Beatriz de Falkemburgo

Beatriz de Falkemburgo ou Beatriz de Valkenburg (em neerlandês: Beatrix; c. 125417 de outubro de 1277)[1][2] foi uma nobre neerlandesa. Ela foi rainha da Germânia e condessa da Cornualha como a terceira esposa de Ricardo, 1.º Conde da Cornualha.

Beatriz
Rainha da Germânia
Condessa da Cornualha
Beatriz de Falkemburgo
O retrato do vitral de Beatriz é a única representação sobrevivente dela, e hoje faz parte da Burrell Collection, em Glasgow
Rainha dos Romanos
Reinado 16 de junho de 12692 de abril de 1272
Antecessor(a) Sancha da Provença
 
Nascimento c. 1253 ou 1254
Morte 17 de outubro de 1277 (23 anos) ou 17 de outubro de 1277 (24 anos)
  Oxford, Reino da Inglaterra
Sepultado em Greyfriars, Oxford, Reino da Inglaterra
Cônjuge Ricardo, 1.º Conde da Cornualha
Casa Cleves (parte da Casa de Valkenburg-Heinsberg) (por nascimento)
Plantageneta (por casamento)
Pai Teodorico II de Falkemburgo
Mãe Berta de Limburgo

Família

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Beatriz foi a filha de Teodorico II, senhor de Falkemburgo, atualmente um município na província de Limburgo nos Países Baixos, e de Berta de Limburgo. O primeiro marido de sua mãe foi Teodorico, Conde de Hochstaden, porém, ela não teve filhos dessa união.

Os seus avós paternos foram Teodorico I de Falkemburgo e Beatriz de Kyrberg-Daun, viúva de Filipe de Bolanden. Os seus avós maternos foram Walram de Limburgo, senhor de Montjoie e Isabel de Bar, senhora de Poilvache.

Os seus irmãos foram: Isabel, esposa do conde Engelberto I de Mark; Adelaide, abadessa de Münsterbilsen; Beatriz, esposa de Guilherme de Hartert; uma irmã de nome desconhecido, casada com Arnoldo III de Stein e por fim, Walram II de Falkemburgo, marido de Filipa de Gelre.

Após a morte da esposa em 1254, Teodorico II se casou com Adelaide de Looz, mas não teve mais filhos.

Biografia

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Beatriz pertencia à nobreza de Mosa-Renânia. O seu pai apoiava a reivindicação do futuro marido da filha, Ricardo, à coroa alemã após sua coroação em Aachen. O seu tio paterno, Engelberto II Falkemburgo, arcebispo de Colônia, não era um apoiador e nem tinha interesse em Ricardo, no entanto, quando o arcebispo foi preso durante a crise, e a candidatura de Ricardo foi oposta pelo rei Afonso X de Castela, eleito por Saxônia, Brandemburgo e Trier, Ricardo libertou-o. Em outubro de 1268, o rei e Engelberto invadiram o eleitorado da Colônia, mas acabaram por ser completamente derrotados; o pai de Beatriz foi morto, e o seu tio continuou aprisionado.[3]

Durante o conflito, Ricardo, que à época tinha 59 anos de idade, se apaixonou por Beatriz, de apenas 15 anos, que era conhecida por sua beleza.[3][4] Preocupado com a segurança da jovem, o rei a levou até o seu meio-tio paterno, Filipe de Boladen-Hohenfels, e logo deu início às negociações de casamento. Ele já tinha sido casado primeiro com Isabel Marshal, filha do poderoso cavaleiro Guilherme Marshal, 1.º Conde de Pembroke, e depois foi marido de Sancha da Provença, irmã da rainha Leonor da Provença, consorte do irmão de Ricardo, o rei Henrique III de Inglaterra, e teve filhos com ambas. Ricardo era filho do rei João de Inglaterra e de sua segunda esposa, Isabel de Angolema.

