Igreja Batista

Denominação Cristã
(Redirecionado de Batistas)
Igreja Batista
Orientação Protestante
Origem Europa, há pelo menos 410 anos
Número de membros 50 milhões no mundo (ou 125 milhões, incluídos os dissidentes)
3.723.853 no Brasil (censo de 2010)
Número de igrejas Mais de 455 mil no mundo
Mais de 20 mil no Brasil
Escritura(s) Bíblia Sagrada

As Igrejas Batistas são diversas denominações cristãs, com forma de governo congregacional, cuja doutrina básica se dá na salvação mediante a fé somente, tendo como regra de fé e prática a Bíblia Sagrada,[1] e por princípio a separação entre Igreja e Estado[2]. Está distribuída em todo o mundo, e não possui hierarquia, tampouco governo único, visto que é princípio da maior parte das Igrejas Batistas o governo local da Igreja[3]. Os batistas entendem haver duas ordenanças de Jesus Cristo: a Ceia do Senhor e o Batismo, sendo que este último só é realizado mediante a imersão do indivíduo na água, já em idade suficiente para ter consciência do ato e desejá-lo por iniciativa própria.[4][5][6]

A Igreja Batista é uma denominação histórica, cujas origens remontam à Inglaterra no início do século XVII. Tornou-se, com o tempo, uma das mais importantes denominações protestantes, com muitas igrejas na própria Inglaterra e também nos Estados Unidos, de onde missionários foram enviados a todas as partes do planeta. No Brasil, os primeiros missionários chegaram cerca de 150 anos atrás, tendo fundado, desde então, igrejas de Norte a Sul no país.

A maioria das igrejas batistas escolhem associar-se em grupos de apoio mútuo e cooperação, denominados associações ou convenções, mantendo, porém, a autonomia de cada igreja local. Ou seja, não há hierarquia ou subordinação entre pastores de uma igreja e outra. Tais grupos podem ter abrangência local, regional ou até nacional. No Brasil, as principais convenções são a Convenção Batista Brasileira(Tradicional) [7]a Convenção Batista Nacional (Carismática)[8]. Ambas fazem parte da Aliança Batista Mundial, e Também a CIBI (Convenção das Igrejas Batista Independentes) organização que reúne, livremente, centenas de convenções e associações que conservam os princípios Batistas.

NomeEditar

O termo "batista" vem da palavra grega baptistés, ("batista", a mesma que descrevia João, o batista), estando relacionada ao verbo baptízo, ("batizar, lavar, imergir, mergulhar algo"), e à palavra latina baptista, que significa também "o batizador", como em "João, o batista". Como prenome, é usado na Europa nas variantes Baptiste, Jan-Baptiste, Jean-Baptiste, John Baptist e Johannes Baptiste. Também é usado como um sobrenome, cujas variações geralmente usadas são Baptiste, Baptista, Battiste e Battista. Há registros de que os anabaptistas na Inglaterra foram chamados batistas já em 1569.[9]

 
Rio Jordão, o rio onde João Batista batizava aqueles que haviam se arrependido de seus pecados e que aguardavam o Reino de Deus.

Tanto os católicos romanos quanto os ortodoxos, há muitos séculos, realizam via de regra o batismo infantil (pedobatismo) por aspersão ou efusão; ou seja, os adeptos dessas igrejas costumam ser batizados quando ainda são bebês, derramando-se ou borrifando-se sobre eles um pouco de água. Naturalmente, tal prática continuou a ser realizada em todas as igrejas que se tornaram protestantes durante a Reforma. Os batistas são assim chamados porque foram a primeira denominação protestante significativa a adotar, como regra, o batismo adulto (credobatismo) por imersão.

Em outras palavras, entre os batistas, só se batizam aqueles que já chegaram à idade da razão, sendo necessário crer no Evangelho e decidir, por conta própria, receber o batismo, após compreender o que este ato significa. Crianças e adolescentes, portanto, também podem ser batizados; mas bebês, não (embora o batismo seja visto como um ato cerimonial, e não como condição para salvação.)

