Brasil Paralelo

empresa negacionista brasileira

Brasil Paralelo é nome fantasia da LHT HIGGS LTDA, uma empresa brasileira fundada em 2016 em Porto Alegre.

Brasil Paralelo
Proprietário(s) Lucas Ferrugem, Henrique Viana, Filipe Valerim
Requer pagamento? parcialmente
Gênero revisionismo histórico, negacionismo, conservadorismo, anti-intelectualismo
País de origem Brasil
Idioma(s) português
Lançamento 2016 (4 anos)
Endereço eletrônico brasilparalelo.com.br
Estado atual ativo

A empresa faz ciberativismo através de filmes com formato documentário[1][2] sob o viés de direita política (especificamente a Nova Direita) e do cristianismo.[3][4][5][6][7][8] Intitula-se mídia independente e desvinculada de partidos políticos,[9][7] mas recebeu apoio do governo Jair Bolsonaro, que exibiu uma de suas séries integralmente no canal TV Escola.[10]

Além de ter publicado notícias falsas,[11][12] o discurso do Brasil Paralelo é considerado milenarista e conspiracionista.[13][14][7][8] Historiadores também criticaram a empresa pelo conteúdo negacionista e anti-intelectualista dos vídeos, que distorcem fatos históricos como a ditadura militar, a escravidão e a colonização do Brasil e promovem as teorias conspiratórias e negacionistas[15][16][17][18] de Olavo de Carvalho,[7][19] Jair Bolsonaro.[20][10] e Ernesto Araújo.[14]

No início de 2017 o Brasil Paralelo contava com mais de cinco mil assinantes. Informações não confirmadas pelos fundadores indicam que a empresa faturou mais de 1,5 milhão de reais em apenas seis meses de existência.[21][7]

Histórico

A empresa LHT HIGGS LTDA[22] foi fundada em Porto Alegre em 2016, por Lucas Ferrugem, Henrique Viana e Felipe Valerim,[8] que abandonaram[7] a Escola Superior de Propaganda e Marketing para fundar o Brasil Paralelo.[4]

Em fevereiro de 2017, para o sexto episódio da série de filmes documentários, eles colheram 88 depoimentos com formadores de opinião da direita para lançarem um filme sobre o impeachment de Dilma Rousseff, como contraponto à versão homônima produzida com apoio do Partido dos Trabalhadores (PT), focado na narrativa de que o impeachment foi um Golpe de Estado. O título do episódio sexto foi "Impeachment - Do apogeu à queda", cujo lançamento oficial ocorreu em 21 de março de 2017 em São Paulo e Porto Alegre.[23] Na capital paulista, ocorreu no Cinemark Metrô Santa Cruz e após a exibição do filme, houve um debate ao vivo com os seguintes convidados; Henrique Viana; Ícaro de Carvalho; Luiz Philippe de Orléans e Bragança; Hélio Beltrão e Joice Hasselmann. Na capital gaúcha, foi no Cinemark Barra Shopping Sul e também após a exibição houve debate com Lucas Ferrugem, Felipe Moura Brasil, Guilherme Macalossi e Diego Casagrande. Esse foi o primeiro evento presencial do Brasil Paralelo.[4] No dia seguinte foi realizado o seminário "O que esperar de 2017", na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com a presença do jornalista e arquiteto Percival Puggina, do diplomata Paulo Roberto de Almeida e do deputado Marcel van Hattem, no qual foi debatido as atividades do Brasil Paralelo.[24]

Em abril de 2017, o Brasil Paralelo participou da 30.ª edição do Fórum da Liberdade. O evento é promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) no Centro de Eventos da PUC/RS com palestras de João Doria Jr., Pedro Malan, Eduardo Giannetti, Luiz Felipe Pondé, dentre outros. Nesse evento, os representantes do Brasil Paralelo expuseram no salão Unconference o trabalho da entidade na produção de conteúdo e como alternativa de mídia independente.[3][ligação inativa]

Em outubro de 2018, durante as campanhas das eleições gerais, o grupo publicou um vídeo de notícias falsas no YouTube. Um homem identificado como Hugo Cesar Hoeschl afirmou que "estudos internacionais indicam que a probabilidade de fraude na última eleição presidencial foi de 73,14%". Essa informação foi considerada notícia falsa. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu uma nota desmentido o que foi informado no vídeo, onde afirmou que “não há registro [...] de que o autor do vídeo tenha participado de qualquer evento de auditoria e transparência, a exemplo dos testes públicos de segurança realizados pelo TSE e da apresentação dos códigos-fonte".[11][12]

