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Amade ibne Tulune

Amade ibne Tulune (em árabe: أحمد بن طولون‎; transl.: Aḥmad ibn Ṭūlūn , lit. "Amade, filho de Tulune"; ca. 20 de setembro de 835 - 10 de maio de 884) foi o fundador da dinastia tulúnida que governou o Egito Síria entre 868 e 905. De início um soldado escravo turco, em 868 foi enviado pelo califa abássida Almutaz (r. 866–869) como governador do Egito. Explorando a situação política volátil e a preocupação do regente abássida, Almuafaque (r. 870–891), com as guerras contra o Império Safárida e a Rebelião Zanje, dentro de quatro anos estabeleceu-se como governante virtualmente independente ao evitar o agente fiscal califal, Amade ibne Almudabir, tomar controle das finanças egípcias e estabelecer um grande força militar pessoalmente leal a ele. Amade também cuidou de estabelecer uma administração eficiente no país. Através de uma série de medidas, tal como as reforças do sistema de tributação e os reparos do sistema de irrigação, o rendimento fiscal anual cresceu acentuadamente. Como símbolo do novo regime, construiu uma nova capital, Alcatai, ao norte da antiga Fustate.

Amade ibne Tulune
Emir tulúnida do Egito e Síria
Dinar de ouro de Amade cunhado em Fustate em 881/882
Reinado 15 de setembro de 868-10 de maio de 884
Antecessor(a) Azjur, o Turco (Egito)
Amajur, o Turco (Síria)
Sucessor(a) Chumarauai
Descendência Chumarauai
Alabas
Rabia
Chaibam
outros
Casa Tulúnida
Nome completo
أحمد بن طولون
Nascimento 20 de setembro de 835
  Bagdá
Morte 10 de maio de 884
  Alcatai
Pai Tulune

Após 875/876, entrou em conflito aberto com Almuafaque, que tentou depô-lo sem sucesso. Em 878, com o apoio do irmão de seu rival, o califa Almutâmide (r. 870–892), Amade tomou controle da governança da Síria tão longe quanto os distritos fronteiriços com o Império Bizantino, embora o controle do Tarso em particular provou-se tênue. Em sua ausência na Síria, seu filho mais velho e representante, Alabas ibne Amade ibne Tulune, tentou usurpar o trono no Egito, acarretando na prisão dele e a nomeação de seu segundo filho, Chumarauai, como herdeiro. A deserção de 882 de um comandante sênior, Lulu, para Almuafaque, e a deserção de Tarso, forçou Amade a retornar à Síria.

Quando o agora virtualmente impotente Almutâmide tentou escapar do controle de seu irmão para os domínios de Amade e foi capturado por agentes de Almuafaque, Amade convocou uma assembleia de juristas em Damasco para denunciar Almuafaque como usurpador. Sua tentativa de retomar Tarso em outubro de 883 fracassou, e ele adoeceu. Retornando ao Egito, morreu em maio de 884 e foi sucedido por Chumarauai.

Amade destaca-se como o primeiro governador de um importante província do Califado Abássida a estabelecer-se como mestre independente da corte abássida e por passar o poder ao seu filho. Foi assim também o primeiro governante desde os faraós a fazer o Egito um poder político independente novamente, com uma esfera de influência compreendendo Síria e partes do Magrebe, o que definiu o tom dos posteriores regimes dos ikchídidas e fatímidas que centraram seu poder no país.

Índice

Fontes primáriasEditar

Vários autores medievais escreveram sobre Amade ibne Tulune. As duas principais fontes são duas biografias de dois autores do século X, ibne Aldaia e Albalaui. Ambas chamam-se Sirat Ahmad ibn Tulun, e o trabalho de Albalaui baseia-se em grande medida em ibne Aldaia, embora é muito mais extenso. Ibne Aldaia também escreveu um livro (Kitab al-mukafa'a) com anedotas da sociedade egípcia do período tulúnida. Mais informação é proveniente de um contemporâneo de ibne Tulune, o geógrafo e viajante Iacubi, cujos trabalhos cobrem os primeiros anos de seu governo no Egito, e de autores egípcios posteriores, especialmente os historiadores do século XV ibne Ducmaque e Almacrizi que basearam-se numa variedade de fontes anteriores para escrever sobre a história do estado Tulúnida. Várias outras crônicas árabes medievais dos séculos XIII ao XVI mencionam Amade ou seus oficiais, mas muitas são de um período posterior e não são muito confiáveis, especialmente em comparação ao ibne Ducmaque e Almacrizi.[1][a]

