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Alfredo Marceneiro
Informação geral
Nome completo Alfredo Rodrigo Duarte
Nascimento 25 de fevereiro de 1891, Lisboa
Origem Pt-lsb1.png Lisboa
País Portugal Portugal
Morte 26 de junho de 1982 (91 anos), Lisboa
Gênero(s) Fado
Página oficial http://www.alfredomarceneiro.com/

Alfredo Rodrigo Duarte OIH (Lisboa, 25 de fevereiro de 1891 - Lisboa, 26 de junho de 1982), mais conhecido como Alfredo Marceneiro devido a sua profissão, foi um fadista Português que marcou uma época, detentor de uma voz inconfundível tornando-se um marco deste género da canção em Portugal. Embora o bilhete de identidade refira a data acima, o seu nascimento pode ter acontecido, de facto, em 29 de fevereiro de 1888.[1]

Índice

BiografiaEditar

 
Ossário onde está sepultado Alfredo Marceneiro, no Cemitério dos Prazeres.

Alfredo Marceneiro nasceu na Travessa de Santa Quitéria, freguesia de Santa Isabel em Lisboa, e foi-lhe posto o nome de baptismo de Alfredo Rodrigo Duarte.

Filho de Rodrigo Duarte e Gertrudes da Conceição, oriundos do Cadaval.[2]Alfredo foi o primeiro filho do casal, seguiram-se dois irmãos Júlio e Álvaro e uma irmã, Júlia. Em 1905, quando tinha apenas 13 anos, o seu pai faleceu e Alfredo Duarte abandonou os estudos para ir trabalhar e ajudar no sustento da mãe e dos irmãos. O seu primeiro emprego foi o de aprendiz de encadernador.[3]

Desde pequeno, sentia grande atracção para a arte de representar e para a música. Junto com amigos começou a dar os primeiros passos cantando o fado em locais populares começando a ser solicitado pela facilidade que cantava e improvisava a letra das canções.

Um dia, conheceu Júlio Janota, fadista improvisador, de profissão marceneiro de Campo de Ourique que o convenceu a seguir esse ofício que lhe daria mais salário e mais tempo disponível para se dedicar à sua paixão. Alfredo Duarte começou por cantar Fados nos bailes populares que frequentava, entre os 14 e os 17 anos. É nesta altura, em 1908, que faz a sua estreia na cegada do poeta Henrique Lageosa, inspirada no argumento do filme mudo O Duque de Guise, onde interpreta o papel da amante do Duque.

Para além de participar nas cegadas, onde desenvolve o seu método de dizer bem e dividir as orações, Alfredo começa a cantar em diversas festas de solidariedade e nos retiros do Caliça, Bacalhau, José dos Pacatos, Cachamorra, Baralisa e Romualdo, mas é no 14 do Largo do Rato que se torna mais conhecido.

Alfredo Marceneiro era um rapaz vaidoso. Andava sempre tão bem vestido que ganhou a alcunha de Alfredo Lulu.[1] Era, também, muito namoradeiro. Apaixonou-se por várias raparigas, chegando a ter filhos com duas delas. As aventuras terminaram quando conheceu Judite de Sousa Figueiredo, amor que durou até à sua morte e com o qual teve três filhos.

Em 1924, participa no Teatro São Luiz, em Lisboa, na sua primeira Festa do Fado e ganha a medalha de prata num concurso de fados.[1]

Nos anos 1930, Alfredo Marceneiro trabalhou nos estaleiros da CUF, onde fazia móveis para navios. Dividia o seu tempo entre as canções e o trabalho. A sua presença nas festas organizadas pelos operários era sempre motivo de alegria. Em 3 de janeiro de 1948, foi consagrado o Rei do Fado no Café Luso.[3]

Reformou-se em 1963, após uma carreira recheada de sucessos, numa grande festa de despedida no Teatro São Luiz.

Dos muitos temas que Alfredo Marceneiro cantou destaca-se a Casa da Mariquinhas, de autoria do escritor e poeta João Silva Tavares.[3]

Faleceu de arteriosclerose no dia 26 de junho de 1982, com 91 anos, na mesma freguesia que o viu nascer, na Rua da Páscoa, número 49, porta 2.

No dia 30 de julho de 1984, foi condecorado, a título póstumo, com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente da República Portuguesa, General Ramalho Eanes.[4]

O álbum The Fabulous Marceneiro (Columbia/ Valentim de Carvalho, 1961)Editar

Alfredo Marceneiro gravou pouco e este álbum de início dos anos 60 é um dos clássicos absolutos do fado. Era um milagre meter Alfredo Marceneiro em estúdio: o fado era quase uma religião que se cantava de noite e com público, onde o guitarrista devia cingir-se a servir a voz e o contador era também um contador da história contida na letra.

A revista Blitz considerou este álbum o decimo-primeiro melhor disco português de sempre.[5]

Referências

  1. a b c «Alfredo Marceneiro - Biografia». Museu do Fado. Consultado em 28 de Novembro de 2013 
  2. «Alfredo Marceneiro e o Cadaval». Oeste Online. Consultado em 28 de Novembro de 2013. Arquivado do original em 2 de dezembro de 2013 
  3. a b c «Alfredo Marceneiro». Infopéda. Consultado em 28 de Novembro de 2013 
  4. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Análise do resultado da busca de "Alfredo Rodrigo Duarte". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 6 de dezembro de 2018 
  5. Revista Blitz, 28/12/04. Os 50 melhores discos portugueses de sempre.

Ligações externasEditar