Arapoti
  Município do Brasil  
Cidadedearapotiparana.jpg
Símbolos
Bandeira de Arapoti
Bandeira
Brasão de armas de Arapoti
Brasão de armas
Hino
Gentílico arapotiense
Localização
Localização de Arapoti no Paraná
Localização de Arapoti no Paraná
Mapa de Arapoti
Coordenadas 24° 09' 28" S 49° 49' 37" O
País Brasil
Unidade federativa Paraná
Municípios limítrofes Jaguariaíva, Piraí do Sul, Ventania, Wenceslau Braz, Ibaiti, Pinhalão, Tomazina, São José da Boa Vista
Distância até a capital 240 km
História
Fundação 7 de março de 1934 (86 anos)
Emancipação 18 de dezembro de 1955 (64 anos)
Aniversário 18 de dezembro de 1955
Administração
Prefeito(a) Nerilda Penna[1] (PP, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total 1 360,494 km²
População total (estimativa populacional — IBGE/2019[2]) 28 115 hab.
Densidade 20,7 hab./km²
Clima Subtropical (Cfa/Cfb)
Altitude 860 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[3]) 0,723 alto
PIB (IBGE/2012 [4]) R$ 671.019 mil
PIB per capita (IBGE/2012 [4]) R$ 25 657,45

Arapoti é um município do estado do Paraná, no Brasil. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2019, era de 28 115 habitantes.[2]

TopônimoEditar

O município adquiriu seu nome do cacique Arapoti, cuja tribo, de língua tupi e catequizada pelos jesuítas, constituiu a redução de São Francisco Xavier, às margens do rio Tibaji. "Arapoti", traduzido do tupi, significa "Campos-floridos".[5]

HistóriaEditar

A história do município de Arapoti tem sua origem na histórica Fazenda Jaguariaíva do lendário povoador destas paragens, coronel Luciano Carneiro Lobo, cujos campos eram ocupados por criatórios de gado e serviam como pouso para tropas vindas do Sul, em consequência do tropeirismo no Paraná.[6][7][8] O Coronel Luciano Carneiro Lobo adquiriu a fazenda Jaguariaíva em 1795 e em 15 de setembro de 1823 a Fazenda Jaguariaíva foi elevada à categoria de Freguesia.[7]

 
Antiga capela católica de madeira em Arapoti.

Através da Lei Municipal n.º 2, de 8 de outubro de 1908, foi criado o Distrito Judiciário de Cerrado, no município de Jaguariaíva.[7][8] A localidade de Cerrado foi uma das primeiras a ser povoada no então território do futuro município de Arapoti e teve alavancado seu desenvolvimento a partir de 1910.[6] Em 1910 foi instalado a serraria e fábrica de papel da Southern Brazil Lumber & Colonization Companye, e, logo depois, em 1912, chegou o Ramal Ferroviário do Paranapanema, que, atravessou a fazenda Capão Bonito e possibilitou a fixação de moradores em torno da estação ferroviária de nome "Cachoeirinha".[6][8]

Vivendo os ciclos econômicos do café produzido em grande escala na região do Norte Pioneiro do Paraná, e o ciclo da madeira, recebeu, a partir de 1916, imigrantes de origem espanhola e polonesa.[6][8] Em 1925 entrou em operação a "fábrica-mãe", unidade industrial fabricadora de papel que mais tarde daria origem a Inpacel.[9] Em 1929 foi construída uma capela católica, toda feita em madeira, que recebeu como padroeiro São João Batista.[10]

Com o Decreto-Lei n.º 2.556, de 18 de dezembro de 1933, foi alterado a denominação de Cerrado para Cachoeirinha. Em 7 de março de 1934, Cachoeirinha passou a ser Distrito Administrativo de Jaguariaíva.[7][8] Pelo decreto-lei estadual n.º 199, de 30 de dezembro de 1943, o distrito de Cachoeirinha passou a denominar-se Arapoti e o de São José a denominar-se Calógeras, em homenagem a João Pandiá Calógeras.[7][8]

 
Cooperativa Agrícola de Arapoti.

