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Benny Gantz

militar e político israelense
Benny Gantz
Gantz em 2019.
Líder da oposição de Israel
Período 21 de fevereiro de 2019
até a atualidade
Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
Antecessor Shelly Yachimovich
Líder da Azul e Branco
Período 21 de fevereiro de 2019
até a atualidade
Membro do Knesset
Período 30 de abril de 2019
até a atualidade
20º Chefe do Estado-Maior Geral das Forças de Defesa de Israel
Período 14 de fevereiro de 2011
até 16 de fevereiro de 2015
Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
Antecessor Gabi Ashkenazi
Sucessor Gadi Eizenkot
Dados pessoais
Nome completo Benjamin Gantz
Nascimento 9 de junho de 1959 (60 anos)
Kfar Ahim, Israel
Alma mater Universidade de Tel Aviv
Universidade de Haifa
Universidade de Defesa Nacional
Esposa Revital
Filhos 4
Partido Resiliência (partido)
Azul e Branco (coligação)
Serviço militar
Lealdade Israel
Serviço/ramo Forças de Defesa de Israel
Anos de serviço 1977-2015
Graduação IDF rav aluf rotated.svg Aluf (Tenente-general; patente mais alta)
Unidade Brigada Paraquedista
Conflitos Operação Litani  • Guerra do Líbano de 1982  • Conflito no sul do Líbano (1982–2000)  • Primeira Intifada  • Segunda Intifada  • Guerra do Líbano de 2006  • Operação Chuvas de Verão • Operação Chumbo Fundido  • Operação Pilar Defensivo  • Operação Margem Protetora
Condecorações Legião do Mérito[1]

Benjamin Gantz (Kfar Ahim, 9 de junho de 1959) é um militar e político israelense. Gantz serviu nas Forças de Defesa de Israel (IDF) de 1977 a 2015, onde chegou a patente mais alta e ocupou o cargo de Chefe do Estado-Maior Geral de 2011 a 2015. Atualmente, é o líder da oposição ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Gantz graduou-se em história e ciência política em universidades israelenses, mais tarde concluindo um mestrado pela Universidade de Defesa Nacional, dos Estados Unidos. Após se aposentar do exército, entrou para a carreira empresarial e, em 2018, para a política, criando o Partido da Resiliência de Israel. O partido mais tarde aliou-se aos partidos Telem e Yesh Atid para formar a coligação Azul e Branco, a qual Gantz foi escolhido como líder.

Nas eleições legislativas, Gantz e sua coligação adotaram um discurso centrista e anticorrupção, acusando o primeiro-ministro Netanyahu de ser uma ameaça às instituições do país. Após o impasse resultado pela eleição de abril de 2019, a coligação elegeu a maior bancada do parlamento na eleição de setembro do mesmo ano, levando Gantz a reivindicar o cargo de primeiro-ministro.

Início de vida, família e educaçãoEditar

Benjamin Gantz nasceu em Kfar Ahim, Israel, em 1959.[2] Sua mãe Malka era uma sobrevivente do Holocausto, originalmente de Mezőkovácsháza, Hungria.[3][4] Seu pai Nahum saiu da Romênia e foi preso pelas autoridades britânicas por tentar entrar na Palestina ilegalmente antes de chegar a Israel. Seus pais estavam entre os fundadores da Moshav Kfar Ahim, uma comunidade agrícola cooperativa no centro-sul de Israel.[5][6]

Na juventude, Gantz estudou na Escola de Ensino Médio Merkaz Shapir em Merkaz Shapira e no internato HaKfar HaYarok em Ramat Hasharon.[7] Gantz se formou inicialmente no Colégio de Comando e Estado-Maior e no Colégio de Segurança Nacional, concluindo também um bacharelado em história pela Universidade de Tel Aviv e um mestrado em ciência política pela Universidade de Haifa.[8] Posteriormente estudou nos Estados Unidos, completando um segundo mestrado em Gerenciamento de Recursos Nacionais pela Universidade de Defesa Nacional dos Estados Unidos.[9]

