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Anastácio
Nacionalidade Império Bizantino
Ocupação Oficial
Título

Anastácio (em grego: Αναστάσιος; transl.: Anastásios; em latim: Anastasius) foi um oficial bizantino, ativo durante o reinado do imperador Justino II (r. 565–578), que manteve os postos de mestre dos ofícios e questor do palácio sagrado. Um aparente calcedoniano, foi alegadamente contrário às políticas de Justino II pró-monofisismo. Mais adiante, durante a perseguição monofisista de 571, esteve ativo na condenação e exílio de monofisistas. Segundo João do Éfeso, poderia ser um pagão ou samaritano. Provavelmente faleceu em algum momento antes de 575.

BiografiaEditar

 
Detalhe de um dos mosaicos da Basílica de São Vital representando o imperador Justiniano (r. 527–565)

Anastácio foi um nativo de Samaria, como registrado por João do Éfeso. A mesma fonte primária chama-o samaritano e palestiniano, presumivelmente como termos geográficas. É o assunto dum panegírico composto por Flávio Crescônio Coripo, provavelmente no final de 565 ou começo de 566, pouco antes daquele (In laudem Justini minoris) dedicado ao imperador Justino II (r. 565–578) e encorajado por Anastácio. Em 565/566, Anastácio combinou os ofícios de questor do palácio sagrado e mestre dos ofícios, o que sugere que foi um apoiante do imperador, tendo sido nomeado por ele em ou logo após sua ascensão ao trono em 14-15 de novembro de 565.[1] Provavelmente sucedeu respectivamente Constantino e Pedro, o Patrício, ambos ministros de longa data de Justiniano (r. 527–565).[2]

Anastácio é atestado como mestre dos ofícios somente até 566, quando é substituído por Teodoro, filho do patrício Pedro, porém é atestado como questor até 571/572. Coripo credita a Anastácio medidas que visavam ajudar a prefeitura pretoriana da África. Em 571, João do Éfeso lista-o como um dos oficiais que se opuseram às alterações de Justino do édito da fé. As alterações foram consideradas favoráveis aos monofisistas e escandalizou os calcedonianos. Sua oposição às alterações e João criticando-o como um falso cristão, provavelmente significam que o próprio Anastácio era um calcedoniano. A narrativa de João contêm um conto onde Justino aterroriza Anastácio, na qual o imperador ordena que o questor tivesse vinte cópias do texto alterado até o anoitecer, ou então enfrentaria execução por decapitação.[3]

Em 571, Anastácio foi enviado por Justino para discutir os termos de reconciliação com os monofisistas. Os representantes deles recusaram-se a cooperar e Anastácio relatou o falha para Justino. Isto encerrou o breve período pró-monofisista de Justino. Em 22 de março, Justino começou uma nova perseguição a eles. Anastácio foi proeminente entre os senadores que conduziram os julgamentos de bispos monofisistas em 571 e 572. Os julgamentos ocorreram em Constantinopla, com a maioria dos acusados sendo sentenciados ao exílio. Ele cooperou de perto com João Escolástico (565–577), patriarca de Constantinopla. João do Éfeso acusa Anastácio de estar na folha de pagamento do patriarca.[3]

 
Soldo do imperador Justino II (r. 565–578).

Um capítulo particularmente hostil de João do Éfeso alega que Anastácio foi um cripto-pagão, lutando para evitar a unificação da Igreja Cristã. O assédio constante de Anastácio aos monofisistas provavelmente explica a hostilidade do historiador.[4] João do Éfeso cita que quando os samaritanos estiveram sob perseguição religiosa, Anastácio subornou oficiais para retirar as acusações. Um minoria de historiadores modernos tem sugerido que Anastácio poderia ter sido um adepto do samaritanismo, posando como um cristão. A maioria considera-o como um genuíno calcedoniano, sendo as acusações sobre ele puramente políticas.[5]

Anastácio teria sofrido um ataque durante "o dia da adoração da Vera Cruz". Este poderia ter sido uma Sexta-Feira Santa. Tanto 15 de abril de 572 como 7 de abril de 573 tem sido sugeridos como as datas do evento. Este sinal de problema de saúde foi um precursor para a morte, ocorrida "um ano e meio" depois. Por 575, Anastácio parece ter morrido.[5]

Referências

  1. Martindale 1992, p. 64.
  2. Martindale 1992, p. 64-65.
  3. a b Martindale 1992, p. 65.
  4. Martindale 1992, p. 65-66.
  5. a b Martindale 1992, p. 65-66.

BibliografiaEditar

  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8