VidaEditar

Infância e começo da carreiraEditar

 
Dirrã de Almamune (r. 813–933)
 
Dirrã de Almotácime (r. 833–842)
 
Dinar de ouro de Almostaim. (r. 862–866)

Ele nasceu no vigésimo terceira dia do mês do Ramadã de 220 A.H. (20 de setembro de 835) ou pouco depois, talvez em Bagdá. [2][3] Seu pai, Tulune, era um turco oriundo de uma localidade conhecida em fontes árabes como Tagasgar ou Toguzoguz, ou seja, a confederação Uigur.[4] No ano 815/816 (200 A.H.), Tulune foi feito cativo junto com outros turcos, e foi enviado como parte de um tributo pelo governador samânida de Bucara Nu ibne Assade ao califa abássida Almamune (r. 813–833), que à época residiu no Coração.[5][6] Após Almamune retornar para Bagdá em 819, estes escravos turcos compuseram um corpo de guardas de soldados escravos (gulans) confiados ao irmão e sucessor de Almamune, Almotácime (r. 833–842).[7] A mãe de Amade, chamada Cacim, foi uma das escravas de seu pai.[5][8] Em 854/855, Tulune faleceu, e comumente se imagina que Cacim casou-se com o general turco Baiacbaque. Esse relato, contudo, não aparece em ibne Aldaia ou Albalaui e pode ser duvidoso.[5][8] De acordo com Albalaui, após a morte de seu pai, Amade ficou sob tutela de Ialbaque, um companheiro íntimo de Tulune, que havia sido feito cativo com ele. Em seu leito de morte, Tulune solicitou que seu amigo Ialbaque tomasse conta de seu filho e esposa, e Bacbaque tratou Amade como seu filho.[9]

O jovem Amade recebeu uma educação completa, que envolveu treinamento militar em Samarra e estudos de teologia islâmica em Tarso, e ele adquiriu reputação não apenas por seu conhecimento mas também por seu estilo de vida piedoso e ascético.[5][10] Ele tornou-se popular entre os turcos, que confidenciavam segredos e confiavam seu dinheiro e mesmo suas mulheres a ele.[11] Enquanto em Tarso, Amade lutou nas guerras fronteiriças com o Império Bizantino.[12] Lá ele também encontrou outro líder turco sênior, Iarjuque, cuja filha, variadamente chamada Majur ou Catum, tornou-se sua primeira esposa e a mãe de seu filho mais velho, Alabas, e sua filha Fátima.[13] As fontes também relatam que durante seu tempo em Tarso, Amade tinha laços com o vizir do califa Mutavaquil (r. 847–861), Ubaidalá ibne Iáia ibne Cagã, e o primo do último, Amade ibne Maomé ibne Cagã.[11] Numa ocasião, enquanto retornando para Samarra, ele salvou uma caravana na qual estava um emissário califal retornando de Constantinopla de um grupo invasor beduíno, e acompanhou-o para Samarra. Com este ato ganhou o favor do califa Almostaim (r. 862–866), bem como 1 000 dinares de ouro e a mão da escrava Mias, a mãe de seu segundo filho, Chumarauai. Quando o califa abdicou e partiu em exílio em 866, ele escolheu Amade para ser seu guarda. Cubaia, a mãe do novo califa, Almutaz (r. 866–869), tramou para remover o deposto Almostaim, e ofereceu a Amade o governo de Vasit se ele matasse-o. Amade recusou-se e foi substituído por outro, que tratou de realizar o feito. Amade desempenhou nenhuma parte no assassinato, mas deu sepultamento a seu mestre e voltou para Samarra.[14][15][16]

 
Dinar de ouro de Almutaz (r. 866–869)
 
Síria abássida (Bilade Alxam) no século IX

Governo do EgitoEditar

Sob Almotácime, líderes turcos seniores começaram a ser nomeados como governadores das províncias com forma de apanágio. Assim, garantiram acesso imediato a receita fiscal provinciana para si e suas tropas, contornando a burocracial civil. Os generais turcos geralmente permaneciam em Samarra, enviado representantes para governar em seu nome.[17][18] Assim, quando o califa Almutaz deu a Bacbaque o comando do Egito em 868, ele enviou seu afilhado Amade como seu tenente e governador residente. Amade chegou ao Egito em 27 de agosto e entrou na capital Fustate em 15 de setembro.[5][15]

