Aviação do Exército Brasileiro

A Aviação do Exército (AvEx) é o segmento aéreo do Exército Brasileiro e foi recriada com o objetivo primaz de proporcionar aeromobilidade ao mesmo. Além disso, ela carrega consigo o desígnio de ser um vetor de modernidade para, com isso, constituir-se num pólo de absorção, domínio e difusão de tecnologia e doutrina deste segmento da guerra moderna. Para tanto, a cada dia, a Aviação do Exército vem se desenvolvendo pelo constante aprimoramento técnico-profissional de seus integrantes, pelo adestramento operacional de seus elementos orgânicos e pelo aperfeiçoamento das doutrinas atinentes ao emprego da aviação em prol da força terrestre.

Bolacha da Aviação do Exército (1988)

HistóricoEditar

PrimórdiosEditar

 
Capitão Ricardo Kirk, patrono da Aviação do Exército Brasileiro, e o memorial a sua memória, em Taubaté, onde estão depositados seus restos mortais.

O primeiro voo documentado em um aeróstato em Turim – e o segundo na Itália - teve lugar no dia 11 de dezembro de 1783, seis meses após a primeira experiência de voo aerostático feita pelos Irmãos Montgolfier em Annonay, quando o balão, com três membros da Academia de Ciências de Turim, Roberto De Lamanon, Tenente Carlo Antonio Napione (que em 1800 após a conquista da Itália por Napoleão e já no posto de tenente-general viria a servir ao Exército Português) e Giuseppe Amedeo, ascenderam aos céus por um espaço aberto entre as casas de Borgo Dora em Turim. O balão levantou até a então Piazza d'Armi e andou 13 milhas. A corda que prendia o balão foi cortada pela Princesa da Carignano na presença do Duque e da Duquesa de Chablais. A experiência despertou a atenção de toda a população da capital do Piemonte. Para os moradores, a partir do dia desse evento memorável, esta região da cidade de Turim passou a ser chamada simplesmente de "Balon", onde mais tarde, este local foi transformado em um mercado. E da mesma forma, também é chamado o famoso mercado de pulgas que ocorre todos os sábados. Enquanto em cada segundo domingo do mês há a chamada "Gran Balon", feira de antiguidades. O Tenente Napione transforma-se assim no futuro e primeiro militar do Exército Brasileiro "Aeronavegante".[1]

A origem da Aviação do Exército tem como cenário os campos de batalha de Humaitá e Curupaiti, na Guerra da Tríplice Aliança em 1867. Ao patrono do exército Luiz Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias, coube o pioneirismo de empregar balões cativos em operações militares na América do Sul, com a finalidade de observar as linhas inimigas.[2] Foi o chefe militar que já estava atento a importância da terceira dimensão do campo de batalha para o desdobramento das manobras. Legou ao Exército Brasileiro a honra de ter sido a primeira força a utilizar balões para observação e busca de informações, o que possibilitou as forças aliadas observar as formidáveis fortificações paraguaias de Curupaiti e Humaitá, e assim auxiliar de maneira decisiva no planejamento e a montagem da ofensiva de grande porte. Após a guerra, foi criado o Serviço de Aerostação Militar, cujas atividades balonísticas se desenvolveram por mais quarenta e sete anos.

Em 1907, o Primeiro-Tenente de Cavalaria do Exército Brasileiro, Juventino Fernandes da Fonseca, foi enviado para Paris com a finalidade de comprar dois parques de aerostação, cada um composto por dois balões de vanguarda, de 250 m3 cada. Seu objetivo era avaliar a viabilidade de adoção do material de observação aéreo por parte do Exército. Os engenhos adquiridos eram do modelo militar francês, esféricos,que tinha problemas de estabilidade sob ventos maiores que 30 km/h[3].

 
No dia 20 de maio de 1908, o tenente Juventino fez uma ascensão em balão em frente à Escola, na presença do Ministro da Guerra, o General Hermes da Fonseca.

