Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão

freguesia do município de Grândola, Portugal

Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão é uma freguesia portuguesa do município de Grândola, com 172,52 km2 de área[1] e 543 habitantes (censo de 2021)[2]. A sua densidade populacional é 3,1 hab./km².

Portugal Portugal Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão 
  Freguesia  
Monumento megalítico da Pata do Cavalo
Monumento megalítico da Pata do Cavalo
Localização
Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão está localizado em: Portugal Continental
Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão
Localização de Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão em Portugal
Coordenadas 38° 4' 16" N 8° 25' 8" O
Região Alentejo
Sub-região Alentejo Litoral
Distrito Setúbal
Município GDL.png Grândola
Código 150501
História
Fundação 1855
Administração
Tipo Junta de freguesia
Características geográficas
Área total 172,52 km²
População total (2021) 543 hab.
Densidade 3,1 hab./km²
Outras informações
Orago São Mamede

HistóriaEditar

A freguesia foi criada em 1855 através da fusão das duas antigas freguesias de Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão.[3] A principal localidade e sede da união de freguesia é em Azinheira dos Barros.

DemografiaEditar

A população registada nos censos foi:[2]

População da freguesia de Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão[4]
AnoPop.±%
1864 1 066—    
1878 1 068+0.2%
1890 1 244+16.5%
1900 1 202−3.4%
1911 1 601+33.2%
1920 2 131+33.1%
1930 2 800+31.4%
1940 3 478+24.2%
1950 4 192+20.5%
1960 4 049−3.4%
1970 2 284−43.6%
1981 1 665−27.1%
1991 1 141−31.5%
2001 908−20.4%
2011 704−22.5%
2021 543−22.9%

Nota: Nos censo de 1864 a 1900 figura como duas freguesias diferenciadas.

Distribuição da População por Grupos Etários[5]
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 106 130 428 244
2011 65 65 380 194
2021 55 50 257 181

HistóriaEditar

Esta freguesia foi durante muito tempo designada Bairros. O povoamento em Bairros teve o seu início em meados do século XV.[6] A alteração de Bairros para Barros é de época bastante recente e só se tornou comum no século XX. O nome actual (Azinheira dos Barros) está relacionado com uma lenda da imagem de Nossa Senhora da Conceição. O principal objectivo dos moradores era erguer a capela da povoação no cimo do Outeiro de Palmela, pelo que transportaram a imagem para cima de uma azinheira, até que a capela acabou por ser construída no local onde esta se encontrava.

O Lousal e a respetiva aldeia mineira correspondem a um antigo couto mineiro explorado desde o final do século XIX, tendo este se desenvolvido devido à exploração da pirite, entre 1900 e 1988. Em Azinheira dos Barros, o orago é Nossa Senhora da Conceição e no Lousal, o orago é Santa Bárbara.

Património Cultural e Edificado[6]Editar

  • Monumento megalítico da Pata do Cavalo: Situada a 5 km de Azinheira dos Barros na estrada municipal que liga a Azinheira dos Barros a Grândola, pela Atalaia do Viso, mais propriamente no Monte das Boiças, a anta da Pata do Cavalo tem esta denominação devido à sua configuração apresentar semelhanças com uma pegada de cavalo. Destinado a enterramentos coletivos dos habitantes que exploraram as minas de cobre na região, este monumento situa-se no período do Neolítico e insere-se numa cultura específica que se dá o nome de cultura megalítica. A Pata do Cavalo foi descoberta e escavada nos anos 50 por uma equipa ligada ao Serviço de Fomento Mineiro e aos Serviços Geológicos de Portugal. A Pata do Cavalo é considerada uma das maiores antas do país devido ao tamanho da sua câmara que apresenta 6 metros de diâmetro. Possui uma galeria em redor da qual existe um montículo de terra artificial, designada por “Mamoa”. Durante a exploração do monumento foram encontradas algumas peças de cerâmica e de pedra que se encontram no Museu dos Serviços Geológicos de Portugal
  • Igreja Matriz (originalmente do século XVI): Presume-se que os primeiros vestígios populacionais na Herdade dos Bairros, após o período da Reconquista, tenham tido origem na posse da dita Herdade por um lavrador que ali se instalou e que trouxe consigo vários camponeses que se foram fixando. De acordo com alguns documentos consultados no ano de 1513 a ermida já estava construído, tendo a sua edificação sido feita pela população, existindo a hipótese de que a localidade tenha começado a ser habitada entre o século XIV e [[século XV|XV]]. Sabe-se que no ano de 1513, D. Jorge de Lencastre, Mestre da Ordem de Santiago, efetuou uma visita à povoação dos Bairros para conhecer a ermida. Volvidos 20 anos após a primeira visita, em 1533 D. Jorge de Lencastre envia novamente a esta ermida um emissário que registou as alterações na ermida feitas durante as duas décadas. Em suma, pode concluir-se que a Igreja teve um papel importante na fixação de habitantes na localidade.
  • Monumento Megalítico do Lousal: O Monumento Megalítico do Lousal é um conjunto de tolos, ou monumento de falsa cúpula, localizado num raio de 3 km da aldeia do Lousal., testemunhando 5.000 anos da história da mineração em Portugal. Foi destinado a enterramentos coletivos, para às populações que exploraram as minas de cobre da região. É composta por uma galeria, uma câmara principal e uma câmara secundária.
  • Igreja de Nossa Senhora do Viso: pequena capela do século XV, que foi objeto de várias remodelações, a maior das quais no século XVIII;

