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1ª Batalha de Monte Santiago
Guerra da Cisplatina
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Batalha de Monte Santiago
Data 7 e 8 de abril de 1827
Local Enseada de Barragán, Buenos Aires
Desfecho Decisiva vitória brasileira
Beligerantes
Flag of Argentina (alternative).svg Províncias Unidas do Rio da Prata Flag of Brazil (1822–1870).svg Império do Brasil
Comandantes
Flag of Argentina (alternative).svg William Brown Flag of Brazil (1822–1870).svg James Norton
Forças
2 bergantins
1 Barca
1 Goleta [63 canhões]
1 fragata, 2 corvetass
4 bergantins, 2 bergantins goleta
7 Goletas, 1 lugre
1 patache, 5 canhoneiras [229 canhões]
Baixas
2 bergantins destruídos, 1 goleta danificada, entre 76 e 153 baixas. 2 bergantins destruídos, 1 bergantin e 2 goletas danificadas, mais de 40 baixas

Batalha de Monte Santiago foi uma batalha naval da Guerra da Cisplatina, ocorreu entre 7 e 8 de abril de 1827. A divisão brasileira, comandada por James Norton, surpreendeu uma esquadrilha argentina e a perseguiu, perdendo os inimigos dois de seus melhores navios. O almirante Brown, que comandava os argentinos, ficou ferido. Como consequência dessa batalha, o Império do Brasil obteve supremacia naval, o que foi decisivo no curso dos acontecimentos: o bloqueio econômico imposto pela marinha de guerra do Brasil causava prejuízos econômicos significativos a Buenos Aires.[1][2] A luta em alto mar, pelo lado republicano, restaria reduzida, em grande parte, a esforços de corsários.

Na batalha morreu o comandante Rafael de Carvalho, comandava o brigue 29 de Agosto.[3] E, também, o comandante Francis Drummond, do lado republicano.

Índice

AntecedentesEditar

Em 1825, uma revolta ocorreu na província da Cisplatina quando os Trinta e Três Orientais desembarcaram na Banda Oriental, apoiados pela Argentina, iniciando a Guerra da Cisplatina, o Império do Brasil havia acabado de selar as pazes com Portugal acabando com as lutas, mas agora teria que novamente combater os rebeldes separatistas, o Exército Brasileiro era formado em sua maioria por voluntários diferente do Exército Argentino que era mais experiente, entretanto a Marinha do Brasil era o trunfo que seria usado para paralisar os argentinos e uruguaios. Logo inicia um bloqueio no porto de Buenos Aires, naquela época a Argentina tinha apenas o porto de Buenos Aires para excoar sua produção, com o bloqueio, os argentinos não poderiam vender seus produtos nem comprar armas do exterior, a Marinha Argentina era formada por alguns navios leves, o governo argentino não via interesse em ter uma poderosa armada devido aos altos custos na manutenção dos navios, o Almirante William Brown era o comandante da frota argentina, um irlandês com grande experiência em combates navais. Em 1827, os argentinos conseguiram duas vitórias sobre o Brasil, a primeira foi a derrota de uma esquadra brasileira na Batalha de Juncal e a segunda foi uma vitória sobre o exército brasileiro liderado pelo Marquês de Barbacena na Batalha de Passo do Rosário. Os comandantes da Marinha ficaram furiosos ao saberem da derrota em Juncal e decidiram acabar de uma vez por todas com a Marinha Argentina; o Almirante James Norton recebeu a missão de se aproximar de Buenos Aires e destruir qualquer navio que tentasse furar o bloqueio.

A batalhaEditar

 
Almirante James Norton
 
Almirante William Brown

Em 26 de março de 1827, o governo argentino ordena ao Almirante Brown para levar seus melhores navios para furar o bloqueio e atacar as cidades costeiras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com isso, acreditavam que D. Pedro I pediria a paz. Brown então prepara sua frota, enquanto isso, a Marinha Imperial, seja por relatórios de inteligência ou por deduções, acredita que Brown esteja preparando um ataque, os comandantes brasileiros juntam suas forças à frota do Almirante Norton. O movimento dos navios brasileiros confirmam a suspeita de que estes já sabiam dos planos argentinos, mesmo assim Brown deicidu partir, acreditando que seus navios leves e fáceis de manobrar poderiam causar grande estrago aos navios brasileiros mais pesados e difíceis de manobrar. Em 6 de abril, o brigue Balcarce e a escuna União avistaram uma corveta e três brigues imperiais deixarem o bloqueio para perseguirem um comboio a seis milhas. Às 19h30min, aproveitando o enfraquecimento da linha de bloqueio, Brown ordena navegarem para fora do Rio da Prata. Tudo corria bem para os argentinos, até que às 23h30min o vento mudou e a frota argentina precisou se distanciar; logo um vigia do Marquês de Maceió avistou a frota argentina e imediatamente alertou os outros navios brasileiros com tiros de canhão. Imediatamente a corveta Liberal bloqueia a saída, Brown tenta navegar para o Sul, entretanto o vento contrário impede sua fuga. Às 2h00, os imperiais abrem fogo, a frota argentina fica encurralada entre os bancos de areia ao Sul e a frota brasileira ao Norte, com a maré baixa, a frota argentina encalha no banco de areia de Monte Santiago. Em 7 de abril, Brown ordena que o Congresso retorne à Buenos Aires para trazer as canhoneiras. No dia 8 de abril, seis canhoneiras são enviadas para ajudar a esquadra republicana. Ao meio dia, o Independência ou Morte encalha e Brown envia dois botes do República para capturar o navio brasileiro, entretanto o capitão Francisco Clark, joga 12 dos seus 18 canhões no mar, permitindo que o navio desencalhe e impedindo que os argentinos capturassem-no.