Juventino ascendeu duas vezes na França e mais uma na Bélgica no comando do balão, razão pela qual foi cumprimentado com um “viva o Brasil” pelo Rei Leopoldo da Bélgica. De volta ao Brasil, dedicou-se a construir um hangar e montar o equipamento do parque, ao lado da Escola de Artilharia e Engenharia, no Realengo.

Em 20 de maio de 1908, o tenente Juventino ascendeu defronte à Escola Militar, na presença do Ministro da Guerra, o General Hermes da Fonseca. O tenente Ricardo Kirk, futuro primeiro aviador do Exército Brasileiro, deveria subir também, mas não participou do voo, segundo registros, por solicitação de Juventino, que teve receio que ocorresse algum problema com o balão. De fato o sinistro ocorreu: o artefato desprendeu-se do cabo de amarração e subiu de sem controle, quando Juventino acionou a válvula de escape do gás, esta travou na posição aberta, provocando vazamento súbito do hidrogênio, resultando na queda do aparelho e decesso do piloto.

Em 1911, na fábrica de Cartuchos e Artefatos de Guerra do Exército, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, o alagoano e então tenente Marcos Evangelista da Costa Vilella Junior começava seus trabalhos de construção de um avião. Um ano mais tarde, Vilella, solicitou apoio ao então ministro da guerra, Vespasiano de Albuquerque, que o negou.[4]

A falta de apoio oficial não desanimou o tenente, que, paciente e obstinadamente enfrentou a carência de recursos, levando adiante seu projeto de construção de um avião construído com materiais nacionais. Seis anos mais tarde, ele concluía e voava com êxito em seu primeiro avião: o Aribu. O aparelho era um monoplano construído com material nacional, exceto o motor, de 50 cavalos, importado da França. A estrutura era de madeira e a cobertura de tela. A hélice fora desenhada e construída por Vilella, empregando madeira nacional.[5]

Em 1913, foi criada a Escola Brasileira de Aviação (EsBAv) no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro (RJ), ocasião em que foram adquiridos os primeiros aviões do exército de fabricação italiana.[6]

Durante o ano de 1914, o governo tentava abafar as sedições de grupos populacionais na região do Contestado. O general Setembrino de Carvalho verificou a necessidade de reconhecer, assinalar as posições dos redutos e conduzir os fogos da Artilharia, para isso convocou a EsBAv e o 1º tenente Ricardo Kirk para o serviço de “Exploração aérea”.[7] Coube ao tenente Kirk o primeiro emprego do avião em operações militares no Brasil. Brevetado na França – 1912, foi o primeiro oficial do EB a pilotar aviões.[8] O então tenente-aviador Ricardo Kirk, Diretor da Escola de Aviação e Comandante do Destacamento de Aviação, faleceu nesta campanha em 1º de março de 1915 durante uma missão de reconhecimento aéreo onde hoje está localizado o município de General Carneiro (PR). Em reconhecimento pelo seu pioneirismo e numerosos feitos, o tenente Kirk foi promovido post mortem ao posto de capitão. Também por sua importância, é considerado, por todos os aviadores da força terrestre, como o maior herói da Aviação do Exército. Seus restos mortais repousam em um memorial ao lado da pista da Base de Aviação de Taubaté.

Ainda em 1917, o major Villela iniciou a construção de um segundo aparelho, batizado Alagoas. Era um avião consideravelmente mais desenvolvido do que o Aribu. Aproveitando a fuselagem de um avião Bleriot, Vilella projetou as asas e hélices e dotou o aparelho de um motor Luckt, importado, de 80 cavalos. Contando, desta vez, com recursos do Ministério da Guerra, Vilella concluiu mais rapidamente o aparelho. Em novembro de 1918, apresentou-o às autoridades militares e à imprensa, realizando um voo de demonstração no Campos dos Afonsos. O avião elevou-se a cerca de 800 metros de altura e voou suavemente. Mais tarde o major Vilela foi o oficial mais graduado a compor a nova arma de aviação, sendo o primeiro Brigadeiro da Aeronáutica Brasileira.