Pela lei estadual n.º 253, de 26 de novembro de 1954, os distritos de Arapoti e Calógeras desmembraram-se do município de Jaguariaíva para formar um novo município.[7] Foi instalado como município e cidade de Arapoti em 18 de dezembro de 1955.[6]

Em 1960, foi a vez da imigração holandesa no município.[6][11] Com a instalação de uma colônia holandesa formada por produtores rurais que visavam principalmente a produção de leite, foi possível fundar uma cooperativa, que deu origem a Cooperativa Agro-Industrial (CAPAL), integrante do grupo ABC do complexo Batavo. A partir da década de 1970 a cooperativa expandiu sua atuação e recebeu também muitos cooperados brasileiros. A iniciativa transformou o município de Arapoti em um pólo de alta tecnologia em agricultura e pecuária, com destaque para a produção de soja, milho, trigo, suínos, frangos e gado holandês leiteiro de alta linhagem.[6][12]

Construção da Indústria de Papel Arapoti S.A..
Construção da Indústria de Papel Arapoti S.A..

Em 2 de dezembro de 1968 foi fundada a Cooperativa de Eletrificação Rural Arapoti Ltda, que passou a ser a Cooperativa de Infraestrutura de Arapoti - Ceral, e posteriormente Cooperativa de Distribuição de Energia Elétrica de Arapoti - Ceral-Dis, que foi responsável por levar a energia elétrica para a área rural.[13]

Em 8 de dezembro de 1987 foi criada a comarca de Arapoti, por meio da Lei nº 8623, sendo instalada em 5 de novembro de 1988, compreendendo também o Distrito Judiciário de Calógeras, e tendo como primeiro juiz de direito Salvatore Antônio Astuti.[14]

Em agosto de 1992 foi inaugurada a Arapoti Indústria de Papel S.A. (antiga Inpacel Indústria Ltda.).[15] Com a instalação da unidade, fez surgir no município uma das mais modernas indústrias papeleiras do país na época.[6][9] A unidade produz papéis revestidos de baixa gramatura e fibras termomecânicas de alto rendimento para mercado, sendo o papel utilizado para impressão de revistas e catálogos.[16][9] A Inpacel foi comprada pela International Paper e, posteriormente, pela Stora Enso.[6] Em 2007 a Stora Enso fechou parceria com a Arauco do Brasil, vendendo 20% da unidade fabril, 80% da unidade florestal e 100% da serraria.[17] Em 2015 a chilena Papeles Bio Bio, atual BO Paper,[18] adquiriu 80% da unidade industrial de Arapoti,[19] o mesmo grupo que havia adquirido anteriormente a Pisa Papel de Imprensa S/A de Jaguariaíva, entre 2013 e 2014.[20][21][9]

AdministraçãoEditar

Câmara municipal

A Câmara Municipal de Arapoti é o órgão legislativo do município, sendo representado por nove vereadores[22].

GeografiaEditar

 
Plantação de soja na área rural do município.

Sua área é de 1 362,461quilômetros quadrados, representando 0,6826 % do estado, 0,2414 % da região e 0,016 % de todo o território brasileiro. Localiza-se a uma latitude 24º09'28" sul e a uma longitude 49º99'37" oeste, estando a uma altitude de 860 metros.

DemografiaEditar

Dados do Censo - 2008

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 25,7

Expectativa de vida (anos): 71,5

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 3,89

Taxa de Alfabetização: 88,65%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,761

  • IDH-M Renda: 0,741
  • IDH-M Longevidade: 0,686
  • IDH-M Educação: 0,856

(Fonte: CNM)

Comunidades quilombolasEditar

O município de Arapoti conta com três comunidades quilombolas localizadas na área rural: Comunidade Família Xavier; Comunidade Fazenda Bugre; Comunidade Calógeras.[23] As duas primeiras são remanescentes da Fazenda Boa Vista e a última identifica-se como comunidade negra tradicional.[24][25][26][27][28] As famílias buscam preservar a história e a cultura das comunidades e é comum encontrar costumes típicos como danças, músicas, comidas e artesanatos, além de um cemitério histórico e ruínas arquitetônicas.[29][30][31][32]

ReligiãoEditar

Além de contar com a grande maioria da população pertencente à Igreja Católica, também existe uma parcela da população que pertence ao protestantismo, de várias denominações como Presbiteriana, Batista, Igreja Evangélica Reformada, Assembleia de Deus, Congregação Cristã, entre outras. Também existem adeptos do espiritismo e ainda outras religiões minoritárias.

