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Basílica e Convento de Nossa Senhora do Carmo (Recife)

Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Basílica de Nossa Senhora do Carmo.
Basílica e Convento de Nossa Senhora do Carmo
Fachada da basílica e o Pátio do Carmo.
Website http://basilicadocarmorecife.org.br
Geografia
País  Brasil
Região  Pernambuco
Local Recife

A Basílica e Convento de Nossa Senhora do Carmo é um conjunto arquitetônico católico pertencente à Ordem Carmelita, localizado no Bairro de Santo Antônio do Recife, em Pernambuco, Brasil.[1][2][3][4]

No seu pátio, a cabeça do líder quilombola Zumbi dos Palmares ficou exposta até completa decomposição.[5]

O imponente frontispício da Basílica do Carmo possui muitas volutas esculpidas em pedra, e a torre, de 50 metros de altura, é encimada por um dos mais elaborados bulbos do barroco brasileiro. No interior, a decoração em talha dourada é de valor inestimável, destacando-se a capela-mor com seu fabuloso retábulo.[2]

Índice

HistóricoEditar

 
Capela-mor da Basílica do Carmo.

Os primeiros frades Carmelitas chegaram ao Brasil em 1580, vindos de Portugal. Em 1584, com a fundação de um convento em Olinda, o primeiro do país, realizou-se a primeira festividade brasileira em honra a Nossa Senhora do Carmo.

Após a expulsão dos holandeses em 1654, a Ordem do Carmo se estabeleceu no Recife e a Câmara de Olinda doou aos religiosos carmelitas o Palácio da Boa Vista (ou Reduto da Boa Vista), construído por João Maurício de Nassau em 1643, no qual foi instalado um hospício com capela. O Convento de Nossa Senhora do Carmo foi posteriormente construído aproveitando parte do torreão central do Palácio da Boa Vista.[6][7]

Em 1665, o Capitão Diogo Cavalcanti Vasconcelos deu início às obras de construção da igreja, mandando executar, às suas expensas, a capela-mor, sem a licença real que, requerida em 1674, só foi concedida em 8 de março de 1687. O templo foi concluído quase cem anos mais tarde, em 1767.

Foi no Convento do Carmo, que Frei Caneca fez seus votos religiosos e ordenou-se sacerdote, e onde, presume-se, está enterrado.

Em 1909 a Virgem do Carmo foi proclamada Padroeira do Recife e, no dia 21 de setembro de 1919, foi coroada. Em 1917, a igreja foi agregada à Basílica de São Pedro, no Vaticano, e em 1922, elevada à condição de Basílica.

A Basílica e o Convento do Carmo foram tombados em 5 de outubro de 1938 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

ArquiteturaEditar

Basílica e Convento de Nossa Senhora do Carmo, no Bairro de Santo Antônio do Recife. Os restos do Reduto da Boa Vista estão assinalados no ângulo superior esquerdo (ângulo noroeste) do Convento do Carmo.

A igreja segue o estilo barroco. O corpo principal tem dois pavimentos, ambos com três aberturas de arco abatido e ornamentos em cantaria. No piso superior, entre as janelas, encontram-se dois nichos com estátuas, interligados na parte superior a óculos obturados com grades, e também emoldurados. Acima, frontíspício triangular de vértices truncados e lados curvos, com brasão da Ordem, pesadas volutas floreadas, e culminando com um nicho com imagem de Nossa Senhora, pináculos e uma cruz. Lateralmente a igreja possui duas torres, sendo que a da direita permanece inacabada, e a da esquerda, com cerca de 50 metros de altura, ergue-se em quatro pisos, com aberturas de forma e tamanho variáveis: a da base é uma porta com arco pleno, e acima abrem-se, sucessivamente, uma porta de arco abatido, com balaústre, um óculo simples, e uma janela sineira também em arco pleno. Coroando a torre, cúpula com diversas cornijas ornamentadas superpostas, óculos, pináculos e cruz.

No interior sua decoração em talha dourada é de valor inestimável. Entre os pontos altos destacam-se os doze altares secundários e a capela-mor, com seu fabuloso retábulo com uma imagem em tamanho natural de Nossa Senhora do Carmo, ladeada de anjos e santos, numa moldura de luxuriante trabalho de talha dourada. Os outros altares também são ricamente decorados, destacando-se os de Nossa Senhora da Candelária e o de Santa Teresa, São Crispim e São Crispiniano.

Várias intervenções realizadas nos séculos XIX e XX acabaram por descaracterizar alguns aspectos originais do interior, sobretudo a pintura das talhas. Praticamente toda a Basílica foi repintada de branco e dourado. Um projeto de restauração recente, que removeu as camadas de repintura, revelou toda a beleza da decoração marmoreada típica do século XVIII, sendo a Basílica reinaugurada em 6 de julho de 2001, após três anos de trabalhos. Outras alterações no altar-mor incluíram a entronização da atual imagem de Nossa Senhora, uma outra de Cristo e a instalação de um relicário para guarda das hóstias. A restauração da capela também contemplou o cadeiral de jacarandá, com a recomposição de partes perdidas da madeira e a recuperação dos seis painéis com imagens de santos e das seis tribunas com balaústres que ficam acima do cadeiral.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Passeio mostra igrejas barrocas do Recife neste sábado». Pernambuco.com. Consultado em 12 de maio de 2015 
  2. a b IPHAN. Recife: Convento e Basílica Nossa Senhora do Carmo (PDF). Rio de Janeiro: IPHAN. Consultado em 6 de abril de 2019 
  3. «IBGE | Biblioteca | Detalhes | [Basílica e Convento] Nossa Senhora do Carmo : Recife, PE». biblioteca.ibge.gov.br. Consultado em 7 de abril de 2019 
  4. «A Basílica :: Basílica do Carmo». basilica-do-carmo.webnode.com. Consultado em 7 de abril de 2019 
  5. «Afro-descendente recebe medalha». UOL.com.br. Consultado em 7 de março de 2015 
  6. «IBGE | Biblioteca | Detalhes | Palácio de Boa Vista : Recife, PE». biblioteca.ibge.gov.br. Consultado em 7 de abril de 2019 
  7. «Palácio da Boa Vista». basilio.fundaj.gov.br. Consultado em 7 de abril de 2019 

Ligações externasEditar