Albert Sechehaye

Linguista franco-suíço

Charles-Albert Sechehaye (Genebra, 4 de julho de 1870 - Genebra, 2 de julho de 1946) foi um linguista e professor universitário franco-suíço que ficou conhecido por ter organizado e editado, juntamente com Charles Bally, o Curso de Linguística Geral, livro que é considerado o mais importante atribuído a Ferdinand Saussure, morto em 22 de fevereiro de 1913, portanto, trata-se de uma obra póstuma, publicada em 1916.[1]

Albert Sechehaye
Nome completo Charles-Albert Sechehaye pronúncia francesa:IPA: se.ʃɛ
Nascimento 4 de julho de 1870
Genebra, Suíça
Morte 2 de julho de 1946 (75 anos)
Genebra
Residência Suíça
Nacionalidade Suíça
Campo(s) linguística
Tese Der Konjunktiv Imperfecti und seine Konkurrenten in den normalen hypothetischen Satzgefügen im Französischen

BiografiaEditar

Nascido em "uma família de huguenotes originários de Metz e instalados em Genebra em 1689, Charles-Albert-Sechehaye era o segundo filho de Jean-François Sechehaye, contador do estado, e de Louise Valloton".[2] Depois de concluir seus estudos secundários, no Colégio de Genebra, em 1889, o jovem Sechehaye ingressa na Universidade de Genebra, tendo uma formação filosófica em Letras Clássicas com seu mestre Ferdinand de Saussure. Até 1894, ele atuou como preceptor particular, depois, tornou-se leitor da língua francesa atuando primeiramente na Boemia entre 1894-1897, e, em seguida, exerce a mesma função entre 1897-1901 em Göttingen, onde prepara sua tese nesta Universidade alemã, defendida, em 3 março de 1902, sua tese sobre o imperfeito do subjuntivo (um tempo verbal da língua francesa, que caiu em desuso).[3][4] De volta a Suíça, ele se instala definitivamente em Genebra, onde é nomeado em 1903, mestre de conferência do seminário "Francês moderno".[5] Casa-se, em 1906, com Marguerite Andrée Sechehaye (nascida Burdet),futura assistente de pesquisa de Édouard Claparède na Universidade de Genebra que depois se tornaria uma importante psicóloga e psicanalista da Sociedade Suíça de Psiquiatria (Société suisse de psychanalyse), pioneira no tratamento psicoanalítico da esquizofrenia, e que fez análise de treinamento com Raymond de Saussure, filho do linguista Ferdinand de Saussure, o mesmo que fora tutor de seu marido e seu professor no curso de Letras. Ela também foi uma dos doze alunos matriculados no último curso ministrado por Saussure que contribuíram com suas anotações para o livro que eternizaria o mestre genebrino como o pai da Linguística moderna. Em 1916, Albert Sechehaye consegue publicar juntamente com Ballly, tendo a colaboração de Charles Riedlinger, o Curso de Linguística Geral, obra que contém as ideias de Ferdinand de Saussure, referente aos três últimos cursos que ministrou na Universidade de Genebra entre 1906-1907 (primeiro curso), 1908-1909 (segundo curso) e 1910-1911 (último curso).[6] O livro foi escrito a partir das anotações de seus ex-alunos, já que, depois da morte de Saussure, em 1913,ninguém encontrou nada sobre os apontamentos destes cursos, escrito por seu próprio punho. Hoje é considerada a obra mais importante de Saussure. Em 1939, Sechehaye substitui Bally como professor na Universidade de Genebra.

Discípulo ou mestre de Saussure?Editar

Embora algumas ideias, desenvolvidas simultaneamente por Sechehaye e Saussure, ganhassem prestígio internacional, durante muito tempo Sechehaye ficou à sombra de seu professor e permaneceu desconhecido, até mesmo depois da publicação do Curso de Linguística Geral em 1916. Sechehaye já havia publicado um livro em 1908 que incluiu algumas ideias estruturalistas e um programa de linguística sincrônica e fonologia. Este trabalho era conhecido por Saussure, que, a partir de 1909, passou a usar em suas palestras. Talvez, por isso que Peter Wunderli chegou a dizer que Saussure teria sido mais um "discípulo de Sechehaye", do que seu mestre, o que é um certo exagero; contudo, seu papel no surgimento do estruturalismo não deve ser esquecido nem negligenciado.

Ideias LinguísticasEditar

O Programa e métodos da linguística teórica (Programme et méthodes de la linguistique théorique), de 1908, foi o primeiro texto publicado por Sechehaye após sua defesa de tese e foi dedicado ao mestre Saussure. Neste trabalho, ele propõe que a linguística se torne uma "ciência de leis" ao invés de "ciência dos fatos", como defendia a corrente da linguística histórica de orientação positivista. Segundo Sechehaye, todos os níveis de uma língua estão divididos em partes "estáticas" e "dinâmicas" (ou "evolutivas"). As partes "estáticas" são os principais componentes da língua porque não são influenciadas pela evolução. Daí, o motivo por considerar a linguística como ciência das leis, já que é, nestes termos, atemporal e universal, enquanto a dos fatos concretos depende da história da língua, incluindo as leis fonéticas.

