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Ana Jotta
Nascimento 1946
Lisboa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Prémios Grande Prémio EDP/Arte 2013
Área Artes Plásticas / Pintura

Ana Maria Torres Malta Jotta (São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 1946), conhecida por Ana Jotta é uma artista plástica / pintora portuguesa.[1]

Biografia / ObraEditar

 
Album, 2008, tinta acrílica sobre ecrã de projeção, altura 211 cm

Nasceu em 1946 em Lisboa, cidade onde vive e trabalha. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e, depois, a Ecole Nationale Supérieure des Arts Visuels de la Cambre, Bruxelas (1965-68). Ao longo dos anos de 1970 dedicou-se principalmente ao teatro, tendo colaborado, entre 1976 e 1979, como atriz e cenógrafa com "Produções Teatrais" (Teatro Universitário, Lisboa), para se centrar, a partir da década seguinte, nas artes visuais.[2][3]

O corpo de trabalho que vem construindo desde o início dos anos de 1980 revela uma sequência de ruturas e apagamentos: "o apagamento dos seus próprios passos anteriores, das ideologias do modernismo, dos mitos do pós-modernismo, da própria noção de autoria que ela tanto desconstrói como reconstitui. Assim ela tem vindo a desmantelar a noção de um «estilo único» ou «coerente». Com inteligência, humor e uma sempre depurada economia de meios".[2]

A sua obra, extremamente singular, pode associar-se à herança do Dadaísmo ou às vias concetuais das décadas de 1960 e 1970, recorrendo a uma grande diversidade de soluções técnicas e formais, fazendo da inconstância uma regra, da ausência de estilo um estilo, enfatizando a importância do fazer e a sua inextricável ligação ao conceito. "A artesanalidade é [...] uma revelação da irreverente domesticidade que na sua obra encontramos, assim como do modo como [...] daí parte para um tão labiríntico quanto lúdico jogo de identidades". Nessa longa interrogação da identidade e da autoria, Ana Jotta poderá jogar com o seu próprio nome (ou apenas com as suas iniciais), interpelar o espectador, ficcionar a condição da autora. Outro aspeto deste jogo de identidades "revela-se na prática sistemática da cópia e da apropriação [...] . Referências da história de arte misturam-se com referências da cultura popular do século XX numa permanente reciclagem de imagens que pontua toda a sua obra".[4]

Ana Jotta utiliza livremente o desenho, a pintura, a assemblage, a escultura, o bordado, a palavra escrita ou os objetos do quotidiano, "num exercício diarístico em que [...] contrapõe a intimidade do dia-a-dia à assunção das suas realizações enquanto obra de arte. A irrisão de uma atitude quase Dadaista com que […] materializa os seus projetos suscita o humor ou a crítica distanciada dos universos da arte e das suas mitologias. A construção de um discurso feminino sobre a arte é simultaneamente praticada e criticada, num exercício de distanciação das retóricas do feminino no mundo da arte".[5]

A sua icónica casa em Campo de Ourique é uma espécie de museu onde todos os elementos com que trabalha estão presentes.[6]

Exposições / ColeçõesEditar

Desde os princípios dos anos 90 o trabalho de Ana Jotta foi apresentado em inúmeras mostras coletivas, em feiras de arte e bienais (ARCO, Madrid; Bruxelas; Joanesburgo; Barcelona; etc.).

Entre as suas exposições individuais podem destacar-se: Galeria EMI-Valentim de Carvalho, Lisboa (1985, 87, 88); Galeria Diferença, Lisboa (1989); Galeria Alda Cortez, Lisboa (1990, 91, 92, 95); Galeria Berini, Barcelona (1993); Galeria Módulo, Lisboa (2001); Galeria Quadrado Azul, Porto (2002); Galeria Miguel Nabinho / Lisboa 20, Lisboa (2003, 06); Galeria João Esteves de Oliveira, Lisboa (2005); Chiado 8, Lisboa (2008); etc.[7][8]

Realizou grandes exposições individuais em 2005 e 2014: Rua Ana Jotta, exposição retrospetiva no Museu de Serralves, Porto (2005); A Conclusão da Precedente, exposição antológica, Culturgest, Lisboa (2014). Foi-lhe atribuído o Grande Prémio EDP/Arte 2013 (Fundação EDP).[7][9]

Ana Jotta está representada em coleções públicas e particulares, podendo destacar-se as seguintes: Caixa Geral de Depósitos, Lisboa; Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação ARCO, Madrid; Fundação Luso-Americana, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Fundação EDP, Lisboa.[7]

Referências

  1. «Ana Jotta». Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa –. Fundação Calouste Gulbenkian 
  2. a b «Ana Jotta». Galeria Miguel Nabinho. Miguelnabinho.com. Arquivado do original em 3 de novembro de 2014 
  3. Faria, Nuno – Ana Jotta. In: Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: Roteiro da Coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 156
  4. Fernandes, João – A casa da Ana. In: Jotta, Ana – Rua Ana Jotta. Porto: Fundação de Serralves, 2005, p. 12-17. ISBN 972-739-145-1
  5. «Ana Jotta». Museu de Serralves, Porto. Serralves.pt 
  6. Espaço, Laura Sequeira Falé/Duplo. «Duplo Espaço: o atelier de Ana Jotta». PÚBLICO 
  7. a b c Jotta, Ana – Rua Ana Jotta. Porto: Fundação de Serralves, 2005. ISBN 972-739-145-1
  8. «Ana Jotta inaugura exposição no Chiado dia 19 de Setembro». Diário Digital. Consultado em 3 de novembro de 2014 
  9. Vanessa Rato. «Ana Jotta, "a mais jovem das artistas portuguesas", ganhou o Grande Prémio EDP». Jornal Público. Consultado em 2 de julho de 2014 
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