Sua posição após sua nomeação estava longe de ser pacífico dentro de sua província. Como governador de Fustate, vigiou a guarnição da província e era chefe da comunidade muçulmana como reconhecido em seu título de "observador do exército e da oração da sexta-feira" (uale aljaixe ualçalate, wāli al-jaysh waʾl-ṣalāt), mas a administração fiscal, em particular a coleta do tributo latifundiário (caraje), estava nas mãos do poderoso administrador veterano Amade ibne Almudabir. O último foi feito como agente fiscal (amil) já desde ca. 861, e rapidamente se tornou o homem mais odiado no país por ter dobrado os impostos e estabelecido novos aos muçulmanos e não-muçulmanos.[19] Amade rapidamente sinalizou sua intenção de ser senhor único de sua província: com sua chegada na capital, quando ibne Almudabir e Xucair, chefe do serviço postal (baride) e da correspondência com o governo califal, vieram encontrá-lo com um presente de 10 000 dinares, ele recusou a aceitá-lo.[20] Pelos próximos quatro anos, Amade e seus rivais lutaram via seus emissários e parentes na corte califal em Samarra para se neutralizarem; no fim, Amade conseguiu assegurar que ibne Almudabir fosse transferido para a Síria em julho de 871 e assumiu a coleta do caraje.[5] Ao mesmo tempo, Amade também assegurou a demissão de Xucair, que morreu pouco depois. Assim, cerca de 872 Amade assumiu o controle de todos os ramos da administração no Egito, tornando-se de facto independente do governo central.[5][20][19]

No tempo da nomeação de Amade, o Egito estava passando um processo de transformação. Em 834, sua antiga elite muçulmana, as famílias de colonos árabes (junde) de Fustate, perderam seus privilégios e pagamento do governo, e o poder passou para os oficiais enviados pela corte abássida. Aproximadamente ao mesmo tempo, pela primeira vez a população muçulmana começou a superar os cristãos coptas, e os distritos rurais estiveram amplamente sujeitos à arabização e islamização.[21] A rapidez desse processo, e o influxo de colonos após a descoberta de minas de ouro e esmeralda em Assuão, significou que o Alto Egito em particular estava apenas superficialmente controlado pelo governador local.[22][23]

 
Dirrã de al-Mutadi (r. 869–870)

Além disso, a persistente luta intestina e tumultos no coração do Estado abássida - a chamada Anarquia de Samarra - levou ao aparecimento de movimentos revolucionários milenaristas na província sob uma série de pretendentes alidas.[24][19] Um deles era ibne Alçufi, um descendente do filho de Ali (r. 656–661), Omar, rebelou-se no final de 869 e massacrou a população de Esna. No inverno de 870, ele derrotou um exército enviado contra ele por Amade, mas foi repelido aos oásis do deserto na primavera. Ele permaneceu ali até ser derrotado num conflito com outro poderoso regional, Abu Abdalá ibne Abdalamide Alumari em 872, fugindo para Meca. Lá, ibne Alçufi foi apanhado e preso por um tempo por Amade. Um de seus apoiantes, Abu Ru Sucum, rebelou-se nos oásis em 873/874 e foi bem-sucedido o suficiente para Amade oferecer-lhe uma anistia. O vingador de ibne Alçufi, Alumari, foi outro descendente de Ali que havia criado um principado autônomo em torno das minas de ouro, derrotando as forças enviadas contra ele. Outra revolta eclodiu em 874/875 liderada pelo governador de Barca, Maomé ibne Alfaraje de Fergana. Amade tentou reconciliar-se com ele primeiro, mas foi posteriormente forçado a enviar um exército para sitiar e arrasar a cidade, embora as represálias foram limitadas. A reimposição de sua autoridade sobre Barca, contudo, levou ao fortalecimento de laços com Ifríquia no Ocidente, incluindo, segundo ibne Alatir, a ereção de uma série de faróis e sinais luminosos ao longo da costa.[25]

No meio tempo, na Palestina, o governador local, Issa ibne Xaique Chaibam, utilizou a anarquia no Iraque para estabelecer um regime beduíno quase-independente, interceptando as caravanas de impostos do Egito e ameaçando Damasco. Quando o califa al-Mutadi (r. 869–870) ascendeu ao trono em julho de 869, ofereceu uma anistia general, e escreveu para Issa, oferecendo um perdão em troca da devolução do tesouro tomado por ele erroneamente. Quando Issa recusou-se, o califa ordenou que Amade marchasse contra ele.[26] Amade começou a comprar grande quantidade de escravos africanos negros (sudans) e gregos (rumes) para formar um exército no inverno de 869/870, mas logo que chegou com ele em Alarixe no verão de 870 recebeu ordens chegaram para que retornasse.[27][28][29] A revolta de Issa foi esmagada logo depois por outro soldado turco, Amajur, o Turco, que continuou a governar a Síria pelos abássidas até sua morte em 878.[30] Este episódio, contudo, foi de grande importância, pois permitiu a Amade recrutar seu próprio exército com sanção califal. O exército tulúnida, que posteriormente cresceu para relatados 100 000 homens — outras fontes fornecem uma discriminação de 24 000 gulans turcos e 42 000 escravos africanos negros e gregos, bem como um corpo de mercenários composto principalmente de gregos[31][32] — tornou-se a fundação do poder e independência de Amade.[5][33] Para sua própria proteção, Amade relatadamente empregou um corpo de gulans de Gor.[34]