Carreira militarEditar

Gantz foi convocado para o IDF em 1977, tornando-se paraquedista da Brigada Paraquedista. Em 1977, participou de sua primeira missão como jovem recruta como integrante da equipe de segurança responsável pelo presidente egípcio Anwar Sadat em sua visita a Israel.[10] Em 1979, tornou-se oficial depois de se graduar na escola das forças armadas, retornando à Brigada Paraquedista e servindo como líder de pelotão, também realizando um curso nas Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos e lutando na Primeira Guerra do Líbano.[11]

Mais tarde, Gantz liderou 890 batalhões de paraquedistas em operações de contra-guerrilha no sul do Líbano.[12] Em 1991, liderou a unidade de comando que ficava em Addis Abeba, na Etiópia, por 36 horas, assegurando o transporte aéreo de 14.000 judeus etíopes para Israel no âmbito da Operação Salomão.[10]

No curso de sua carreira militar, Gantz serviu como comandante da Unidade Shaldag na Força Aérea Israelense; Comandante da 35ª Brigada de Paraquedistas;[13] Comandante da Divisão de Reservas no Comando Norte; Comandante da Unidade de Ligação do Líbano; Comandante do Comando Norte de Israel em 2001; e como adido militar de Israel nos Estados Unidos de 2005 a 2009, antes de se tornar o vice-chefe do Estado-Maior.[9][14]

Chefe do Estado-MaiorEditar

 
Gantz em 2015.

Em 2011, Gantz foi designado como Chefe do Estado-Maior Geral das Forças de Defesa de Israel, o mais alto cargo militar do país.[15] Sua indicação foi aprovada por unanimidade pelo governo israelense, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.[16] De acordo com o The Jerusalem Post, Netanyahu classificou Gantz como "excelente oficial e comandante experiente, que possui rica experiência operacional e logística, com todos os atributos necessários para ser um comandante do exército de sucesso."[17] Foi empossado em 14 de fevereiro de 2011.[18]

Como chefe do Estado-Maior, Gantz nomeou Orna Barbivai como a primeira mulher major-general da IDF.[19][20] Gantz comandou as forças armadas israelenses durante a luta do país contra facções palestinas em Gaza, liderando a IDF nas campanhas Operação Pilar Defensivo e Operação Margem Protetora. Durante ambas as operações, 2.526 palestinos e 79 israelenses, militares e civis, foram mortos (segundo as Nações Unidas), levando os palestinos e grupos de direitos humanos a acusarem as autoridades militares de Israel de cometerem crimes de guerra. Em resposta, afirmou que as forças militares de seu país buscaram evitar as baixas, que ocorreram por culpa do Hamas.[21][22] Quando seu mandato terminou em 2015, Gantz também encerrou sua carreira militar.[23][24]

Carreira empresarialEditar

Após sair da IDF, Gantz atuou como presidente da Fifth Dimension, uma empresa de tecnologia de segurança e aplicação da lei, especializada em rastreamento via spyware para smartphones.[25] A empresa foi fechada devido a razões financeiras depois que seu investidor russo foi sancionado pelos Estados Unidos durante a investigação sobre as tentativas russas de interferir nas eleições norte-americanas.[26][27]

Carreira políticaEditar

 
Gantz com seus aliados da coligação Azul e Branco, em 2019.

