Augusto Santos Silva
Augusto Ernesto Santos Silva (Porto, Miragaia, 20 de agosto de 1956) é um professor universitário, sociólogo e político português, desempenhou funções ministeriais em vários governos constitucionais da República Portuguesa. Atualmente é Presidente da Assembleia da República Portuguesa.
BiografiaEditar
Percurso académico e profissionalEditar
Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1978, e doutorou-se em Sociologia, pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, em 1992, com uma tese intitulada Tempos cruzados: um estudo interpretativo da cultura popular, que foi publicada em 1994.
Foi professor do ensino secundário, até ser admitido como assistente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, em 1981. Atualmente é professor catedrático desta Faculdade, onde já exerceu a função de presidente do Conselho Científico; foi também pró-reitor da Universidade do Porto, entre 1998 e 1999.
A par da atividade académica, integrou o Conselho Nacional de Educação (1996-1999) e a Comissão do Livro Branco da Segurança Social (1996-1998); representou Portugal no Projecto de Educação para a Cidadania Democrática do Conselho da Europa (1997-1999); foi membro do Conselho Diretivo da Fundação José Fontana (2002-2005), ligada ao Partido Socialista.
Tem vários livros publicados, sendo os mais recentes Os valores da esquerda democrática: vinte teses oferecidas ao escrutínio público (2010) e A sociologia e o debate público: estudos sobre a relação entre conhecer e agir (2006). Teve colaboração regular na imprensa, assinando crónicas na Página Cultural do Jornal de Notícias (1978-1986); no Público (1992-1999 e 2002-2005); e foi comentador no programa de televisão Política Mesmo, na TVI 24 (2012-2015).
Percurso políticoEditar
Despertou para a política na adolescência, integrando grupos de inspiração trotskista, nomeadamente (e logo após o 25 de Abril) os Comités de Ação Liceal da União Operária Revolucionária. Esses comités eram uma espécie de setor juvenil desta organização da extrema-esquerda, que viria a fundir-se na Liga Comunista Internacionalista (LCI), onde também militavam, entre outros, o futuro líder do Bloco de Esquerda Francisco Louçã.
Em 1976 apoiou a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho a Presidente da República, e em 1980 a candidatura presidencial de António Ramalho Eanes.
Em seguida aproximou-se do Movimento de Esquerda Socialista, que, no Porto, acolhia figuras como Alberto Martins, Arnaldo Fleming e Jorge Strecht Ribeiro. Iniciava assim a sua aproximação ao PS.
Em 1985, depois de apoiar a candidatura presidencial de Maria de Lurdes Pintasilgo, na primeira volta, passa a apoiar Mário Soares na segunda.[1]
Filiado no PS desde 1990, foi eleito deputado à Assembleia da República, sucessivamente, nas legislaturas iniciadas em 1995, 1999, 2002, 2005, 2009, 2011 e 2019.
Concomitantemente, Santos Silva viria a desenvolver um diversificado curriculum governativo — foi Secretário de Estado da Administração Educativa (1999-2000) e depois Ministro da Educação (2000-2001) e da Cultura (2001-2002), nos governos de António Guterres; Ministro dos Assuntos Parlamentares (2005-2009) e da Defesa Nacional (2009-2011), com José Sócrates; surge em 2015 como Ministro dos Negócios Estrangeiros, em governo minoritário chefiado por António Costa, formado pelo PS, através de acordo parlamentar com o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda.[2][3]
Presidente da Assembleia da República (2022-presente)Editar
Em 24 de março de 2022 é publicamente anunciada a sua candidatura à Presidência da Assembleia da República, e, a três dias da tomada de posse do XXIII Governo Constitucional, a seu pedido, cessa funções como Ministro dos Negócios Estrangeiros, sendo substituído pelo Primeiro-ministro que passou a acumular a função.[4]
A 29 de março de 2022 foi eleito, Presidente da Assembleia da República por 156 votos para a XV legislatura.[5] No seu discurso de tomada de posse prometeu exercer uma presidência "imparcial, contida e aglutinadora" e preservar a individualidade de todos os deputados, para além de declarar que o único discurso que não será permitido é o do ódio.[6][7][8]
Desde que foi eleito Presidente da Assembleia da República que Santos Silva já protagonizou alguns choques com o líder do partido Chega! André Ventura, sendo o mais conhecido quando repreendeu o deputado que, ao acusar as minorias de serem "apaparicadas ao ponto de ignorarem que têm de ter os mesmos deveres que todos os portugueses”, interrompeu dizendo "que não há atribuições coletivas de culpa em Portugal", recebendo uma ovação de pé por parte de todas as bancadas, excepto a do Chega!.[9][10] Na sequência desse incidente, Ventura acusou Santos Silva de "censura".[11]
Condecorações[12][13]Editar
- Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana de Itália (1 de Abril de 2002)
- Grã-Cruz da Ordem de Carlos III de Espanha (25 de Novembro de 2016)
- Grã-Cruz da Ordem de Honra da Grécia (21 de Abril de 2017)
- Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica de Espanha (2 de Maio de 2018)
- Grã-Cruz da Ordem da Liberdade de Portugal (26 de maio de 2022)
Algumas obrasEditar
- Oliveira Martins e o socialismo : ensaio de leitura crítica. Porto : Afrontamento, 1979.