Bacbaque, o padrasto de Amade, foi morto em 869/870, mas felizmente para ele no verão de 871 a supervisão do Egito passou para outro turco, Iarjuque. Iarjuque não só confirmou Amade em seu posto, mas conferiu-lhe a autoridade sobre Alexandria, Barca e os distritos da fronteira síria.[5] Em 873, Amade confiou o governo de Alexandria para seu filho mais velho, Abas ibne Amade ibne Tulune.[19] O poder crescente dos tulúnidas foi manifestado pelo estabelecimento de uma nova cidade palácio ao norte de Fustate, chamada Alcatai, em 870. O projeto foi emulação consciente de, e rival, à capital abássida Samarra. Tal como Samarra, a nova cidade foi designada como quartel do novo exército de Amade com o objetivo de reduzir fricções com a população urbana de Fustate. Cada unidade recebia um alocamento ou ala (dai o nome da cidade) para assentar-se, em honra a qual a ala foi nomeada. A peça central da nova cidade foi a Mesquita de Amade, que foi construída em 878–880 sob a supervisão do arquiteto mesopotâmio cristão ibne Catibe de Fergana. Um palácio real esteve adjacente a mesquita, e o resto da cidade dispôs-se em torno deles. Além dos edifícios do governo, incluía mercados, um hospital (albimaristão) que fornecida serviços livres de custo, e um hipódromo.[35][36][37] Amade, no entanto, preparou-se para residir no mosteiro copta de Cusair fora de Fustate.[38]

Novo regime de AmadeEditar

A administração do Egito já estava bem desenvolvida antes de sua chegada, com alguns departamentos (divãs) responsáveis pela coleta de impostos fundiários, a supervisão do correio, os celeiros públicos ("divã alara" - dīwān al-ahrāʿ), as terras do delta do Nilo ("divã asfalalarde" - dīwān asfal al-arḍ), e possivelmente o erário privado ("divã alacaxe" - dīwān al-khaṣṣ) para uso pessoal do governador. Uma chancelaria ("divã alinxa" - dīwān al-inshāʾ) possivelmente também já existia, mas pode ter sido estabelecida sob Amade, quando remodelou a administração egípcia segundo o governo abássida central. Muitos dos oficiais nomeados por Amade foram treinados em Samarra. O chanceler de Amade era o capaz Abu Jafar Maomé (morto em 891), enquanto outras posições importantes na administração foram dadas a quatro irmãos Banu Almuajir e ibne Aldaia.[39] Albalaui também relata várias anedotas sobre o emprego extensivo de espiões e a habilidade própria de Amade para revelar espiões enviados contra ele, e alega que a chancelaria foi estabelecida de modo que poderia verificar cada correspondência com a corte califal.[40]

Sem surpresa, dada suas origens como soldado escravo, o regime de Amade foi em muitos aspectos típico do "sistema gulam" que que tornou-se um dos principais paradigmas das políticas islâmicas nos séculos IX e X, como o Califado Abássida fragmentado e novas dinastias emergindo. Esses regimes baseavam-se no poder de um exército regular composto de gulans, mas por sua vez, segundo Hugh N. Kennedy, "o pagamento das tropas foi a principal preocupação do governo".[41] É portanto nesse contexto de elevadas exigências financeiras que em 879, a supervisão das finanças no Egito e Síria passou para Abu Baquir Amade ibne Ibraim Almadarai, o fundador da dinastia burocrática al-Madara'i que dominou o aparato fiscal do Egito pelos próximos 70 anos.[39][42] Embora, como Zaky M. Hassan nota, "evidência fragmentar não permite uma avaliação completa das política econômica e financeira tulúnidas, parece que a paz e segurança forneceu ao regime tulúnida, o estabelecimento de uma eficiente administração, e reparos e expansões do sistema de irrigação, unidos com níveis consistentemente altos das enchentes do Nilo, resultaram numa maior aumento na receita.[43] Pelo tempo da morte de Amade, a receita do imposto fundiário aumento de 800 000 dinares sob ibne Almudabir à soma de 4,3 milhões de dinares.[32][44] Crucial para isso foi a reforma do sistema de infração e coleta de impostos, incluindo a introdução do imposto de arrendamento — que ao mesmo tempo levou ao aumento de uma nova classe proprietária. Uma receita adicional foi conetada de atividades comerciais, mais notadamente têxteis e em particular linho.[43]

