AlphaVille Urbanismo

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Alphaville Urbanismo S/A é a principal urbanizadora do Brasil, especializada no desenvolvimento de empreendimentos horizontais, além de bairros planejados ou núcleos urbanos. A empresa é conhecida por ter sido responsável pela construção do bairro planejado Alphaville, entre Barueri e Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, embora a construção de fato tenha sido feita pela Construtora Albuquerque Takaoka, já extinta, sociedade entre os engenheiros Yojiro Takaoka e Renato Albuquerque, fundadores da empresa.[1]

Alphaville Urbanismo
Razão social Alphaville S.A.
Empresa de capital aberto
Cotação B3: AVLL3
Atividade Incorporação
Gênero Sociedade Anônima
Website oficial www.alphavilleurbanismo.com.br/

Desde o início de suas atividades, na década de 70, a empresa expandiu os seus produtos por mais de 50 cidades, hoje com 124 empreendimentos em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal. A empresa tem um portfólio de dois produtos: os empreendimentos Alphaville e Terras Alpha. A companhia também é responsável pelo desenvolvimento da Cidade Alpha, núcleos urbanos menores que uma cidade, mas maiores que um bairro, a exemplo do de Barueri. São grandes polos autossuficientes e sustentáveis que oferecem toda a estrutura necessária para a implantação de moradias, espaços comerciais e empresariais, educacionais, lazer e tudo o que as pessoas precisam para morar, trabalhar e se divertir.[2]

A empresa também é patrocinadora e organizadora do concurso Urban 21, considerado a maior premiação de Urbanismo voltada para estudantes universitários no Brasil. Somente em 2016, mais de 800 acadêmicos de 120 universidades de 22 estados se inscreveram para participar da premiação. Esta premiação visa incentivar os universitários a desenvolveram projetos urbanísticos sustentáveis para revitalizar centros urbanos nos municípios brasileiros.[3]

HistóriaEditar

A história da Alphaville Urbanismo se iniciou em 1971, com a criação do projeto do bairro Alphaville, na época em Barueri e que hoje engloba parte do território urbano de Santana de Parnaíba. De acordo com o engenheiro Renato Albuquerque, sócio de Yojiro Takaoka e responsável pelo desenvolvimento do bairro, a ideia era que aquele local, antes desocupado, pudesse se tornar uma região para pessoas que quisessem conviver mais com a natureza.

No entanto, o então prefeito de Barueri, Guilherme Guglielmo, se opôs à ideia, pois entendia que Barueri já era uma “cidade-dormitório”, unicamente residencial, e que o município carecia de indústrias. Tanto Albuquerque quanto Takaoka, que já haviam começado a primeira etapa do residencial, resolveram mudar os planos. Eles pesquisaram o nicho de mercado e perceberam que era possível estabelecer ali um loteamento empresarial, com foco em empresas não poluidoras e que respeitassem o meio ambiente.

A intenção foi revolucionária para a época, já que a primeira lei ambiental data de 1979. O projeto chamou a atenção da Hewlett Packard (HP), que quis montar ali sua sede empresarial no Brasil, ao estilo da que já existia em Palo Alto, na Califórnia. A empresa norte-americana se tornava a primeira a adquirir um lote no Alphaville.

A chegada da HP desencadeou a procura por dezenas de outras empresas, que montaram no local escritórios e fábricas não-poluentes. O crescimento logo fez surgir a demanda por moradia na região. De acordo com Albuquerque, em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo no dia 11 de outubro de 2015, os executivos e funcionários das empresas reclamavam que não havia bons bairros para morar nas proximidades do complexo e que o trajeto a São Paulo era muito longo para ser feito diariamente.

Esta situação provocou o lançamento do primeiro residencial, então conhecido apenas como Alphaville Residencial. Os empreendedores foram adquirindo os terrenos vizinhos e lançando novas fases. Assim, houve o lançamento do Alphaville 2 e dos seguintes, até o 14.