Com o término da Primeira Guerra Mundial, o EB resolveu retomar as atividades da aviação. Para isso deu início à sua escola de formação de aviadores militares – 1919, precursora do atual Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx).[9] Iniciou suas atividades com aparelhos, oficiais aviadores, e mecânicos conseguidos junto ao governo francês. Entre os instrutores mesclavam-se oficiais do EB. A primeira turma de Oficiais Observadores Aéreos formou-se em 1921 e teve como Observador Aéreo Nr 01 o então, 1º Tenente de Artilharia Eduardo Gomes, futuramente, tornado Brigadeiro-do-Ar e patrono da Força Aérea Brasileira. Durante esse período podemos citar como fatos importantes: o desdobramento da Av Militar no RS – 1921, com quartéis em Alegrete e Santa Maria; a Revolução de 1922 e 1924 em São Paulo, onde tomaram parte aviadores militares pelos dois lados conflitantes; a ampliação do Campo dos Afonsos e a construção de mais edificações no aquartelamento. Nesta fase de amadurecimento, a aviação militar tomava impulso e adquiria experiência.

Chegamos assim ao ano de 1927, onde a aviação militar adentra numa nova era de reorganização e desenvolvimento. O marco foi a criação da novíssima Arma de Aviação – 13 de janeiro de 1927, que terminava definitivamente com o perigoso período de estagnação de 1922-1926.[10] Dentre as medidas de criação da nova arma podemos observar: a criação da Diretoria da Aviação Militar; a fixação de efetivos para o quadro de oficiais, atraindo oficiais de outras armas e garantindo um acesso de cadetes oriundos da Escola Militar, a transferência dos oficias que já possuíam o diploma militar de aviação; 2º tenente para os cadetes que escolhessem a aviação e a transferência de capitão e 1º tenente com menos de 30 anos que requeressem e fossem aprovados no curso da Escola de Aviação Militar. Merece destaque a aprovação do estatuto da Aviação Militar e do regulamento para os exercícios e combate da aviação, baseado na doutrina francesa – a mais desenvolvida na época. Como curiosidade a matrícula dos aviões da escola iniciava-se pela letra “k” de Kirk, e para os regimentos empregava-se apenas números (exceção feita as aeronaves de instrução desta unidades que tinham a letra “T”). Em 1932, são adquiridos aparelhos de treinamento ingleses e durante a Revolução de 32, dezenas de aviões de observação e de caças americanos.

O estandarte da aviação foi criado em 21 de janeiro de 1932[11] e o hino dos aviadores em 13 de novembro de 1935.[12]

 
Oficiais do Exército Brasileiro, dentre eles o general Setembrino de Carvalho e o tenente Ricardo Kirk, em Porto União, região do Contestado.

O ano de 1931 marca o início das atividades do correio aéreo militar, que junto com o correio aéreo naval, formariam o correio aéreo nacional. O correio aéreo militar traria repercussões profundas na evolução da aviação militar e no desenvolvimento do próprio país. Nascido da inspiração de jovens oficiais teve o apoio então ministro da guerra, que vinha marcando sua administração por uma série de iniciativas, pelas quais o EB se tornava menos pesado ao erário nacional, prestando serviços em tempo de paz. Mais importante que tudo isso, era ânsia incontida dos jovens pilotos por se libertarem do “cilindro teórico”, de 10 quilômetros em torno dos Afonsos. Por fim permitiu a aviação descobrir aeronauticamente o Brasil interior.