Por causa dessa compreensão da necessidade de fé pessoal para o batismo, e em conformidade com os exemplos bíblicos, o indivíduo é literalmente mergulhado na água, como era o costume na Igreja Primitiva, daí se chamar batismo por imersão. Dessa forma, pretende-se simbolizar, com o mergulho, a morte do velho homem carnal e pecador, e o surgimento do novo homem, já com uma nova natureza, espiritual, semelhante a Cristo.

DoutrinaEditar

 
Batismo por Imersão, que simboliza a doutrina bíblica da regeneração: o "velho homem" morre, e surge o novo homem purificado pelas águas.

Embora não haja uma rígida unidade organizacional ou doutrinária entre os batistas, alguns pontos de crença são comuns a todos eles:

HistóriaEditar

Teorias de SurgimentoEditar

A história academicamente aceita sobre a origem das Igrejas Batistas é o surgimento como um grupo de dissidentes ingleses no século XVII. Essa igreja nasceu quando um grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em 1608, liderados por John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrinas batistas.[10]

Outros acreditam que os batistas se originaram dos anabatistas, que ganharam notoriedade durante a Reforma Protestante, mas que já existiam anteriormente, e que praticamente desapareceram depois, dando origem aos menonitas, aos amish e à Igreja Livre da Alemanha.

Há ainda aqueles que acreditam que as Igrejas Batistas surgiram na Europa através de vários grupos que pensavam da mesma forma. Não teria, portanto, data oficial de criação, pois teria surgido aos poucos em vários lugares diferentes da Europa. Nunca teria havido, oficialmente, uma igreja fundadora, nem um fundadoɾː a expressão apareceu em vários tempos e lugares diferentes.

Teoria TradicionalEditar

 
Thomas Helwys, (1550-1616), co-fundador da Denominação Batista, advogado e estudioso da Bíblia, morreu defendendo a liberdade religiosa e de consciência. Em seu livreto, Uma Breve Declaração Sobre o Mistério da Iniquidade, escreveu: "A religião do homem está entre Deus e ele: o rei não tem que responder por ela e nem pode o rei ser juiz entre Deus e o homem. Que haja, pois, heréticos, turcos ou judeus, ou outros mais, não cabe ao poder terreno puni-los de maneira nenhuma."[11]

A denominação historicamente é ligada aos dissidentes ingleses ou movimentos de anticonformismo do século XVI. Um importante movimento batista surgiu em uma colônia inglesa na Holanda, num tempo de reforma religiosa intensa.[12]

 
John Smyth (1570-1612), clérigo anglicano, co-fundador da Denominação Batista.

John Smyth discordava da política e de alguns pontos da doutrina da Igreja Anglicana da qual ele era pastor; após uma aproximação com os menonitas, e examinando a Bíblia, creu na necessidade de batizar-se com consciência, e em seguida batizou os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim uma igreja batista organizada.[13] Até então, o batismo não era por imersão, só por volta de 1642 que os batistas particulares adotariam oficialmente essa prática, tornando-se comum depois a todos os batistas. A primeira confissão dos particulares, a Confissão de Londres de 1644, também foi a primeira a defender o imersionismo no batismo.

Depois da morte de John Smyth e da decisão de Thomas Helwys e seus seguidores de regressarem para a Inglaterra, a igreja organizada na Holanda se desfez, e parte de seus membros uniram-se aos menonitas. Thomas Helwys organizou a Igreja Batista em Spitalfields, nos arredores de Londres, em 1612.[14]

Naqueles tempos, havia perseguição aos batistas e a outros dissidentes ingleses, por não concordarem com certas práticas e doutrinas da igreja oficial, a anglicana. Vale notar que dentre esses "dissidentes" destaca-se John Bunyan, um batista, que escreveu sua obra-prima O Peregrino enquanto estava preso injustamente. Devido a essa perseguição, muitas pessoas emigraram para a América, especificamente para as colônias da Nova Inglaterra (que viriam a formar os Estados Unidos).