O regime de Amade foi amplamente centralizado, mas também destacadas "tentativas consistentes para ganhar o apoio da elite comercial, religiosa e social do Egito", segundo Zaky M. Hassan. Notadamente, o rico mercador Mamar Aljauar funcionou como financista pessoal de Amade e como o chefe de uma rede de inteligência informal através de seus contatos no Iraque.[43] Uma outra "característica notável" do regime de Amade, segundo Thierry Bianquis, foi "a qualidade das relações mantidas com cristãos e judeus";[45] segundo uma carta do patriarca de Jerusalém, Elias III (r. 879–907), quando tomou a Palestina, nomeou um cristão como governador de Jerusalém, e talvez à capital principal, Ramla, colocando assim fim à perseguição de cristãos e permitindo a renovação de igrejas.[46]

Expansão na SíriaEditar

 
Dinar de ouro de Almutâmide (r. 870–892) com os nomes de Almuafaque (r. 870–891) e o vizir Saide
 
Império Safárida em sua maior extensão

No começo da década de 870, uma grande mudança ocorreu no governo abássida, com o príncipe Almuafaque emergindo como regente de facto do império, paralisando seu irmão, o califa Almutâmide (r. 870–892). Oficialmente, Almuafaque controlou a porção oriental do califado, enquanto o filho e primeiro herdeiro de Almutadide, Almufauade, controlou a porção ocidental, com a ajuda do general turco Muça ibne Buga Alquibir. Na realidade, Almuafaque manteve as rédeas do poder.[47] Almuafaque, contudo, estava preocupado com as ameaças mais imediatas ao governo abássida representadas pela ascensão do Império Safárida de Iacube ibne Alaite Alçafar (r. 861–879) no Oriente e a Rebelião Zanje no Iraque, bem como com a necessidade de controlar as tropas turcas e lidar com as tensões internas do governo. Isso deu a Amade o espaço necessário para consolidar sua posição no Egito. Amade manteve-se fora do conflito contra os zanjes e ainda recusou-se a reconhecer Almufauade como seu suserano, que por sua vez não confirmou-o em sua posição.[5][48]

Um conflito aberto entre Amade e Almuafaque eclodiu em 875/876, por ocasião de uma grande remessa de receita ao governo central. Contando com a rivalidade entre o califa e seu poderoso irmão para manter sua posição, Amade enviou grande parte dos impostos para Almutâmide em vez de Almuafaque: 2,2 milhões de dinares foram para o califa e apenas 1,2 milhões para seu irmão.[12] Almuafaque, que em sua luta contra os zanjes considerou-se merecedor da maior porção das receitas provinciais, enfureceu-se com isso e com as maquinações implícitas entre Amade e seu irmão. Almuafaque procurou um voluntário para substitui-lo, mas todos os oficiais em Bagdá foram comprados por Amade e recusaram. Almuafaque enviou uma carta ao governante egípcio exigindo sua renúncia, que o último previsivelmente recusou. Ambos os lados equiparam-se à guerra. Amade criou uma frota e fortificou suas fronteiras e portos, incluindo Alexandria, e uma nova fortaleza sobre a ilha de Roda para proteger Fustate. Almuafaque nomeou Muça ibne Buga como governador do Egito e enviou-o com tropas à Síria. No evento, devido a falta de pagamento e suprimentos para suas tropas, e o medo gerado pelo exército de Amade, Muça não marchou para além de Raca. Após 10 meses de inação e uma rebelião de suas tropas, Muça retornou ao Iraque.[49][50][51] Num gesto público de apoio a Almutâmide e oposição a Almuafaque, Amade assumiu o título de "servo do comandante da fé" (maula miralmuminim) em 878.[12]

 
Dinar de Chumarauai (r. 884–896)

