Batalha de Azamor

A Batalha de Azamor ou Conquista de Azamor foi uma batalha travada entre os exércitos do Reino de Portugal e da Dinastia Oatácida, que ocorreu perto da cidade de Azamor, Marrocos, entre 29 de agosto e 2 de setembro de 1513.[1][2] Foi causada pela recusa da cidade em cumprir suas obrigações como um vassalo e pagar um tributo acordado ao rei português. Em consequência da derrota, a cidade de Azamor foi ocupada sem nenhuma resistência pelo exército português, que fortificou a cidade e ali deixou uma guarnição.

Batalha de Azamor
Conquista de Azamor (1513) - o Desembarque.jpg
Fresco representando o desembarque das forças do Duque de Bragança, durante a Conquista de Azamor, localizado no Paço Ducal de Vila Viçosa
Data 29 de agosto de 15122 de setembro de 1513
Local Azamor, Marrocos
Desfecho Vitória portuguesa
Beligerantes
Reino de Portugal Reino de Portugal Flag of Morocco (1258-1659).svg Sultanato Oatácida
Comandantes
Reino de Portugal Jaime I, Duque de Bragança Flag of Morocco (1258-1659).svg Mulei Zaiã de Azamor
Forças
18 000 infantaria
2 450 cavalaria
400 navios
2 000 infantaria
1 000 cavalaria
7 navios
Baixas
3 900 infantaria
1 287 cavalaria
42 navios destruídos
1 500 infantaria
1 000 cavalaria
7 navios destruídos

AntecedentesEditar

Azamor, dependente do rei de Fez, embora gozando de grande autonomia, prestava vassalagem ao rei D. João II já desde 1486. As desavenças geradas entre o governador Mulei Zaiã, que se recusou pagar o tributo e preparava um exército para se defender, ocasionaram num envio de uma frota àquela cidade em 15 de agosto de 1513, a mando de D. Manuel I.

BatalhaEditar

Em resposta, o rei D Manuel enviou uma frota de 500 navios para a África em 15 de agosto de 1513, e um exército de 2 000 cavaleiros e 13 000 infantes, liderados por seu sobrinho Jaime I, Duque de Bragança.

Assim descreve o feito Pedro de Mariz:

Ainda, Que elRey Dom Emanoel, tinha por tributaria a Cidade Azamor em Affrica, todavia desejava ser Senhor della: porque muitas vezes lhe negava o tributo, & se ajuntava com seus inimigos; polo, que determinou mandalla conquistar. E pera isso era o anno do Senhor mil, & quinhentos, & treze, mandou fazer huma poderosa armada, de mais de quatrocentas vellas, & dezoito mil homens de pé, de que três mil erão do Duque de Bragança Dom Gemes, que hia por General desta armada, que também levava quatrocentos, & cincoenta homens de cavallo, & cento acubertados, & todos seus criados, & vassallos: além destes hião mais de dous mil de cavallo, & duzentos acubertados, todos criados delRey affora a pionagem, que estes todos levávão. Partido o Duque com esta fermosa companhia, foy surgir duas léguas de Marzagão a 28 de Agosto[…]. De Marzagão partio o exercito ao primeiro de Setembro, […] A Azamor, & mandou logo dar o primeiro combate, com tanta ordem cometido, & com tanto fervor, & valentia; que os Mouros, ainda, que muitos, & bem armados, & fortalecidos, e muito versados em cavallarias; desconfiarão de se poderem defender. Principalmente quando virão morto de húa bombarda o Capitão mor da Cidade; cuja vista os acabou de desenganar de todo, & sobrevindo a noite, se sahirão da Cidade com muita pressa […]. Ao outro dia, sendo o Duque avisado do que passou, deu logo graças a Deos publicamente, & com grande triumpho entrou na cidade, & muito mayor contentamento em o seu animo, por huma tão grande, & tão barata vitória, que lhe não custou nem hum só homem. E tanto assombrou esta conquista a todos aquelles bárbaros Mauritanos, que logo as Cidades Titer & Almedina, se despejarão, & os portuguezes, se entregàrão dellas; Nuno Fernandez de Attaide capitão de Çafim, se entregou de Almedina a cujos moradores fez logo tornar a ella, com promessas, & liberdades: & pera que não se pudesse levantar mais, mandou derribar dous lanços do muro, hum da parte de Azamor: outro da de Çafim (safi). E todas as mais cousas da Cidade novamente conquistada, ordenadas como convinha ao governo, & defenção della, se veyo o Duque de Bragança ao Reyno, deixando encomendada sua casa a seu primo Dom Francisco Portugal, que foy o primeiro Conde de Vimioso: & por Capitão-mor do exercito Dom João de Menezes. E elRey Dom Emanoel mandou em o seu Reyno dar publicas graças a Deos por aquellas obras de sua omnipotencia, tanto em seu louvor acabadas: & o mesmo mandou o papa Leão decimo fazer em Roma, tanto que o soube, com huma solene procissão, em que elle disse missa em Pontifical, & houve prégação em louvor dos portuguezes, & de suas heroicas obras pola exaltação a Fé, & augmento de sua Igreja.

Em 29 de agosto, o exército desembarcou em Mazagão e marchou em direção a Azamor. Após vários dias de combate perto da cidade, os portugueses derrotaram a última resistência do exército marroquino. Em 2 de setembro, os moradores de Azamor, sem resistência, abriram as portas da cidade aos portugueses. Azamor foi ainda mais fortificada e os portugueses deixaram uma guarnição para conter os constantes ataques oatácidas.

Fernão de Magalhães participou da batalha, perdeu o seu cavalo e sofreu uma grave lesão no joelho, da qual nunca se recuperou totalmente. Após uma disputa sobre a distribuição do butim capturado, deixou o exército português sem permissão, e por isso ficou mal visto na corte portuguesa. Isso o levou a ingressar serviço em Castela, a serviço da qual liderou a primeira viagem de circum-navegação do mundo.

Referências

  1. «Ferdinand de Magellan De la bataille d'Azemmour à l'Armada des Moluques». mazagan-aamr.fr. Consultado em 19 de maio de 2022 
  2. Ferreras, Juan de (1751). Histoire générale d'Espagne: enrichie de notes historiques & critiques, de vignettes en taille-douce, & de cartes géographiques (em francês). [S.l.]: Chez Charles Osmon, (chez) Jacques Clousier, (chez) Louis-Estienne Ganeau 
  • Pedro de Mariz: Diálogos de Vária história. Em coimbra, Na Officina de António de Mariz. MDLXXXXVIII (1598)


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