A primeira cidade para qual o produto Alphaville se dirigiu após a Grande São Paulo, aproveitando o sucesso que os empreendimentos tinham conseguido, foi Campinas, em 1994, mesmo ano do falecimento de Yojiro Takaoka. O primeiro empreendimento fora do estado de São Paulo foi Curitiba, com o empreendimento Alphaville Graciosa, já uma sociedade de Renato Albuquerque o português Nuno Lopes Alves, com quem já tinha desenvolvido dois residenciais em Portugal. Nesta época, a empresa passou a ser formalmente conhecida como Alphaville Urbanismo.

A sociedade entre Albuquerque e Lopes Alves foi responsável por expandir o produto Alphaville pelo Brasil, principalmente nas capitais, até 2006, quando o controle acionário da empresa passou para as mãos do Grupo Gafisa.[4]

O período sob controle da Gafisa significou para a Alphaville Urbanismo S/A a expansão para diversas cidades do interior do país, as chamadas cidades-médias. Entre os exemplos, pode-se citar Petrolina (PE), São José dos Campos (SP), Ponta Grossa (PR) entre vários outros.

Em 2009, a empresa diversificou seu portfólio e lançou o primeiro residencial Terras Alpha, em foz do Iguaçu.

Em 2013, O Grupo Gafisa vendeu 70% da empresa para as gestoras de fundos de Private Equity Blackstone e Pátria, que mantiveram o ritmo de expansão nacional da empresa após assumir o seu controle acionário. No período entre 2007 e 2013, a Alphaville Urbanismo chegou a responder por mais de 40% dos negócios do Grupo Gafisa[5]

ProdutosEditar

A Alphaville Urbanismo S/A trabalha com dois produtos principais. O primeiro é o residencial Alphaville, carro-chefe da marca. Trata-se de um residencial de alto padrão com lotes de, em média, 450 m2. O segundo é o residencial Terras Alpha, que possui os mesmos pilares do Alphaville, mas com lotes pouco menores, por volta de 350 m2, e áreas comuns mais compactas em relação ao primeiro.

Em geral, os residenciais da Alphaville Urbanismo se baseiam em seis pilares. O primeiro é a segurança, que está presente nos residenciais por meio de vigilância, portaria monitorada 24h, sistemas de monitoramento por câmeras e gradil.

O segundo é a conveniência, ou seja, o fato de o residencial ter fácil acesso aos centros urbanos e a comércio e serviços, além de alguns residenciais terem suas próprias áreas comerciais destinadas a padarias, pet shops, farmácias, entre outros.

O terceiro pilar é a qualidade construtiva, onde todos os materiais utilizados e sistemas projetados seguem rigorosos padrões de qualidade, de modo a garantir que o empreendimento tenha o mínimo de gastos com manutenção ao longo de décadas.[6]

O quarto pilar é o lazer, presente em cada empreendimento por meio de praças de múltiplas atividades e clubes completos, que incluem piscinas semiolímpicas, piscinas infantis, salões de festas, quadras poliesportivas, quadras de tênis, espaços kids e salas de ginástica, além de outros componentes específicos da região onde cada produto se encontra. [7]

O quinto pilar são as áreas verdes. Todos os empreendimentos possuem áreas destinadas para a vegetação nativa integradas com as áreas comuns, além da Área de Preservação Permanente, para realçar a sensação de contato com a natureza dos moradores.

O sexto pilar é a autogestão. No ato de entrega do residencial, é formada uma Associação de Moradores, responsável pela gestão do local assim como fiscalização e estabelecimento de regras próprias.[8]

Projetos

De modo a garantir o mesmo padrão em todos os projetos, os desenhos de cada empreendimento são desenvolvidos pela própria equipe de arquitetos e urbanistas da empresa, no escritório em São Paulo[9]. Ao mesmo tempo, a Alphaville Urbanismo S/A busca firmar parcerias com renomados profissionais e escritórios de Arquitetura e Urbanismo de cada região que, além de atuarem como consultores do projeto, muitas vezes são responsáveis pelos desenhos dos clubes de lazer e pelo projeto paisagístico dos residenciais. 

Cidade Alpha

Além dos produtos Terras Alpha e Alphaville, a Alphaville Urbanismo S/A também desenvolve a Cidade Alpha. Este não é exatamente um produto em si, mas um mix deles, incluindo uma grande área comum, integrada com o restante do município, com lotes reservados para empreendimentos residenciais, comerciais, empresariais e de serviços.