Amade tomou a iniciativa. Tendo servido em sua juventude nas guerras fronteiriças com o Império Bizantino em Tarso, requisitou ser nomeado comandante dos distritos fronteiriços da Cilícia (o tugur). Almuafaque inicialmente recusou, mas após os sucessos bizantinos nos anos anteriores Almutâmide prevaleceu sobre seu irmão e em 877/878 Amade recebeu a responsabilidade sobre toda a Síria e a fronteira ciliciana. Amade marchou à Síria em pessoa. Recebeu a submissão do filho de Amajur, que havia morrido, e nomeou-o governador de Ramla, e avançou para tomar controle de Damasco, Homs, Hama e Alepo. Em Damasco, encontrou seu antigo rival ibne Almudabir, que desde sua expulsão do Egito serviu como amil de Amajur na Palestina e Damasco. Ele foi multado com 600 000 dinares e jogado na prisão, onde morreu em 883/884.[12] No resto da administração provincial, no entanto, amplamente deixou as pessoas que serviram sob Amajur. Apenas o governador de Alepo, Sima Altauil, resistiu e fugiu para Antioquia. Amade sitiou a cidade até Sima ser morto, relatadamente por uma mulher local.[52]

Amade continuou para Tarso, onde começou a preparar uma campanha contra os bizantinos. A presença de seus numerosos soldados, porém, levou a rápida elevação dos preços, causando grandes hostilidade entre os tarsianos, que exigiram que deixasse a região ou reduzisse seu exército. Na atual conjuntura, notícias chegaram do Egito de que seu filho Abas, que ele deixou como regente, estava se preparando para usurpar sua posição sob a influência de seu séquito. Amade rapidamente retirou-se de Tarso, mas a medida que mais informações sobre a situação no Egito chegaram, esclarecendo que Abas não apresentava uma real ameaça, decidiu gastar mais tempo na Síria e consolidar sua autoridade. Ele corrigiu as injustiças de Sima, instalou tropas em Alepo (sob seu golam Lulu) e Harã, assegurou a cooperação da tribo Banu Cilabe e seu líder ibne Alabas, e capturou o rebelde Muça ibne Atamixe.[52] Em algum momento após sua aquisição da Síria, ordenou a refortificação de Acre, missão conduzida por Abu Baquir Albana, o avô de Almucadaci.[53][54]

Apenas então, em abril de 879, Amade retornou ao Egito. Abas fugiu para o oeste com seus apoiantes e de Barca tentou tomar a Ifríquia. Derrotado pelos ifríquios (talvez no inverno de 880-881), retirou-se para Alexandria, onde foi finalmente confrontado e capturado pelas forças de Amade. Após ser desfilado publicamente sentado sobre uma mula, Amade ordenou que seu filho executasse ou mutilasse seus companheiros, que levavam-o à rebelião. Amade relatadamente secretamente esperou que seu filho se recusaria a fazer tal ato desonroso, mas ele concordou. Chorando, Amade fez com que Abas fosse açoitado e preso. Ele então nomeou seu segundo filho, Chumarauai, como herdeiro-aparente.[55]

Anos finais e morteEditar

 
Dinar de Harune (r. 896–904)
 
Dinar de Almutadide (r. 892–902)

Após seu retorno da Síria, Amade adicionou seu nome nas moedas emitidas pelas casas da moeda sob seu controle, junto com aqueles do califa e seu herdeiro-aparente, Almufauade.[56] No outono de 882, o general tulúnida Lulu desertou para os abássidas.[33][57] Ao mesmo tempo, o governador tulúnida de Tarso e do tugur morreu, e seu substituto, Iazamane Alcadim, com apoio popular, recusou-se a reconhecer o governo tulúnida. Amade imediatamente partiu em pessoa à Síria — levando o acorrentado Abas consigo por precaução — e marchou para Tarso. Em Damasco, recebeu uma mensagem de Almutâmide informando-o que o agora quase-impotente califa havia escapado de Samarra e estava rumando à Síria.[58] Tomar custódia de Almutâmide aumentaria imensamente a posição de Amade: não apenas a única fonte de legitimidade política do mundo islâmico residiria sob seu controle, mas ele também seria capaz de posar como o "salvador" do califa.[56] Amade, portanto, decidiu parar e esperar a chegada de Almutâmide. No entanto, contudo, o califa foi alcançado em Hadita, no Eufrates, pelo governador de Moçul Ixaque ibne Cundaje, que derrotou a escolta califal e levou-o para Samarra (fevereiro de 883) e então para Vasite, onde Almuafaque poderia melhor controlá-lo.[58][59] Isso abriu uma nova fenda entre os dois governantes: Almuafaque nomeou Ixaque ibne Cundaje como governador do Egito e Síria — na realidade uma nomeação amplamente simbólica — enquanto Amade organizou uma assembleia de juristas religiosos em Damasco que denunciou Almuafaque como usurpador, condenou seus maus-tratos ao califa, declarou seu lugar na sucessão como vazio e conclamou uma jiade contra ele. Apenas três participantes, incluindo o principal cádi do Egito, Bacar ibne Cutaiba, recusaram-se a pronunciar a convocação da jiade publicamente. Amade teve seu rival devidamente denunciado em sermões nas mesquitas através dos domínios tulúnidas, enquanto o regente abássida providenciou uma denúncia ritual de Amade.[60] Apesar de sua retórica beligerante, ninguém fez movimentos para confrontar o outro militarmente.[33][56]

