Arthur Seyss-Inquart

político austríaco
Arthur Seyss-Inquart
Nascimento 22 de julho de 1892
Stannern, Morávia
Império Austro-Húngaro
Morte 16 de outubro de 1946 (54 anos)
Nuremberg, Alemanha Ocupada
Residência Reino dos Países Baixos
Nacionalidade Austríaco
Cidadania Áustria-Hungria, Áustria, Alemanha Nazista
Cônjuge Gertrud Maschka (c. 1916)
Filho(s) 3
Alma mater Universidade de Viena
Ocupação Advogado, político
Prêmios Cruz de Mérito de Guerra, Cruz de Honra, Distintivo de Ferido, Medalha Anschluss, Crachá Dourado do Partido Nazi
Empregador Governo Federal Austríaco
Filiação Flag of Germany 1935.svg Partido Nazista
Cargo Ministro-sem-Pasta do III Reich
Chanceler da Áustria
Gauleiter da Holanda
Religião Católico não praticante
Causa da morte enforcamento
Assinatura
Arthur Seyss-Inquart signature.svg

Arthur Seyss-Inquart (em alemão: Arthur Seyß-Inquart) (Stonařov , 22 de julho de 1892Nuremberg, 16 de outubro de 1946) foi um advogado e líder nazista, um dos articuladores da anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938 (a Anschluss) e a Gauleiter dos Países Baixos durante a Segunda Guerra Mundial. Foi preso, julgado, condenado e executado por crimes contra a humanidade pelo Tribunal de Nuremberg.

Seyss-Inquart nasceu na Morávia, então parte do Império Austro-Húngaro, filho de um diretor de escola que emigrou com a família para a Áustria em 1907.

Em Viena ele estudou Direito e no começo da Primeira Guerra Mundial se alistou no exército austríaco, servindo na Rússia, na Romênia e na Itália, onde foi condecorado diversas vezes por bravura. Após a guerra, prosseguiu com sua carreira de advogado, onde obteve bastante prestígio e em 1933 foi convidado a fazer parte do gabinete do chanceler Engelbert Dollfuss. Depois do assassinato de Dollfuss em 1934, ele se tornou conselheiro de estado sob a presidência de Kurt Schuschnigg. Simpático às ideias do nacional-socialismo de Hitler que grassavam na Europa, filiou-se ao Partido Nazista em 13 de março de 1938[1] e poucos meses depois tornou-se o líder do nazismo austríaco.

ChancelerEditar

Seyss-Inquart foi feito chanceler da Áustria em 1938 por imposição de Hitler, que ameaçava invadir o país em caso de negativa do novo presidente Wilhelm Miklas. No dia seguinte a esta nomeação, as tropas da Wehrmacht cruzaram a fronteira e entraram na Áustria (Anschluss), por "convite" de Seyss-Inquart, arranjado por um telegrama de última hora quando tropas já tinham cruzado a fronteira, de maneira a justificar o ato perante a comunidade internacional.

Antes de sua triunfal entrada em Viena, Hitler pretendia apenas deixar a Áustria como um Estado independente com um governo leal ao nazismo, mas a recepção estrondosa que teve do povo nas ruas o fez mudar de ideias e decidiu-se por anexar o país à Alemanha como província da Marca Oriental, sob o comando de Arthur Seyss-Inquart, (ver Anschluss) que também recebeu o posto honorário de SS-Gruppenführer e em maio de 1939 foi empossado como Ministro-sem-Pasta no governo alemão.

GuerraEditar

 
Seyss-Inquart em Haia, (1940)

Após uma rápida passagem pelo governo nazista de ocupação da Polônia como chefe-administrativo sob o comando de Hans Frank, ele foi enviado para a Holanda ocupada em maio de 1940, para dirigir a administração civil, criar uma colaboração econômica com a Alemanha e defender os interesses do Reich.

Como Gauleiter do pais, ele apoiou o partido nazista holandês e baniu a existência de todos os outros, prendeu antigos integrantes do governo, permitiu que fosse criada uma polícia paramilitar pró-nazista, introduziu medidas de combate ao "terror" da resistência, sendo pessoalmente responsável pela execução de mais de oitocentas pessoas e pelo massacre de 106 civis holandeses em represália ao atentado contra o líder SS Hanns Albin Rauter. Criou dois pequenos campos de concentração e campos de "trabalho voluntário", onde durante seu governo 530.000 civis holandeses trabalharam para os alemães, sendo que 250 mil destes foram enviados para fábricas na Alemanha durante a guerra.

Anti-semita, Seyss-Inquart adotou rapidamente medidas contra os judeus após sua chegada ao país, removendo-os do governo, da imprensa e da indústria local. Em 1941 intensificou essas medidas, obrigando o registro de 140 mil judeus e criando um gueto em Amsterdam; em seguida, enviou seiscentos judeus para Buchenwald e Mauthausen e nos anos seguintes para Auschwitz. Foi para evitar seu envio aos guetos criados por Seyss-Inquart que a família de Anne Frank escondeu-se por quatro anos em um sótão da cidade de Amsterdam. Descoberta em 1944, foram todos enviados para campos na Alemanha e apenas o pai de Anne sobreviveu à guerra.

Com a aproximação das forças aliadas em 1945, os restantes nos guetos foram mandados para Theresienstadt; dos 140 mil judeus registrados, apenas 44 mil sobreviveram à guerra.

Prisão e execuçãoEditar

Após o suicídio de Hitler, ele foi nomeado em testamento como Ministro das Relações Exteriores em substituição a Joachim von Ribbentrop, no governo do Grande Almirante Karl Doenitz, que durou apenas 23 dias.

Preso em 8 de maio de 1945 em Hamburgo pelos aliados, foi um dos réus do Julgamento de Nuremberg, acusado de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ao ouvir sua sentença de morte, deixou claro que aceitava sua parte na responsabilidade pelos crimes nazistas durante a guerra, declarando: "Morte na forca… bem, em virtude toda a situação, nunca esperei nada diferente. Está bem".[2]

Foi enforcado em 16 de outubro de 1946 junto com mais nove condenados e suas últimas palavras no patíbulo foram: "Espero que essa execução seja o último ato da tragédia da Segunda Guerra Mundial e a lição extraída dela seja a de que a paz e o entendimento devam existir entre as pessoas. Eu acredito na Alemanha".[3]

Representação na mídiaEditar

O personagem nazista 'Herr Zeller', que obriga a Família von Trapp a fugir da Áustria pelos Alpes no célebre filme A Noviça Rebelde/Música no Coração, é baseado nele.


Referências

  1. «Título ainda não informado (favor adicionar)». Arquivado do original em 4 de novembro de 2011 Seyss-Inquart - Nuremberg Trial.
  2. G. M. Gilbert, Nuremberg Diary (1947), Farrar Straus, pag. 433.
  3. Lewis, Jon E. (2009). World War II: The Autobiography (Capː Epilogue). [S.l.]: Constable & Robinson 

BibliografiaEditar

  • Heydecker, Joe J. "O Julgamento de Nuremberga, Editora Ibis Ltda, 1966
  • Kahn, Leo. "Julgamento em Nuremberg" - História Ilustrada da 2ª Guerra Mundial, Renes, 1972

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

 
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