EducaçãoEditar

Na rede estadual conta com cursos profissionalizantes no Colégio Agrícola (Centro Estadual de Educação Profissional - CEEP). Além da rede pública de ensino estadual e municipal, Arapoti conta também com quatro instituições de ensino particular de nível infantil, fundamental e médio.

Ensino superior

TurismoEditar

Possui um roteiro de turismo cultural denominado Linha Verde, onde podem ser visitados inúmeros atrativos como a antiga sede da fazenda Capão Bonito, Parque Cachoeirinha, Casa da Cultura na antiga estação ferroviária, Feira do Produtor, o Moinho Holandês e a Colônia Holandesa. Cânions, rios e cachoeiras fazem parte do cenário rural da cidade, além de uma RPPN administrada pela Arauco Florestal, aberta ao público através de agendamentos.[33] Os principais atrativos turísticos do municípios são:

  • Chácara Casa Antiga, cuja sede foi construída por Telêmaco Carneiro de Mello, proprietário da Fazenda Capão Bonito e é conhecida como a primeira residência do município. » Localização: Jardim Ceres;
  • Casa da Cultura Estação Ferroviária, uma construção de madeira que era a antiga Estação Ferroviária e possuía um acervo abrangente com pinturas, esculturas, publicações, objetos da Rede Ferroviária como telégrafo, faróis da Maria Fumaça, entre outros. Em 2017 o prédio foi destruído por um incêndio;[34]
  • Moinho Holandês "O imigrante", construído em 2001 em homenagem à Colônia Holandesa, por tratar-se de um dos ícones mais conhecidos dos Países Baixos. Localização: Parque de Exposições CAPAL;
Moinho de Arapoti.
Igrejinha (igreja católica no centro de Arapoti) em 2014.

CulturaEditar

CulináriaEditar

O prato típico do município de Arapoti é o lombo de festa.[38][33]

EsporteEditar

No Campeonato Paranaense de Futebol de 1940, houve a participação do Guarani, ainda quando a cidade pertencia ao município de Jaguariaíva. Posteriormente houve a participação da Associação Atlética Arapoti.[39]

