Arma de Comunicações do Exército Brasileiro

A Arma de Comunicações é a arma de apoio ao combate que proporciona aos comandantes, nos diversos escalões, os meios da ciência do controle, necessários à aplicação da arte do comando e apoio ao comando no exercício da coordenação e do controle sobre seus elementos subordinados.

Símbolo da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro, aprovado pelo Decreto Nº 49.103, de 11 de Outubro de 1960.

Seus integrantes podem se especializar nas capacidades necessárias ao controle das dimensões eletromagnética e cibernética do Espaço de Batalha. Essas capacidades são essenciais para impedir ou dificultar a liberdade de ação do opoente, facilitar a condução das operações da F Ter e apoiar a obtenção de dados para a Inteligência.

O soldado das Comunicações possui formação técnica, altamente especializada, e é capaz de cumprir variada gama de atividades e tarefas em apoio aos comandantes dos elementos da F Ter.[1]

O Patrono das Comunicações é o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, desbravador das fronteiras brasileiras e indigenista. Seu dia é comemorado em 5 de maio, data natalícia de Rondon.[2]

HistóriaEditar

A história da Arma de Comunicações em nosso Exército está intimamente relacionada com a história das escolas de formação, de aperfeiçoamento, e principalmente com a escola de especialização que vem preparando, desde 1921, os oficiais e praças que se dedicam a este moderno setor de atividade militar.

Ao iniciar a história da Arma de Comunicações, há que se considerar o dia 1º de julho de 1921, data de criação da Escola de Comunicações (EsCom).

A grande deflagração mundial do século XX, que tantas vidas ceifou entre 1914/18, havia demonstrado a necessidade de introdução de novos conceitos na tática e na estratégia empregadas pelos beligerantes até então. A nova conceituação, por sua vez, exigiu mudanças radicais na estrutura e na organização dos Exércitos, mesmo aqueles que não participaram das operações.

Desde a Guerra do Paraguaia até os primórdios da I Guerra Mundial (I GM), o Exército possuía uma organização que pouca coisa mudara em relação à utilizada quando integrou o Grande Exército Aliado, vitorioso naquela campanha.

Logo após o sangrento conflito, tratou de estruturar-se e organizar-se. Buscou, destarte, alcançar níveis operacionais mais elevados, consentâneos com a época e, baseados na experiência adquirida pelos exércitos vencedores.

Os ensinamentos proporcionados pela guerra foram muitos. Dentre eles, sobrelevou-se primordialmente, a emergente importância das comunicações entre os vários escalões, uma vez que os campos de batalha mais amplos e mais complexos e a rapidez das operações estiveram a exigir dos comandos ligações mais preciosas, rápidas e eficientes.

O reconhecimento deste fato transformara as comunicações em potente arma nas mãos do Comando. A partir daí ela tenderia a ser o ponto mais crítico de qualquer operação.

O dia 1º de julho de 1921 foi dado, no Brasil, o passo inicial no sentido de reconhecimento da importância das comunicações. Nas dependências singelas da 2ª Companhia do 1º Batalhão de Engenharia, na Vila Militar do Rio de Janeiro, foi instalado um núcleo de preparação de especialistas no setor, denominado Centro de Instrução de Transmissão (CIT).

Sob orientação da Missão Militar Francesa (MMF), o CIT teve definitivamente consolidado o seu funcionamento, e começou a operar com programas de instrução próprios a 26 de janeiro de 1924.

Dois anos depois, desvinculava-se do 1º Batalhão de Engenharia, passando a funcionar anexo à Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).

Em fevereiro de 1936, recebia a denominação de Curso Especial de Transmissões (CET).

Novas e profundas modificações logo se fizeram sentir com o advento da II Guerra Mundial. Nesta, mais do que na I GM, verificou-se que o alargamento dos campos de batalha, a utilização de meios de combate e armas cada vez mais sofisticadas e mortíferas, e ainda a dispersão imposta às operações, agravaram a necessidade crescente e imperiosa dos comandos manterem em suas mãos o controle absoluto das ações. Isto acabou colocando as COMUNICAÇÕES no campo daquelas armas imprescindíveis ao combate e sem as quais nenhuma vitória pode sequer ser imaginada.

A participação do Brasil na II GM foi fundamental para o aprimoramento da nossa doutrina. O Exército Brasileiro, antes hipomóvel e treinado à francesa por operosa MMF, teve que organizar, treinar e enviar aos campos de batalha europeus uma Divisão de Infantaria (DI) nos moldes americanos e, portanto, motorizada.

Para compor essa DI foi criada a Companhia de Transmissões (o nome Comunicações só foi adotado em 31 de janeiro de 1953) no histórico quartel do 1º Batalhão de Engenharia e hoje pertencente ao Batalhão Escola de Comunicações (Vila Militar – RJ).