Um exemplo deste tipo de projeto é o próprio bairro Alphaville, em São Paulo. Lá existem empresas instaladas, universidades, restaurantes, padarias e diversos outros estabelecimentos entre os residenciais. O trânsito por esses locais é livre mesmo para quem não é morador.

Entretanto, os projetos que melhor representam o conceito Cidade Alpha são os empreendimentos Cidade Alpha Planalto Central, cujo território de 22 milhões de metros quadrados é dividido entre o Distrito Federal e o estado de Goiás; Cidade Alpha Ceará no município de Eusébio, Grande Fortaleza (CE) (19 milhões de metros quadrados); Cidade Alpha Goiás, no município de Senador Canedo, próximo a Goiânia (GO) (8 milhões de metros quadrados) e Cidade Alpha Pernambuco, no Grande Recife (PE).

Diferentemente do bairro Alphaville de Barueri, os projetos supracitados foram projetados desde o início visando o complexo como um todo. Com previsão de população fixa e flutuante, as áreas são estruturadas para atender a demanda de tráfego, além de diminuir a distância entre a casa e o trabalho, com ciclovias, áreas verdes e espaços de convivência. São modelos planejados que visam ser sustentáveis e com um estilo de vida diferenciado das grandes cidades.

Iniciativas

De maneira a evidenciar o compromisso da empresa com o desenvolvimento urbano sustentável, nos últimos três anos, a Alphaville Urbanismo passou a patrocinar e a organizar, juntamente com a revista Projeto Design, da Arco Editorial, o prêmio Urban 21. É considerado o maior concurso universitário de urbanismo do país. A proposta estimula que equipes de acadêmicos desenvolvam projetos para revitalizar áreas degradadas em áreas urbanas de, no mínimo, 300 mil habitantes. As equipes vencedoras, além de prêmios em dinheiro, ganham um workshop na sede da Alphaville Urbanismo em São Paulo.

Em 2016, a equipe vencedora era formada por acadêmicos da PUC/RJ. Os estudantes elaboraram um projeto para revitalização de uma extensa área no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), entre as estações de metrô São Francisco Xavier e Saens Peña, uma região que tinha passado por um processo de degradação ao longo dos anos, com imóveis murados e vazios. O planejamento feito pelos estudantes previa exatamente a integração desses lotes com o espaço público, priorizando a preservação ambiental e o uso de diferentes modais de transporte. [10]

Em 2015, a equipe campeã era de estudantes do Centro Universitário Univates, de Lajeado (RS). Eles elaboraram um projeto para o Baixo 4º Distrito, uma região de 24 hectares em Porto Alegre. A proposta urbanística previa ruas com áreas verdes ampliadas e espaços onde se priorizava a circulação de pedestres. [11]

ReferênciasEditar

  1. «Em 40 anos, Alphaville virou grife residencial - Especial Alphaville». especial.folha.uol.com.br. Consultado em 2 de maio de 2017 
  2. Alphaville. «Terrenos à venda para construção no condomínio dos seus sonhos - Alphaville». www.alphaville.com.br. Consultado em 2 de maio de 2017 
  3. «URBAN21 - Concurso Universitário de Urbanismo». URBAN21 - Concurso Universitário de Urbanismo. Consultado em 2 de maio de 2017 
  4. [www.estadão.com.br «Expansão de Alphaville não foi prevista»] Verifique valor |url= (ajuda). O Estado de S. Paulo. 11 de outubro de 2015 
  5. «Gafisa conclui venda de 70% de Alphaville Urbanismo - Economia - Estadão». Estadão 
  6. www.sodavirtual.com.br/. «Alphaville ajudou a transformar Barueri na melhor cidade para os negócios». Revista Edificar. Consultado em 2 de maio de 2017 
  7. thais. «Portal Brasil Engenharia | Conceito de lazer é destaque em empreendimentos residenciais». brasilengenharia.com. Consultado em 2 de maio de 2017 
  8. «Projetos incentivam a autogestão nos locais - Economia - Estadão». Estadão 
  9. «Você sabe como nasce um loteamento? Entenda como é a transformação de uma área | Conectando Registros e Pessoas». iregistradores.org.br. Consultado em 2 de maio de 2017 
  10. Severian (19 de dezembro de 2016). «Projeto de acadêmicos para o bairro da Tijuca, no Rio, ganha prêmio nacional de urbanismo». Jornal da Construção Civil. Consultado em 2 de maio de 2017 [ligação inativa]
  11. «Estudantes gaúchos vencem concurso que tem mobilidade urbana como um dos desafios». www.mobilize.org.br. Consultado em 2 de maio de 2017 

