Batalha de Jilib

Batalha de Jilib foi um confronto armado da Guerra da Somália em 2006 travado entre a União dos Tribunais Islâmicos (UTI) e milícias afiliadas contra as forças da Etiópia e do Governo Federal de Transição da Somália pelo controle da cidade de Jilib. A batalha começou em 31 de dezembro de 2006, quando as forças da União dos Tribunais Islâmicos entrincheiraram e guarneceram a cidade para impedir que as forças etíopes e governamentais se aproximassem de Kismaayo, o último reduto dos islamistas.

Batalha de Jilib
Guerra na Somália (2006–2009)
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Data 31 de dezembro de 2006 – 1 de janeiro de 2007
Local Jilib, Somália
Desfecho Vitória das forças da Etiópia e do Governo Federal de Transição da Somália
Beligerantes
União dos Tribunais Islâmicos
Milícias pró-islâmicas
Combatentes estrangeiros[1]
Somália Governo Federal de Transição da Somália
 Etiópia
Comandantes
Sharif Sheik Ahmed
Yusuf Hassan
Somália TFG: Barre Adan Shire Hiiraale
Forças
3.000 milicianos islamistas e mujahideen estrangeiros
60 technicals
Tanques etíopes, artilharia, bombardeiros MiG

AntecedentesEditar

Após a queda de Mogadíscio, aproximadamente 3.000 combatentes da União dos Tribunais Islâmicos recuaram para a cidade portuária de Kismayo, seu último reduto remanescente, a 500 quilômetros ao sul.[2][3] Em Kismayo, o líder da UTI, xeque Sharif Sheikh Ahmed adotou uma postura desafiadora: "Não fugiremos de nossos inimigos. Nunca deixaremos a Somália. Permaneceremos em nossa terra natal".[4]

Em Jilib, os islamistas usaram escavadeiras para preparar trincheiras e posições defensivas. A União dos Tribunais Islâmicos contava com cerca de 3.000 combatentes e 60 technicals equipados com armamento antitanques e antiaéreos. Pelo menos 4.700 pessoas fugiram da área antes dos combates.[5]

No sábado, 30 de dezembro, as tropas conjuntas da Etiópia e do Governo de Transição da Somália chegaram à cidade de Jilib, a última grande cidade na estrada para Kismayo. O xeque Sharif Sheikh Ahmed pediu a seus soldados para que lutassem.[6][7]

BatalhaEditar

No domingo, 31 de dezembro, os combates começaram nas densas florestas de mangueiras perto de Helashid, a 18 quilômetros a noroeste de Jilib. Caças MiG, tanques, artilharia e morteiros etíopes atacaram as posições dos islamistas na incursão. Os residentes locais relataram que os militantes da União dos Tribunais Islâmicos haviam espalhado minas terrestres acionadas por controle remoto na estrada para Jilib.[8] As forças etíopes e do Governo de Transição da Somália também atacaram Bulobaley com morteiros e foguetes.

Aproximadamente às 5 da manhã, houve um confronto pesado nos arredores da cidade de Jilib entre os combatentes islâmicos e as tropas do governo interino apoiadas pela Etiópia. Tanques e veículos blindados entraram em combate[9] e o barulho do fogo da artilharia pesada foi ouvido na cidade vizinha de Jamame, conforme relatado pelos habitantes desta cidade.[10]

O comandante islamista, o xeique Yusuf Hassan declarou: "O combate começou. Há numerosas perdas em ambos os lados", e acrescentou que "não vamos nos render. Lutaremos para defender Jilib e Kismayo até a morte".

O ministro das Relações Exteriores da Somália Ismail Mohammed Hurreh Buba (também escrito Esmael Mohamud Hurreh) declarou que a batalha estava favorável para o governo e que os combates em torno de Kismayo poderiam ser estendidos por mais dois dias. O ministro somali solicitou ajuda internacional para monitorar a costa da Somália e impedir que os combatentes islâmicos entrassem ou saíssem do país usando dhows, pequenas embarcações que poderiam tentar resgatar ou reforçar os islamistas em Kismayo.[11] A força-tarefa marítima da Quinta Frota dos Estados Unidos, destinada ao Chifre da África e baseada em Djibuti, patrulhava a costa da Somália para impedir que os combatentes da União dos Tribunais Islâmicos realizassem um ataque ou transportassem combatentes, armas ou outros materiais por mar, segundo o capitão Kevin Aandahl.[8]

Durante a noite os disparos da artilharia continuaram, fazendo com que as linhas defensivas da União dos Tribunais Islâmicos enfraquecessem. As forças islamistas acabariam se dispersando e abandonando Jilib e Kismayo. Às 10 da noite os combates cessaram.[12] Por volta da meia-noite, a frente da União dos Tribunais Islâmicos em Jilib entrou em colapso e suas tropas começaram a fugir. Às duas horas da manhã, haviam se retirado de Kismayo. Os milicianos locais patrulhavam as ruas e saquearam as antigas propriedades dos islamistas. Foi relatado que os combatentes islamistas estavam fugindo para a ilha de Ras Kamboni, no sul da Somália, ou para a fronteira com o Quênia.[13][14]

