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Barbara Juliane von Krüdener
A baronesa de Krüdener e seu filho Paul, retratados em 1786 por Angelika Kauffmann.
Nascimento 22 de novembro de 1764
Riga
Morte 25 de dezembro de 1824 (60 anos)
Bilohirsk
Cidadania Alemanha
Progenitores Pai:Otto Hermann von Vietinghoff
Filho(s) Juliette von Krüdener, Pavel Kridener
Ocupação escritora, salonnière, política

Barbara Juliane von Krüdener, Baronesa de Krüdener (nascida Barbara Juliane von Vietinghoff) (Riga, 22 de novembro de 1764 – Karasu-Bazar, Crimeia, 25 de dezembro de 1824), foi uma mística russa.

Índice

VidaEditar

Filha de Otto Hermann von Vietinghoff, um militar de carreira, e da condessa Anna Ulrica von Munnich, Barbara Juliane casou-se aos 18 anos de idade (em 29 de Setembro de 1782), com o barão Burckhard Alexis Constantin von Krüdener, um diplomata viúvo e bem mais velho do que ela. Em janeiro de 1784, nasceu o primeiro filho do casal, Paul. Em 1787, o nascimento de uma menina, Juliette, trouxe complicações à saúde frágil da baronesa e ela resolveu viajar em convalescença para a França com a filha e a enteada Sophie.

Durante o período que passou em Montpellier em 1790, ela conheceu um jovem capitão de cavalaria, Charles Louis de Fregeville, por quem se apaixonou. O capitão acompanhou a baronesa até Copenhaga, onde o barão servia como embaixador, e lá, ela comunicou ao marido que não mais poderia viver com ele. Todavia, Von Krüdener recusou-se a falar em divórcio, e, com a partida do capitão para a guerra, Juliane resolveu viajar pela Europa, atividade na qual passou alguns anos.

Em 1798, os Krüdener ensaiaram uma reconciliação em Berlim, onde o barão servia como embaixador. Todavia, a baronesa não se adaptou à rígida corte prussiana e decidiu partir para Teplitz, alegando recomendações médicas. Os Krüdener nunca mais tornaram a se ver.

Com a morte do marido, em 1802, a baronesa, em busca de reconhecimento social, resolveu arriscar-se no campo da literatura e escreveu Valérie, romance semi-autobiográfico que causou algum sucesso na época (quatro edições em 1804 e duas traduções em línguas estrangeiras).

Vida novaEditar

Em janeiro de 1804 a baronesa decidiu retornar à sua cidade natal, Riga, e lá seus nervos foram duramente abalados quando um conhecido, ao encaminhar-se para saudá-la, caiu morto aos seus pés. O choque a fez buscar consolo na religião, particularmente nas pregações escatológicas e moralizantes de influentes figuras do pietismo, como Heinrich Jung-Stilling de Karlsruhe e Jean Frederic Fontaines, em Vosges, onde ela permaneceu por dois anos e passou a acreditar que havia sido chamada para estabelecer o reino de Cristo na Terra.[1]

Acompanhada por Fontaines e uma legião de seguidores e admiradores, decidiu fundar uma colônia onde o ‘’povo eleito’’ poderia esperar a Segunda vinda de Cristo. Todavia, sem encontrar nenhuma simpatia por parte das autoridades francesas ela acabou por retornar ao sul da Alemanha, sempre arrebanhando multidões e influenciando até o líder pietista suíço Henri Louis Empeytaz, que substituiu Fontaines ao seu lado na liderança do movimento.

Todavia, foi em 4 de Junho de 1815, na cidade de Heilbronn, Alemanha, que a baronesa fez sua conversão mais espetacular: a do Czar Alexandre I da Rússia, a quem ela teria posteriormente sugerido, já em Paris, a ideia para a formação da Santa Aliança (assinada em 26 de Setembro deste mesmo ano). Não contente com a sugestão, a baronesa teria feito ampla divulgação de sua ascendência sobre o czar, o que irritou sobremaneira o soberano.

Com a partida de Alexandre I para São Petersburgo, a baronesa viajou para a Suíça onde caiu sob a influência de um aventureiro, J. G. Kellner. Kellner convenceu-a de que ela, responsável direta pela Santa Aliança, não podia ser outra menos do que a mulher vestida de sol citada nas Escrituras. A ideia de fundar uma colônia de eleitos renasceu, e, novamente, legiões de mendigos e desocupados passaram a seguí-la na busca vã de uma terra prometida. Expulsos da Alemanha e da Suíça, finalmente em 1817 receberam a notícia de que o czar autorizara o ingresso dos pietistas na Crimeia.

Mas em 1821, em sua última viagem à São Petersburgo, ela tentou convencer o czar a apoiar os gregos que lutavam por sua independência. Em resposta, o czar, cansado dos conselhos da mística, pediu que ela deixasse a cidade imediatamente. A baronesa de Krüdener retornou então para a Crimeia, onde sobreviveu à morte de Kellner, em 1823, vindo a falecer em 25 de Dezembro de 1824.

ObrasEditar

  • Valérie ou Lettres de Gustave de Linar à Ernest de G... Paris: Imprimerie de Giguet et Michaud, 2 v., 1804.
  • Le Camp de Vertus. Paris: Le Normant, 1815

BibliografiaEditar

  1. Dicionário Biográfico da Enciclopédia Abril. São Paulo: Editora Abril, 1972. Vol. 2, p. 365
  • Grande Enciclopédia Delta Larousse. Rio de Janeiro: Editora Delta, 1976. V. 9, p. 3845.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

 
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