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Antônio
Infante da Espanha
Príncipe de Orleães
Duque de Montpensier
Retrato por Federico de Madrazo y Kuntz, 1851
Esposa Luísa Fernanda da Espanha
Descendência Maria Isabel de Orleães
Maria Cristina de Orleães
Maria das Mercedes de Orleães
Antônio, Duque da Galliera
Casa Orleães
Nome completo
Antônio Maria Filipe Luís
Nascimento 31 de julho de 1824
  Neuilly-sur-Seine, França
Morte 5 de fevereiro de 1890 (65 anos)
  Sanlúcar de Barrameda, Espanha
Enterro San Lorenzo de El Escorial,
El Escorial, Espanha
  8 de fevereiro de 1890
Pai Luís Filipe I de França
Mãe Maria Amélia das Duas Sicílias
Religião Catolicismo
Assinatura Assinatura de Antônio

Antônio Maria Filipe Luís, duque de Montpensier (Antoine Marie Philippe Louis; Neuilly-sur-Seine, 31 de julho de 1824Sanlúcar de Barrameda, 5 de fevereiro de 1890), foi um nobre francês, tendo sido duque de Montpensier.[1]

Antônio era filho rei Luís Filipe I de França, tendo casado com a infanta espanhola Luísa Fernanda de Bourbon, irmã da rainha Isabel II da Espanha em 1846. Tornou-se infante da Espanha por seu casamento. Tinha intenções quanto ao trono, conspirava sem cessar para colocar nele a esposa. Sua cunhada a rainha Isabel II o exilou varias vezes, tendo a mesma sido deposta pelo povo em 1868. Sua filha, Maria das Mercedes, tornou-se rainha consorte da Espanha por seu casamento com o filho de Isabel II, o rei Afonso XII em 1878.

BiografiaEditar

FamíliaEditar

Antônio era o filho mais novo do rei Luís Filipe I de França e de Maria Amélia das Duas Sicílias. Seus avós paternos foram Luís Filipe II, Duque de Orleães e Luísa Maria Adelaide de Bourbon, enquanto seus avós maternos foram Fernando I das Duas Sicílias e Maria Carolina da Áustria[1].

Carreira militarEditar

 
Antônio de Orleães por Franz Xaver Winterhalter

Tornou-se príncipe em 1830, quando seu pai foi nomeado Rei de França. Aos dezoito anos foi promovido a tenente do 3º Regimento de Artilharia e, em 17 de dezembro de 1843, a capitão do 4º Regimento de Infantaria.

Combateu em 1844 na campanha da Argélia, destacando-se em Biskra, o que lhe valeu a comenda de Cavaleiro da Legião de Honra, em 24 de junho daquele ano. Ainda em 1844 foi promovido a Chefe de Esquadrão. Em 1845, já como Tenente-coronel, faz uma viagem ao Oriente Próximo com seu secretário e amigo Antoine de Latour', onde conheceu Turquia, Alexandria, Grécia e Egito. Enquanto isso, França e Inglaterra planejavam um casamento duplo, unindo Antonio à infanta Luísa Fernanda de Bourbon (filha do falecido rei Fernando VII de Espanha); e Isabel II de Espanha, sua irmã, ao infante Francisco de Assis de Bourbon.

Foi promovido a coronel em 13 de agosto de 184 e nomeado marechal-de-campo e comandante de artilharia por seu pai, em 11 de setembro.

CasamentoEditar

Antônio casou-se com a infanta Luísa Fernanda de Espanha em 10 de outubro de 1846. Enquanto o noivo já contava vinte e dois anos, a noiva tinha apenas quinze.

Vida na EspanhaEditar

Em fevereiro de 1848, Luís Filipe I teve que fugir com sua família, devido à instauração da República na França. Antonio segue para a Inglaterra, onde sua família se instalou, e parte para a Espanha.

Alguns meses depois, os duques já estão instalados no Palácio de San Telmo, em Sevilha. Passam a viajar pela Espanha e conhecem cidades como Cádiz e El Puerto de Santa María. Antonio e Luísa gostaram especialmente da cidade de Sanlúcar de Barrameda, onde passaram a veranear com frequência. A partir de 1852, o casal já podia instalar-se no Palácio de Orléans-Bourbon, adquirido e reformado por eles no ano anterior.

Em 7 de julho de 1868 teve início a Revolução Espanhola, encabeçada pelo general Juan Prim y Prats e financiada, entre outros, pelo próprio Antônio, que terminou com a derrocada de sua cunhada, a rainha Isabel II. Poucos dias depois o duque receberia um comunicado oficial de Luis González Bravo, presidente do Conselho de Ministros da Espanha, informando sua expulsão do país. Antônio e sua família partiram então para Portugal, onde permaneceram por um ano[2].

ExílioEditar

 
Antônio

Após seu retorno à Espanha, Antônio passou a ser alvo de artigos e panfletos ofensivos publicados por seu primo, Henrique, Duque de Sevilha, irmão do rei consorte. Assim como Antônio, Henrique também era pretendente ao trono (vazio desde a queda de Isabel II) e a desqualificação pública era uma das estratégias utilizadas na tentativa de se angariar votos perante as Cortes, que elegeriam o novo rei[2].

