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Associação Internacional de Caridades

Associação Internacional de Caridades (em francês Association Internationale des Charités) é a federação que reúne os movimentos nacionais das Fraternidades das Damas de Caridade, ou Voluntárias da Caridade. Trata-se de uma organização não governamental, leiga, católica, composta predominantemente por mulheres que trabalham contra todos os tipos de pobreza e exclusão social. Foi fundada em 1617 por São Vicente de Paulo. Está presente nos cinco continentes, com mais de 250.000 voluntários.

Índice

HistóriaEditar

Em Paris, Vicente de Paulo reuniu as mais destacadas senhoras do reino. Conscientizou-as das aflições da época, e orientou-as em primeiro lugar sobre a visita aos enfermos nos hospitais.

Os hospitais, naquela época, não eram bastante numerosos. Viviam superlotados. As mais elementares regras de higiene não eram respeitadas. Às vezes, vários enfermos dormiam num mesmo leito; outros esperavam deitados no chão sobre a palha a morte de um dos companheiros para tomar o seu lugar. Cenas atrozes, sobretudo nos períodos de fome e de epidemia, faziam desses hospitais verdadeiros vestíbulos do inferno.

Vicente descreveu essas cenas pungentes e as levou a visitar os hospitais para que conhecessem o problema em toda sua crueldade. Novas salas foram arrumadas; cada enfermo passou a ter seu leito com roupa própria; a alimentação foi melhorada, os tratamentos eram feitos regularmente e se pensou em cuidar dos convalescentes a sua saída do hospital. Nascia assim a obra das Damas da Caridade.

Muitas não hesitavam em consagrar várias horas por dia ao cuidado dos doentes e a fazer por eles o que jamais teriam concordado fazer em suas próprias casas. Participaram deste grupo as senhoras da nobreza, dentre as quais se destacavam Maria de Gonzaga, futura rainha da Polônia, Charlotte de MontMorency, mãe de Condé, senhora Fouquet, mãe do superintendente; senhora de Lamoignon, esposa do Presidente do Parlamento e a senhora Séquier, casada com o grande Chaceler.

Desta forma o Pe. Vicente contribuiu para aproximar as classes sociais, que se ignoravam totalmente.

Esta organização se espalhou por toda a França e depois pela Itália e Polônia. A Revolução Francesa interrompeu este crescimento. Em 1830, através da iniciativa do padre lazarista Etienne, as Caridades renascem e se espalham pelo mundo.

Os diversos grupos foram se agrupando em nível nacional. Em 1930 ocorre o Primeiro Congresso Internacional de Caridades. Estes contatos foram prejudicados pela Segunda Guerra Mundial. Após este evento, os congressos foram retomados.

A partir da década de 1960, busca-se a renovação do movimento, motivadas pela renovação da Igreja expressa no Concílio Vaticano II. Em 1971, as Caridades associam-se a nivel internacional, com a aprovação do estatuto da Associação Internacional de Caridades. A AIC tornou-se uma rede de projetos através do mundo. Agrupa quarenta e duas associações com cerca de 250.000 membros.

A Associação empenha-se na formação das Voluntárias através de seminários regionais e nacionais, da publicação de documentos de reflexão e formação, do auxílio a projetos locais, fomentar a colaboração entre projetos e buscar financiamento de organismos internacionais. Trabalha também no apoio à formação de novos grupos.

A Associação tem uma atuação preferencial em relação às mulheres em situação de pobreza e participa das grandes iniciativas mundiais em apoio às mulheres.

MissãoEditar

A missão da AIC é o combate à pobreza através de todas as formas de ajuda e de mecanismos de pressão sobre as estruturas geradoras de exclusão. Sua ação visa privilegiar a solidariedade e a promoção pessoal e social. Trabalha com os despossuídos de forma participativa, para que sejam agentes do seu próprio desenvolvimento e da comunidade. Para isto, trabalha em redes de todos os níveis e tem em vista a ação sobre as estruturas políticas e sociais.

A formação, a comunicação, a solidariedade, a auto-promoção, são o eixo de sua acção junto às famílias pobres.

A ajuda é exercida através de:

  • atendimento dos idosos em abrigos ou nos seus lares.
  • escolas para educação básica de crianças carentes, em parceria com as Administrações Públicas. *creches, cursos profissionalizantes e casas de apoio a menores e população de rua.
  • albergues para doentes e aidéticos.
  • clubes de mães carentes, para acompanhamento de educação básica de saúde e higiene, além de orientações e enxovais para gestantes.

Participação em organismos internacionaisEditar

A AIC participa como órgão consultivo junto à UNESCO, ao ECOSOC e ao Parlamento Europeu. É membro do CIAS, da Conferência das OIC, da União Mundial dos Organismos Femininos Católicos e de outras associações femininas.

Ligações ExternasEditar