A partir de 1933, a aviação iniciou a etapa seguinte do seu desenvolvimento, que foi o seu desdobramento pelo território nacional, principalmente para a direção Sul, por onde se estendia a maior porção do dispositivo do EB. O decreto que reorganizou a aviação criou: as unidades aéreas do Exército, que se compunham de aviação, aeroestação e artilharia antiaérea. Foram criadas três zonas militares aéreas e os sete regimentos de aviação (RAv). Eles ficavam assim distribuídos: 1º RAv no Rio de Janeiro; o 2º Rav em São Paulo; o 3º RAv em Porto Alegre; o 4º RAv em Belo Horizonte; o 5º RAv em Curitiba; o 6º RAv no Recife e o 7º RAv em Belém. De imediato foram ativados o 1º, 3º e 5º RAv, sucessivamente, ao longo de 1934 – 1936 foram sendo criados os destacamentos de Campo Grande e de Fortaleza; os núcleos do 4º e do 7º RAv.

Por decreto presidencial, em 20 de janeiro de 1941, foi criado o Ministério da Aeronáutica, atribuindo-se à Força Aérea Brasileira a exclusividade da realização de estudos, serviços ou trabalhos relativos à atividade aérea nacional, extinguindo-se a Aviação Naval Brasileira e a Aviação Militar, encerrando a fase inicial da Aviação do Exército.

O renascimento da Aviação do ExércitoEditar

 
Brevê dos aviadores do exército após a recriação da Aviação do Exército (1988)

As experiências e constatações colhidas dos conflitos bélicos, após a Guerra do Vietnã mostraram a necessidade da força militar terrestre dominar e utilizar a faixa inferior do espaço aéreo, buscando mobilidade tática e o aumento do poder de combate. Acompanhando a evolução de outros exércitos, o Exército Brasileiro conscientizou-se da necessidade de implantar uma aviação própria e, com isso, propiciar um maior poder, mobilidade e flexibilidade à força terrestre. Buscando a modernização e a adequação da força ao novo cenário, na década de 80, o Estado-Maior do Exército iniciou os estudos doutrinários do emprego de aeronaves de asas rotativas em proveito das forças de superfície.

Os estudos culminaram na criação da Diretoria de Material de Aviação do Exército (DMAvEx)[13] e do 1.º Batalhão de Aviação do Exército (1º BAvEx),[14] em 1986.[15] Fisicamente, a aviação passou a tomar forma com a instalação do 1º BAvEx na cidade de Taubaté-SP, em janeiro de 1988. Esta localidade foi escolhida, dentre outras, por sua posição estratégica no eixo Rio - São Paulo e por sua proximidade aos importantes centros industriais e de pesquisa na área da aviação, como a Embraer, Helibras e Centro Técnico Aeroespacial. Outro marco da implantação foi a concorrência realizada, em 1987, que culminou com a aquisição de 16 Helicópteros HB 350 L1 - Esquilo (HA-1) e 36 SA - 365 K Pantera (HM-1) do Consórcio Aeroespatiale/Helibras[16] e com a entrega, em abril de 1989, do primeiro helicóptero Esquilo ao 1º BAvEx. Após o recebimento das 52 aeronaves adquiridas e em face da reorganização da AvEx e da necessidade de mais helicópteros, por meio de um termo aditivo ao contrato com o consórcio Aeroespatiale/Helibras, foi comprado um lote de 20 AS 550 A2 FENNEC (versão da Anv HA-1).