- Teoria e metodologia das ciências sociais : uma análise crítica das contribuições de Durkheim e Max Weber. Porto, 1984.
- Metodologia das ciências sociais. Com José Madureira Pinto. Porto : Afrontamento, 1986.[14]
- Formar a nação : vias culturais do progresso segundo intelectuais portugueses do século XIX. Porto : BEC, 1987.
- Consumos de artesanato : resultados de um inquérito. Com Helena Santos. Porto : Centro Regional de Artes Tradicionais, 1988.
- Projecto para a promoção sociocultural : Centro Regional de Artes Tradicionais. Porto : Centro Regional de Artes Tradicionais, 1988.
- Entre a razão e o sentido : Durkheim, Weber e a teoria das ciências sociais. Porto : Afrontamento, 1988.[15]
- Novos artesãos portugueses : quem são, o que fazem?. Porto : Centro Regional de Artes Tradicionais, 1989.
- Educação de adultos : educação para o desenvolvimento. Porto : Asa, 1990.[16]
- Tempos cruzados : um estudo interpretativo da cultura popular. Porto : Afrontamento, 1994.[17]
- Prática e representação das culturas : um inquérito na área metropolitana do Porto. Com Helena Santos. Porto : Centro Regional de Artes Tradicionais, 1995.
- Avaliação do sistema das escolas profissionais. Coordenação de Júlio Montalvão e Silva. Colaboração de Augusto Santos Silva e José Manuel Prostes da Fonseca. Lisboa : Ministério da Educação, 1996.
- Palavras para um país : estudos incompletos sobre o século XIX português. Oeiras : Celta, 1997.
- Educação para a cidadania democrática : algumas iniciativas em curso na área de Lisboa : projecto. Coordenação e projecto de Augusto Santos Silva. Lisboa : Ministério da Educação, Gabinete de Assuntos Europeus e Relações Internacionais, 1998.
- Parte devida : intervenções públicas, 1992-1998. Porto : Afrontamento, 1999.
- A educação artística e a promoção das artes, na perspectiva das políticas públicas : relatório do Grupo de Contacto entre os Ministérios da Educação e da Cultura. Coordenador. Lisboa : Ministério da Educação, 2000.
- A educação para a cidadania no sistema educativo português : 1974-1999. Com Carla Cibele Figueiredo. Lisboa : Ministério da Educação, 2000.
- Cultura e desenvolvimento : estudos sobre a Relação entre Ser e Agir. Oeiras : Celta, 2000.
- Por uma política de ideias em educação. Porto : Asa, 2002.
- Projecto e circunstância : culturas urbanas em Portugal. Organização de Carlos Fortuna e Augusto Santos Silva. Direção de Boaventura de Sousa Santos. Porto : Afrontamento, 2002.
- A sociologia e o debate público : estudos sobre a relação entre conhecer e agir. Porto : Afrontamento, 2006.
- Os valores da esquerda democrática : vinte teses oferecidas ao escrutínio crítico. Coimbra : Almedina e Fundação Res Publica, 2010.
- Os porquês da esperança : ideias a favor do futuro em Portugal. Com Paulo Magalhães. Lisboa : Matéria-Prima, 2015.[18]
Funções governamentais exercidasEditar
Referências
- ↑ «O "príncipe" que nenhum líder do PS ousou dispensar». www.publico.pt
- ↑ «Expresso». expresso.sapo.pt
- ↑ «Expresso». expresso.sapo.pt
- ↑ Portuguesa, Presidência da República. «Ministro dos Negócios Estrangeiros». www.presidencia.pt. Consultado em 28 de março de 2022
- ↑ «Santos Silva eleito presidente da Assembleia da República com 156 votos». CNN Portugal. Consultado em 29 de março de 2022
- ↑ "O sinal de pontuação de que a democracia mais precisa é o ponto de interrogação": o primeiro discurso de Santos Silva como presidente da AR, consultado em 10 de abril de 2022
- ↑ "O discurso do ódio não tem lugar no Parlamento". A eleição de Santos Silva para presidente da AR, consultado em 10 de abril de 2022
- ↑ Portugal, Rádio e Televisão de. «Augusto Santos Silva é o novo presidente da Assembleia da República». Augusto Santos Silva é o novo presidente da Assembleia da República. Consultado em 10 de abril de 2022
- ↑ «Como Santos Silva enfureceu Ventura com o artigo 89, número 3: a história de uma ovação». CNN Portugal. Consultado em 10 de abril de 2022
- ↑ Lopes, Maria. «Santos Silva aplaudido de pé após repreender Ventura por generalização sobre ciganos». PÚBLICO. Consultado em 10 de abril de 2022
- ↑ «Ventura acusa Santos Silva de ato de censura». www.jn.pt. Consultado em 10 de abril de 2022
- ↑ «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Augusto Santos Silva". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 21 de junho de 2022
- ↑ «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Estrangeiras». Resultado da busca de "Augusto Ernesto dos Santos Silva". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 21 de junho de 2022
- ↑ Diversas edições.
- ↑ Várias edições.
- ↑ Tem 2.ª edição.
- ↑ Tese de doutoramento em Sociologia apresentada ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa.
- ↑ A fonte das obras publicadas é a «PORBASE». porbase.bnportugal.pt.