Após falhar em tomar controle do califa, Amade virou-se para Tarso. Ele nomeou Abdalá ibne Fate no lugar de Lulu em Alepo, e marchou em pessoa à Cilícia. O governante egípcio sitiou Tarso no outono de 883, mas Iazamane desviou o rio local, inundando o acampamento tulúnida e formando Amade a se retirar.[61] Amade adoeceu em sua viagem de retorno ao Egito, e foi levado para Fustate sobre um veículo de rodas. No mesmo ano, uma campanha para tomar as duas cidades sagradas do islã, Meca e Medina, também falhou.[34] De volta ao Egito, ordenou que Bacar fosse preso e substituído por Maomé ibne Sadam Aljauari. Um exame minucioso dos registros de Bacar enquanto chefe das doações de caridade, contudo, revelaram nenhuma apropriação indevida. Embora Amade ordenou sua libertação, o idoso e doente cádi recusou-se a deixar sua cela.[61] Ao mesmo tempo, a doença de Amade piorou. "Muçulmanos, cristãos e judeus, incluindo mulheres e crianças, convergiram separadamente sobre o flanco de Mucatam para implorar a Deus para salvá-lo", como Bianquis escreve, mas Amade faleceu em Fustate em 10 de maio de 884 e foi sepultado na encosta do Mucatam.[62] Segundo Albalaui, Amade deixou para seu herdeiro 24 000 servos, 7 000 homens, 7 000 cavalos, 3 000 camelos, 1 000 mulas, 350 cavalos cerimoniais e 200 navios de guerra totalmente equipados.[63]

Na morte de Amade, Chumarauai, com apoio das elites tulúnidas, sucedeu-o sem oposição.[64] Amade legou a seu herdeiro "com um exército experiente, uma economia estável, e um pequeno grupo de comandantes e burocratas experientes". Chumarauai foi capaz de preservar sua autoridade contra a tentativa abássida de derrubá-lo na Batalha dos Moinhos e inclusive conseguiu ganhos territoriais adicionais, mas seus gastos extravagantes exauriram o tesouro, e seu assassinato em 896 provocou o rápido declínio do regime tulúnida.[65][66] Disputa interna esgotou o poder tulúnida. O filho de Chumarauai, Jaixe (r. 896) foi um beberrão que executou seu tio, Mudar ibne Amade ibne Tulune; ele foi deposto após apenas alguns meses e foi substituído por seu irmão Harune (r. 896–904). Harune também era um governante fraco, e embora uma revolta de seu tio Rabia em Alexandria foi suprimida, os tulúnidas foram incapazes de confrontar os ataques dos carmatas que começaram na mesma época. Além disso, muitos comandantes desertaram para os abássidas, cujos poder revivido sob a liderança capaz do filho de Almuafaque, o califa Almutadide (r. 892–902). Finalmente, em dezembro de 904, dois outros filhos de Amade, Ali e Chaibam, assassinaram seu sobrinho e assumiram o controle do Estado tulúnida. Longe de deter o declínio, este evento alienou comandantes chave na Síria e levou a rápida e relativamente sem oposição reconquista da Síria e Egito pelos abássidas sob Maomé ibne Solimão Alcatibe, que entrou em Fustate em janeiro de 905. Com a exceção da Mesquita de ibne Tulune, as tropas abássidas vitoriosas pilharam Alcatai e arrasaram-a às suas fundações.[67][68][69]

DescendênciaEditar

Segundo Albalaui, de suas várias esposas e concubinas, Amade teve 33 crianças, 17 filhos e 16 filhas. A única edição moderna de Albalaui fornece a seguinte lista:[70]

  • Filhos: Abu Alfadal Alabas (o mais velho), Abu Aljaixe Cumarauai, Abu Alaxair Mudar, Abul Mucarram Rabia, Abul Macanibe Chaibam, Abu Naide Iade, Abu Made Adnam, Abul Caradis Cazraje, Abu Habxum Adi, Abu Xuja Cindá, Abu Almançor Aglabe, Abu Laja Maiçará, Abu Albaca Huda, Abu Almufauade Gassam, Abu Alfaraje Mubaraque, Abu Abdalá Maomé e Abu Alfataje Muzafar;
  • Filhas (notar que apenas 15 nomes são listados): Fátima, Lamis, (ilegível), Safia, Cadija, Maimuna, Mariam, Aixa, Umal Huda, Mumina, Aziza, Zainabe, Samana, Sara e Guraira.