Em solo americano, a primeira igreja batista nasceu através de Roger Williams, que organizou a Primeira Igreja Batista de Providence em 1639, na colônia que ele fundou com o nome de Rhode Island, e John Clark, que organizou a Igreja Batista de Newport, também em Rhode Island, em 1648. Os Batistas se espalharam pelas diversas colônias da América do Norte e foram influentes na formação da Constituição Americana, de 1788[15]. Atualmente, a Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos conta com quase 16 milhões de membros, sendo a maior comunidade evangélica daquele país e a maior convenção batista do mundo.

Teoria AnabaptistaEditar

 
Michael Sattler (1495-1527), notório pregador anabatista.

A teoria anabatista afirma que os batistas descendem dos anabatistas, que pregaram sua mensagem durante a Reforma Protestante e no período anterior a ela.

O evento mais citado para apoiar essa teoria foi o contato que John Smyth e Thomas Helwys tiveram com os menonitas na Holanda. Todavia, além de em 1624 as cinco igrejas batistas existentes em Londres terem publicado um anátema contra as doutrinas anabatistas,[16] também os anabatistas modernos rejeitam ser denominados batistas, e há pouca relação entre os dois grupos.

 
Menno Simons, pregador anabatista que deu origem aos menonitas, um ramo dos anabatistas.

Entre os anabatistas e os batistas há algumas similaridades:

  • Crença no Batismo adulto e voluntário;
  • Visão do Batismo e da Ceia do Senhor como ordenanças;
  • Separação da Igreja e Estado.
  • Enfatizam a experiência da regeneração ("nascer de novo")
  • Doutrina da soteriologia.

Existem, contudo, algumas diferenças entre os batistas e os anabatistas modernos (por exemplo os menonitas)[17]:

  • Os anabatistas normalmente praticam o batismo adulto por aspersão, e não por imersão como os batistas;
  • Os anabatistas são pacifistas extremos e se recusam a jurar;
  • Os anabatistas creem em uma doutrina semi-nestoriana sobre a Natureza de Cristo, o qual não teria recebido nenhuma parte humana de Maria;
  • Os anabatistas enfatizam a vida comunal, enquanto os batistas, a liberdade individual;
  • Os anabatistas recusam a participar do Estado, enquanto os batistas podem ser funcionários públicos, prestar serviço militar, possuir cargos políticos;
  • Os anabatistas creem em um estado de "sono da alma" entre a morte e a ressurreição.

Expansão mundialEditar

 
Metropolitan Tabernacle, em Londres, Inglaterra.
 
Nairobi Baptist Church em Nairobi, Kenya.

Em 1791, um jovem pastor inglês chamado William Carey criou a Sociedade de Missões no Estrangeiro, para dar suporte no envio de missionários, sendo a Índia o primeiro campo missionário. Ele colaborou diretamente para a erradicação da prática do sati (pela qual a viúva era queimada viva na pira funerária do seu marido falecido); junto com outros dois missionários, traduziu a Bíblia para nada menos que 44 idiomas indianos, o equivalente a 1/3 da população do Planeta.[18]

As organizações missionárias promoveram o desenvolvimento do movimento em outros continentes. Na Inglaterra, houve a fundação da Sociedade Missionária Batista em 1792 em Kettering, Inglaterra. [19][20]

As Igrejas Congregacionais americanas enviaram Adoniram e Ana Judson em 1812, para evangelizar a Índia, com destino a Calcutá. O casal encontrou-se com o missionário batista William Carey e seu grupo de pastores, e aceitou a doutrina de imersão dos batistas e foram batizados pelo Pastor William Ward. Outro missionário congregacional também enviado à Índia, Luther Rice, tornou-se batista. Os Judsons permaneceram na Birmânia, atual Myanmar, e Luther Rice voltou aos Estados Unidos para mobilizar os batistas para a obra missionária.