A Base de Aviação de Taubaté ( Base de Aviação de Taubaté ) foi oficialmente formada em 28 de novembro de 1989,[17] abrigando o 1º BAvEx , a Companhia de Manutenção e Abastecimento da Aviação do Exército (posteriormente Batalhão Logístico de Aviação do Exército, atualmente Batalhão de Manutenção e Abastecimento da Aviação do Exército), unida em 26 de setembro de 1991 por um Centro de Treinamento da Aviação do Exército dedicado ( CIAvEx). Em julho de 1993, a Brigada de Aviação do Exército foi transformada no Comando de Aviação do Exército.[18] Duas novas unidades foram implantadas oficialmente em Taubaté em 17 de agosto de 1993. Naquele dia, a aviação do exército mudou a designação de suas unidades operacionais de batalhões para esquadrões e as duas novas unidades e o 1º Batalhão de Aviação do Exército foram combinados em um recém-formado 1º Grupo de Aviação do Exército ( 1 ° Grupo de Aviação do Exército ( 1 ° GAvEx )). Correspondentemente o 1º BAvEx passou a ser 1º Esquadrão / 1º Grupo de Aviação do Exército ( 1 ° / 1 ° GAvEx ), a segunda unidade passou a ser 2º Esquadrão / 1º Grupo da Aviação do Exército ( 2 ° / 1 ° GAvEx ) e a terceira unidade passou a ser 3º Esquadrão / 1º Grupo de Aviação do Exército (3 ° / 1 ° GAvEx ). A expansão da aviação do Exército Brasileiro exigiu a aquisição de helicópteros adicionais e novos helicópteros foram encomendados. Eram 20 unidades da versão militar melhorada Eurocopter Fennec AS 550 A2, que manteve a designação HA-1 e o nome Esquilo ( Esquilo ) no Exército Brasileiro serviço. As frotas de HB 350 L1, HB 550 A2 e AS.365K foram reorganizadas entre os três esquadrões correspondentemente.

Em fevereiro de 1991, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia fizeram uma incursão em território brasileiro na região do rio Traíra[19] e que teve como resposta brasileira a chamada Operação Traíra e um grupamento de 2 HA-1s e 2 HM-1s foi enviado de Taubaté para fornecer apoio aéreo à guarda de fronteira e unidades de infantaria de selva. Em 1993, a implantação tornou-se permanente como Destacamento Amazônia da aviação do Exército ( Destacamento Amazônia ) na Manaus, capital do Estado do Amazonas. Com o crescimento, o destacamento tornou-se a 1ª Companhia do 2º Batalhão de Helicópteros do Exército, mas alinhado com a reestruturação em curso, tornou-se o 1º Esquadrão do 2º Grupo de Aviação do Exército ( 1 ° / 2 ° GAvEx ) em 15 de dezembro de 1993 para sublinhar a separação geográfica de Taubaté e o seu 1 ° GAvEx .

Um tipo de aeronave totalmente dedicado às especificações militares entrou em serviço em 1997 na forma de 4 helicópteros Black Hawk. As aeronaves foram adquiridas para cumprir o papel do Brasil como observador na Missão de Paz para o Equador e o Peru (MOMEP) da OEA,[20] monitorando o cessar-fogo após a Guerra de Cenepa entre Peru e Equador. Em 1999 essas aeronaves e pessoal foram absorvidos pela unidade de Manaus, que após a extinção do 1º e 2º Grupos de Aviação do Exército, teve mudada a designação de 1º Esquadrão do 2º Grupo de Aviação do Exército ( 1 ° / 2 ° GAvEx ) para 4º Esquadrão de Aviação do Exército ( 4 ° Esqd Av Ex ) em 1 de setembro de 1997 junto com o redesenho das outras três unidades operacionais. Ao contrário do 1º, 2º e 3º Esquadrão, que estavam operacionalmente subordinados sob o Comando de Aviação do Exército, o 4º Esquadrão de Aviação do Exército reportava-se ao Comando Militar da Amazônia.

Em 1999 foram adquiridos oito helicópteros Eurocopter AS532 Cougar, que receberam o indicativo HM-3.[21]

Em 1º de janeiro de 2005, a reformulação das unidades operacionais da Aviação do Exército de batalhões para esquadrões foi revertida e eles voltaram a se tornar 1º, 2º, 3º e 4º Batalhões de Aviação do Exército. Em 25 de abril de 2008, o 3º Batalhão de Aviação do Exército foi transferido do Comando de Aviação do Exército para o Comando Militar do Oeste. Permaneceu inicialmente na Base de Aviação de Taubaté, mas foram iniciadas as etapas para sua realocação. Assim como o 4º Batalhão de Aviação do Exército, foi decidido transferir a unidade para uma instalação da Força Aérea Brasileira - o Base Aérea de Campo Grande, que também é um aeroporto internacional civil. A real transferência do batalhão teve início em fevereiro de 2009 com a realocação de 6 helicópteros HA-1 Fennec e a ativação do Destacamento Campo Grande da Aviação do Exército ( Destacamento Campo Grande ).[22] A realocação do batalhão para Campo Grande com efetivo de até 400 integrantes e 16 helicópteros foi concluída em 2012, finalizando também a atual ordem de batalha da Aviação do Exército Brasileiro, a partir de agosto de 2018.[23]

