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Bamidbar

Disambig grey.svg Nota: Se procura a visão tradicional do texto, veja Livro de Números.

Bamidbar (do hebraico במדבר No deserto, ou No ermo da primeira palavra do texto) é a quarta parte da Torá. Bamidbar é chamado comumente de Números pela tradição ocidental e trata-se praticamente do mesmo livro apesar de algumas diferenças, principalmente no que lida com interpretações religiosas com outras religiões que aceitam o livro de Números. Este artigo pretende mostrar as origens do livro e suas implicações dentro principalmente do judaísmo.

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Índice

Origem do nome do livroEditar

 
Imagem de satélite da Terra de Israel.

O termo Bamidbar (No ermo) trata-se da primeira palavra do livro, e é o costume judaico dividir seus livros e citar como nome do capítulo o nome de sua primeira palavra. O nome Números origina-se do nome dado na Septuaginta , que chama o livro de Arithmoi ("Números"), devido aos dois censos do povo israelita mencionados no texto.

Origens do textoEditar

Ainda que a tradição impute a autoria do texto a Moshê, os estudiosos geralmente atribuem a autoria a um período posterior, provavelmente no retorno do Exílio Babilônico onde teria havido uma fusão de diversas lendas mitológicas dos povos do Levante com a cultura judaica.

Os estudiosos crêem que a Torá e subsequentemente Números são o resultado de diversas tradições que evoluiram em conjunto através da história do antigo povo de Israel.

TextoEditar

Números descreve os eventos decorrentes da peregrinação do povo de Israel pelo ermo durante quarenta anos. O texto é comumente dividido em dez parashot (porções) cuja divisão servem para a leitura semanal do texto nas sinagogas acompanhadas das haftarot.Assim a narrativa de Bamidbar está dividida em:

Bamidbar (במדבר)Editar

A parashá Bamidbar tem como tema principal o censo do povo israelita, contabilizando os homens com idade entre 20 a 60 anos. A estrutura de organização do povo é organizada, de modo a seguir-se um padrão para a viagem, tendo a tribo de Levi ao centro junto com o Tabernáculo com as doze tribos cercando de todos os lados. A porção termina com os mandamentos dados a família de Kehat, segundo filho de Levi, consagrada para lidar com as partes sagradas do Tabernáculo.

A haftará desta parashá é Oséias 2:1–22.

Quando a parashá coincide com Shabat Machar Chodesh a parashá é 1 Samuel 20:18–42.

Naso (נשא)Editar

 
Posição das mãos dos cohanim durante a Benção sacerdotal.

Esta parashá inicia com a descrição dos mandamentos acerca das três famílias levitas -Gershon, Merari e Kehat na semana passada e de seu censo para o serviço sagrado. Prossegue com a descrição dos mandamentos a serem cumpridos com uma sotá, mulher suspeita de adultério e sobre os mandamentos relacionados ao nazir. Após prosseguir com as bênçãos que os cohanim devem abençoar o povo, Naso termina com a descrição das oferendas trazidas pelas tribos para a dedicação do Tabernáculo.

A haftará desta parashá é o Juízes 13:2–25.

Behaalotekha (בהעלותך)Editar

Esta parashá inicia com a descrição dos mandamentos relativos ao acendimento diário da menorá e do ritual de consagração dos levitas. A parashá prossegue narrando a celebração de Pessach no ermo, e o mandamento de um segundo Pessach ( Pêssach Sheni), para aqueles que não pudessem comemorar o primeiro devido a alguma restrição obrigatória.

O acampamento prossegue sua jornada, porém os constantes atritos e reclamações, assim como a presença de elementos não-israelitas faz com que o povo passe a murmurar constantemente contra Moshê. Moshê sente-se sobrecarregado por liderar sozinho o povo, e D-us ordena-lhe que escolha setenta anciãos para lhe auxiliar, o que o judaísmo posterior considerará como as bases de fundação do Sanhedrin. A porção conclui com a sedição promovida por Miriam e Aarão contra Moshê e a esposa deste. Devido a isto, Miriam é punida com lepra e é obrigada a ficar de quarentena fora do acampamento por sete dias.

A haftará desta parashá é Zacarias 2:14–4:7.

Shlakh (שלח)Editar

 
Tzitzit

Esta parashá inicia descrevendo o incidente envolvendo a descrição da terra de Canaã aos espias enviados por Moshê. O mau relatório apresentado por estes incentiva o povo a desejar retornar a escravidão no Egito, de modo que D-us os condena a peregrinar quarenta anos no ermo.

A porção prossegue com a descrição das libações de vinho e dos mandamentos relativos a chalá, além das leis referentes a idolatria, incluindo a descrição da morte de um homem por profanar o shabat. A parashá encerra-se com o mandamento de tsitsit.

A haftará desta parashá é Livro de Josué 2:1–24.