Consequentemente, em maio de 1814, foi fundada uma Convenção em Filadélfia com o nome de "Convenção Geral da Denominação Batista nos Estados Unidos para Missões no Estrangeiro" e do Conselho Internacional de Missões em 1845. [21] [22] . Desde então missionários batistas foram enviados à América Latina, África, Ásia e Europa.

Igrejas Batistas no BrasilEditar

Acredita-se que o primeiro missionário batista no Brasil tenha sido Thomas Jefferson Bowen. Ele era missionário americano na Nigéria, África, trabalhando entre os nativos da tribo iorubá[23]. Depois de algum tempo na África, retornou aos EUA, e foi enviado, em 1860, para o Brasil, uma vez que muitos escravos que falavam o dialeto iorubá (língua corrente entre os negros traficados) e podiam ser alcançados, isto é, aderirem ao Evangelho.

Oito meses depois, devido a problemas de saúde e porque as autoridades o impediram de pregar o evangelho, visto que sua mensagem se distanciava dos ensinos católicos (até então a religião oficial do país), Bowen precisou retornar ao seu país, desta vez em definitivo.

 
Imigrantes dos Estados Unidos fundaram a primeira igreja batista do Brasil. Na foto, a Capela do Campo, no Cemitério do Campo, em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo.

Posteriormente, por força da Guerra Civil Americana de 1865, confederados do Sul dos Estados Unidos começam a buscar outras terras de potencial agrícola. O Brasil foi um dos países escolhidos. Logo, em 1867, grupos de estadunidenses que somaram mais de 50.000 pessoas desembarcam nos portos brasileiros em busca de refúgio e terra fértil, vasta e barata. Avançando para o continente, escolhem a cidade de Santa Bárbara d'Oeste para adquirirem terras e fixarem residência. Entre os emigrados, a maioria professava o protestantismo, muitos eram batistas. Já em 1870, fizeram publicar um "Manifesto para Evangelização do Brasil." Tal manifesto, assim que publicado contou com assinaturas de Presbiterianos, Metodistas, Congregacionais e, por um batista, o jovem Pastor Richard Ratcliff, um dos emigrados, cuja família havia convertido através de Thomas Jefferson Bowen nos Estados Unidos. Em 1871, Batistas emigrados dos Estados Unidos organizam a Primeira Igreja Batista no Brasil Para Estrangeiros em Santa Bárbara d'Oeste. Anos mais tarde, em 1879, outro grupo de emigrados faz surgir a segunda Igreja Batista em solo brasileiro, em Santa Bárbara d'Oeste, no bairro da Estação, onde, atualmente, se localiza a cidade de Americana.

Os Batistas de então, em Santa Bárbara d'Oeste, se unem para solicitar, à Junta de Richmond, dos Estados Unidos, o envio de missionários ao Brasil. O trabalho de evangelização foi intenso e os brasileiros tornaram-se menos preconceituosos quanto à nova doutrina. Em 1881, chegam William Buck Bagby e Ana Luther Bagby; Zacarias Taylor e Katarin Taylor. Os primeiros missionários são recebidos em Santa Bárbara d'Oeste e logo filiam-se à Igreja Batista existente e começam a estudar a língua portuguesa, tendo Antonio Teixeira de Albuquerque como professor.Pouco tardou para que os dois casais de missionários, unindo-se a Antonio Teixeira de Albuquerque rumassem para o Estado da Bahia, onde em 15 de outubro de 1882, organizaram a primeira congregação formada por brasileiros e a chamou de Primeira Igreja Batista do Brasil Para Brasileiros em Salvador (seria, oficialmente, a primeira igreja Batista do Brasil, embora já houvesse duas outras Igrejas Batistas, organizadas por imigrantes norte-americanos, residentes na região de Santa Bárbara do D'Oeste e Americana, em São Paulo.[15]). Em um ano, aquela igreja já contava setenta membros. Salvador também possuía uma comunidade de estadunidenses que fugiram da Guerra de Secessão.