Em 2008 foi assinado pela Força Aérea Brasileira um contrato para obtenção de 50 helicópteros médios Eurocopter EC725 para as forças armadas brasileiras, dentro do Projeto EC-725. Desses, dezesseis foram destinados à Aviação do Exército, sendo em 2021 as últimas aeronaves da aviação da Força Terrestre.[24]

OrganizaçãoEditar

Atualmente a Aviação do Exército é composta por um Comando de Aviação do Exército (CAvEx), sediado em Taubaté - SP, e integrado por seis unidades: o 1.º Batalhão de Aviação do Exército (1.º BAvEx), 2.º Batalhão de Aviação do Exército (2.º BAvEx), o Batalhão de Manutenção e Suprimento de Aviação do Exército, o Centro de Instrução de Aviação do Exército, a Base de Aviação de Taubaté e o próprio CAvEx.[25]

Além dessas unidades fazem parte da Aviação do Exército o 4.º Batalhão de Aviação do Exército (4.º BAvEx), situado em Manaus - AM, subordinado ao Comando Militar da Amazônia, o 3.º Batalhão de Aviação do Exército (3.º BAvEx), situado em Campo Grande - MS e a Diretoria de Material de Aviação do Exército, situada em Brasília - DF, responsável pela gestão do material.

Aos batalhões de aviação do exército cabe o emprego operacional das aeronaves, enquanto as demais unidades respondem pelo suporte necessário em manutenção, ensino, operação de aeródromos e outras necessidades administrativas.

AeronavesEditar

 
Helicóptero AS 350 L1 - Esquilo / Fennec
 
Helicóptero AS 365 K - Pantera
 
Helicóptero AS 532 - Cougar
 
Helicóptero EC 725 - Jaguar
 
Short C-23 Sherpa

Helicóptero AS 350 L1 - EsquiloEditar

  • O Ecureuil ou Esquilo é um helicóptero leve desenvolvido pela Aérospatiale, Eurocopter, hoje Airbus Helicoter. É montado no Brasil pela Helicópteros do Brasil S.A (Helibrás). Segundo a Helibras a nacionalização é de 43%.[26]
  • Representa grande parte do mercado brasileiro civil, mas também é o principal helicóptero operado por organizações policiais. É usado pelas três Forças Armadas com funções variadas como treinamento, utilitário e ataque, com limitações.

Helicóptero AS 550 A2 - FennecEditar

  • O Fennec é a versão de combate do Esquilo, sendo um helicóptero de peso máximo de decolagem, para uma tripulação de 2 pilotos, 1 mecânico de voo e 3 combatentes, de 2250 kg. Provido com 1 motor Turbomeca ARRIEL 1D1 com potência máxima de 736 shp, sua capacidade de transporte e envelope de voo fazem deste helicóptero uma excelente aeronave militar.[27]
  • É equipado com portas deslizantes, trem de pouso alto, painel de instrumentos adaptado aos voos táticos e provisões para voos noturnos com óculos de visão noturna sendo armado com metralhadoras e foguetes.