No final de 2018, Gantz anunciou a formação de um novo partido político, sem divulgar seu nome ou pontos de vista.[28] À época, as pesquisas de opinião indicaram que o partido possuía um apoio flutuante.[29][30] Em 27 de dezembro, estabeleceu formalmente o Partido da Resiliência de Israel ("Hosen LeYisrael", em hebraico), que disputou a eleição legislativa de abril de 2019.[31] Em janeiro de 2019, Gantz prometeu fortalecer os blocos de assentamentos israelenses e disse que Israel nunca deixaria as Colinas de Golã; ainda, não endossou nem rejeitou uma Solução dos dois Estados para o conflito israelense-palestino.[32]

Gantz adotou posições políticas centristas, e a Azul e Branco reuniu tanto políticos da centro-esquerda quanto de centro.[33] Durante as eleições de 2019, a coligação propôs limites de mandato para o primeiro-ministro, a proibição de políticos indiciados integrarem o Knesset, a inclusão das minorias israelenses e a retomada das negociações com a Autoridade Palestina para um acordo de paz.[34]

O candidato com maior possibilidade de derrotar Netanyahu, Gantz rejeitou formar uma coligação com o primeiro-ministro, citando a aliança de Netanyahu com partidos ultraortodoxos e da extrema direita, bem como os casos de corrupção que era acusado.[35][36][37] Na eleição de abril, os partidos de Gantz e Netanyahu empataram e, após Netanyahu não conseguir formar um governo, uma segunda eleição foi convocada para setembro do mesmo ano.[38][39] Na nova disputa, a Azul e Branco obteve uma pequena vantagem, e Gantz anunciou sua intenção de ocupar a cargo de primeiro-ministro.[40]

Vida pessoalEditar

Gantz é casado com Revital, com quem tem quatro filhos.[41] A família reside em Rosh HaAyin.[42] Em 2010, o diário israelense Israel Hayom informou que Gantz havia estendido ilegalmente o perímetro de seu quintal por vários metros para abranger um pequeno lote de terra designado como propriedade pública. Gantz confirmou a notícia, mas afirmou que as terras em questão não eram e não podiam ser acessíveis ao público. Dois meses depois, o convés que ele construiu foi removido.[43]