Como resultado, o governo de transição solicitou ao Quênia que cerrasse sua fronteira com a Somália. De acordo com a BBC, veículos blindados quenianos foram deslocados em direção à fronteira e o governo queniano declarou que medidas apropriadas foram tomadas.[15]

ResultadoEditar

Com a retirada da União dos Tribunais Islâmicos para a fronteira com o Quênia, as forças do Governo Federal de Transição avançaram lentamente em direção a Kismayo para evitar as muitas minas terrestres que haviam sido colocadas. Em 1 de janeiro de 2007, chegam a Kismayo, que foi tomada sem combates.[14]

Posteriormente, as operações seriam destinadas a assegurar as fronteiras com o Quênia nos distritos de Afmadow e Badhadhe, na região de Jubbada Hoose. Aeronaves etíopes e helicópteros de ataque investiram na cidade de Doble (Dhoobley), em Afmadow, nas proximidades da fronteira queniana. Os ataques foram presumivelmente para atingir os elementos da União dos Tribunais Islâmicos que tentavam atravessar a fronteira. As combates terminaram depois da meia-noite.[16]

Em 4 de janeiro, fontes afirmavam que as tropas da União dos Tribunais Islâmicos encontravam-se dispersas nos distritos de Afmadow e Badade, e possivelmente concentradas no antigo reduto do al-Itihaad al-Islamiya (AIAI), em Ras Kamboni. O Governo Federal de Transição e as forças etíopes informaram que tomaram o distrito de Afmadoow em 2 de janeiro; Dhobley, ao longo da fronteira com o Quênia, em 3 de janeiro; e estavam avançando até Badhaadhe, a capital do distrito ao norte de Ras Kamboni.[17]

Referências

  1. «Former Members of Radical Somali Group Give Details of Their Group». Voice of America. 7 de janeiro de 2007. Arquivado do original em 8 de janeiro de 2007 
  2. «Islamists abandon Somali capital». BBC. 28 de dezembro de 2006 
  3. «Somali, Ethiopian troops pursuing suspects in '98 U.S. Embassy blast.» USAToday, Arquivado em 2014-04-02 no Wayback Machine
  4. «Thousands greet Somalia's prime minister as he enters capital». Associated Press. 29 de dezembro de 2006. Arquivado do original em 11 de Maio de 2007 
  5. «Thousands said fleeing Somali flashpoint town». Hiiraan Online. 31 de dezembro de 2006  (Arquivo)
  6. McCrummen, Stephanie (31 de dezembro de 2006). «Further Combat Looms in Somalia». Washington Post 
  7. «Somalia: Joint forces advance to Kismayo city, Islamist base». SomaliNet. 30 de dezembro de 2006  (Arquivo)
  8. a b «Thousands Flee Somalia Fighting». CBS News, Associated Press. 31 de dezembro de 2006 
  9. Yusuf, Aweys Osman (31 de dezembro de 2006). «Somalia: Fighting rages around Jilib near the port town of Kismayu». Shabelle Media Networks. Cópia arquivada em 30 de setembro de 2007 
  10. «Fierce fighting breaks out in southern Somalia». SomaliNet. 31 de dezembro de 2006. Arquivado do original em 10 de janeiro de 2007 
  11. Majtenyi, Cathy (31 de dezembro de 2006). «Somali Troops Advance, Ask For Help Monitoring Coast». Voice of America  (Arquivo)
  12. «Somalia's Islamists flee final bastion». Reuters/ Hiiraan Online. 1 de janeiro de 2007  (Arquivo)
  13. «Somali PM: Last Islamic stronghold captured». MSNBC. 1 de janeiro de 2007 
  14. a b Farah, Mohamed Abdi (1 de janeiro de 2007). «Somalia: Islamists lost their last strongholds». SomaliNet. Arquivado do original em 17 de janeiro de 2007 
  15. «Somalia targets Islamists' escape». BBC. 1 de janeiro de 2007 
  16. «Battle for Somalia nears Kenya border - residents». Reuters. 3 de janeiro de 2007 
  17. Duhul, Salad; Elizabeth A Kennedy; Mohamed Olad Hassan; Mohamed Sheikh Nor; Salad Duhul; Nasteex Dahir Farah; David Ochami; Godfrey Olukya (4 de janeiro de 2007). «Kenya tightens border with Somalia». Mail & Guardian, Associated Press. Arquivado do original em 1 de outubro de 2007 
  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Battle of Jilib».