Ainda quando das campanhas de 2018, especialistas desmentiram a acusação do Brasil Paralelo de que houve fraude nas urnas das eleições de 2014 no Brasil. A acusação teve como base a Lei de Benford, porém, o Projeto Comprova checou a acusação e a desmentiu concluindo que a Lei de Benford por si só não é suficiente para provar irregularidades. Apesar disso, o vídeo do Brasil Paralelo já contava aproximadamente dois milhões de visualizações na época em que a checagem dos fatos foi publicada.[25]

Em 25 de junho de 2019, a empresa teve seu direito de resposta publicado pelo jornal O Globo, uma vez que foi concedido pela 6.ª Vara Cível de Porto Alegre por causa da acusação de caráter difamatório presente em texto publicado pelo jornal no início daquele ano sobre o vídeo 1964 – O Brasil entre Armas e Livros (produzido pela empresa).[22] Em 9 de dezembro de 2019, a série Brasil, a Última Cruzada começou a ser exibida no canal de televisão estatal TV Escola, vinculado ao Ministério da Educação.[6]

Vídeos

A empresa lançou cinco séries documentais, que estão sintetizadas no quadro a seguir:

Título Estreia Episódios
Congresso Brasil Paralelo 6 (Panorama Brasil — Um raio-x inconveniente; Terra de Santa Cruz — Uma história não contada; A Raiz do Problema — Como chegamos aqui?; Dividindo Pessoas; Centralizando o Poder; Propostas; Impeachment — Do apogeu à queda)
Brasil, a Última Cruzada 18 de setembro de 2017[26] 6 (A Cruz e a Espada; A Vila Rica;[27] A Guilhotina da Igualdade;[28] Independência ou Morte;[29] O Último Reinado; Era Vargas: O Crepúsculo de Um Ídolo)
O Dia Depois da Eleição[30] 5 (O que sobrou do Brasil? — Parte 1; O que Sobrou do Brasil? — Parte 2; Minha primeira grande operação; Os ciclos de poder; Proteja-se independente do resultado)
O Teatro das Tesouras 21 de agosto de 2018[31] 7 (1989; 1994; 1998; 2002; 2006; 2010; 2014)
Pátria Educadora: A Trilogia 3 (O Fim da História; Pelas barbas do Profeta; Guerra contra a inteligência)

A série Congresso Brasil Paralelo foi a primeira da empresa e foi feita a partir de depoimentos em vídeo de expoentes da direita e da extrema-direita brasileiras.[32]

Sucedendo Congresso Brasil Paralelo, foram lançados os episódios de Brasil, a Última Cruzada entre 18 de setembro de 2017[26] e 9 de abril de 2018. Uma análise do discurso do conteúdo apresentado no segundo capítulo da série "Brasil, a Última Cruzada" constatou a divulgação de ideias milenaristas e teorias da conspiração, apresentando um conteúdo político-ideológico e revisionista disfarçado de histórico. A análise foi feita em junho de 2018 pelo professor de história Roldão Carvalho Pires e comunicadora social Mara Rovida, da Universidade de Sorocaba.[13] No dia 9 de dezembro de 2019, a série começou a ser exibida no canal de televisão estatal TV Escola.[6]

Com estreia em 21 de agosto de 2018, O Teatro das Tesouras abordou bastidores de sete eleições presidenciais do Brasil após o fim da Ditadura Militar instaurada pelo golpe civil-militar de 1964.[31] E, intitulada em alusão ao lema do segundo governo de Dilma Rousseff ("Brasil: Pátria Educadora"), Pátria Educadora: A Trilogia fez críticas à educação no Brasil e a Paulo Freire em três episódios.[33][34]

