem sido historicamente identificado incorretamente com um altar palatino inscrito "si deus si dea" ("ou deus ou deusa"), uma dedicação a uma divindade desconhecida[1].

Num contexto mais amplo da religão oficial romana, Aius Locutius é excepcional. Oficialmente, os deuses podiam falar através de mensagens crípticas e locuções de oráculos dedicados ou através de um complexo sistema de sinais em resposta a questões específicas formuladas pelos áugures estatais. Eles podiam também conceder sinais de boa sorte aos seus mais queridos protegidos ou falar em privado com eles através de sonhos. Aius Locutius foi um caso de instruções claras e urgentes de grande importância ao estado, em latim, para um plebeu ordinário que passava pelo local — e, a partir de então, segundo Cícero, "tendo conquistado um templo, um altar e um nome, 'porta-voz', jamais falou novamente"[2].

O epíteto "Locutius" foi também utilizado para invocar uma das divindades relativas ao desenvolvimento das crianças[3].

Referências

  1. Lawrence Richardson, A new Topographical dictionary of ancient Rome, 1992, p5; googlebooks preview
  2. Clifford Ando, The matter of the gods: religion and the Roman Empire, University Presses of California, Columbia and Princeton, 2008, p.125 - googlebooks preview for Ando's paraphrasis of Cicero, De divinatione, 2.69.
  3. Jörg Rüpke, Religion in Republican Rome: Rationalization and Ritual Change (University of Pennsylvania Press, 2002), p. 182.