Durante a tarde, o capitão do República, William Granville, é atingido por estilhaços no braço obrigando-o a amputar o membro. Enquanto isso, o Independência deu sinais que poderia desencalhar, Norton então envia a fragata Dona Paula que sozinha tinha o mesmo poder de fogo de toda a frota argentina. O Independência troca tiros com o Dona Paula, mas a munição havia se esgotado, mesmo assim os argentinos queriam continuar lutando então usam as correntes da âncora, em seguida o capitão Francis Drummond é atingido na cabeça perdendo uma orelha, e no brigue 29 de agosto o 1º Tenente Rafael de Carvalho é atingido mortalmente por uma bala de canhão que arranca o braço esquerdo e rasga os intestinos, os homens tentam socorrê-lo, mas ele diz Isto não é nada, vão continuando com o fogo e logo em seguida falece no convés. O Pirajá', Caboclo e as escunas Conceição e Maria Theresa sofreram pesados danos nas velas e nos aparelhos.

 
Escuna Sarandí

Com o Independência seriamente danificado, Drummond recebeu ordens para abandonar o navio, mas a sua tripulação se recusou, ele então foi até o República pedir mais munição quando foi atingido por uma bala de canhão no fêmur direito, Brown o transferiu para o Sarandí, mas Drummond faleceu às 22hs, Brown disse mais tarde em suas memórias que as últimas palavras de Drummond foram Diga ao Almirante que cumprir o meu dever e morro com um homem. A República envia dois barcos para resgatar os marinheiros do Independência e logo em seguida afundam o navio vendo que os danos eram irreversíveis. Ao anoitecer, com pouca munição e seriamente ferido, Brown decide abandonar o República e embarcar no Sarandí e em seguida Brown ordenou que retornassem para Buenos Aires. Na capital argentina, a notícia do desastre chegou à meia-noite, o Sarandí chegou em Buenos Aires às 3hs30mins da madrugada. Entre 10 e 11 de abril, chegaram ao porto de Montevidéu, os navios brasileiros danificados, a corveta Liberal tinha perdido o mastro principal e sofria com vários vazamentos no casco, enquanto os brigues Pirajá, Independência ou Morte, Rio da Prata e 29 de agosto e duas escunas, incluindo a Conceição chegaram seriamente danificadas, com vazamentos no casco e também mortos e feridos.

ConsequênciasEditar

A vitória brasileira acabou com as esperanças argentinas de furar o bloqueio, assim como reverteu as derrotas em Juncal e Passo do Rosário, a economia argentina entrou em colapso, os preços dos alimentos dispararam, a frota argentina foi reduzida a algumas escunas usadas apenas para defenderem o porto ou para práticas de corso.

Em 1828, Brasil e Argentina assinam a paz, o Brasil concordou em libertar o Uruguai como um estado-tampão em troca a Argentina garantiria livre navegação aos brasileiros ao Rio da Prata.

A supremacia naval foi determinante, pois sem controlar o naval as Províncias Unidas não tinham meios para ganhar o conflito.

""O exército está completamente desprovido de meios para sitiar a Montevidéu de maneira mais eficaz que pelo bloqueio terrestre, método que a experiência tem demonstrado ser infrutífero, enquanto existir o predomínio dos brasileiros no mar.""

(...) ""Esta guerra é, em sua essência, uma guerra naval e o domínio da Banda Oriental e de Montevidéu ainda assim não significariam nenhuma vantagem para Buenos Aires, enquanto o bloqueio naval puder ser mantido pelo inimigo"". Ponsonby a Canning [4]

O historiador militar britânico Brian Vale assim resumiu a questão:

""[...]a batalha do Juncal fez pouco para empurrar o Império na direção da paz. Agora em Monte Santiago, os dois preciosos brigs de guerra da Argentina foram destruídos e o creme da sua marinha absolutamente derrotados. A superioridade da marinha brasileira foi agora reafirmada de uma maneira que nem a audácia de Brown nem as fragatas adquiridas por Ramsay poderiam seriamente desafiar"".[5]

À época, o embaixador britânico Sir Robert Gordon colocou a situação nos seguintes termos para Lord Ponsonby:

""Os recursos desse Império parecem ser imensos e eu, acreditando que Brown - grande como ele é - não pode com seus schooners aniquilar a Marinha do Brasil, você somente verá o bloqueio aumentado com vigor. Com os mesmos navios e meios que o Imperador tem agora à sua disposição... está dentro do seu poder afundar Brown e sua pequena frota e explodir a cidade de Buenos Aires na água. É possível acreditar que o governo de Buenos Aires tenha o poder para levantar o bloqueio? A mera continuação do bloqueio significará a completa ruína deles.""[5]

Ligações externasEditar

Referências