Em 16 de junho de 1269, Beatriz e Ricardo se casaram na Igreja Colegiada de Kaiserslautern,[1] na Alemanha, e assim Beatriz se tornou rainha da Germânia, formalmente rainha dos Romanos. Como o seu pai estava morto e o seu tio estava preso, casar-se com Betriz não era de interesse político do rei. Portanto, Ricardo se casou com ela pois estava atraído pela jovem, e não conseguia ficar longe de Beatriz nem mesmo por uma noite.[3] Mesmo assim, o cronista Thomas Wykes, enfatizou o significado político do casamento: Beatriz era alemã, e por isso seria capaz de aproximar o rei inglês da Germânia dos seus súditos e reino.[5] Antes do casamento dos dois, porém, ocorreram casamentos entre membros da família real inglesa com a nobreza alemã: Matilde, filho do rei Henrique I, foi imperatriz como esposa de Henrique V do Sacro Império Romano-Germânico; Matilde, Duquesa da Saxônia, filha de Henrique II, foi esposa de Henrique, o Leão, e Isabel, cunhada de Beatriz, foi imperatriz como esposa de Frederico II do Sacro Império Romano-Germânico. Além desses exemplo, também houve a união no século XV entre Branca de Inglaterra, filha de Henrique IV, com o eleitor Luís III do Palatinado.

Já que não houve convite para a coroação do casal como imperador e imperatriz em Roma, Ricardo anunciou que desejava mostrar à esposa suas terras vastas na Inglaterra, e assim, eles partiram da Alemanha. Eles chegaram em Dover em 3 de agosto de 1269, mas nunca mais voltaram para o outro país.[3] Eles não tiveram filhos.

Beatriz ficou viúva em 2 de abril de 1272, quando o marido morreu aos 63 anos. O rei foi enterrado ao lado da segunda esposa, Sancha, porém, é possível que Beatriz tenha organizado o sepultamento de seu coração na Igreja Franciscana dos Greyfriars, em Oxford.

Apesar de ainda ter entre 18 e 19 anos, ela não se casou novamente. A rainha viúva levou uma vida muito discreta, quase não aparecendo mais nos registros históricos. O seu cunhado, Henrique III, lhe enviou presentes em 1272, assim com o seu sobrinho, Eduardo I, em 1276. Beatriz entrou em conflito com o seu enteado, Edmundo, 2.° Conde da Cornualha, devido à parte do dote da mãe dele, Sancha, porém, o assunto foi resolvido em fevereiro de 1276.[6]

Um retrato de Beatriz num vitral, o retrato doado mais antigo, intacto e ainda existente, foi feito por freis de Norwich, e hoje faz parte da coleção do museu Burrel Collection, em Glasgow, na Escócia. [7]Acreditava-se que era originário da Igreja Franciscana em Oxford, o que seria uma indicação de que ela era uma benfeitora significativa da Ordem religiosa. Esse é o único indício de que Beatriz doou para a igreja.

Ela morreu em 17 de outubro de 1277, com cerca de 23 ou 24 anos, e foi sepultada no Greyfriars, em Oxford, como rainha da Germânia.[6] [8]

Ancestrais

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Referências

  1. a b «LIMBURG, HEINSBERG, VALKENBURG». fmg.ac 
  2. «Beatrix (Falkenburg) Countess of Cornwall (abt. 1253 - 1277)». wikitree.com 
  3. a b c d Huffman, Joseph P (2000). The Social Politics of Medieval Diplomacy: Anglo-German Relations (1066–1307). [S.l.]: University of Michigan Press 
  4. Pretswich, Michael (1988). Edward I. [S.l.]: University of California Press 
  5. Weiler, Björn K. U. Henry III of England and the Staufen Empire: 1216 – 1272. [S.l.]: Boydell & Brewer 
  6. a b Westerhof, Danielle (2008). Death and the Noble Body in Medieval England. [S.l.]: Boydell & Brewer 
  7. Coss; Keen, Peter R; Maurice Hugh (2003). Heraldry, Pageantry and Social Display in Medieval England. [S.l.]: Boydell Press 
  8. «Beatrix de (Falkenburg)». findagrave.com