BibliografiaEditar

  • REIS, Nestor Goulart. Notas sobre urbanização dispersa e novas formas de tecido urbano. São Paulo: Via das Artes, 2006.
  • Zanotelli, Cláudio Luiz; Ferreira, Francismar Cunha (2012). «Impactos socioambientais e fragmentação urbana dos loteamentos fechados alphaville». Revista Sinais (12) 
  • SA, ALPHAVILLE URBANISMO (2003). «Alphaville 30 anos». São Paulo 
  • de Oliveira, Adriana Lima; da Silva Castro, Gisela Grangeiro (2019). «Smart Cities: comunicação e consumo de um futuro prescrito no espaço urbano». INTERIN. 24 (1) 
  • Leopoldo, Eudes (2017). «Financeirização imobiliária e metropolização regional: o Alphaville na implosão-explosão da metrópole». Universidade de São Paulo 
  • Rodrigues, Jailton Aparecido (2013). «Condomínios horizontais fechados (CHF): o modelo Alphaville e o ensino de Geografia» 
  • Ritter, Carlos (2011). «Os processos de periferização, desperiferização e reperiferização e as transformações socioespaciais no aglomerado metropolitano de Curitiba» 
  • Silva, Carolina Pescatori Candido da (2016). «Alphaville e a (des) construção da cidade no Brasil» 
  • SILVA, Leon Delácio de Oliveira (2018). «Da ilegalidade à aparente legalidade na produção do espaço urbano: o caso dos empreendimentos da Alphaville Urbanismo». Universidade Federal de Pernambuco 
  • Pescatori, Carolina; de Abreu, Lucas Batista (2016). «Da construtora Albuquerque e Takaoka à Alphaville Urbanismo SA: reestruturação e expansão nacional de um modelo de urbanização». Anais do IV Enanparq 
  • Fernandes, Ana (2013). «Decifra-me ou te devoro: Urbanismo corporativo, cidade-fragmento e dilemas da prática do Urbanismo no Brasil». Urbanismo. 911. 5 páginas 
  • de Araujo Filho, Jose Cruciano; Boaventura, Deusa Maria Rodrigues (2020). «Condomínio alphaville flamboyant, uma experiência urbana/Alphaville flamboyant condominium, an urban experience». Brazilian Journal of Development. 6 (1): 190–212 
  • BRASÍLIA, DO ALPHAVILLE; PESCATORI, CAROLINA (2015). «CIDADE COMPACTA E CIDADE DISPERSA: PONDERAÇÕES SOBRE O PROJETO.». Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. 17 (2) 
  • Pescatori, Carolina (2015). «Cidade compacta e cidade dispersa: ponderações sobre o projeto do Alphaville Brasília». Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. 17 (2): 40–40 
  • Nogueira, Daniel Pinheiro; da Fonseca Silva, Daniel; Pereira, Simone de F. Pinheiro; Rolim, Tiago; Marques, João Baia Brito; Silva, Cleber; Silva, Keyla C. (2014). «IMPACTOS SOCIO-AMBIENTAIS DE GRANDE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO PRÓXIMO ÀS COMUNIDADES CARENTES NA ILHA DE CARATATEUA-BELÉM-PA-BRASIL». Proceedings of International Conference on Engineering and Technology Education. 13. pp. 416–421 
  • Pescatori, Carolina. «O Núcleo Urbano Alphaville Brasília e a ampliação da cidade mercadoria na RIDE-DF» 

Ligações externasEditar

 
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