Referências

  1. Yoav Zitun (2 de maio de 2013). «IDF chief Gantz awarded US Legion of Merit». Ynet. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  2. «Israel's Gantz: military man on a mission to beat Netanyahu». France24. 17 de setembro de 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  3. Ofer Aderet (8 de abril de 2013). «Israel Commemorates Holocaust Remembrance Day». Haaretz. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  4. Stuart Winer e Michal Shmulovich (8 de abril de 2013). «In Auschwitz, Israeli army chief vows to prevent a 'second Holocaust'». The Times of Israel. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  5. «Benny Gantz, um general que sonhar em ser premiê de Israel». AFP. Em. 17 de setembro de 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  6. «Benny Gantz: The Israeli ex-military chief challenging Netanyahu». BBC. 16 de setembro de 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  7. «Benjamin Gantz». Knesset. 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  8. «Benjamin Gantz». Israel Ministry of Foreign Affairs. 2013. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  9. a b «New Deputy Chief of the General Staff Appointed». Israel Defense Forces. 12 de julho de 2009. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  10. a b Anshel Pfeffer (30 de janeiro de 2019). «Benny Gantz, the General Coming to End the Netanyahu Era». Haaretz. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  11. Gal Perl Finkel (7 de março de 2019). «When good commander doesn't equal a good politician». The Jerusalem Post. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  12. Gal Perl Finkel (20 de fevereiro de 2019). «Importance of IDF Ground Forces in new army appointments». The Jerusalem Post. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  13. Avihai Becker (24 de abril de 2002). «Generally Sensitive». Haaretz. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  14. «Benjamin Gantz». Israeli Missions Around The World. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  15. Hanan Greenberg (2 de maio de 2011). «Gantz set to be named 20th IDF chief». Ynet. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  16. Barak Ravid (13 de fevereiro de 2011). «Benny Gantz Becomes IDF's 20th Chief of Staff». Haaretz. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  17. Herb Keinon (13 de fevereiro de 2011). «Gantz appointment as IDF chief sails through cabinet». The Jerusalem Post. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  18. «Benny Gantz Takes Over as IDF Chief: I Am Ready to Face the Challenges». Haaretz. 14 de fevereiro de 2011. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  19. «Israeli military appoints first female major general». Monsters and Critics. 26 de maio de 2011. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  20. «Orna Barbivai Becomes First Female IDF Major General». Center of Israel Education. 23 de junho de 2011. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  21. «Benny Gantz: The Israeli ex-military chief challenging Netanyahu». BBC. 16 de setembro de 2011. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  22. Lolita C. Baldor (9 de janeiro de 2015). «Gantz: Palestinian war-crimes charges unnecessary». The Times of Israel. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  23. «OUTGOING IDF CHIEF GANTZ: MIDDLE EAST PROBLEMS NEED MORE THAN A MILITARY LEADER». The Jerusalem Post. 14 de fevereiro de 2015. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  24. «Gadi Eisenkot promoted to lieutenant general – IDF's 21th Chief of Staff». Israel Defense. 16 de fevereiro de 2015. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  25. Tal Shahaf (11 de novembro de 2018). «NSO in talks to buy Israeli intelligence co Fifth Dimension». Globes. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  26. Gil Hoffman (16 de dezembro de 2018). «DID STORMY DANIELS CAUSE BENNY GANTZ'S CYBER COMPANY TO CLOSE SHOP?». The Jerusalem Post. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  27. Refaella Goichman (17 de dezembro de 2018). «Israeli Startup Headed by Ex-top Security Officials Shuts Due to Link With Sanctioned Oligarch». Haaretz. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  28. Amotz Asa-El (22 de dezembro de 2018). «THE OTHER BENJAMIN: WILL ISRAELI POLITICS BE SAVED BY ONE MORE GENERAL?». The Jerusalem Post. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  29. Mazal Mualem (21 de novembro de 2018). «Former IDF head spooks Israel's entire political spectrum». Al-Monitor. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  30. Gil Hoffman (25 de dezembro de 2018). «POLL FINDS GANTZ'S POLITICAL PARTY IN FREE FALL». The Jerusalem Post. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  31. «Former IDF chief names new party: 'Israel's Resilience'». WIN. 28 de dezembro de 2018. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  32. Toi Staff (29 de janeiro de 2019). «Launching bid to replace Netanyahu, Gantz vows to unify Israel, end incitement». The Times of Israel. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  33. Juan Carlos Sanz (23 de fevereiro de 2019). «Coalizão eleitoral ampla de centro-esquerda desafia hegemonia de Netanyahu». El País. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  34. Raoul Wootliff (6 de março de 2019). «Blue and White releases its political platform: 'No second disengagement'». Times of Israel. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  35. «A um mês e meio de eleições legislativas em Israel, novato é ameaça a Netanyahu». GaúchaZH. 22 de fevereiro de 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  36. «Beni Gantz, o militar que ameaça a vitória de Netanyahu». EFE. Exame. 23 de março de 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  37. «Netanyahu propõe formação de governo com rival Gantz, que rejeita oferta». Veja. 19 de setembro de 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  38. Nuno Viegas (10 de abril de 2019). «Israel. O partido com 4% dos votos que tem nas mãos a "geringonça" de Netanyahu». Observador. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  39. Juan Carlos Sanz (18 de setembro de 2019). «Nova eleição reproduz o bloqueio político em Israel». El País. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  40. «Benny Gantz quer ser primeiro-ministro de um governo de união em Israel». Tvi24. 19 de setembro de 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  41. «Benny Gantz, Netanyahu Rival, Gives Campaign Launch Speech - Full English Transcript». Haaretz. 30 de janeiro de 2019. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  42. Ben Bresky (10 de abril de 2019). «A BRIEF BIOGRAPHY OF BENNY GANTZ». The Jerusalem Post. Consultado em 19 de setembro de 2019 
  43. «BENNY GANTZ». People Pill. Consultado em 19 de setembro de 2019