Locais de Interesse Turístico e CulturalEditar

  • Centro Ciência Viva do Lousal: O Centro está localizado num edifício outrora associado à atividade mineira e onde funcionavam o Gabinete de Geologia, o Armazém do Óleo, a Casa do Ponto, a Casa das Lanternas, a Casa dos Equipamentos de Trabalho e o Balneário. Inaugurado em 30 de Junho de 2010, possui diversas valências: áreas expositivas (Lousal, sempre Lousal; Mina de Ciência), Cybercafé, Auditório (Fazer Fitas com a Ciência), espaços recreativos (Mina p`ra gente pequena), Miradouro, jogos educativos (Quem Tem Olhos P´rós Minerais? e Ciência Viva On The Rocks), assim como módulos interativos localizados nos espaços do Banho de Ciência e das Ciências do Virtual.
  • Museu Mineiro do Lousal: Foi construído nas antigas instalações da mina com o objetivo de preservar a memória e o conhecimento das gerações de trabalhadores que escavaram as Minas do Lousal. A inauguração do Museu Mineiro realizou-se a 20 de maio de 2001 e foi o primeiro do seu género em Portugal. Entre outras características, destacam-se as estruturas de trabalho recuperadas especialmente para serem visitadas pelo público: instalações, escavações e galerias da mina e mesmo os motores da central elétrica que abastecia não só a mina como também a população local.
  • Margem do Sado: Considerado uma das maiores riquezas existentes na freguesia de Azinheira dos Barros, o rio Sado oferece belas paisagens que deliciam todos aqueles que o visitam. Nas suas margens encontram-se diferentes espécies de flora e de fauna características da região, sendo, por conseguinte, muito requisitado para a prática de pesca desportiva, desportos aquáticos e pedestres O rio Sado nasce a 230 metros de altitude na Serra da Vigia e percorre 180 km até desaguar no oceano Atlântico perto de Setúbal. O Rio Sado é um dos poucos rios existentes na Europa que corre de Sul para Norte.
  • Barragem do Lousal: Construída sobre a ribeira de Espinhaço de Cão, numa tentativa de resolver o grave problema de falta de água desta população, é muito procurada pelos adeptos da pesca.
  • Lojas de Artesanato: Nesta aldeia em que os antigos escritórios deram lugar a lojas de artesanato, são comercializados artigos em cerâmica, tecelagem, ferro forjado, pele e mobiliário pintado.
  • Poço da Bomba: O Poço da Bomba era utilizado pela população de Azinheira dos Barros para o consumo doméstico de água. Era neste poço que os barrenses abasteciam os seus cântaros e outros recipientes para mais um dia de trabalho. Conhecido também como Poço da Saúde, a população considerava que a água era benéfica para o bem-estar daqueles que a consumiam. No ano de 2005 houve uma requalificação no espaço envolvente ao Poço da Bomba, tendo sido construído um muro para homenagear os poetas da aldeia. O Poço da Bomba é coberto por um “Chapéu de Ferro” e possui, na parte frontal, a bomba para retirar a água. Devido ao aparecimento de água canalizada na localidade, só uma minoria da população ainda a utiliza, sendo fundamentalmente um local de lazer.
  • Lavadouro Público: O edifício dos tanques do lavadouro público foi construído no ano de 1940, com o objetivo de proporcionar à população melhores condições na lavagem da roupa. Até então a população dirigia-se à ribeira para proceder à lavagem do vestuário, causando-lhe transtornos não só pela distância, mas também, pelas condições existentes nas margens da ribeira. O espaço dos tanques era igualmente utilizado para a organização de festas, servindo, assim, como local de convívio. Atualmente, o edifício dos tanques encontra-se encerrado.