Ver também

Referências

  1. Buzalaf, Márcia Neme (2019). «A construção estereotipada do comunista na produção 1964 – o Brasil entre armas e livros» (PDF). In: Pelegrinelli, André Luiz Marcondes; Molina, Ana Heloisa; Silva, Gustavo do Nascimento. Anais do VII Encontro Nacional de Estudos da Imagem [e do] IV Encontro Internacional de Estudos da Imagem. Londrina: Universidade Estadual de Londrina. pp. 34–42. A utilização manipuladora de imagens fora de seus contextos, bem como o excesso de narração em off na condução do roteiro do filme, por si só são elementos que inviabilizam caracterizar 1964 como um documentário histórico. A falta de vínculos com entidades científicas de seus realizadores e entrevistados (que também podem ser considerados coprodutores, já que participam da estrutura do Brasil Paralelo) demonstra que a “caça aos comunistas” é uma construção estereotipada de um grupo sem nenhuma rigidez enquanto pesquisa acadêmica ou pesquisa documental, e que busca eternizar o mesmo discurso que antecedeu o golpe de 64. Um discurso retrógado e que se propõe a ser revisionista quando, na verdade, se configura, de fato, como apenas mais uma propaganda política do mesmo temor que justificou atrocidades. 
  2. Villaça, Pablo (2019). 1964: Brasil - Entre Armas e Livros - Comentários. Consultado em 16 de maio de 2020 – via Youtube. ...e um ponto de vista ético me incomoda muito a posição de um documentário, por exemplo, que não só faz um revisionismo histórico terrível, e que é um revisionismo histórico tão sem, é tão sem base na realidade que eles são obrigados a manipular a realidade ou em alguns casos mentir... 
  3. a b Brasil Paralelo (2017). «O que é o Congresso Brasil Paralelo?». congressobrasilparalelo.com.br. Consultado em 9 de junho de 2017 
  4. a b c Fucs, José (2017). «Política Estadão - A maquina barulhenta da direita na internet». O Estado de S. Paulo. Consultado em 14 de setembro de 2018. Arquivado do original em 26 de março de 2017. Merece crédito também o site Brasil Paralelo, criado em 2016 por uma dupla de empreendedores de Porto Alegre, para produzir documentários em vídeo e contribuir para a melhoria da educação e da formação em política e história, sem o viés de esquerda que, na opinião deles, predomina nas escolas do País. Já colheram 88 depoimentos com influenciadores da direita e na semana passada lançaram um filme sobre o impeachment, como contraponto à versão produzida com apoio do PT, focado na ideia do “golpe”. 
  5. Gonçalves, Talita (2016). «Meio Desligado – Congresso Brasil Paralelo: a direita acordou». Gazeta do Triângulo. Cópia arquivada em 12 de junho de 2018. A programação ainda não foi definida, mas salvo algumas exceções, o “line up” dos palestrantes confirmados é de encher os olhos: Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé, Hélio Beltrão, Rodrigo Gurgel, Felipe Moura Brasil, Janaína Paschoal, Gilmar Mendes, Alexandre Borges. 
  6. a b c Saldaña, Paulo (9 de dezembro de 2019). «TV ligada ao MEC vai exibir série sobre história com visão de direita». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 29 de dezembro de 2019. No documentário, a história é narrada de forma a engrandecer o papel da Igreja Católica e da fé na empreitada de Portugal na chegada ao território que seria o Brasil. O genocídio indígena e a história dos negros escravizados são minimizados. 
  7. a b c d e f Meireles, Maurício; Menon, Isabella; Zanini, Fábio (8 de agosto de 2019). «Como uma produtora virou uma das principais difusoras de ideias de direita no país». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2019. Os vídeos da produtora, que surgiu em 2016, somam 14 milhões de visualizações. Ela é uma peça relevante na chamada guerra cultural, o embate entre esquerda e direita no campo da cultura. Com seus produtos, a Brasil Paralelo se propõe a enfrentar as narrativas de esquerda com versões alternativas para a análise política e a história do país. 
  8. a b c Zanini, Fabio (12 de agosto de 2019). «Produtora Brasil Paralelo revisa a história em filmes e livros com visão de direita». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2019. Nos vídeos, uma temática é comum: a infiltração de ideias de esquerda na mídia, na academia e no meio cultural. É recorrente a crítica a um suposto complô de partidos de esquerda, reunidos no Foro de São Paulo, para promover ideias marxistas. 
  9. «Brasil Paralelo: O Brasil que a TV não mostra.». Congresso Brasil Paralelo. 2016. Arquivado do original em 14 de setembro de 2018. O projeto Brasil Paralelo é uma das principais iniciativas da mídia independente do Brasil no ano de 2016, no que diz respeito ao volume de material e busca por vozes que sejam relevantes no atual cenário. 
  10. a b Filho, João (1 de março de 2020). «Todos nessa foto prometeram jamais receber dinheiro do governo. A maioria recebeu.». The Intercept. Consultado em 28 de maio de 2020. Cópia arquivada em 1 de março de 2020. Com Bolsonaro no poder, o Brasil Paralelo passou a ganhar muito espaço no MEC. A TV Escola, aquela que Bolsonaro pretendia fechar, tem transmitido o conteúdo do canal em sua programação. A série “Brasil: a última cruzada”, do Brasil Paralelo, foi transmitida na íntegra pela TV Escola. O bolsonarismo aparelhou uma emissora pública para divulgar revisionismo histórico de quinta categoria, sempre com o viés católico e reacionário ensinado por Olavo de Carvalho. 
