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Alcino João do Nascimento (Itaperuna, 3 de julho de 1922)[1] é um mestre de obras brasileiro aposentado. Foi um dos condenados pela tentativa de assassinato do jornalista e político Carlos Lacerda, que ficou nacionalmente conhecida como atentado da rua Tonelero.

Índice

BiografiaEditar

Alcino João do Nascimento nasceu em Itaperuna, Rio de Janeiro, um dos 12 filhos de José João do Nascimento e Leonídia Maria do Nascimento.[2] Em 1939, aos 17 anos, foi morar na cidade de Resplendor com um irmão. Lá conheceu Abigail Rabelo, com quem casou-se (na época, Abigail tinha 13 anos). Casado mas desempregado, foi a Belo Horizonte à procura de serviço. Nesse momento começou uma boa relação com o então prefeito da cidade, Juscelino Kubitschek, que deu-lhe um emprego como mestre de obras na prefeitura de Belo Horizonte.[3][4]

Pouco tempo depois, Juscelino apresenta Alcino a Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, que precisava de um homem para o trabalho de detetive. Mesmo sendo chamado para tal cargo, trabalhou como barbeiro pessoal de Vargas e enfermeiro da família.[3][nota 1]

O Atentado da Rua ToneleroEditar

 Ver artigo principal: Atentado da rua Tonelero
 
Getúlio Vargas e sua guarda pessoal, chefiada por Gregório Fortunato, à sua esquerda (lado direito da foto).
 
Carlos Lacerda, grande coordenador da oposição a Getúlio Vargas

Lacerda, um dos principais opositores do governo Vargas, iniciara sua campanha a deputado federal. Como havia sido ameaçado de morte algumas vezes, um grupo de simpatizantes, oficiais da Aeronáutica, decidiram servir-lhe de segurança durante seus comícios. Depois de um deles, realizado na noite de 4 de agosto de 1954, no pátio do Colégio São José, o jornalista volta para casa acompanhado de seu filho Sérgio, de quinze anos, no automóvel do major-aviador Rubens Florentino Vaz. Ao chegar na rua Tonelero, os três saltam do veículo e, ao se despedirem, uma pessoa surge das sombras e dispara vários tiros. O major, desarmado, tenta se defender, mas é atingido no peito. Enquanto isso, Lacerda leva seu filho para a garagem do prédio e volta disparando contra o agressor, que foge num táxi. Um guarda municipal que estava nas proximidades, Sálvio Romeiro, ouve os disparos e, ao verificar o que estava acontecendo, também é atingido por um tiro, mas anota a placa do veículo fugitivo.[5][6]

Após a troca de tiros, Lacerda sai ferido no pé, e o major Vaz, depois de ser atingido por duas balas de uma pistola calibre 45 (de uso exclusivo das Forças Armadas), morre a caminho do hospital. Alcino afirmou que o mandante do crime foi Lutero Vargas, filho de Getúlio Vargas e desafeto de Carlos Lacerda.[7] O comando da Aeronáutica assumiu as investigações em 8 de agosto, mesmo dia em que Gregório Fortunato, apontado como mandante do crime, confessa sua participação. Climério Euribes de Almeida e Alcino João do Nascimento são capturados pouco tempo depois.[5]

O atentado desencadeou uma crise política que culminou com o suicídio de Getúlio Vargas, com um tiro no coração, em 24 de agosto de 1954.[8]

Vida após o atentadoEditar

Julgamento e condenaçãoEditar

Em 1956, Alcino foi julgado e condenado a 51 anos de prisão, 33 por sua participação no atentado a Lacerda e mais 18 por um latrocínio, do qual foi absolvido em 1975.[2][3]

Até hoje, Alcino ainda nega que tenha sido contratado para o atentado. Ele diz ter sido mandado para a rua Tonelero apenas para espionar Lacerda e fazer relatórios sobre seus discursos como candidato ao Congresso Nacional. Segundo ele, "o major Rubens Vaz me viu em frente ao prédio do Lacerda e foi tirar satisfação. Ele me agrediu e nós entramos em luta corporal. Houve então um tiro, que o atingiu pelas costas, disparado por um revólver calibre 38 que Lacerda portava."[9]

LivroEditar

O livro "Mataram o presidente! – memórias do pistoleiro que mudou a história do Brasil" lançado após Alcino deixar a prisão, traz a sua versão sobre a noite de 5 de agosto de 1954, no "Atentado na Rua Tonelero" contra o jornalista e opositor do governo Vargas, Carlos Lacerda.[3][10]

Candidato a vereadorEditar

Em 2012, aos 90 anos de idade, Alcino candidatou-se ao cargo de vereador pela cidade de Mantenópolis, Espírito Santo. Filiado ao Partido dos Trabalhadores, foi o candidato mais velho do estado concorrendo a uma vaga.[4] Obteve 7 votos (0,08%), ficando na suplência.[1]

Ver tambémEditar

Notas

  1. "Como detetive eu nunca fui escalado para trabalhar, porque tinha 180 detetives lá. A vez que fui escalado me dei mal."
    Segundo o próprio, esta tal única vez foi o atentado a Lacerda.[3]

Referências

  1. a b «Alcino PT». Eleições 2012. Consultado em 4 de janeiro de 2019 
  2. a b «Alcino João do Nascimento». Fundação Getúlio Vargas. CPDOC. Consultado em 4 de janeiro de 2019 
  3. a b c d e Andrade, Ednalva (14 de julho de 2012). «"Trabalhei com Juscelino e Getúlio", relembra candidato a vereador mais velho do Espírito Santo». Gazeta Online. Consultado em 4 de janeiro de 2019 
  4. a b Marcondes de Moura, Pedro (3 de agosto de 2012). «De Getúlio ao PT». IstoÉ. Consultado em 4 de janeiro de 2019 
  5. a b «O atentado da Rua Tonelero». Observatório da Imprensa 
  6. «Vargas – 50 anos: "Crime da rua Tonelero" ainda gera dúvida». Folha de S.Paulo. Consultado em 4 de janeiro de 2019 
  7. José Augusto Ribeiro, A Era Vargas, vol. 2, p. 86
  8. «1954: Brazilian president found dead» (em inglês). British Broadcasting Corporation. 24 de agosto de 1954. Consultado em 4 de janeiro de 2019 
  9. Rabelo, Ricardo (outubro de 2005). «Alcino João do Nascimento: nunca fui pistoleiro». Bafafá. Consultado em 4 de janeiro de 2019 
  10. «Mataram o presidente! - memórias do pistoleiro que mudou a história do Brasil». Google Books. Consultado em 4 de janeiro de 2019 

Ligações externasEditar