Enquanto isto, no Recife, o missionário batista William Buck Bagby participa da conversão do sacerdote católico Antônio Teixeira de Albuquerque. Por causa de perseguição, Teixeira de Albuquerque tentou refugiar-se em Maceió, sua terra natal, mas acabou mais tarde escolhendo Capivari, no Estado de São Paulo. Vindo a conhecer os batistas em Santa Bárbara d'Oeste, batiza-se, é ordenado pastor e ajuda a comandar a evangelização que se iniciava entre brasileiros, franceses, ingleses e estadunidenses. O Pastor Antonio Teixeira de Albuquerque, casado, rumou a Maceió, onde organiza a Primeira Igreja Batista e prega para seus pais. A vida de Teixeira de Albuquerque foi curta, vindo a falecer aos 46 anos de idade. De Salvador, os missionários seguiram para outras capitais, plantando igrejas. De volta a São Paulo, com outros missionários recém-chegados foram organizando outras novas igrejas a partir de 1899 em São Paulo, Jundiaí, Santos, Jacareí, Campinas, São José dos Campos, entre outras cidades. Já em 1904, eram sete Igrejas Batistas no Estado de São Paulo. Essas, reunindo-se em Jundiaí, organizaram, em 1904, a Convenção Batista do Estado de São Paulo, então chamada de União Baptista Paulistana. Entretanto, vale destacar que o missionário Salomão Luiz Ginsburg havia sido o primeiro a sugerir, ainda em 1894, a organização de uma convenção de âmbito nacional dos batistas brasileiros, ideal este que viria a se concretizar em 1907.[15]

Antes da Proclamação da República em 1889, a religião oficial do Brasil era a Católica Romana, conforme estabelecido na Constituição Imperial de 1824, e havia limitações à liberdade de culto, embora o culto em si e a divulgação (pregação) fossem permitidos. Cumpre destacar, nesse contexto, que o imperador D. Pedro II tinha o casal missionário Kalley em alta estima, e nunca se opôs ao surgimento do protestantismo no país; muito pelo contrário, era um leitor ávido da Bíblia Sagrada, e até mesmo ouvia os missionários pessoalmente, tendo-se encantado pelas Sagradas Escrituras. Há registros, inclusive, de que quando um colportor (vendedor de Bíblias) protestante foi preso, em razão da atividade que exercia, por um delegado no Sergipe, o imperador prontamente mandou soltá-lo, apontando que não havia justificativa nenhuma para a prisão, visto que as leis do Império não proibiam aquela atividade.

Não obstante, havia entre a população forte intolerância contra os protestantes; o missionário batista Salomão Luiz Ginsburg, por exemplo, chegou a correr perigo de morte, por causa de uma multidão que veio com enxadas e paus na direção dele, acreditando que ele era um dos anticristos dos últimos dias, conforme o padre local havia dito[24]. Todavia, em 1891 a liberdade religiosa estaria consagrada na nova Constituição (ainda que, por ora, apenas no papel), porém ainda passariam muitas décadas até que os batistas e outros grupos evangélicos fossem mais bem aceitos pela sociedade.

 
Primeira Igreja Batista de João Pessoa, na Paraíba, Brasil. Fundada em 1914 (embora a inauguração do templo viesse a ocorrer só em 1957).[25]

Nos primeiros vinte e cinco anos de trabalho (desde 1882), Bagby e Taylor, auxiliados por outros missionários, e por um número crescente de brasileiros, evangelistas e pastores, já tinham organizado 83 Igrejas, com aproximadamente 4.200 membros. A. B. Deter, Zacarias Taylor e Salomão Ginsburg concordaram, então, em dar prosseguimento ao plano de criar uma convenção de âmbito nacional. Em seguida, eles conseguiram a adesão de outros missionários e de líderes brasileiros, inclusive Francisco Fulgêncio Soren. Em 1907, em Salvador, com a presença e apoio de 43 delegados, mensageiros e representantes de 39 igrejas e organizações, é realizada, em sessão solene, a primeira Assembleia da Convenção Batista Brasileira.[15]

