Brasão de Manaus
Brasão de Manaus
Detalhes
Adoção 17 de abril de 1906
Timbre Um sol na parte superior do escudo, cujos raios (no sentido horário de um relógio redondo, em 180 graus angulares) se inscreve a divisa 21 de Novembro de 1889. Dentro do escudo: o encontro das águas, as origens da cidade e a árvore símbolo da economia da época. Por fora, adornos metálicos.
Uso Prefeitura de Manaus

O Brasão de Manaus é um dos símbolos oficiais de Manaus, município brasileiro do estado do Amazonas.[1]

Foi adotado primeiramente por Adolfo Guilherme de Miranda Lisboa, à época intendente municipal por nomeação legal. O Escudo Municipal foi aprovado por Taumaturgo Vaz mediante Decreto-Lei em 17 de abril de 1906.[2]

DecretoEditar

Artigo 1º. O Escudo do Município é encimado, conforme o croquis junto, por um sol com o dístico 21 de novembro de 1889, alusivo ao dia em que, nessa cidade, a antiga província aderiu à Proclamação da República.[2]
Artigo 2º. As três seções em que se divide o escudo, representam: as duas menores, uma o encontro das águas dos Rios Solimões e Negro, dois pequenos bergantins antigos, ou o descobrimento da foz do segundo rio pela expedição de Orellana em meados do século XVI, e a outra a fundação definitiva de Manaus, em princípios do século XVII. A fortaleza e a bandeira no tope do mastro significam o domínio então português; do lado oposto, as casas de palha os primeiros fundamentos da Cidade e as duas figuras centrais, de acôrdo com a lenda, as pazes celebradas entre os índios e a metrópole pelo casamento d’uma filha do cacique com o comandante da escola militar portuguesa. Na seção maior, um trecho do rio, tendo em relêvo, na frente, uma árvore simbólica da natureza agrícola e industrial da região que tornou Manaus o grande empório da goma elástica.[2]

FormatoEditar

Quanto à forma do Escudo de Manaus, a mesma é híbrida, uma vez que combina as formas respectivas do escudo francês, do escudo suíço e do escudo italiano. Ele apresenta, assim, forma retangular, com linhas curvas, sua parte superior (chefe) tem duas saliências à direita e à esquerda, formando dois cantos; a parte inferior (ponta) apresenta um bico.
— Silva Ugarte, Prof. Dr. em História do Amazonas (UFAM)[3]

ComposiçãoEditar

Sol que iluminaEditar

Na parte superior do croquis, encimando o Escudo, há a figura do sol, em cujos raios (no sentido horário de um relógio redondo, em 180 graus angulares) se inscreve a divisa 21 de Novembro de 1889. Quanto a esse elemento cronológico, não se apresenta problema de interpretação, pois o artigo 1º do Decreto esclarece que o mesmo se refere à data de adesão da antiga Província do Amazonas à Proclamação da República. Quanto à figura do sol em si, a mesma já era de amplo uso em antigos brasões aristocráticos e monárquicos europeus. Além disso, a figura solar passou a fazer parte do Escudo D’Armas do Estado do Amazonas, sendo, portanto, de amplo conhecimento dos dirigentes municipais de Manaus.[3]

Encontro das águasEditar

Para a seção menor do lado esquerdo do Escudo, o Decreto n. 17 evocava:[3]

a) elementos naturais hidrográficos, ou seja, o encontro das águas dos rios Solimões e Negro;
b) elementos históricos concernentes à expedição espanhola comandada por Francisco de Orellana, em meados do século XVI (1542), cujo transporte se deu em duas embarcações tipicamente europeias, os bergantins devem ser elaborados no sentido de descida do Rio Solimões, bem como respeitando o sentido de descida das águas do Rio Negro.

OrigensEditar

Para a seção menor do lado direito do Escudo, o Decreto n. 17 evocava elementos do núcleo humano que foi considerado a origem mais remota da cidade de Manaus:[3]

a) o Forte de São José da Barra do Rio Negro;
b) as casas de palha de índios;
c) o encontro de um português com uma índia, representando as pazes entre os adventícios e os nativos por meio do casamento do comandante militar com a filha de um cacique.

RiquezaEditar

Para a seção maior do Escudo, o Decreto n. 17 evocava, mas não mencionava diretamente, a seringueira, que representava a origem da riqueza que tornara Manaus um dos grandes centros urbanos do norte brasileiro. Quanto à representação alegórica da seringueira, a mesma deve levar em conta que essa espécie botânica, embora seja altamente dispersa no interior da floresta, alcança até cinquenta metros de altura e apresenta uma copa bastante irregular, nada frondosa em comparação, por exemplo, a da castanha-da-amazônia.[3]

ControvérsiasEditar

Considerando-se as convenções da heráldica municipal (também denominada "civil") brasileira, o município apresenta erros de confecção em seu escudo:[carece de fontes?]

  • O brasão não apresenta uma "coroa-mural", peça utilizada pela maioria dos municípios brasileiros. Tal convenção é herança da heráldica portuguesa, presente na grande maioria dos brasões de municípios brasileiros. Como capital de estado, Manaus deveria possuir coroa de cor dourada, igual às dos brasões de Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Teresina, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.
  • O formato do escudo também está errado. O correto é um escudo no formato denominado "redondo", ou português como é o das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Curitiba e da maioria dos municípios brasileiros. Na verdade, o escudo real deste brasão é o painel interno com as três cenas da história da região. A parte externa é apenas adorno, como atesta o exemplo do Brasão de Campinas, criado em época bastante próxima. Tal adorno deve ser descartado.
  • A data "21 de Novembro de 1889 deve ser removida da figura do sol nascente e incluída em um listel. Além disso, a data deve ser escrita apenas em algaritmos, e não em extenso, como no exemplo do Teresina.
  • O sol nascente deve ser incorporado ao escudo, em espaço exclusivo para o mesmo, ou, em último caso, eliminado.
  • O escudo carece de um listel, com o nome da cidade, lema ou demais detalhes que identifiquem a localidade. Todos os outros exemplos citados anteriormente e a esmagadora maioria dos outros brasões de municípios brasileiros possuem um listel.
  • O escudo carece de tenentes, também denominados suportes. Assim como o listel, a grande maioria dos municípios brasileiros contém tal ornamento.

Posição do municípioEditar

O município de Manaus usa como respaldo o artigo 1.º do Decreto 17, onde esclarece que o mesmo se refere à data de adesão da antiga Província do Amazonas à Proclamação da República, ou seja, trata-se de um escudo de armas próprio, sem adesão aos padrões heráldicos.[2]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Decreto Nº 3.727, de 28 de junho de 2017» (PDF). Diário Oficial de Manaus. 28 de junho de 2017. Consultado em 10 de novembro de 2019 
  2. a b c d «Manual de identidade visual» (PDF). Prefeitura Municipal de Manaus. 19 de agosto de 2019. Consultado em 10 de novembro de 2019 
  3. a b c d e «Símbolos da Cidade». Prefeitura Municipal de Manaus. Consultado em 10 de novembro de 2019 
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