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Arma de Comunicações do Exército Brasileiro

Símbolo da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro.

A Arma de Comunicações, chamada de "Arma do Comando", proporciona as ligações necessárias aos escalões mais altos que exercerão a coordenação e o controle de seus elementos subordinados antes, durante e após as operações. Além disso, atua no controle do espectro eletromagnético, por meio das atividades de Guerra Eletrônica, para impedir ou dificultar as comunicações do inimigo, facilitar as próprias comunicações e obter informações.

O ciclo básico da tomada de decisão é deflagrado a partir dos estímulos recebidos do ambiente. O centro decisório, após detectar, comparar, analisar, decidir e agir, reage ao ambiente, para restabelecer a situação desejada.

O Sistema de Comando e Controle (SC2), como parte integrante desse processo, precisa ser operado em tempo compatível que assegure a oportunidade na tomada de decisão. O funcionamento eficaz do SC2 é responsabilidade do comandante.

A Arma de Comunicações tem como Patrono Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon. Seu dia é comemorado em 5 de maio, data natalícia de Rondon.[1]

HistóriaEditar

 
Cândido Rondon, Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro.

Terminada a Guerra do Paraguai, Rondon cuidou de aparelhar a tropa de Engenharia para atender à formação dos especialistas necessários aos empreendimentos públicos indicados pela experiência bélica.

Os problemas iminentes a serem resolvidos eram os dos transportes e os das comunicações, particularmente no Rio Grande do Sul, Oeste Paranaense e Mato Grosso, o que impedia a aplicação oportuna e decisiva do poder nacional. Surgiu o Exército como fator de integração nacional.

Em 1880, o Batalhão de Engenheiros foi reorganizado para poder ser empregado na construção de estradas de ferro e de linhas telegráficas. O primeiro empreendimento de Rondon no campo das comunicações, concluído em dezembro de 1881, foi a ligação telegráfica entre Alegrete e São Borja, com um ramal para Itaqui.

No ocaso do Império foi criada a Comissão Construtora da Linha Telegráfica Franca – Cuiabá, com o objetivo de romper o isolamento de Mato Grosso, tão nefasto durante a invasão paraguaia. A cidade paulista de Franca representava, até então, a região mais ocidental servida pelo fio.

Proclamada a República, foram aproveitados e ampliados os projetos de construção de linhas telegráficas do Império, que ligou 11.000km de linhas entre as principais cidades.

Com a concretização da ligação Franca-Uberaba, ainda no período Imperial, coube ao governo republicano a criação de uma comissão para o prolongamento da linha até a margem direita do Rio Araguaia.

A construção em sentido contrário, Cuiabá-Araguaia, foi confiada à chefia do Major Antônio Ernesto Gomes Carneiro. Este, em busca de um auxiliar mato-grossense, escolheu o alferes-aluno Cândido Mariano da Silva Rondon, nascido em 1865 nas proximidades de Cuiabá, coincidentemente durante a invasão paraguaia do Mato Grosso. A partir daí teria início a ciclópica obra de Rondon, síntese das Comunicações da Primeira República.

 
Rondon quando jovem, na Amazônia brasileira.

Paralelamente, o governo criou outras comissões telegráficas chefiadas por engenheiros militares. No Rio Grande do Sul uma comissão foi designada para interligar os principais pontos das fronteiras com a Argentina e o Uruguai, enquanto no Paraná outra recebeu a missão de ligar Foz do Iguaçu a Curitiba.

Em abril de 1891, com a ponta da linha já nas margens do rio Araguaia, Gomes Carneiro retornou ao Rio de Janeiro e Rondon assumiu a chefia da comissão. Pouco tempo depois, em 1894, Gomes Carneiro morreu heroicamente durante o cerco da Lapa, no Paraná, episódio da Revolução Federalista, articulado com a Revolta da Armada.

Em 1900 Rondon recebeu a missão de interligar toda a faixa fronteiriça com a Bolívia e com o Paraguai, cumprindo-a após seis anos de penosos trabalhos e 1.746km de linhas construídas. Finalmente, as cidades de Cuiabá, Corumbá, Bela Vista, Porto Mourinho, Forte Coimbra e Cáceres passaram a ser ligadas ao restante do País.

Entretanto, ainda estava longe do encerramento a sua obra civilizadora. Em março de 1907, o Presidente Afonso Pena cria a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas do Mato Grosso ao Amazonas e nomeia-o, já major, para chefiá-la.

Essa comissão fica subordinada aos Ministérios da Aviação e da Guerra, pela natureza dos trabalhos e pelo seu enquadramento civil e militar. Integram-se engenheiros militares, oficiais especializados e funcionários civis da Repartição Geral dos Telégrafos. O 5º Batalhão de Engenharia participa como núcleo principal da tropa a ser empregada.

A linha partiria de Cuiabá para atingir a cachoeira de Santo Antônio do Madeira, no Rio Madeira, e daí até a Estrada de Ferro Madeira–Mamoré. Desse ponto alcançaria as sedes das Prefeituras do Acre, Purus e Juruá, enquanto ramais atingiram a cidade de Mato Grosso (Vila Bela), no Forte Príncipe da Beira e Manaus.

O trabalho era, portanto, de extrema magnitude e imperativo, em função da incorporação do Acre pelo Tratado de Petrópolis, firmado com a Bolívia em 1903.

No Natal de 1909, após toda sorte de adversidades, a Expedição atinge o Rio Madeira e o corneteiro do 5º Batalhão de Engenharia, origem do atual Batalhão Rondon, saúda o fato com o toque da vitória.

Fisicamente se rompera a Amazônia Ocidental, mas os trabalhos ainda continuariam até 1º de janeiro de 1915, com a inauguração da Estação de Santo Antônio do Madeira. Foram instaladas, ao todo, 32 estações nos 1.497km da linha principal e nos 763km dos ramais de Cáceres a Mato Grosso, de Parecis a Barra dos Bugres e de Santo Antônio a Guajará-Mirim.

O objetivo de levar o fio até Manaus foi abandonado, como consequência da evolução da radiotelegrafia descoberta por Guglielmo Marconi, mas nem por isso tornou menos importante a obra de Rondon, que já havia cumprido um papel de extrema relevância para o País. Não só na integração de pontos afastados do território nacional, mas ainda, no avanço dos conhecimentos contemporâneos de etnografia, zoologia, botânica e mineralogia, no aperfeiçoamento da cartografia nacional e na proteção do indígena.

O pioneirismo do Marechal Rondon nas atividades de comunicações o credenciariam para ser elevado a Patrono da Arma de Comunicações, do Exército Brasileiro, através do Decreto nº 51.960, de 26 de abril de 1963.

CançãoEditar

Pelas estradas sem fim, ou pelo campo caminha a Glória.

Os nossos fios, as nossas antenas transmitem essas vitórias.

Quando soa a metralha ou o ronco dos canhões,

Nos céus da Pátria ecoa, teu nome Comunicações.


E quando a vitória vier,

Alguém falará no porvir,

Na paz, assim como na guerra,

Teu lema é sempre servir.


Dentro das noites escuras, o teu trabalho silente será.

E nessa mudez, somente a bravura, ao teu lado caminhará.

Sempre estarás na vanguarda e cumprirás do Comando as missões,

Com o nome de Rondon, pulsando em nossos corações.


E quando a vitória vier,

Alguém falará no porvir,

Na paz, assim como na guerra,

Teu lema é sempre servir.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Arma de Comunicações». Consultado em 25 de dezembro de 2018