A motivação básica da criação da Convenção foram missões, e falava-se então na evangelização de Portugal, Chile e África. Foram criadas duas Juntas Missionárias: a de Missões Nacionais e a de Missões Estrangeiras (hoje Missões Mundiais). Além dessas, foram criadas várias outras Juntas; ao todo, sete. As áreas de Missões, Educação Religiosa e Publicações, Educação Teológica e Educação (em geral), foram as que receberam maior atenção dos convencionais.[15]

Com o passar das décadas, as igrejas cresceram e se multiplicaram, sendo que o evangelismo era realizado ativamente pelos membros das igrejas e pelos pastores e missionários, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Centenas de missionários foram enviados por igrejas e juntas norte-americanas até as regiões mais remotas do Brasil, e posteriormente vieram vários professores e educadores para aprofundar e consolidar o ensino teológico nos seminários, muitos dos quais foram construídos graças à contribuição e financiamento dos crentes americanos.

Educação Geral e Religiosa Batista no BrasilEditar

A educação pode ser considerada uma marca visível do povo batista. Sua paixão pelo estudo da Bíblia desenvolveu o interesse pela educação religiosa, cultivada nas Igrejas através das organizações de treinamento e da Escola Bíblica Dominical. Em razão disso, os templos batistas foram se tornando verdadeiros complexos educacionais, contando inclusive com o estabelecimento de bibliotecas.[15]

Junto com a Educação Religiosa veio a Educação Teológica. Inicialmente através de aulas dadas pelos missionários em suas casas, depois surgiram os Seminários: Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, organizado em Recife (PE), por Salomão Ginsburg, em 1º de abril de 1902, e o Seminário Teológico Batista do Sul, fundado pelo missionário John Watson Shepard, na cidade do Rio de Janeiro em 1908. A estes dois Seminários, foram agregados dezenas de outros espalhados por todo o país, com milhares de alunos.[15]

A Educação chamada de Geral ou Secular teve a mesma origem: o desejo de abrir oportunidades para o estudo da juventude e de criar escolas com capacidade para exercer influência sobre a sociedade brasileira. O Colégio Taylor Egídio, fundado em Salvador pela senhora Laura Taylor e pelo Capitão Egídio Pereira de Almeida, foi o primeiro a vingar. Em 1922 ele foi transferido para a cidade de Jaguaquara, onde existe até hoje.[15]

Depois dele, e por causa dele, vieram o Colégio Batista Brasileiro de São Paulo; Colégio Americano Batista do Recife; Instituto Batista Industrial em Corrente (PI); Colégio Americano, em Vitória; Colégio Batista Shepard no Rio de Janeiro; Colégio Batista Alagoano em Alagoas; Colégio Batista Fluminense em Campos dos Goytacazes (RJ); Colégio Batista Mineiro, em Belo Horizonte. Além destes colégios, dezenas de outros foram organizados com a ajuda dos missionários ou por iniciativa de igrejas, convenções estaduais e de particulares batistas. A contribuição dos batistas na área educacional é realmente notável, considerando tanto a qualidade quanto a quantidade. Hoje, cerca de dois milhões de brasileiros já passaram pelas escolas batistas.[15]

Batistas em PortugalEditar

Em Portugal os Baptistas estão presentes desde o século XIX, quando missionários e expatriados britânicos fundaram a igreja no país. Em 1888, o missionário inglês Joseph Charles Jones (1848-1928) organiza uma comunidade baptista de comunhão aberta no Porto.[26] Em 1920, já havia congregações baptistas o bastante para fundar a Convenção Baptista Portuguesa.[27]

