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Alberto Mendes Júnior
Nome completo Alberto Mendes Júnior
Dados pessoais
Nascimento 24 de janeiro de 1947
São Paulo, São Paulo
Morte 8 de agosto de 1970 (23 anos) Sete Barras, São Paulo
Vida militar
Força Brasão PMSP.PNG Polícia Militar do Estado de São Paulo
Anos de serviço 1965-1970
Hierarquia capitão post mortem

Alberto Mendes Júnior (São Paulo, 24 de janeiro de 1947 - Sete Barras, 8 de maio de 1970) mais conhecido como Tenente Mendes, foi um oficial da Força Pública do estado de São Paulo durante o Regime Militar no Brasil.[1] É considerado herói e patrono da Polícia Militar.[2] Depois de seu assassinato, foi promovido post-mortem ao posto de Capitão.

Índice

BiografiaEditar

Em 15 de fevereiro de 1965 passou a a fazer parte dos quadros da Força Pública do estado de São Paulo, ao ser aprovado nor exames para ingresso no Curso Preparatório de Formação de Oficiais. Foi declarado aspirante a oficial em 21 de abril de 1969. Passou a fazer parte do 15º Batalhão de Polícia e em 15 de novembro de 1969 foi promovido a 2º Tenente.[1]

Em 6 de fevereiro de 1970, foi apresentado ao 1º Batalhão de Polícia de Choque "Tobias de Aguiar" com sede no Quartel da Luz, em razão da sua transferência por conveniência do serviço.[1]

Vale da RibeiraEditar

Nos dias 16 de abril de 1970 e 18 de abril de 1970 foram presos respectivamente no Rio de Janeiro, Celso Lungaretti e Maria do Carmo Brito, ambos militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma das organizações de esquerda operando contra o Regime Militar brasileiro.

Ao serem interrogados, os dois informaram que desde janeiro de 1970, a VPR, com a colaboração de outras organizações comunistas, instalara uma área de treinamento de guerrilhas, na região de Jacupiranga, próxima a Registro, no Vale da Ribeira, no estado de São Paulo, sob o comando do ex-capitão desertor do Exército Carlos Lamarca. No dia 19 de abril de 1970, tropas do Exército e da Polícia Militar do Estado de São Paulo foram deslocadas para a área, a fim de verificar a autenticidade das declarações dos dois militantes presos e neutralizar a área, prendendo, se possível os seus 18 ocupantes. No início de maio, uma parte da tropa da Polícia Militar foi retirada da área, permanecendo, apenas, um pelotão. Como voluntário para comandá-lo, apresentou-se um jovem de 23 anos, o tenente Alberto Mendes Júnior.

No dia 8 de maio, sete guerrilheiros chefiados por Carlos Lamarca, que estavam numa pick-up, ao pararem num posto de gasolina em Eldorado Paulista, foram abordados por policiais que, imediatamente, foram alvejados por tiros que partiram dos que ocupavam o veículo e que após o tiroteio fugiram para Sete Barras.

Ciente do ocorrido, o Tenente Mendes organizou uma patrulha, que, em duas viaturas, dirigiu-se de Sete Barras para Eldorado Paulista. Cerca das 21:00 horas, houve o encontro com os guerrilheiros que estavam armados com fuzis FAL enquanto que os PMs portavam o fuzil Mauser modelo 1908. Vários PMs foram feridos e o Tenente Mendes verificou que diversos de seus comandados estavam necessitando urgentes socorros médicos. Um dos guerrilheiros gritou-lhes para que se entregassem. Julgando-se cercado, o oficial aceitou render-se, desde que seus homens pudessem receber o socorro necessário. Tendo os demais componentes da patrulha permanecido como reféns, o Tenente levou os feridos para Sete Barras.

De madrugada, a pé e sozinho, o Tenente Mendes buscou contato com os guerrilheiros, preocupado que estava com o restante de seus homens. Encontrou Lamarca que decidiu seguir com seus companheiros e os prisioneiros para Sete Barras. Ao se aproximarem dessa localidade foram surpreendidos por um tiroteio, ocasião em que dois guerrilheiros, Edmauro Gopfert e José Araújo Nóbrega, desgarraram-se do grupo e os cinco restantes embrenharam-se no mato, levando consigo o Tenente Mendes.

Tribunal revolucionárioEditar

Depois de caminharem um dia e meio na mata, os guerrilheiros e o Tenente pararam para descansar. Nesta ocasião Carlos Lamarca, Yoshitame Fugimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se e formaram um tribunal revolucionário que resolveu assassinar friamente o Tenente Mendes pela necessidade de mandar uma mensagem às demais Forças Militares e ao Governo. Os outros dois Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima ficaram vigiando o prisioneiro.[3]

Poucos minutos depois, os três retornaram, e, acercando-se por trás do oficial, Yoshitame Fugimore desfechou-lhe golpes na cabeça, com a coronha de um fuzil. Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça esmagada, o Tenente Mendes foi enterrado.[4]

Em 8 de setembro, Ariston Lucena foi preso pelo DOI/CODI/IIEx e apontou, no local, onde o Tenente estava enterrado. Seu corpo foi exumado, em segredo, pelos agentes do DOI pois os companheiros do Tenente queriam linchar Ariston.[4]

AlgozesEditar

Dos cinco guerrilheiros que participaram do assassinato do Tenente Mendes, sabe-se que:

  • Carlos Lamarca, morreu na tarde de 17 de setembro de 1971, no interior da Bahia, morto pelo DOI/CODI/Salvador;[5]
  • Yoshitame Fugimore, morreu em 5 de dezembro de 1970, em São Paulo, morto pelo DOI/CODI/SP;[6]
  • Diógenes Sobrosa de Souza, foi preso em 12 de dezembro de 1970, no Rio Grande do Sul. Em novembro de 71 foi condenado à pena de morte (existia na época esta punição para aqueles considerados "terroristas", que nunca foi usada formalmente). Em fins de 1979, com a anistia foi libertado;
  • Gilberto Faria Lima (codinome Zorro), guerrilheiro infiltrado trabalhando para a polícia, que provavelmente fugiu para o exterior ainda durante os anos de chumbo;[7]
  • Ariston Lucena, após a anistia foi libertado. Faleceu em 2013.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c «Alberto Mendes Júnior». Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação da Polícia Militar do Estado de São Paulo (DTIC). 5 de maio de 2015. Consultado em 28 de maio de 2019. Cópia arquivada em 2 de junho de 2019 
  2. «Homenagem a herói da Polícia Militar». Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Consultado em 28 de maio de 2019. Cópia arquivada em 3 de junho de 2019 
  3. Wilma Antunes Maciel. «A ação da PM na guerrilha do Vale do Ribeira em 1970». Revista de História. Consultado em 3 de junho de 2019. Cópia arquivada em 3 de junho de 2019 
  4. a b Modesto Spachesi. «A morte inglória de um herói verdadeiro». O Jornal. Consultado em 3 de junho de 2019. Cópia arquivada em 3 de junho de 2019 
  5. «Carlos Lamarca» (PDF). Comissão Nacional da Verdade vol III, p.719. Consultado em 4 de junho de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 4 de junho de 2019 
  6. «Yoshitane Fujimori» (PDF). Comissão Nacional da Verdade vol III, p.495. Consultado em 4 de junho de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 4 de junho de 2019 
  7. 'Evidências de traição eram muito fortes', diz ex-companheiro sobre Zorro - Portal Último Segundo