Referências

  1. «Depois de cassação de prefeito em Arapoti, Nerilda Penna assume administração municipal». Portal G1. 19 de setembro de 2017. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  2. a b «estimativa_dou_2019.xls». ibge.gov.br. Consultado em 28 de agosto de 2019 
  3. «Ranking IDH-M 2010» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 31 de julho de 2013. Cópia arquivada (PDF) em 1 de agosto de 2013 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2012». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 11 de dezembro de 2014 
  5. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 544.
  6. a b c d e f g h i «História da Cidade». Prefeitura Municipal de Arapoti. Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  7. a b c d e f IBGE Cidades. «História Jaguariaíva». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  8. a b c d e f IBGE Cidades. «História Arapoti». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  9. a b c d «BO Paper Arapoti». BO Paper. Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  10. «Cidade: Arapoti – A cidade "Campos floridos"». Rota do Rosário. Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  11. Carla Roseane de Sales Camargo (2016). «A reconstrução histórica do Colégio Colônia Holandesa - Arapoti - Paraná (1960-2013)». Universidade Estadual de Ponta Grossa. Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  12. «Conheça nossa história». Capal Cooperativa Agroindustrial. 2018. Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  13. «CERAL: Cooperativa de Infraestrutura de Arapoti completa 50 anos». Paraná Cooperativo. 27 de dezembro de 2018. Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  14. «Arapoti: o município e a comarca». Tribunal de Justiça do Paraná. Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  15. «Inpacel teve prejuízo em 95». Folha de S.Paulo. 18 de julho de 1996. Consultado em 28 de janeiro de 2020 
  16. «Stora Enso e Arauco fecham parceria no Brasil». O Globo. 29 de setembro de 2007. Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  17. «Stora Enso e Arauco fecham parceria no Brasil». O Globo. 29 de setembro de 2007. Consultado em 28 de janeiro de 2020 
  18. Fernando Rogala (11 de outubro de 2017). «Grupo BO projeta consolidar R$ 50 mi em aportes até 2018». A Rede. Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  19. Juliana Machado (31 de dezembro de 2015). «Stora Enso acerta venda de fábrica no PR para chilena Papeles Bio Bio». Valor Econômico. Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  20. «Histórica papelera cambió de nombre a Bo Paper Bío Bío S.A.». Lignum. 8 de outubro de 2018. Consultado em 25 de fevereiro de 2019. Arquivado do original em 26 de fevereiro de 2019 
  21. Fernando Rogala (5 de abril de 2016). «Stora Enso conclui venda e fábrica de papel passa a se chamar BO Paper». Folha Paranaense. Consultado em 25 de fevereiro de 2019 
  22. «VOZ DO POVO ARAPOTI». A Voz do Povo. Consultado em 26 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 26 de outubro de 2016 
  23. «Comunidades quilombolas em Arapoti - Mapa» (PDF). Grupo de Trabalho Clóvis Moura. Universidade Federal do Paraná (UFPR). FUNPAR. Governo do Paraná. 2006. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  24. «Comunidades remanescentes de quilombos e comunidades negras tradicionais identificadas pelo Grupo de Trabalho Clóvis Moura» (PDF). Instituto de Terras, Cartografia e Geociências - ITCG. Governo do Paraná. 2008. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  25. «População negra e comunidades quilombolas no Estado do Paraná» (PDF). Instituto de Terras, Cartografia e Geociências - ITCG. Governo do Paraná. 2010. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  26. «Comunidades Quilombolas e Negras Tradicionais». Instituto de Terras, Cartografia e Geociências - ITCG. Governo do Paraná. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  27. «Comunidades Quilombolas e comunidades negras tradicionais» (PDF). MPPR. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  28. Jackson Gomes Júnior; Geraldo Luiz da Silva; Paulo Afonso Bracarense Costa (2008). «Paraná Negro» (PDF). Grupo de Trabalho Clóvis Moura. Universidade Federal do Paraná (UFPR). FUNPAR. Governo do Paraná. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  29. Franciele Petry Schramm (6 de setembro de 2018). «Comunidade Quilombola Família Xavier, em Arapoti (PR), comemora reconhecimento pela Fundação Cultural Palmares». Terra de Direitos. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  30. «Portaria legaliza comunidade quilombola em Arapoti». APP-Sindicato. 10 de julho de 2018. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  31. «Comunidade quilombola de Arapoti reivindica direito às terras onde viveram seus ancestrais». Folha Extra. 28 de julho 2016. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  32. «Ruínas de uma fazenda guardam dois séculos de história e a herança dos quilombolas». Folha Extra. 12 de julho de 2019. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  33. a b c d e f g h i j Viaje Paraná. Paraná Turismo (2019). «Arapoti - aqui, a Holanda se revela em meio à bela natureza». Secretaria da Comunicação Social. Governo do Paraná. Consultado em 20 de janeiro de 2020 
  34. Fogo destrói Casa da Cultura em Arapoti Portal G1/RPC - acessado em 17 de dezembro de 2018
  35. Viaje Paraná. Paraná Turismo (2019). «Cânion do Cerrado». Secretaria da Comunicação Social. Governo do Paraná. Consultado em 28 de janeiro de 2020 
  36. Escola Fazendária do Paraná. «VIII Seminário Paranaense de Educação Fiscal Tomazina». Secretaria da Fazenda do Paraná. Consultado em 28 de janeiro de 2020 
  37. «Tomazina consegue a desapropriação do Salto Cavalcanti». Folha Extra. 10 de abril de 2019. Consultado em 28 de janeiro de 2020 
  38. Michele Pavoni (21 de abril de 2018). «Sabores dos Campos Gerais: receitas típicas para fazer em casa». Diário dos Campos. Consultado em 29 de setembro de 2019 
  39. «Série A-III-Paraná 1997». RSSSF Brazil. Consultado em 15 de setembro de 2018 

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

 
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