Batalha de Londínio

A Batalha de Londínio foi travada em 60, no contexto da Revolta de Boadiceia, entre as forças romanas, comandadas pelo governador romano da Britânia, Caio Suetônio Paulino, e os rebeldes icenos da rainha Boadiceia na cidade romana de Londínio.

Batalha de Londínio
Conquista romana da Britânia
Data 60
Local Londínio
Desfecho Vitória dos icenos
Beligerantes
Império Romano Império Romano   Icenos, trinovantes e outras tribos celtas
Comandantes
  Boadiceia
Londínio está localizado em: Reino Unido
Londínio
Localização de Londínio no que é hoje o Reino Unido

ContextoEditar

Em 60 ou 61, um pouco mais de dez anos depois da fundação de Londínio, Prasutago, o rei dos icenos, morreu. Ele possivelmente foi instalado pelos romanos depois da fracassada revolta dos icenos contra o desarmamento promovido por Públio Ostório Escápula contra as tribos aliadas em 47[1] ou pode ter ajudado os romanos contra seus próprios compatriotas durante a revolta. Seu testamento determinava a divisão de seu patrimônio entre Roma e suas duas filhas, mas o direito romano proibia o recebimento de heranças por mulheres e já era prática comum na época tratar reinos aliados como propriedades dos reis durante sua vida e que seriam anexadas quando ele morresse, como havia sido o caso do Reino da Bitínia[2] e do Reino da Galácia[3]. Financistas romanos, incluindo Sêneca, determinaram o pagamento de todos os empréstimos tomados junto aos romanos de uma vez[4] e o procurador provincial, Cato Deciano, confiscou as propriedades tanto do rei quando de seus nobres. Tácito relata que, quando a esposa do rei, Boadiceia, tentou protestar, os romanos a flagelaram, estupraram suas duas filhas e escravizaram seus nobres e parentes[5]. Furiosa, Boadiceia iniciou uma fracassada revolta contra o jugo romano.

Revolta de BoadiceiaEditar

 Ver artigo principal: Revolta de Boadiceia

Duzentos soldados mal-equipados foram enviados para defender a capital provincial e colônia romana em Camuloduno, provavelmente advindos da guarnição de Londínio[6]. Os icenos e seus aliados subjugaram facilmente os defensores e arrasaram a cidade. A legião IX Hispana, comandada por Quinto Petílio Cerial, marchando para o sul pela Fosse Way, foi emboscada e aniquilada. Cato Deciano, o procurador, conseguiu escapar com o tesouro romano e escapou para a Gália, provavelmente passando por Londínio[6]. O governador Caio Suetônio Paulino, que estava à frente da XIV Gemina e da XX Valeria Victrix na invasão da ilha de Mona (Anglesey), conhecida atualmente como Massacre de Menai, ao saber do ataque, imediatamente retornou para a província seguindo pela Watling Street à frente da cavalaria romana, mais rápida[6].

BatalhaEditar

O primeiro registro histórico sobre a cidade de Londínio aparece no relato de Tácito sobre suas ações ao chegar e descobrir o destino da IX Hispana[7][8]:

A princípio, ele [Paulino] hesitou sobre ficar e lutar ali mesmo. Finalmente, sua inferioridade numérica — e o preço claramente pago pela precipitação do comandante divisional [Cerial] — fez com que ele decidisse sacrificar unicamente a cidade de Londínio para salvar a província como um todo. Impassível aos lamentos e apelos, Suetônio deu o sinal para a partida. Os habitantes foram autorizados a segui-lo. Mas os que ficaram por serem mulheres ou idosos ou muito ligados ao local foram massacrados pelo inimigo.
 
Tácito, Anais XXXIII.

Escavações revelaram extensivas evidências de destruição por fogo na forma de uma camada de cinzas vermelhas abaixo da cidade nesta data. Suetônio retornou para se encontrar com a infantaria de suas legiões, que vinham mais lentamente, e encontrou e derrotou o exército britano na Batalha de Watling Street, massacrando cerca de 70 000 homens e seguidores. Há uma crença folclórica muito antiga de que esta batalha teria ocorrido em King's Cross, simplesmente porque a região, uma antiga vila medieval, era conhecida como "Battle Bridge". A fuga de Suetônio para junto de seus homens, a destruição de Verulâmio (St Albans) e batalha logo depois em "um lugar com mandíbulas estreitas com uma floresta de fundo"[7][8] refutam esta tradição e nenhuma evidência arqueológica foi descoberta no local até o momento[9].

Referências

  1. Tácito, Anais XII.31.
  2. H. H. Scullard, From the Gracchi to Nero, 1982, p. 90
  3. John Morris, Londinium: London in the Roman Empire, 1982, pp. 107–108
  4. Dião Cássio, História Romana 62.2
  5. Tácito, Anais XIV.31
  6. a b c Merrifield, p. 53.
  7. a b Tácito, Anais 91-93; Vol. XIV, Cap. XXXIII.
  8. a b Tácito. Traduzido por Alfred John Church & William Jackson Brodribb. Annals of Tacitus, Translated into English, with Notes and Maps, Livro XIV, §33. Macmillan & Co. (London, 1876. Reimpresso pela Random House, 1942. Reimpresso pelo Perseus Project, c. 2011
  9. Old and New London. Highbury, Upper Holloway and King's Cross (em inglês). 2 (1878:273–279). [S.l.: s.n.]