Helicóptero AS 365 K - PanteraEditar

  • O Pantera é um helicóptero de peso máximo de decolagem, para uma tripulação de 2 pilotos, 1 mecânico de voo e 1 grupo de combate, de 4.250 kg. É provido com 2 motores Turbomeca ARRIEL 1M1 cada um desenvolvendo potência máxima de 776 shp.
  • Este helicóptero médio, biturbina multimissão é uma combinação das modernas e comprovadas tecnologias, beneficiando-se da larga experiência da família AS 365 Dauphin.[28]

Helicóptero S 70 A - Black HawkEditar

  • O Sikorsky S 70 Black Hawk é um helicóptero médio bimotor de transporte utilitário e assalto. O modelo foi o vencedor de uma competição do Exército dos Estados Unidos da América no final da década de 1970 para a substituição da família UH-1 Huey.
  • Sua variante naval desenvolvida para a US Navy é o Sea Hawk. O fato de ser considerado o melhor em sua categoria tem influenciado suas vendas para as forças armadas de dezenas de países, inclusive o Brasil. Sendo que, sua implementação e emprego têm permitido o emprego de novas estratégias e táticas de combate.[29]

Helicóptero AS 532 - CougarEditar

  • O Cougar pode transportar 25 combatentes ou seis feridos em macas, e mais 10 passageiros. Como as outras versões, pode levantar 4,5 toneladas no gancho.
  • O Eurocopter AS 532 Cougar é um helicóptero bimotor de multipropósito desenvolvido pela França. O AS532 é considerado uma versão melhorada do Aérospatiale Puma. É a versão militar do Eurocopter AS332 Super Puma. Esse helicóptero foi depois melhorado e relançado como o Eurocopter EC 725.[30]

Helicóptero EC 725 - JaguarEditar

  • O Eurocopter EC 725 Caracal ou Jaguar (também chamado de Super Cougar) é um helicóptero de transporte tático de longo alcance, desenvolvido a partir dos modelos da família Super Puma/Cougar, para fins militares. Com poderosos motores, ele pode carregar até 29 militares, junto com uma tripulação de dois pilotos e um / dois mecânicos.
  • A Helibras aplicou uma série de boletins de serviço nas aeroanves HM-4 Jaguar durante o período compreendido entre 30 de julho e 08 de agosto. Visando suspender as limitações de voo impostas as aeronaves, devido ao rompimento do eixo da bomba de lubrificação da MGB, ocorrida em 2012 em duas aeronaves EC225 no mar do Norte, também foi necessário realizar algumas modificações nas aeronaves do 1° Batalhão de Aviação do Exército. No sistema de lubrificação da MGB, foi realizada a troca de um tubo de lubrificação e instalado um sistema de monitoramento da vibração do eixo, por meio de sensores ligados a uma luz âmbar no painel que, em caso de de início de ruptura do mesmo, a vibração anormal faz esta luz acender, alertando a tripulação que deverá pousar a aeronave em até 2 horas de voo.[31]

Avião Short C-23 SherpaEditar

  • O Short C-23 Sherpa é uma aeronave de transporte militar de categoria média construída por Short Brothers. O C-23A e C-23B são variantes do Short 330 e o C-23B+ é uma variante do Short 360..
  • O Comando Logístico do Exército Brasileiro (EB) começou o processo para a aquisição de quatro aeronaves C-23+ Sherpa através do Programa Foreign Military Sales (FMS), dos Estados Unidos. Segundo portaria 067 do Comando Logístico do EB divulgada no dia 9 de agosto de 2017, as aeronaves serão destinadas “ao emprego nas missões de Apoio Logístico; de Apoio ao Combate; de transporte de pessoal e suprimento, em especial, para os Pelotões Especiais de Fronteira (PEF); e de coordenação e cooperação com agências, para a atuação em toda a Região Amazônica, áreas do Comando Militar da Amazônia, Comando Militar do Norte e Comando Militar do Oeste e, eventualmente, também em outras regiões do país”.


