Almançor ibne Nácer

 Nota: Para outros significados, veja Almançor (desambiguação).

Almançor ibne Nácer (l-Mansur ibn al-Nasir) foi um emir do Reino Hamádida, governando de 1088 até sua morte em 1105. Era filho de Nácer (r. 1062–1088) e era pai de Badis (r. 1105) e Abdalazize (r. 1105–1121/1122 ou 1124/1125). Ascendeu ao trono em 1088 e logo em 1090, devido a crescente pressão dos árabes Banu Hilal, Almançor transferiu sua capital do Alcalá dos Banu Hamade para Bugia, que já havia sido modificada por seu pai. Pouco depois disso enfrentou a oposição de seu tio Belbar, cuja rebelião foi suprimida pelo emir Abu Iacni, que pouco depois também se rebelou contra Almançor e foi esmagado. Ao longo de seu reinado, enfrentou forte pressão das tribos árabes, do Império Almorávida do Magrebe Ocidental e do Reino Zírida da Ifríquia.

Almançor ibne Nácer
Emir hamádida
Reinado 1088 - 1105
Antecessor(a) Nácer
Sucessor(a) Badis
 
Nascimento século XI
Morte 1105
Descendência Badis
Abdalazize
Casa hamádida
Pai Nácer
Religião Islamismo

Almançor era filho do emir Nácer (r. 1062–1088) com Balara dos Banu Tamim e era pai de Badis e Abdalazize. Em 1088, quando ainda era jovem, sucedeu seu pai e seguiu firmemente seus passos e foi recipiente dos panegíricos de ibne Handis. Nos primeiros 2 anos de seu reinado, manteve a capital no Alcalá dos Banu Hamade, mas devido a forte pressão dos árabes Banu Hilal, em 1090/1091 mudou-a para Bugia.[1][2] Seu pai preparou a transferência ao modificar o porto de pesca da cidade que batizaria Nacíria e ela protegeu o emir de novos ataques por ser de difícil acesso aos salteadores. Porém, Almançor não abandonou completamente o Alcalá, onde fez novos palácios, e o reino ficou com duas capitais ligadas por uma estrada real.[3] O cronista do século XIII ibne Caldune descreveu que Bugia possuía prédios públicos, palácios, uma rede de distribuição de água e jardins.[4]

 
Ruínas do Alcalá dos Banu Hamade
 
Reino Hamádida no século XI

Ibne Caldune considerou Almançor como primeiro de sua linhagem a emitir moedas e que foi quem civilizou o Reino Hamádida, até então semi-nômade e totalmente carente do polimento dos badícidas de Cairuão.[1] Pouco tempo após sua ascensão, Almançor enfrentou a revolta de Balbar, um de seus tios e governador de Constantina. Enviou uma expedição para debelar a revolta sob Abu Iacni, filho do emir Alcaide ibne Hamade (r. 1028–1054), que por suas contribuições foi agraciado com o governo de Constantina e seu irmão Uiguelane recebeu Anaba;[3] noutra reconstrução Abu Iacni recebeu as duas cidades.[1] Em 1094, Abu Iacni rebelou-se e enviou seu irmão para Mádia com a missão de oferecer Anaba ao emir Tamim ibne Almuiz (r. 1062–1108), que aceitou e enviou seu filho Abul Futu para reinar com Uiguelane,[4] bem como incitou ataques do Império Almorávida do Magrebe Ocidental e os árabes.[1]

Almançor conseguiu recuperar Anaba e Constantina, obrigando Abu Iacni a fugir ao Orés, onde foi morto. Também conseguiu intervir no oeste, que desde 1080-1083 estava sob domínio do emir almorávida Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106) até Argel. De Tremecém, os almorávidas estavam atacando território sanhaja (grupo tribal berbere ao qual os hamádidas e zíridas pertenciam) com conivência dos zenetas, eles próprios incitados pelos Banu Macuque, apesar da relação deles por casamento com Almançor. Almançor puniu os Banu Macuque e investiu contra Tremecém, obrigando Iúçufe ibne Taxufine a pedir a paz. Os almorávidas logo quebraram a paz, mas foram novamente forçados a se retirar. Mais tarde, em algum momento provavelmente após 1091, Almançor foi derrotado por zenetas sob Macuque e foi obrigado a voltar para Bugia. Em retaliação, matou sua esposa, filha de Macuque, e saqueou Tremecém em 1103. Em 1104, uma tratado de paz hamádida-almorávida foi assinado e Almançor ficou livre para reprimir os zenetas do Magrebe Central. Faleceu em 1105 e foi sucedido por seu filho Badis.[1]

Referências

  1. a b c d e Idris 1986, p. 138.
  2. ibne Caldune 1854, p. 51.
  3. a b Marçais 1993, p. 250.
  4. a b ibne Caldune 1854, p. 52.

Bibliografia

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  • ibne Caldune (1854). Histoire des Berbères et des dynasties musulmanes de l'Afrique Septentrionale Vol. 2. Traduzido por Slane, William Mac Guckin. Paris: Imprensa do Governo 
  • Idris, H. R. (1986). «Hammadids». The Encyclopedia of Islam, New Edition, Volume III: H–Iram. Leida e Nova Iorque: Brill. ISBN 90-04-09419-9 

Marçais, Georges (1993). E.J. Brill's First Encyclopaedia of Islam, 1913-1936, Volume 5. Traduzido por Houtsma, M. Th. Leida: Brill