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Apeadeiro de Óbidos

apeadeiro em Portugal
Óbidos IPcomboio2.jpg
Apeadeiro de Óbidos, em 2018.
Linha(s) Linha do Oeste (PK 99,597)
Coordenadas 39° 21′ 53,48″ N, 9° 09′ 32,68″ O
Concelho Óbidos
Serviços Ferroviários Logo CP 2.svgBSicon LSTR orange.svgR
Horários em tempo real
Serviços Acesso para pessoas de mobilidade reduzida


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon BHF grey.svgCaldas da Rainha (Std. Fig. da Foz)
BSicon HST grey.svgÓbidos
BSicon HST grey.svgDagorda - Peniche (Sentido Cacém)
BSicon CONTf grey.svg

O Apeadeiro de Óbidos, originalmente denominado de Obidos, é uma interface da Linha do Oeste, que serve a vila de Óbidos, no Distrito de Leiria, em Portugal.

HistóriaEditar

Primeiros planosEditar

Nos primeiros anos dos caminhos de ferro em Portugal, na Década de 1850, as autarquias dos concelhos no Litoral Oeste começaram a exigir a construção de vias férreas pelas suas povoações, tendo defendido que a linha de Lisboa ao Porto servisse Torres Vedras, Peniche, Óbidos Caldas da Rainha, Alcobaça e Leiria.[1] Este esforço revelou-se infrutífero, uma vez que o governo decidiu que a linha deveria ir pelo interior do país, e só em 1869 é que foi novamente planeada a instalação de uma rede ferroviária na região Oeste, no sistema ligeiro Larmanjat, de Lisboa a Alcobaça.[1] No entanto, a linha do Larmanjat não chegou a passar de Torres Vedras, tendo funcionado apenas alguns anos, devido a problemas financeiros.[1]

Planeamento e inauguraçãoEditar

Na Década de 1880, ressurgiu a ideia de construir um caminho de ferro pesado na região do Oeste, desta vez pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.[2] Este apeadeiro situa-se no lanço da Linha do Oeste entre Torres Vedras e Leiria, que abriu à exploração em 1 de Agosto de 1887.[3]

 
Aviso de 1926, onde esta gare aparece com a denominação original, Obidos.

Décadas de 1910 e 1920Editar

Em 1913, a estação de Óbidos estava servida por carreiras de diligências até A-da-Gorda, Amoreira, Serra d'El-Rei, Atouguia da Baleia e Peniche.[4]

Em Outubro de 1926, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses anexou uma carruagem de terceira classe aos comboios de mercadorias n.º 2505, entre Óbidos e Caldas da Rainha, e 2540, de Óbidos a Torres Vedras, para responder ao pico de procura durante as festas e a feira de Santa Iria, em Óbidos.[5]

Ligação planeada à Linha do NorteEditar

 Ver artigo principal: Ramal de Rio Maior

Durante o mandato de António Cardoso Avelino na Pasta das Obras Públicas, foi feita uma tentativa para construir uma linha transversal de Ponte de Santana até São Martinho do Porto, passando pelo Cartaxo, Rio Maior, Óbidos e Caldas da Rainha, que não teve sucesso.[6]

Posteriormente foram feitos novos planos para uma via férrea unindo as linhas do Norte e o Oeste, e em meados do Século XX o Distrito de Santarém estava a pedir a construção de uma linha do Setil a Peniche, que deveria cruzar-se na Linha do Oeste nas Caldas da Rainha ou em Óbidos, segundo duas correntes de opinião diferentes.[7]

 
Apeadeiro de Óbidos, em 2019.

Décadas de 1950 e 1960Editar

Em 1958, a estação de Óbidos vendeu 18.874 bilhetes, sendo os meses mais movimentados Julho, Agosto e Setembro, enquanto que os períodos mais fracos foram de Fevereiro a Maio, uma situação normal naquela altura na Linha do Oeste, devido à procura balnear.[8]

Em 1961, a estação de Óbidos contava com 5 vias, sendo uma delas transversal, e fazia serviço de passageiros e bagagens.[9] Em termos de transporte de carga, podia receber mercadorias no regime de Pequena Velocidade, na tarifa de pequenos volumes, e expedia, em regime de vagão completo, as seguintes mercadorias: trigo, milho e outros cereais, barrotes e toros para exportação e toros para minas nacionais, gado cavalar, muar e asinino, e fios e tecidos.[10] No regime de Grande Velocidade, a principal mercadoria exportada foi frutas verdes.[10] Ainda assim, a estação de Óbidos era das menos movimentadas em termos de mercadorias, tendo registado apenas cerca de 3000 t em 1958, valor muito inferior aos registados em Valado, Martingança e Pataias.[11]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c RODRIGUES et al, 1993:294-295
  2. RODRIGUES et al, 1993:297
  3. TORRES, Carlos Manitto (16 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1682). p. 61-64. Consultado em 29 de Maio de 2014 
  4. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 15 de Fevereiro de 2018 
  5. «Viagens e Transportes» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (932). 16 de Outubro de 1926. p. 316. Consultado em 24 de Janeiro de 2018 
  6. SERRÃO, 1986:238
  7. GALO, Jaime Jacinto (16 de Julho de 1948). «A Rêde Ferroviária de Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1454). p. 380-382. Consultado em 24 de Janeiro de 2018 
  8. SILVA et al, 1961:202
  9. SILVA et al, 1961:189
  10. a b SILVA et al, 1961:205-206
  11. SILVA et al, 1961:203

BibliografiaEditar

  • RODRIGUES, Luís; TAVARES, Mário; SERRA, João (1993). Terra de Águas. Caldas da Rainha História e Cultura 1.ª ed. Caldas da Rainha: Câmara Municipal de Caldas da Rainha. 527 páginas 
  • SERRÃO, Joaquim Veríssimo (Março de 1986). História de Portugal: O Terceiro Liberalismo (1851-1890). Volume 9 de 19. Lisboa: Verbo. 423 páginas 
  • SILVA, Carlos; ALARCÃO, Alberto; CARDOSO, António (1961). A Região a Oeste da Serra dos Candeeiros: Estudo económico-agrícola dos concelhos de Alcobaça, Nazaré, Caldas da Rainha, Óbidos e Peniche. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 767 páginas 
 
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Ligações externasEditar