Antônio desafiou Henrique para um duelo, marcado para o dia 12 de março de 1870, em Leganés, nos arredores de Madrid. Nesse duelo, Henrique foi morto por Antonio com um tiro de pistola. O incidente levou Antônio a ser julgado pelo Conselho de Guerra, que o condenou a um mês de exílio de Madrid[2].

O novo soberano da Espanha foi eleito pelas Cortes em 16 de novembro de 1870. As expectativas de Antonio foram frustradas com a escolha de Amadeu, príncipe italiano da Casa de Saboia, com uma ampla margem de votos (191 a 27)[3].

Recusando-se a prestar juramento de adesão a Amadeu I, procedimento obrigatório a quem ocupa o posto de Capitão-general, Antônio foi detido e enviado a uma fortaleza militar na Ilha de Minorca. Posteriormente, foi destituído do posto de Capitão-general[3].

Na noite de 27 de dezembro de 1870, às vésperas do desembarque do novo rei da Espanha, o presidente do Conselho de Ministros da Espanha, Juan Prim y Prats, sofreu um grave atentado ao sair de uma sessão das Cortes. Indícios apontam Antonio de Orléans e Francisco Serrano y Domínguez, regente do reino, como mentores intelectuais e o republicano José Paúl y Angulo como um dos executores do incidente, que resultou na morte de Prim, em 30 de dezembro. Estudos publicados em 1960 por Antonio Pedrol Rius confirmam os responsáveis pelos disparos contra o general, mas não conseguem esclarecer a participação de Antonio e Serrano no planejamento da ação (embora os assassinos tenham sido contratados por homens de confiança do duque e do regente). Especula-se que Antonio teria planejado o atentado com o objetivo de conseguir a abdicação de Amadeu I, que chegou à Espanha no dia exato da morte de Prim, favorecendo suas aspirações ao trono[2][4].

O duque de Montpensier só consegue permissão para retornar à Espanha em 1875, um ano após a proclamação de Afonso XII como rei. De passagem por Madrid, a caminho de Sevilha, não lhe foi oferecida ou permitida a hospedagem em nenhuma residência real, sendo obrigado a hospedar-se em um hotel.

MorteEditar

Antônio de Orleães morreu na Fazenda de Torrebrava, em Sanlúcar de Barrameda, em 4 de fevereiro de 1890, aos 65 anos de idade, vítima de um acidente vascular cerebral. Inicialmente, seus restos mortais foram sepultados na mesma propriedade, num local denominado Corro del Piñón. Atualmente, o corpo do duque repousa no Panteão dos Infantes do Mosteiro de São Lourenço do Escorial.

DescendênciaEditar

 
Os duques de Montpensier e seus filhos nos jardins do Palácio de San Telmo.

Luísa Fernanda e Antônio tiveram nove filhos, mas apenas cinco atingiram a maturidade:

De todos os seus filhos, apenas Maria Isabel, Condessa de Paris, e Antônio, Duque da Galliera, deixaram filhos. Através de Antônio, a linha atualmente não-real de duques da Galliera continua. Os netos dele perderam perderam status real devido a casamentos não-dinásticos. O atual duque de Galliera é trineto de Antônio, D. Alfonso Francesco de Orléans-Bourbon y Ferrara-Pignatelli.

Através de Maria Isabel, Luísa Fernanda tornou-se bisavó do rei Manuel II de Portugal; dos duques Luís Filipe de Bragança, Amadeu II de Aosta e Aimone de Saboia; das princesas Dolores Czartoryski e Esperança de Orléans e Bragança; da condessa Maria das Mercedes de Bourbon, mãe do rei João Carlos, e de Henrique, Conde de Paris.

AncestraisEditar

Referências

  1. a b «El duque de Montpensier». Revista Historia y Vida, nº 412, págs. 12–13
  2. a b c d El Duque de Montpensier. La ambición de reinar. Carlos Ros. Ed. Castillejo. Sevilla. 2000
  3. a b España y la Guerra de 1870. 3 Vols. Javier Rubio. Biblioteca Diplomática Española. Madrid. 1989
  4. Los asesinos del General Prim. Antonio Pedrol Rius. Ed. Civitas. 1990 (primera edición de 1960 en Editorial Tebas)

BibliografiaEditar

  • «El duque de Montpensier». Revista Historia y Vida, nº 412, págs. 12–13
  • España y la Guerra de 1870. 3 Vols. Javier Rubio. Biblioteca Diplomática Española. Madrid. 1989
  • Los asesinos del General Prim. Antonio Pedrol Rius. Ed. Civitas. 1990 (primera edición de 1960 en Editorial Tebas)
  • El Duque de Montpensier. La ambición de reinar. Carlos Ros. Ed. Castillejo. Sevilla. 2000

Ligações externasEditar

 
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