Estão agrupados na Associação das Igrejas Baptistas Portuguesas (19 igrejas); Convenção Baptista Portuguesa (90 igrejas, pouco mais de 4 mil membros, filiada à WBA); (Campo Missionário das Igrejas Baptistas de Carreiros, Rio Tinto Gondomar, Trofa (Valderigo), Santo Tirso (Cavadas) e Sequeirô (Rosal, Santo Tirso), constituída por 4 Igrejas e 10 Missões e Núcleos e um Templo em Água Longa Agrela.); Associação das Igrejas Baptistas para o Evangelismo Mundial (AIBEM) (10 igrejas); Igrejas Baptistas Independentes (grupo pentecostal-batista de origem sueco-brasileira, 7 igrejas) e outras congregações e igrejas.

OrganizaçãoEditar

 
Igreja Batista em Benim, na África.

No que concerne à organização interna de cada igreja local, esta é também bastante democrática. Todas as decisões importantes precisam ser aprovadas, em votação, pelos membros da igreja; assim, a assembleia dos membros tem autoridade para tratar de questões surgidas no seu dia a dia e para tomar decisões relacionadas ao desenvolvimento de seus trabalhos, inclusive para escolher um novo pastor ou eleger os diáconos.

Em termos de organização, a maior parte das igrejas batistas operam no sistema de governo congregacional, isto é, cada igreja batista local possui autonomia administrativa, regida sob o regime de assembleias de caráter democrático. A grande maioria das igrejas batistas são associadas a "convenções", que são, na verdade, associações de igrejas batistas que procuram auxiliar umas às outras em diversos aspectos, como jurídico, financeiro e formacional (criação de novas igrejas). Essas associações não possuem qualquer poder interventor nas igrejas, pois uma das características da maioria dos batistas é a autonomia de cada igreja local.

 
Igreja Batista na Suécia.

Os batistas tradicionalmente evitaram o sistema hierárquico episcopalista como é encontrado na Igreja Católica Romana ou Igreja Anglicana, entre outras, como entre os metodistas. Todavia, existem exceções, tais como a Igreja Episcopal Batista (de governo, obviamente, episcopal), presente em vários países da África, ou a Igreja Batista Reformada, de governo presbiterial, e ainda, em algumas igrejas independentes, formas de episcopalismo, de orientação pentecostal.

 
Igreja batista no Haiti, América Central.

A maior parte das igrejas batistas e suas associações encontra-se filiada à WBA - Aliança Batista Mundial, que foi fundada em 1905 em Londres, durante o primeiro congresso batista mundial. [28] Em 2016, a organização diz que tem 168.885 igrejas e quase 48 milhões de crentes. [29] Então estima-se que o número de batistas no mundo esteja em cerca de 125 milhões de membros, dos quais cerca de 48 milhões são simplesmente batistas, 49 milhões são batistas pentecostais/carismáticos, e 26 milhões são batistas independentes, sendo que 16 milhões são ligados à tradicional e conservadora Convenção Batista do Sul dos EUA (SBC), que se desligaram da WBA.[30][31]

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

BibliografiaEditar

  • Leonard, Bill J. Baptist Ways: A History (2003)
  • John H. Y. Briggs (ed.): A Dictionary of European Baptist Life and Thought. Paternoster, Milton Keynes u.a. 2009 (564 p.), ISBN 978-1-84227-535-1.
  • H. Leon McBeth: A Sourcebook for Baptist Heritage. Broadman Press, Nashville (Tennessee) 1990.
  • Ernest A. Payne: The Fellowship of Believers – Baptist Thought and Practice Yesterday and Today. London 1944.
  • Ian M. Randall: Communities of Conviction. Baptist Beginnings in Europe. Neufeld Verlag, Schwarzenfeld 2009, ISBN 978-3-937896-78-6.
  • Albert Wardin: Baptists Around the World – A Comprehensive Handbook. Nashville, USA, 1995.
  • Charles Willams: The Principles and Practices of the Baptists – A Book for Inquirers. London 1880.
  • Roger E. Olson: The Story of Christian Theology - Downers Grove, Illinois, EUA 1999

