Ataíde (família)

Ataíde é um apelido de família (sobrenome) da onomástica da língua portuguesa.

Armas da família Ataíde, no Livro do Armeiro-Mor (1509)

HistóricoEditar

Os historiadores e genealogistas têm opiniões não coincidentes sobre a origem remota da família Ataíde (nomeadamente sobre se a família se entronca ou não na linhagem medieval dos Riba Douro, com os autores mais recentes inclinando-se no sentido afirmativo[1]), concordando entretanto todos que o sobrenome é derivado da freguesia de S. Pedro de Ataíde, situada no antigo julgado de Santa Cruz de Riba Tâmega, atual concelho de Amarante, onde desde o período subsequente à fundação do Reino[1] a família possuía uma honra.

De facto, as Inquirições ordenadas pelo rei D. Dinis no ano de 1290 apuraram que toda a freguesia de S. Pedro de Ataíde era honrada, sendo seu senhor Gonçalo Viegas, que herdara a honra dos seus antepassados[2] e possuía também na freguesia uma quinta com Torre, conhecida como quinta do Pinheiro[3].

O referido Gonçalo Viegas (de Ataíde) foi o progenitor dos principais ramos da família Ataíde, incluindo os condes de Atouguia[4] (título criado em 17.12.1448[3] e extinto em 1759), os condes da Castanheira (carta de 01.05.1532), condes de Castro Daire (a partir de 20.06.1625), os senhores de Penacova, alcaides do Alvor e ainda - por linha de descendência feminina - os condes de Alva[5] (em 13.01.1729[3]), os condes de Pontével[6] (carta régia de 15.04.1662[3]), os condes de Povolide (08.01.1709) [7]os senhores da honra de Barbosa (carta régia de confirmação do senhorio em 29.05.1543[8]) e outros[3].

No ano de 1706, o Tomo Primeiro da Corografia Portuguesa, de António Carvalho da Costa, confirmava existir ainda na freguesia de S. Pedro de Ataíde uma "quinta em que houve Torre, que se desfez", na antiga honra que fora solar de origem dos Ataídes.

Nesse ano de 1706 era proprietário da referida quinta D. Manuel de Azevedo de Ataíde e Brito[9] (n. 1649 - f. 1721)[8], senhor da honra de Barbosa[10] por carta régia de 09.04.1675[8]. A posse da quinta e da honra de Ataíde entrara na sua família na geração do seu quarto avô D. João de Azevedo (c. 1430 - 27.07.1517), 31.º bispo do Porto[11] (de 1465 a 1495), que teve filhos sacrílegos da sua relação com D. Joana de Castro, neta do 1.º conde de Atouguia e herdeira das honras de Ataíde e de Barbosa[12].

 
D. Luís de Ataíde (1517 - 1580), 3.º conde de Atouguia, duas vezes vice-rei da Índia e destacado membro da família Ataíde.

A varonia dos Ataídes extinguiu-se próximo do final do século XVII[3], com o falecimento de D. Jerónimo de Ataíde, 6.º conde da Castanheira e 2.º conde de Castro Daire, tendo os seus bens vinculados passado em seguida, por sucessão, primeiro para os marqueses de Cascais e depois para os marqueses de Nisa[3]. A linha de primogenitura dos Ataídes era a dos condes de Atouguia, que desde o final do século XVI, com a morte sem sucessão do 3.º conde, já tinham a varonia de Câmara[3]. Depois da extinção do condado em 1759, com confisco dos respectivos bens pela coroa, a representação genealógica do título passou para os condes da Ribeira Grande[13].

ArmasEditar

As armas dos Ataídes, tal como se encontram no Livro do Armeiro-Mor datado de 1509 e na Sala de Sintra (onde figuram como o quarto brasão, na ordem de importância da época[3]), são as seguintes:

De azul, quatro bandas de prata. Timbre: onça passante de azul, carregada no corpo das peças do escudo[3].

ReferênciasEditar

  1. a b Campos, Nuno Luís de Vila-Santa Braga (2013). A Casa de Atouguia, os Últimos Avis e o Império. Dinâmicas entrecruzadas na carreira de D. Luís de Ataíde (1516-1581). Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. p. 35 (nota 77), 35. Consultado em 9 de setembro de 2019 
  2. Seixas, Miguel Metelo de; Teles, João Bernardo Galvão (2008). «Em redor das armas dos Ataídes: a problemática da família heráldica das bandas». Armas e Troféus: 52 (Gonçalo Viegas era bisneto de Egas Duer, progenitor dos Ataídes, fidalgo do séc. XII, casado com D. Maria Soares de Sousa, em relação ao qual não há provas definitivas sobre se pertencia ou não à linhagem dos Riba Douro). Consultado em 11 de outubro de 2020 
  3. a b c d e f g h i j Freire, Anselmo Braamcamp (1921). Brasões da Sala de Sintra, Livro Primeiro. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. p. 80, 81, 211, 176, 84, 84, 84, 84, 40, 75. Consultado em 7 de setembro de 2019 
  4. «Carta de doação vitalícia de D. Afonso V, a D. Martinho de Ataíde, conselheiro e capitão régio, por morte de D. Álvaro de Ataíde, seu pai, conde de Atouguia, da vila de Atouguia. - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 14 de junho de 2021 
  5. «Autos cíveis de D. João Diogo de Ataíde, conde de Alva - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 14 de junho de 2021 
  6. «Nuno da Cunha de Ataíde -Carta, título de Conde de Pontével Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 14 de junho de 2021 
  7. «Casa de Povolide, Séc. XV-XX - Arquivo Nacional da Torre do Tombo - DigitArq». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 15 de setembro de 2020 
  8. a b c Cardoso, Augusto-Pedro Lopes (2005). A Honra de Barbosa - Subsídios para a sua História Institucional (Século XII - 1834). Porto: Livraria Esquina. p. 26, 27. Consultado em 7 de setembro de 2019 
  9. Costa, António Carvalho da (1706). Corografia Portuguesa, Tomo Primeiro (PDF). Lisboa: Valentim da Costa Deslandes. p. 130. Consultado em 7 de setembro de 2019 
  10. «Doações de D. Afonso VI, D. Manuel de Ataíde e Brito». Arquivo Nacional Torre do Tombo. 29 de abril de 2014. Consultado em 26 de outubro de 2019 
  11. «Bishops, Diocese of Porto. Bishop João de Azevedo». catholic-hierarchy.org. Consultado em 15 de setembro de 2019 
  12. «Gisa – Documento/Processo – [Carta régia de D. Manuel I, em que delibera acerca de uma contenda entre os povos da comarca de Entre Douro e Minho e D. Joana de Castro]». Arquivo Municipal do Porto. Consultado em 7 de setembro de 2019 
  13. «Condes da Atouguia». Arquivo Distrital da Guarda. 22 de outubro de 2014. Consultado em 7 de setembro de 2019