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Alexander Grothendieck
Alexander Grothendieck, em 1970
Nascimento 28 de março de 1928
Berlim, Alemanha
Morte 13 de novembro de 2014 (86 anos)
Saint-Girons, França[1]
Residência Berlim, França, Lasserre, Vendargues
Nacionalidade francês
Cidadania França
Alma mater Universidade de Montpellier
Ocupação matemático, professor universitário
Prêmios Medalha Fields (1966), Medalha Émile Picard (1977), Prêmio Crafoord (1988) (recusado)
Empregador Centre National de la Recherche Scientifique, Institut des Hautes Études Scientifiques, Collège de France, Universidade Paris-Sul, Universidade de Montpellier, Centre National de la Recherche Scientifique, Universidade de Chicago
Orientador(es) Laurent Schwartz e Jean Dieudonné[2]
Orientado(s) Pierre Berthelot, Pierre Deligne, Michel Demazure, Pierre Gabriel, Jean Giraud, Luc Illusie, William Messing, Michel Raynaud, Hoàng Xuân Sính, Jean-Louis Verdier
Instituições Institut des Hautes Études Scientifiques
Campo(s) Matemática
Tese 1953: Produits tensoriels topologiques et espaces nucleaires

Alexander Grothendieck (Berlim, 28 de março de 1928Saint-Girons, 13 de novembro de 2014)[3] foi um matemático nascido na Alemanha e naturalizado francês em 1971. Foi o fundador de uma escola própria sobre geometria algébrica, cujo desenvolvimento influenciou profundamente na década de 1960. Em 1966 recebeu a Medalha Fields, que recusou. Foi célebre por suas firmes posições pacifistas e ecologistas.

BiografiaEditar

Desconhecido para o grande público e considerado por muitos de seus colegas um dos matemáticos mais importantes do século XX, Grothendieck, era filho de uma jornalista socialista revolucionária e de um fotógrafo anarquista judeu russo, que emigrou para a Alemanha após ser condenado primeiro pelo regime czarista e depois pelos comunistas. Seus pais também tiveram que abandonar a Alemanha em 1933 após a ascensão dos nazistas ao poder e partiram para a França, antes de seguir para a Espanha para se somarem à causa republicana.

O pequeno Alexander ficou aos cuidados de um amigo da família em Hamburgo até que a família voltou a reunir-se em Nîmes ao término da guerra civil espanhola, em 1939, mas os Grothendieck passaram pouco tempo juntos. Meses depois, o pai foi enviado a Auschwitz, onde morreu em 1942. A mãe e ele terminaram no campo de concentração de Rieucros, nos Pirenéus, onde Alexander começou a se interessar pela matemática. Se formou e foi estudar matemática em Montpellier, onde um professor detetou no jovem formado algumas aptidões extraordinárias.

Influenciado pelas ideias políticas do maio de 1968, afastou-se por volta de 1970 de sua posição central na vida matemática de Paris e, por exemplo, procurou auxiliar os matemáticos norte-vietnamistas que padeciam sob a Guerra do Vietnã, mediante manifestações pessoais, desaparecendo completamente do contato público em 1991. Residiu nos Pirenéus, em local conhecido apenas por poucos amigos.

Mas o mito sobre sua genialidade não surgiu até que os grandes matemáticos Laurent Schwartz e Jean Dieudonné entregaram a ele, quando tinha 20 anos, uma lista com 14 problemas sobre os quais trabalhar nos próximos anos e pediram que elegesse um. Meses mais tarde Alexander Grothendieck voltou a se encontrar com seus professores e entregou os 14 problemas resolvidos. Nos meses posteriores redigiu o equivalente a seis teses, trabalho que um aluno aplicado teria levado entre três e quatro anos. Nos anos seguintes, o jovem prodígio se dedicou à análise funcional, um trabalho revolucionário, mas menos transcendente que seus estudos posteriores, onde se destacou por sua capacidade para generalizar e criar novos pontos de vista.

Com o passaporte Nansen que a ONU dava aos refugiados sem pátria, já que se recusava a assumir a nacionalidade francesa, Grothendieck trabalhou a partir de 1953 durante dois anos como professor no Brasil e nos Estados Unidos antes de se alistar no Instituto de Altos Estudos Científicos (IHES), ao sul de Paris e financiado pelo empresário Léon Motchane. Foi nessa instituição que dirigiu um seminário de geometria algébrica que trouxe uma nova visão sobre a geometria inspirada em sua obsessão por repensar o espaço com noções sobre as quais os matemáticos ainda hoje trabalham.

Em 1966 recebeu a medalha Fields, considerada o Nobel da matemática, um prêmio que não foi receber por motivos políticos e que depois leiloou para financiar os norte-vietnamitas na guerra contra os Estados Unidos. Não foi a única distinção – e dotações econômicas – que Grothendieck recusou. Ele dizia que seus trabalhos deveriam ser julgados pelo tempo e não pelos homens. Paulatinamente foi se afastando da comunidade científica e se aproximando de movimentos ecologistas radicais. Nesses anos recusou também seu posto no prestigiado Colégio da França para se transformar em professor da Universidade de Montpellier e, entre 1984 e 1988, no Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS).

Em 1990 retirou-se para os Pirenéus franceses, passando a viver discretamente num local que era conhecido somente por poucos amigos e exigiu que seus escritos não publicados fossem destruídos.

ObraEditar

Suas publicações matemáticas abrangem as áreas da topologia, geometria algébrica e análise funcional. Posteriormente publicou nas áreas da ecologia, filosofia, religião e principalmente esoterismo.

Devido a ter passado a maior parte de sua vida na França, seu nome é habitualmente citado como Alexandre (e não Alexander) Grothendieck, enquanto ele mesmo afirmava ter mantido seu nome original.

BibliografiaEditar

  • Serre (Ed.): Grothendieck-Serre correspondence, AMS 2003
  • Cartier, Illusie, Katz (Ed.): Grothendieck Festschrift, 3 Bde., Birkhäuser 1998 (Bibliografia de seus escritos )
  • Pierre Cartier: A mad days work - from Grothendieck to Connes and Kontsevich, Bulletin AMS 2001, online: [4]
  • ders. Grothendieck et les motifs, IHES 2000 preprint, online[5]
  • Leila Schneps, Lochak (Ed.): Geometric Galois actions- around Grothendiecks Esquisse d'un programme, Londres Math.Society Lecture Notes, Cambridge 1997 (com Grothendiecks Esquisse)
  • Pragacz: The life and work of Alexander Grothendieck, American Mathematical Monthly, Novembro de 2006
  • Robin Hartshorne: Algebraic geometry, Springer 1997

Referências

Ligações externasEditar