Instituições na FreguesiaEditar

  • Junta de Freguesia: A 22 de outubro de 1544, quando foi atribuído o foral de vila e concelho a Grândola, delimitou-se a área geográfica que passou a fazer parte do respetivo concelho. Como Azinheira dos Barros fazia parte dessa área, passou a integrar este concelho e, a partir de 1545, foi reconhecida como um dos três aglomerados do concelho de Grândola. Foi então criada a Junta de Freguesia que só vem a possuir uma sede definitiva após o encerramento da Escola Primária Feminina na Rua João de Deus, sede que ainda hoje funciona no mesmo edifício. Devido às constantes mudanças de instalações, foram-se perdendo alguns suportes informativos acerca da freguesia, que poderiam ser utilizados para um maior conhecimento das suas origens. A década de 60 foi rica em acontecimentos, dos quais se destacam o calcetamento das ruas, a construção dos lavadouros públicos e a inauguração do novo edifício da Casa do Povo, só possíveis graças à crescente importância crescente da Junta de Freguesia [7].
  • Casa do Povo e Centro de Dia: A 25 de junho de 1945 é criada uma Casa do Povo em Azinheira dos Barros, sendo obrigatória a inscrição de todos os trabalhadores rurais da freguesia. Vinte e dois anos após a sua fundação, assinalados por uma sucessiva mudança de instalações, foi construído o edifício onde passou a funcionar a Casa do Povo. Inaugurado em 1967 pelo Prof. Gonçalves de Proença, na altura Ministro das Corporações. A partir de 1989, a Casa do Povo inicia uma nova etapa nas suas atividades, que culmina em, 1990, com a assinatura de um acordo de cooperação com o Centro Regional de Segurança Social de Lisboa e Vale do Tejo. Em 1997, a Casa do Povo passa a promover o Sub-Programa "Integrar", patrocinado pelo Fundo Social Europeu no âmbito da Formação Profissional. Posteriormente, é apresentado e aprovado o projeto intitulado “Centro Comunitário do Lousal” que possibilitou a construção de um centro de dia, assim como o desenvolvimento de um serviço de apoio domiciliário e de atividades para tempos livres destinadas a jovens e crianças do Lousal. A Casa do Povo de Azinheira dos Barros dispõe, assim, de um vasto conjunto de mecanismos de apoio e de solidariedade social ao serviço da população.
  • Colectividade Sócio Cultural Barrense: A CSCB é a mais jovem instituição sedeada em Azinheira dos Barros. Criada por um grupo informal de jovens, a Coletividade foi fundada com o objetivo de dinamizar a povoação no que respeita a políticas juvenis [8].

A Associação Os Amigos da Azinheira dos Barros foi fundada em 6 de abril de 2010 por um grupo de amigos que já realizavam as festas tradicionais de Azinheira dos Barros desde o ano de 2003. Tem intenção de dinamizar a aldeia.

Festas e RomariasEditar

Nesta freguesia, as festas e romarias festejadas durante o ano são as seguintes: festas de Nossa Senhora da Conceição (Azinheira dos Barros, 15 de agosto), festas de Sta. Bárbara (Lousal, 4 de dezembro e 5 de dezembro), festas de São João (mês de Junho), festas de Nossa Senhora do Viso e ainda a Feirinha das Artes e Sabores, organizada por uma associação da freguesia (Colectividade Sócio Cultural Barrense).

PatrimónioEditar

 
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Referências

  1. «Carta Administrativa Oficial de Portugal CAOP 2013». descarrega ficheiro zip/Excel. IGP Instituto Geográfico Português. Consultado em 10 de dezembro de 2013. Arquivado do original em 9 de dezembro de 2013 
  2. a b Instituto Nacional de Estatística (23 de novembro de 2022). «Censos 2021 - resultados definitivos» 
  3. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  4. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  5. INE. «Censos 2011». Consultado em 11 de dezembro de 2022 
  6. a b «Freguesia de Azinheira de Barros e S. Mamede de Sádão». Câmara Municipal de Grândola. Consultado em 8 de Março de 2014 
  7. Junta de Freguesia de Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão
  8. Sócio Cultural Barrense
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