Abrir menu principal

Augusto de Saxe-Coburgo-Gota

BiografiaEditar

Família e primeiros anosEditar

Augusto era o segundo filho do príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota (1785-1851) e da abastada princesa húngara Maria Antônia de Koháry (1797-1862), herdeira das regiões de Csabrag e Szitnya, na atual Eslováquia. Tinha entre seus irmãos Fernando II, rei-consorte de Portugal e Vitória, duquesa de Nemours. Também era primo da rainha Vitória do Reino Unido e de seu marido, Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, e sobrinho de Ernesto I de Saxe-Coburgo-Gota e do rei Leopoldo I da Bélgica.

Neto de Ferenc József, Príncipe de Koháry (1766-1826), último membro da família principesca de Koháry, Augusto foi o chefe da terceira maior fortuna do Império Austro-Húngaro.[1] Entretanto, ele somente tornou-se herdeiro dos títulos e bens de seus pais quando seu irmão mais velho teve que renunciar aos seus direitos para casar-se com a rainha Maria II de Portugal.[2]

Em 1836, Augusto alistou-se no exército imperial austro-húngaro[3], onde alcançou rapidamente a patente de major.[4] Embora o imperador Francisco José I o tivesse promovido a general de brigada em 1867, o papel militar do príncipe sempre foi simbólico e nunca chegou a exercer qualquer função de relevância no exército.[5]

 
Augusto e sua esposa, a princesa Clementina de Orléans.

CasamentoEditar

Em família, Augusto era considerado "simplório" e "fanfarrão" e seu noivado com a princesa Clementina de Orléans, filha do rei Luís Filipe I de França, era frequentemente alvo de julgamentos negativos por parte de seus familiares mais próximos. Porém, o príncipe era um belo homem e Clementina, cujas negociações de casamento com outros pretendentes malograram, apaixonou-se verdadeiramente por ele.[6]

A cerimônia de casamento realizou-se no Castelo de Saint-Cloud em 20 de abril de 1843. O casamento do príncipe - que alguns, na Áustria-Hungria, recusavam-se a reconhecer como membro de uma família real, devido ao consórcio "desigual" de seus pais - com a filha de um rei, elevou consideravelmente sua posição em Viena. Ainda assim, as cortes austríaca e alemã não reconheciam nele o status de "Alteza Real", concedido por Luís Filipe I em 1844, mantendo o anterior tratamento de "Alteza Sereníssima".[7]

Após as núpcias o casal viajou pela Europa, visitando Portugal, Bélgica, Inglaterra, Hungria e Coburgo, onde residiam seus pais. Como não desempenhasse nenhuma função oficial, o príncipe sentia-se entediado e solicitou, em 1846, autorização ao governo francês para acompanhar seu cunhado, Henrique de Orléans, duque de Aumale, em uma de suas campanhas na Argélia.[8]

 
Augusto com sua esposa e filhos.

Dificuldades financeirasEditar

As Revoluções de 1848 na França e na Hungria colocaram Augusto e sua família em grandes dificuldades financeiras. Na França, o governo da república confiscou gradualmente todos os bens da antiga família real, enquanto na Hungria, o novo regime instituído por Lajos Kossuth privou a nobreza de grande parte de seus privilégios.[9] Mais tarde, o esmagamento da revolução húngara pelos russos permitiu a Augusto recuperar suas propriedades, mas a Segunda República e o Segundo Império confirmaram a perda de seus bens franceses.

 
Túmulo do príncipe, em Coburgo.

Chefe da Casa de KoháryEditar

Em 1851, com a morte de seu pai, Augusto passou a exercer funções oficiais no Império Austro-Húngaro: assumiu uma cadeira na Câmara Alta da Hungria e tornou-se o principal responsável pela gestão das propriedades de sua família.[10]

Os Saxe-Coburgo-Koháry, então, estabeleceram-se sucessivamente em Coburgo, Ebenthal (próximo a Viena)[11] e, finalmente, no Palácio Coburgo, na capital imperial, em 1860.[12]. Em 1862, Augusto foi feito cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro.[13]

Fascinado pela Ciência, o príncipe tornou-se um grande patrono da área e também foi responsável pela organização e classificação dos arquivos da Casa de Koháry. Tinha como passatempos a caça e a compra de obras de arte.[5]

MorteEditar

Augusto morreu de uma crise de bronquite em 26 de julho de 1881, aos 63 anos, no Castelo de Ebenthal. Seu corpo foi sepultado na cripta da St. Augustinkirche, em Coburgo.[14]

AncestraisEditar

DescendênciaEditar

Nome Foto Nascimento Falecimento Notas
Filipe   28 de março de 1844 3 de julho de 1921 Casado com a princesa Luísa Maria da Bélgica, filha do rei Leopoldo II, com descendência.
Luís   9 de agosto de 1845 14 de setembro de 1907 Casado com a princesa Leopoldina de Bragança, filha do imperador Pedro II do Brasil, com descendência.
Clotilde   8 de julho de 1846 3 de junho de 1927 Casada com o arquiduque José Carlos da Áustria, filho de José de Áustria-Toscana, palatino da Hungria, com descendência.
Amália   23 de outubro de 1848 6 de maio de 1894 Casada com o duque Maximiliano Emanuel da Baviera, irmão mais novo da imperatriz Isabel da Áustria (a famosa Sissi), com descendência.
Fernando   24 de fevereiro de 1861 10 de setembro de 1948 czar da Bulgária como Fernando I. Casado em primeiras núpcias com a princesa Maria Luísa de Bourbon-Parma, com descendência, e em segundas núpcias com a princesa Eleonora de Reuss-Köstritz, sem descendência.

Referências

  1. De France, p. 86
  2. De France, p. 68
  3. De France, p. 51
  4. De France, p. 69
  5. a b De France, p. 267
  6. De France, p. 69-70
  7. De France, p. 88
  8. De France, p. 94-95
  9. De France, p. 135-138
  10. De France, p. 153
  11. De France, p. 155
  12. De France, p. 188
  13. De France, p. 220
  14. Coburg, St. Augustinkirche

BibliografiaEditar

  • Defrance, Olivier. La Médicis des Cobourg, Clémentine d’Orléans, Bruxelles, Racine, 2007 (ISBN 2873864869)

Ver tambémEditar

NotaEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Augusto de Saxe-Coburgo-Gota