Notas

Referências

  1. Frank S. MEAD e Samuel HILL. Handbook of Denominations 9th Edition. [S.l.: s.n.] p. 36 
  2. a b Macri, Sylvio. «A Separação entre Igreja e Estado, um Princípio Distintivo dos Batistas». Prazer da Palavra. Consultado em 31 de julho de 2018 
  3. Igreja Batista da Redenção. «Os Tipos de Governo da Igreja». Consultado em 20 de dezembro de 2016 
  4. «Princípios Batistas». Convenção Batista Brasileira. Consultado em 26 de junho de 2018 
  5. «Manual Básico Batista Nacional: Princípios Batistas» (PDF). Convenção Batista Nacional. Consultado em 26 de junho de 2018 
  6. «Princípios Batistas». Convenção Baptista de Angola  Parâmetro desconhecido |Sítio de Origem= ignorado (ajuda)
  7. «Convenção Batista Brasileira» 
  8. «Convenção Batista Nacional» 
  9. Origem do nome Batista
  10. Lee, Jason (2003). The Theology of John Smyth: Puritan, Separatist, Baptist, Mennonite. Macon, GA: Mercer University Press. p. 41.
  11. «Quem somos como Batistas». Convenção Batista Brasileira 
  12. Romaryw Borges. «Sobre a doutrina e a origem da Igreja Batista». Consultado em 20 de dezembro de 2016 
  13. Lee, Jason (2003). The Theology of John Smyth: Puritan, Separatist, Baptist, Mennonite. Macon, GA: Mercer University Press. p. 41.
  14. Joe Early Jr., ed., The Life and Writings of Thomas Helwys. Macon, GA: Mercer University. Press, 2009.
  15. a b c d e f g h i «A Origem da Convenção Batista Brasileira» 
  16. Melton, J.G. (1994). «Baptists». Encyclopedia of American Religions. [S.l.: s.n.] 
  17. Friedmann, Robert. The Theology of Anabaptism. Scottdale, PA: Herald Press, 1973.
  18. «William Carey» 
  19. Robert E. Johnson, A Global Introduction to Baptist Churches, Cambridge University Press, UK, 2010, p. 99
  20. J. Gordon Melton and Martin Baumann, Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices, ABC-CLIO, USA, 2010, p. 292
  21. George Thomas Kurian, Mark A. Lamport, Encyclopedia of Christianity in the United States, Volume 5, Rowman & Littlefield, USA, 2016, p. 63
  22. George Thomas Kurian, Mark A. Lamport, Encyclopedia of Christianity in the United States, Volume 5, Rowman & Littlefield, USA, 2016, p. 1206
  23. Parham, Robert. «Nigerian Scholar Corrects Idea That Missionaries and Colonialists Had Shared Agenda». Ethics Daily. Consultado em 31 de julho de 2018 
  24. Ginsburg, Salomão Luiz. Um Judeu Errante no Brasil. [S.l.: s.n.] p. 82 
  25. «Institucional: O Templo Central». Primeira Igreja Batista de João Pessoa 
  26. Felizardo, Herlânder. História dos Baptistas em Portugal Cebapes: Lisboa, 1995.
  27. «Quem Somos - Convenção Baptista Portuguesa» 
  28. J. Gordon Melton and Martin Baumann, Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices, ABC-CLIO, USA, 2010, p. 297
  29. Baptist World Alliance, Statistics, bwanet.org, USA, acessado 12 de dezembro de 2017
  30. Belo de Azevedo, Israel. «Quantos batistas há no mundo?». Prazer da Palavra. Consultado em 30 de julho de 2018 
  31. Barret, David (2001). «Estatísticas Globais de Todas as Religiões» (em inglês). World Christian Encyclopedia. Consultado em 30 de julho de 2018