As vitórias alcançadas pela Força Expedicionária Brasileira (FEB) nos campos de Batalha da Itália, muito devem à pronta atuação de suas comunicações e ao preparo do seu pessoal, tanto que assim foi elogiada pelo Comandante da 1ª DIE, o Gen Div JOÃO BATISTA MASCARENHAS DE MORAES nos seguintes termos da Nota de Comando Nº 8:

“V-Exército - IV-Corpo - 1ª DIE - ESTADO-MAIOR - 1ª Seção

Itália, 3 de fevereiro de 1945

NOTA DE COMANDO Nº 8

ÀS TRANSMISSÕES DA FEB

Em nenhuma ocasião o Comandante da FEB deixou de transmitir as suas ordens ou receber informação dos escalões subordinados, por falta de meios.

De dia ou de noite, em situações de calma ou de combate, as transmissões têm estado a altura de sua importante missão.

Nos copos de tropa ou no órgão divisionário todos os homens se mantem vigilantes, porque sabem que um descuido seu, uma demora na transmissão de preciosa informação ou da ordem de combate, pode levar a consequências funestas.

Desde os chefes responsáveis pelo funcionamento do conjunto até os técnicos que mantém o material em forma; desde construtores de linha que, na lama, na neve, nas estradas, nas montanhas, sob bombardeio de morteiros e de artilharia, leva o fio que manterá a ligação, até o homem que permanece nas centrais, todos, telefonistas, mensageiros ou radiotelegrafistas, todos vós vos impusestes à gratidão do Comandante da FEB

No vosso trabalho quotidiano e ininterrupto, na força de vossa constância, tendes alegria e inquietações. Pode-se dizer que acompanhais a minuto, a vida da Divisão Brasileira.

Sofreis os efeitos da atuação inimiga sobre a nossa gente, como vos rejubilais com os êxitos das nossas armas. A vossa voz, em qualquer caso, bem traduz o estado d’alma do momento.

Mas tendes, sobretudo, e sobre todos os demais componentes da FEB um privilégio. Sereis os primeiros a ouvir, serei os primeiros a nos transmitir a alvissareira informação tão ardentemente esperada por nós combatentes, pelas Nações Unidas, por todo mundo: - a nova do colapso alemão. E para tanto, é que pondes inteiro serviço de nosso Brasil, na FEB, todo o vosso esforço, toda a vossa alma.

Rádio-operadores, telefonistas, técnicos das transmissões, avante pela rápida vitória do Brasil!

(a)  JOÃO BATISTA MASCARENHAS DE MORAIS – Gen. De Divisão Cmt da 1ª DIE”.

Após o fim da II GM as modificações impostas pelas necessidades operacionais refletiram-se de forma acentuada no CET. Material mais moderno, de precedência norte-americana, substituiu o existente.

O quadro de instrutores foi adaptado às novas condições de ensino e a orientação técnico-pedagógica, antes francesa, passou a ser, então, da Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos.

As necessidades surgentes dali em diante conduziram à formação, ao aperfeiçoamento e à especialização de quadros, tanto mais aptos na tropa, ao desempenho proveitoso de funções de tal envergadura, como também permeáveis à absorção de novos conhecimentos apropriados à manipulação dos modernos equipamentos adquiridos pelo Exército.

Finalmente, com a Organização Básica do Exército, a ARMA DE COMUNICAÇÕES foi instituída pela Lei Nº 2.851, de 25 de Agosto de 1956, tendo sua organização estabelecida somente em 1959 através da Lei Nº 3.654, de 4 de novembro de 1959.

CançãoEditar

Pelas estradas sem fim, ou pelo campo caminha a Glória.

Os nossos fios, as nossas antenas transmitem essas vitórias.

Quando soa a metralha ou o ronco dos canhões,

Nos céus da Pátria ecoa, teu nome Comunicações.

E quando a vitória vier,

Alguém falará no porvir,

Na paz, assim como na guerra,

Teu lema é sempre servir.


Dentro das noites escuras, o teu trabalho silente será.

E nessa mudez, somente a bravura, ao teu lado caminhará.

Sempre estarás na vanguarda e cumprirás do Comando as missões,

Com o nome de Rondon, pulsando em nossos corações.

E quando a vitória vier,

Alguém falará no porvir,

Na paz, assim como na guerra,

Teu lema é sempre servir.

Ver tambémEditar

Referências

  1. BRASIL, Comando do Exército (2014). O Exército Brasileiro. Brasília-DF: Estado-Maior do Exército. pp. 5–4 
  2. «Arma de Comunicações». Consultado em 25 de dezembro de 2018