LegadoEditar

Apesar da breve duração de sua dinastia, o governo de Amade foi um evento seminal não apenas para o Egito, mas o mundo islâmico inteiro.[64] Para o Egito, seu reinado marca um ponto de virada, pois o país, pela primeira vez desde à época dos faraós, deixou de ser uma província passiva sujeita a um poder imperial estrangeiro e tornou-se novamente um ator político em seu próprio direito.[71] O novo reino forjado por Amade, compreendendo Egito e Síria bem como Jazira e Cilícia, e em menor medida as porções orientais do Magrebe, estabeleceu uma nova zona política separada dos domínios islâmicos mais a leste, restaurando a seu modo a fronteira que existia entre os Impérios Romano/Bizantino e Sassânida na Antiguidade.[64] O Egito foi a base do poder de Amade; ele prestou atenção especial à restauração de sua economia, bem como o estabelecimento de uma burocracia, exército e marinha autônomas.[34] Estas políticas foram continuadas por regimes tardios centrados no Egito, os ikchídidas (r. 935–969) e posteriormente os fatímidas (r. 969–1071), que igualmente usaram a riqueza do Egito para estabelecer controle sobre partes ou mesmo quase toda a Síria.[72][73][74] De fato, como Thierry Bianquis aponta, o território governado por Amade na Síria foi notavelmente similar àquele controlado pelos posteriores regimes egípcios de Saladino (r. 1174–1193) e o Sultanato Mameluco do Cairo (r. 1250–1517).[52]

Segundo o historiador Matthew Gordon, as relações de Amade com, e abusca pela autonomia, os abássida é um "problema central da história tulúnida". Estudiosos modernos veem nas políticas de Amade um "ato cuidadosamente balanceado" e notam que ele nunca separou-se completamente do califado, permanecendo conspicuamente leal à pessoal de Almutâmide, que, apesar de tudo, foi um líder sem poder. No entanto, o movimento em direção a uma autonomia crescente é evidente por todo seu regime. Suas relações com o governo abássida foram dominadas por seu conflito com Almuafaque, resultado das tentativas do último para estabelecer controle sobre o Egito — cuja riqueza era muito necessária durante a guerra custosa contra os zanjes — e isso evitou uma maior expansão de Amade. Em certo sentido, escreve Matthew Gordon, muitas das medidas de Amade "foram tanto os meios pelos quais os interesses imperiais foram protegidos contra as ambições de Almuafaque e seu séquito militar (amplamente turco) no Iraque como foram esforços para assegurar a autoridade tulúnida". Dado que Amade ao menos duas vezes (em 871 e 875/876) remeteu altas somas de recursos ao tesouro califal, permanece aberta a questão se sem o conflito com Almuafaque isso teria sido feito de modo mais recorrente.[75]

No entanto, em retrospectiva, o governo de Amade no contexto mais amplo da histórica islâmica é como o arauto da desintegração do Califado Abássida e a ascensão de dinastias locais nas províncias. Isso tornou-se particularmente evidente com a sucessão de Chumarauai: como Thierry Bianquis explica, "isso foi a primeira vez na história abássida com relação ao governo de um território tão grande e rico, que um uáli, cuja legitimidade derivou do califa que havia designado-o, foi sucedido abertamente por um emir que reclamou sua legitimidade por herança".[76] Assim, Zaky M. Hassan chama Amade um "exemplo típico dos escravos turcos que do tempo de Harune Arraxide foram alistados no serviço privado do califa e [como] os principais oficiais do Estado, e cuja ambição e espírito de intriga e independência os [fez posteriormente] mestres verdadeiros do islã".[5]

NotasEditar

[a] ^ Ver também Swelim 2015, p. 13–23 sobre os estudiosos modernos acerca de ibne Tulune e seus trabalhos.

Referências

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  7. Gordon 2001, p. 15–26.
  8. a b Gordon 2001, p. 20, 63–64, 238 (nota 128).
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