Bicha de Balazote

A Bicha de Balazote é uma escultura ibérica encontrada no município de Balazote, na província de Albacete. Os primeiros a estudarem-na foram um grupo de arqueólogos franceses que a identificaram como uma espécie de cerva; daí que "biche" fosse a sua primeira denominação, castelhanizando-se posteriormente para "bicha". Foi datada no século VI a.C. Encontra-se no Museu Arqueológico Nacional de Espanha (situado em Madrid)

A Bicha de Balazote no seu local atual. Existe cópia no Museu Provincial de Albacete.

Existem poucos dados sobre o seu achado. Sabe-se que foi encontrada na paragem dos Majuelos, a escassa distância do núcleo urbano. Recentes escavações na veiga de Balazote descobriram um túmulo ibérico que permite situar tão singular peça no contexto de uma necrópole tumular à que provavelmente pertenceu. Perto do lugar também foram encontrados importantes mosaicos de uma villa romana.

DescriçãoEditar

Realizada sobre dois blocos de pedra calcária por volta da segunda metade do século VI a.C. as suas dimensões são de 93 cm de comprimento e 73 cm de altura máxima. É uma síntese entre animal e homem, neste caso de corpo completo, e representa um touro em repouso, que demonstra um bom conhecimento das características do animal, com as patas anteriores recolhidas sob o peito e as traseiras dobradas para o ventre. Alguns detalhes formais ressaltam os cascos ou a proeminência do osso da cadeira. O rabo curva-se sobre a coxa esquerda e termina num mecha pontiaguda de pêlo.

 
Cabeça.

Tem uma cabeça de homem barbudo, volta para o espectador e ligeiramente alçada, com uns pequenos cornos e orelhas também de touro, com as particularidades das esculturas gregas arcaicas: hierática, com barba e cabeleira a base de sucos retos e geometrizada, de raízes hititas.[1]

O lado direito da peça não o está talhado, pelo qual parece ser um silhar de canto e estar pensada para aderí-la a algum lugar, de maneira similar aos leões de Pozo Moro. Possivelmente fora de caráter funerário e fizesse parte da decoração de um templo. Pode cumprir uma função de defesa ou ser uma representação da fertilidade: os gregos usavam as estátuas de touros androcéfalos como representação dos rios, como símbolo da fecundidade do rio fertilizando os campos, e associava-se ao touro, símbolo de fecundidade. Neste senso, a Bicha de Balazote seria um símbolo da vida desejada para o defunto.

Como o restante da escultura ibérica, é anterior à chegada dos Bárquidas no 238 a.C. Segundo A. Garcia Bellido, representa a Aqueloo, baseando-se para isso na sua relação com as moedas sicilianas que o representam.

Dentro do contexto arqueológico onde se encontrou aparaceram outras figuras escultóricas como a Esfinge de Haches.

Referências

  1. «Esta escultura é filha de helenos, e, se se quiser, também neta de fenícios e bisneta de mesopotâmicos». A. Garcia y Bellido, 1931.

BibliografiaEditar

  • Almagro Gorbea (1982). Pozo Moro y el influjo fenicio en el periodo orientalizante de la Peninsula Ibérica. Revista di Studi Fenici. [S.l.: s.n.] 
  • Benoit, F. (1962). La Biche d’Albacete. Cernunnos et le substrat indigene. Seminario de historia y arqueología de Albacete. [S.l.: s.n.] 
  • Blazquez, J.M. (1974). Figuras animalísticas turdetanas. C.S.I.C. [S.l.: s.n.] 

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

 
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