Qorakh (קרח)Editar

 
"A Punição de Corá" (pintura de Sandro Botticelli)

A parashá Qorakh inicia com a revolta organizada por Qorakh (às vezes transliterado Côrach ou Corá) contra Moshê e Aharon, dizendo que os dois estavam manipulando o povo israelita. Moshê pede aos revoltosos que ofereçam incenso junto com Aharon: aquele que fosse aceito pelo Eterno seria o líder legítimo. A terra se abre e engole Qorakh e os outros líderes da revolta são consumidos por uma chama. Os sobreviventes da rebelião são assolados pela peste ao reclamarem das mortes dos principais líderes.Moshê e Aharon intercedem diante do Eterno para evitar a extinção do povo, e o Eterno faz o cajado de Aharon brotar, legitimando sua autoridade.

A parashá prossegue descrevendo os direitos dos cohanim e dos levitas, assim como os mandamentos relativos ao seu sustento.

A haftará desta porção é I Samuel 11:14–12:22.

Quando a parashá coincide com Shabat Rosh Chodesh a haftará é Isaías 66:1–24.

Khuqat (חקת)Editar

Khuqat ou Chucat começa descrevendo o mandamento relativo a Pará Adumá, i.e. a vaca vermelha da qual se utilizam as cinzas para purificar as pessoas que se tornaram impuras por contato com pessoas mortas.

A parashá prossegue então trinta e oito anos depois, com os acontecimentos decorrentes no final da peregrinação do povo de Israel no ermo. A irmã de Moshê, Miriam (Miriã) morre e segue-se os eventos decorrentes da falta de água para o povo: o Eterno ordena que Moshê e Aharon falem a uma pedra para que produza água, porém Moshê golpeia a pedra com seu cajado. D-us diz que os dois líderes não entrarão também na terra de Canaã.

 
Moisés tira água da rocha (pintura de Nicolas Poussin)

Aharon morre e é sepultado no monte Hor, sendo sucedido por seu filho Elazar como Cohen Gadol. A narrativa termina com as guerras movidas contra Sichon, rei de Emori e Og, rei de Bashan.

A haftará desta parashá é Juízes 11:1–33.

Quando a parashá é combinada com a parashá Balaq, a haftará é Miquéias 5:6–6:8.

Balaq (בלק)Editar

A parashá Balaq (ou Balac) descreve os acontecimentos relativos ao profeta pagão Bilam (Balaão), contratado pelo rei de Moav para amaldiçoar o povo de Israel . Porém a interferência de D-us faz com que este pronuncie bênçãos e preces para o povo judeu. A porção termina com os atos de libertinagem entre os judeus e as filhas de Moav e Midian, inseridas no acampamento daqueles para corrompê-los.

A haftará desta parashá é Miquéias 5:6–6:8.

Pinkhas (פנחס)Editar

A parashá Pinkhas inicia com a promessa de sacerdócio a Pinkhas, neto de Aharon que matou um príncipe da casa de Shimeon e uma princesa midianita que estavam realizando atos de libertinagem em público. No final da parashá passada, uma peste irrompera no acampamento dos israelitas e graças ao ato de Pinkhas a peste cessa.

É realizado um novo censo do povo de Israel. Após este evento as cinco filhas de Tslofchad reivindicam uma parte da herança na terra de Israel, já que não tinham irmãos e o pai morrera no ermo. D-us permite que obtenham herança, e Moshê recebe os mandamentos relativos a herança do povo. Também lhe é ordenado que indique Yehoshua (Josué)como seu sucessor.

A parashá encerra com uma descrição das corbanot.

A haftará desta parashá é I Reis 18:46–19:21.

Matot (מטות)Editar

Matot descreve as leis sobre nedarim (promessas) e shevuot (juramentos). Prossegue com uma discussão sobre a vitória contra Midyan (Midiã) e acerca do despojo de guerra. As tribos de Reuven e Gad pedem que suas heranças fossem a leste do Rio Yarden, o que lhes é concedido por Moshê desde que ajudem as outras tribos a conseguirem suas posses em Kanaan.

A haftará desta parashá é Jeremias 1:1–2:3.

Quando a parashá Matot é combinada com Masei, a haftará é :

Masei (מסעי)Editar

A parashá Masei começa com um resumo da rota do povo de Israel durante os quarenta anos no ermo até a chegada ao Rio Yarden (Rio Jordão). D-us ordena que todos os habitantes de Canaã sejam expulsos da terra, e estabelece as fronteiras para cada tribo e as fronteiras de Israel. Os levitas no entanto não receberiam porções como demais, mas receberiam cidades especiais dentro das fronteiras de outras tribos. A parashá prossegue com a descrição das cidades-refúgios no qual deveriam se abrigar pessoas que tivessem matado outras sem intenção de modo a evitar a vingança por parte dos vingadores do sangue, até a morte do Cohen Gadol atual. A parashá prossegue com a descrição das diversas categorias de assassinatos e encerra com as leis referentes a herança sucessória.

A haftará desta porção é :

Quando a parashá é combinada com a parashá Matot, a haftará é a mesma da parashá Masei.

Quando a parashá coincide com Shabat Rosh Chodesh a haftará é Isaías 66:1–24.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

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