Helicópteros da Aviação do Exército
Aeronave Imagem Origem Tipo Indicativo AvEx Em serviço[32] Modernização
Helicóptero AS 350 L1 - Esquilo   Brasil
  França
Helicóptero multiuso HA-1 16[32] Modernização em estudo.
Helicóptero AS 550 A2 - Fennec   Brasil
  França
Helicóptero multiuso HA-1 19[32] Modernização em estudo.
Helicóptero AS 365 K - Pantera   Brasil
  França
Helicóptero multiuso HM-1 34[32] -
Helicóptero S 70 A - Black Hawk   Estados Unidos Helicóptero de transporte HM-2 4[32] -
Helicóptero AS 532 - Cougar   Brasil
  França
Helicóptero de transporte HM-3 8[32] -
Helicóptero EC 725 - Jaguar   Brasil
  França
Helicóptero de transporte HM-4 16[32] -
Short C-23 Sherpa   Estados Unidos
  Irlanda do Norte
Avião de Transporte A ser definido 4[32] Em processo de aquisição junto ao governo dos EUA.

Batalhões de AviaçãoEditar

Unidade Nome Esquadrilhas Aeronaves Base de Aviação
1º Batalhão de Aviação do Exército Batalhão Falcão 1 Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque e 1 Esquadrilha de Emprego Geral HA-1 Fennec e HM-4 Jaguar Base de Aviação de Taubaté
2º Batalhão de Aviação do Exército Batalhão Guerreiro 1 Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque e 2 Esquadrilhas de Emprego Geral HA-1 Fennec, HM-1 Pantera e HM-3 Cougar Base de Aviação de Taubaté
3º Batalhão de Aviação do Exército Batalhão Pantera 1 Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque e 1 Esquadrilha de Emprego Geral HA-1 Fennec e HM-1 Pantera Base Aérea de Campo Grande - MS
4º Batalhão de Aviação do Exército Esquadrão Cel. Ricardo Pavanello 2 Esquadrilhas de Emprego Geral HM-1 Pantera, HM-2 Black Hawk, HM-4 Jaguar Base Aérea de Manaus
Batalhão de Manutenção e Suprimento de Aviação do Exército "O Guardião da Aviação" 4 Companhias (CCap, Cia Mnt Av, Cia L Mnt Av e Cia Sup Trnsp Av) Manutenção e Suprimento de toda a Frota Av Ex Base de Aviação de Taubaté

Referências

  1. Biografia em italiano de Carlo Antonio Napione, disponível em: https://www.treccani.it/enciclopedia/carlo-antonio-napione_(Dizionario-Biografico)/
  2. Tenente-Brigadeiro Nelson Freire Lavenère-Wanderley (1976). «Os Balões de Observação na Guerra do Paraguai» (PDF). Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica. Consultado em 21 de fevereiro de 2021 
  3. Adler Homero Fonseca de Castro (julho de 2019). «Aerostação: as primeiras experiências aeronáuticas no Brasil» (PDF). Revista da UNIFA, Rio de Janeiro, v. 32, n. 2, p. 47 - 58, jul./dez. 2019. Consultado em 10 de março de 2021 
  4. Carlos Fioravanti (outubro de 2018). «Primeiros voos». Revista Pesquisa FAPESP. Consultado em 27 de fevereiro de 2021 
  5. Thyrso Villela Neto (julho de 2017). «O centenário do avião Aribu». Parc. Estrat. • Brasília-DF • v. 22. Consultado em 21 de fevereiro de 2021 
  6. Mariana Barbosa Azevedo (2019). «AD ASTRA! Da Escola de Aviação Militar do Exército à Escola de Aeronáutica» (PDF). Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica. Consultado em 21 de fevereiro de 2021 
  7. Mauro Vicente Sales (2014). «A primeira experiência da Aviação Militar no Brasil (1914)» (PDF). Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica. Consultado em 21 de fevereiro de 2021 
  8. Carlos Roberto Carvalho Daróz (2016). «Voando na Grande Guerra: Os Aviadores Brasileiros na 1ª Guerra Mundial» (PDF). Universidade Estadual de Londrina - I Simpósio de História MIlitar. Consultado em 21 de fevereiro de 2021 
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