Apeadeiro de Almancil-Nexe

apeadeiro em Portugal

O Apeadeiro de Almancil - Nexe, originalmente denominado de Almancil,[2] é uma interface encerrada da Linha do Algarve, que servia as nominalmente localidades de Almancil e Santa Bárbara de Nexe, respetivamente nos concelhos vizinhos de Faro e Loulé, em Portugal.

Almancil-Nexe
a estação de Almancil-Nexe, em 2018
Administração: Refer (sul)[1]:3.3.3.2
Linha(s): Linha do Algarve (PK 331,174)
Altitude: 50 m (a.n.m)
Coordenadas: 37°5′6.93″N × 7°59′22.32″W

(≍+37.08526;−7.98953)

(mais mapas: 37° 05′ 06,93″ N, 7° 59′ 22,32″ O)
Concelho: bandeiraLoulé
Serviços: sem serviços
Conexões:
Ligação a autocarros
10 118 2 59 68
Encerramento: 2004 (há 17 anos)
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o apeadeiro encerrado na Linha do Algarve. Se procura o apeadeiro ainda em funcionamento com o mesmo nome, veja Apeadeiro de Almancil.

Características e serviçosEditar

Este apeadeiro situa-se no sítio dos Caliços, na zona do Esteval, na Freguesia de Almancil.[3]

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Algarve
 
 
Mapa do projecto cancelado para o desvio de Loulé (1926); Almancil-Nexe marcado.

Este apeadeiro insere-se no lanço da Linha do Algarve entre Tunes e Faro, que foi inaugurado em 1 de Julho de 1889, pela divisão dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste do Estado Português.[4][5]

Em Janeiro de 1901, ainda não existia uma ligação rodoviária directa entre o apeadeiro e Santa Bárbara de Nexe, segundo um relatório do conselho de administração dos Caminhos de Ferro do Estado.[6] Em 22 de Abril de 1903, a Direcção de Sul e Sueste dos Caminhos de Ferro do Estado ascendeu o apeadeiro de Almancil à categoria de estação de 4.ª classe.[7][2]

Foi encerrado em 2004, junto com o Apeadeiro de São João da Venda, na sequência da abertura da Estação de Parque das Cidades.[8]

Referências literáriasEditar

Pela portinhola do comboio vou seguindo a paisagem de figueiras e vinhas que desfila. De um lado o céu doirado e violeta, do outro todo roxo. Os nomes das estações têm um sabor a fruto maduro e exótico: Almancil-Nexe, Diogal, Marchil… De vez em quando fixo um pormenor: uma mulher passa na estrada branca, entre oliveiras pulvurentas e fantasmas esbranquiçados de árvores, sentada no burrico, de guarda-sol aberto, e dando de mamar ao filho. Terras de barro vermelho. Grupos de figueiras anainhas estendem os braços pelo chão até ao mar, deixando cair na água os ramos vergados de fruto, que só amadurece com as branduras. Uma ou outra casinha reluzindo de caiada: ao lado, e sempre, a nora de alcatruzes e um burrinho a movê-la entre as leves amendoeiras em fila, as oliveiras de um verde mais escuro e a alfarrobeira carregada de vargens negras pendentes. A mesa de Deus está posta. Estradas orladas de cactos imóveis como bronze, e a deslumbrante Fuzeta, com o seu zimbório entre árvores esguias. Ao longe, e sempre, acompanha-me o mar, que mistura o seu hálito a esta luz vivíssima.
Raul Brandão, Os Pescadores, p. 185 (1923)

Ver tambémEditar

Referências

  1. Diretório da Rede 2021. IP: 2019.12.09
  2. a b Aviso de 1905, onde esta interface aparece com a categoria de estação, e a denominação de Almancil.
  3. «O caso do "aterro" dos Caliços». Região Sul. 12 de Novembro de 2002. Consultado em 15 de Agosto de 2012 
  4. TORRES, Carlos Manitto (1 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1683). p. 76-78. Consultado em 3 de Agosto de 2015 
  5. SANTOS, 1997:181
  6. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (368). 16 de Abril de 1903. p. 119-130. Consultado em 8 de Novembro de 2014 
  7. «Avisos de Serviço» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (369). 1 de Maio de 1903. p. 154. Consultado em 15 de Agosto de 2012 
  8. «Estação Parque das Cidades construída de raiz no âmbito do Projecto de Modernização da Ligação Lisboa/Algarve». Notícias REFER. Lisboa: REFER – Rede Ferroviária Nacional, EPE. Junho de 2004 
 
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BibliografiaEditar

  • SANTOS, Luís Filipe Rosa (1997). Faro: um Olhar sobre o Passado Recente. (Segunda Metade do Século XIX). Faro: Câmara Municipal. 201 páginas 
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