Sechehaye apresenta ideias de origens e mudanças das línguas, propõe uma fonologia quase algébrica e lida com a gramática dos erros da língua (como a das crianças). Ele recomenda uma exploração psicológica de fenômenos de linguagem, talvez por influencia da sua esposa, a psicóloga, Marguerite Sechehaye.

Seu segundo trabalho, Essai sur la structure logique de 1926, se concentra na sintaxe e seus tipos lógicos. Nos escritos dos anos 1920-1940, ele especifica o conceito de Saussure e propõe uma "linguística da fala organizada".

PublicaçõesEditar

  • Sechehaye, Albert.Der Konjunktiv Imperfecti und seine Konkurrenten in den normalen hypothetischen Satzgefügen im Französischen // Romanische Forschungen, B. XIX, № 2, 1905 (em Alemão).
  • ____. «L'imparfait du subjonctif et ses concurrents dans les hypothétiques normales en français. Esquisse de syntaxe historique ». Romanische Forschungen, 19/2, 321-406, 1905 ( em Francês).
  • ____. Programme et méthodes de la linguistique théorique. Psychologie du langage. Paris: Champion, 1908 (em Francês).
  • ____. Éléments de grammaire historique du français. Genebra: Eggimann, 1909 (em Francês).
  • ____. « Les problèmes de la langue à la lumière d’une théorie nouvelle ». Revue philosophique de la France et de l’étranger, 42, 1-30, 1917 (em Francês).
  • ____.« Les règles de la grammaire et la vie du langage ». Germanischromanische Monatsschrift, 6, 288-303 et 341-351, 1914 (em Francês).
  • ____. « Leçon du 28 février 1913 à l’Université de Genève ». In Ferdinand de Saussure (1857-1913). Plaquette d’hommages. Genève : Sonor, 59-67, 1915 (em Francês).
  • ____. La méthode constructive en syntaxe // Revue des langues romanes. Montpellier, t. LIX, 1916 (em Francês).
  • ____.« Les deux types de la phrase ». In Mélanges d’histoire littéraire et de philologie offerts à M. Bernard Bouvier à l’occasion du XXXe anniversaire de sa nomination comme Professeur ordinaire à la Faculté des Lettres de l’Université de Genève. Genève : Sonor, 315-332, 1920 (em Francês).
  • ____. Abrégé de grammaire française sur un plan constructif suivi d’un tableau systématique des conjugaisons pour servir à l’étude du Cours pratique de langue française de Hans Hoesli. Zürich : Verlag der Sekundarlehrerkonferenz des Kantons Zürich., 1926 (em Francês).
  • ____. Essai sur la structure logique de la phrase // Collection linguistique publie par la SLP, XX. Paris: Champion, 1926 (em Francês).
  • ____.« Le pédagogue et le linguiste ». L’Éducateur, 63, n° du 8 janvier 1927, 14-16, 1927 (em Francês).
  • ____. L'école genevoise de linguistique générale // Indogermanische Forschungen, B. 44, 1927(em Francês).
  • ____.« La méthode constructive en grammaire et son application ». In 59. Jahrbuch des Vereins schweizerischer Gymnasiallehrer, 106-108. [Réimpression dans Cahiers Ferdinand de Saussure, 4, 1944, 22-25, 1930 (em Francês).
  • ____. « La pensée et la langue, ou comment concevoir le rapport organique de l’individuel et du social dans le langage ? ». Journal de psychologie normale et pathologique, 30, 57-81. [Réimpression dans Cahiers Ferdinand de Saussure, 4, 1944, 26-52, 1933 (em Francês).
  • ____. Les trois linguistiques saussuriennes // Vox Romanica, t. V. Zúrich, 1940 (em Francês).
  • ____.« Les classes de mots et l’imagination ». Cahiers Ferdinand de Saussure, 1, 77-88, 1941 (em Francês).

Ver tambémEditar

Referências

  1. Frýba-Reber, Anne-Marguerite (1994). Albert Sechehaye et la syntaxe imaginative : contribution à l'histoire de la linguistique saussurienne. Genebra: Droz. 11 páginas 
  2. Frýba-Reber, Anne-Marguerite (1995). Charles-Albert Sechehaye, un linguiste engagé, in: Cahiers Ferdinand de Saussure 49 (1995/1996). Genebra: Droz. 123 páginas 
  3. Frýba-Reber, Anne-Marguerite (1994). Albert Sechehaye et la syntaxe imaginative : contribution à l'histoire de la linguistique saussurienne. Genebra: DROZ. pp. 11 a 23 
  4. Swiggers, Pierre (2014). « Janus devant le miroir : Albert Sechehaye (1870-1946), linguiste théoricien face au grammairien praticien* », In: Documents pour l’histoire du français langue étrangère ou seconde, nº 52. Paris: S I H F L E S. pp. 11–41 
  5. Pierre, Swiggers, (1 de junho de 2014). «Janus devant le miroir : Albert Sechehaye (1870-1946), linguiste théoricien face au grammairien praticien*». Documents pour l’histoire du français langue étrangère ou seconde (em francês) (52). ISSN 0992-7654 
  6. de Saussure, Ferdinand (Albert Sechehaye, Charles Bally) (1970). Curso de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix 

Ligações externasEditar