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Antonio Rosmini

Antonio Francesco Davide Ambrogio Rosmini Serbati (Rovereto, 24 de março de 1797 – Stresa, 1 de julho de 1855) foi um padre católico, teólogo e filósofo italiano. Foi declarado beato em 2007 e é considerado um dos mais originais e importantes teólogos e filósofos italianos da primeira metade do século XIX.[1]

Índice

VidaEditar

Filho de Pier Modesto Rosmini Serbati, patrício de Rovereto e nobre do Sacro Império, e Giovanna, da família dos condes Formenti, fez seus primeiros estudos em uma escola pública, ao mesmo tempo dedicando-se intensamente à leitura. Foi ordenado padre em 1821 e em 1822 graduou-se em Teologia e Direito Canônico na Universidade de Pádua. No mesmo ano visitou Roma, onde foi encorajado pelo papa Pio VII a empreender uma reforma no sistema filosófico, passando os anos seguintes aprofundando seus conhecimentos neste campo, especialmente interessado pela obra de São Tomás de Aquino.[2][1]

Nesta época concebeu suas Massime di perfezione cristiana, que constituiu como regra de vida, onde desenvolve o Princípio da Passividade. Segundo este princípio, o engajamento em obras de caridade não deve partir de uma iniciativa pessoal, mas sim de uma clara manifestação externa da vontade divina.Combinava-o ao Princípio da Indiferença, segundo o qual nenhum tipo de trabalho deveria ser preferido ou rejeitado por virtude de inclinações pessoais.[1]

Sobre esses fundamentos, e depois de estimulado por Madalena de Canossa, criou em 1828 uma congregação à qual deu o nome de Instituto de Caridade, hoje mais conhecida como Congregação Rosminiana, cujos estatutos foram aprovados por Gregório XVI em 1838, e que logo começou a se expandir rapidamente pela Inglaterra e Itália.[2][3]

Neste ínterim, já havia escrito sua obra filosófica fundamental, Nuovo saggio sull'origine delle idee (1830), que pretendia superar o famoso trabalho de John Locke Essay concerning Human Understanding. A partir de então uma prolífica série de escritos foi aparecendo, mas ao mesmo tempo suas ideias pouco ortodoxas e seu envolvimento com a política passaram a ser o centro de uma intensa controvérsia, que levou à inclusão no Index Librorum Prohibitorum de duas obras suas, Costituzione secondo la giustizia sociale e Dalle cinque piaghe della Santa Chiesa. Os debates foram intensificados e em 1854 a Igreja impôs-lhe o silêncio. Em 1889 quarenta de suas proposições foram formalmente condenadas através do decreto Post Obitum de Leão XIII.[2][3]

Em meados do século XX iniciou sua reabilitação. João XXIII tomou suas Massime di perfezione cristiana como regra de vida, Paulo VI suspendeu o interdito sobre Dalle cinque piaghe della Santa Chiesa, João Paulo II em sua encíclica Fides et Ratio elogiou sua síntese entre o pensamento filosófico e a ética cristã, e aprovou a abertura da causa para sua beatificação. Uma nota do Vaticano de 2001 declarou que estavam superadas as dificuldades e dúvidas que cercavam sua doutrina, e foi beatificado em 18 de novembro de 2007.[2][1]

ObraEditar

 
Monumento a Rosmini em Milão.

Seu trabalho intelectual pretendeu restabelecer o equilíbrio entre a razão e a religião que havia sido fortemente abalado com o advento do iluminismo. Os temas principais que trabalhou foram a ontologia, a dignidade do homem, a moralidade, os direitos humanos, a natureza da sociedade, da inteligência e do conhecimento, a cosmologia e a teologia natural, abordando também a arte, a política, a educação e o casamento.[2][3] Na interpretação de Fulvio De Giorgi,

"O Nuovo saggio sull’origine delle idee assume uma perspectiva crítica moderna, desenvolvendo-a rigorosamente e ao mesmo tempo criticando o próprio criticismo kantiano, ainda que o tivesse como uma referência indispensável, e resumindo as categorias kantianas a uma só: a ideia do ser. Decisiva, então, se tornava a teoria de um 'sentimento corpóreo fundamental'. Rosmini se colocava em uma posição nova e original, certamente em sintonia com as grandes tradições platônico-agostiniana e aristotélico-tomista, mas de maneira claramente moderna, e através disso criticava o sensismo, o materialismo, o empirismo e o ceticismo, e também o racionalismo e o idealismo. Depois de ter proposto esta inovadora gnoseologia (e ontologia), publicou em 1831 uma segunda obra fundamental, os Principi della scienza morale, onde o critério da moralidade era fundamentado no reconhecimento da ordem do ser".[1]

Os principais pontos que levaram à controvérsia foram suas visões sobre a ontologia, a teologia natural, as relações entre pecado e culpa, e a natureza e circunstâncias do surgimento do mal, sendo acusado de heterodoxia e panteísmo.[3]

Suas seis Massime di perfezione cristiana sintetizam seu ascético legado espiritual, e explicitam os princípios da Passividade e da Indiferença. Três norteiam a finalidade da ação, e três os meios de obter os fins: desejar única e infinitamente agradar a Deus, ou seja, ser justo; orientar todos os pensamentos e atos para o incremento e a glória da Igreja de Cristo; conservar uma perfeita tranquilidade em tudo que aprouver a Deus impor à Igreja, trabalhando por ela segundo o chamamento divino; abandonar a si mesmo à Providência; reconhecer intimamente a nulidade da pessoa humana diante da infinitude e grandeza de Deus, e organizar todas atividades e toda a vida com um espírito de inteligência. Em seus trabalhos também condenou os vícios da Igreja, a pobre educação do clero, a desunião dos bispos e a interferência do Estado na religião, pretendendo reformar a Igreja de uma forma mais inclusiva, comunitária e participativa, com maior atenção às Escrituras Sagradas, e retomando a ideia de uma Igreja pobre.[1]

Referências

  1. a b c d e f De Giorgi, Fulvio. "Rosmini Serbati, Antonio". In: Dizionario Biografico degli Italiani, Volume 88. Istituto della Enciclopedia Italiana, 2017
  2. a b c d e Cleary, Denis. "Antonio Rosmini". In: Zalta, Edward N. (ed.) Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2015
  3. a b c d Cormack, G. & Hickey, D. "Rosmini and Rosminianism". In: The Catholic Encyclopedia. Robert Appleton Company, 1912

Ligações externasEditar