  11. a b Mota, Marina; Couto, Marlen; Rocha, Gessyca (6 de outubro de 2018). «Mensagens com conteúdo #FAKE sobre fraude em urnas eletrônicas se espalham nas redes». O Globo - Fato ou Fake. Cópia arquivada em 25 de outubro de 2018. O Fato ou Fake não localizou a publicação do estudo em nenhuma revista científica nacional ou internacional. Os autores do novo vídeo do "Brasil Paralelo" afirmam que a nota técnica foi apresentada no Conclave da Democracia em Washington, realizado em 2015. O evento, porém, não é científico. 
  12. a b «Vídeo com suspeitas sobre eleições de 2014 usou lei matemática que não prova fraude». Estadão Verifica. 10 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 15 de abril de 2020. No vídeo, o engenheiro Hugo César Hoeschl afirma haver “estudos com reconhecimento internacional” apontando 73,14% de “probabilidade de fraude” na eleição de quatro anos atrás. O Comprova não encontrou artigos acadêmicos de revisão independente mencionando esse número. Esse percentual consta de um “relatório técnico” de 11 páginas do qual ele mesmo participou da elaboração. No vídeo, Hoeschl anuncia que aplicará o método ao resultado do 1º turno das eleições presidenciais brasileiras. 
  13. a b Carvalho, Roldão Pires; Rovida, Mara. «Os Movimentos Milenaristas Modernos–Uma Análise Sobre o Discurso da Propaganda Ideológica» (PDF). XXIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste – Belo Horizonte - MG – 7 a 9/6/2018. Outras características no discurso apontam o milenarismo do movimento. Na realidade proposta pelo Brasil Paralelo é construída a teoria conspiratória de que as mídias e as escolas estão contaminando o imaginário popular. 
  14. a b Neher, Clarissa (28 de março de 2019). «"Nazismo de esquerda": o absurdo virou discurso oficial em Brasília». Deutsche Welle Brasil. Cópia arquivada em 28 de março de 2020. "Uma coisa que eu falo muito é dessa tendência da esquerda de pegar uma coisa boa, sequestrar, perverter e transformar numa coisa ruim. É mais ou menos o que aconteceu sempre com esses regimes totalitários. Isso tem a ver com o que eu digo que fascismo e nazismo são fenômenos de esquerda", destacou Araújo, na entrevista divulgada em 17 de março pelo "Brasil Paralelo", grupo que propaga a linha de pensamento do ideólogo Olavo de Carvalho. 
  15. Avila, Arthur de Lima (29 de abril de 2019). «Qual passado usar? A historiografia diante dos negacionismos». Café História. Cópia arquivada em 4 de maio de 2020. Dessas visões para afirmações descabidas é um passo curto – vale lembrar aquela proferida pelo atual Presidente, quando em campanha eleitoral, sobre filhos de Portugal “nunca terem escravizado ninguém” (os africanos é que teriam feito isso, segundo o político). De minimização em minimização, chegamos ao negacionismo. 
  16. Baggenstoss, Grazielly Alessandra; Pianta, Lucas Tubino (2019). «Para que(m) serve o nosso conhecimento?». Carta Capital. Cópia arquivada em 18 de abril de 2019. Esse confronto ao trabalho das pesquisadoras e pesquisadores culmina em um projeto chamado Brasil Paralelo, em que os nomes citados e alguns outros conhecidos conservadores e pensadores da direita e da extrema direita brasileiras são entrevistados e apresentam a história brasileira de forma extremamente eurocentrada e sua perspectiva enquanto uma verdade histórica única, imutável, violada pelos professores e professoras “comunistas”, “doutrinadores”, etc. 
  17. Borges, Ítalo Nelli (2019). «O Paralelismo do Absurdo: 1964 – O Brasil entre Armas e Livros e seus Desserviços Históricos e Sociais». Revista Expedições: Teoria da História e Historiografia. 10 (2): 152–166. ISSN 2179-6386. Os autores que me refiro cujas teses alimentam um projeto do Brasil Paralelo de distorção interpretativa do golpe e da ditadura são o que Melo (2014) chama de revisionistas. O autor aponta que este revisionismo historiográfico se ancora em três teses; a primeira que esquerda e direita foram igualmente responsáveis pelo golpe, a segunda que havia dois golpes em curso na conjuntura de 1964 e a terceira de que a resistência à ditadura não passou de um mito (MELO, 2014, p. 158). No filme, a resistência – independentemente de sua modalidade de operação – é a responsável pelo endurecimento do regime, o que se trata aqui é nada menos do que transformar a vítima em culpada pela própria violência que sofre. Em se tratando das duas primeiras teses, o documentário é explícito em adotá-las. 
  18. Nicolazzi, Fernando (22 de março de 2019). O Brasil Paralelo produz História?. Historiar-se – via Youtube. Como veremos nesse vídeo de análise de uma das séries do empreendimento Brasil Paralelo que tem como tema a história do país, a direita brasileira busca uma narrativa histórica que sirva a suas demandas do presente. 
  19. «Análise: Com Olavo em dose dupla, direita ganha nova batalha cultural». Folha de S.Paulo. 8 de abril de 2019. Cópia arquivada em 9 de abril de 2019. O palavrório é mais para iniciados do que iniciantes, salpicado de expressões como "andares ontológicos", "ternário", "anima vs. corpus". Não é exatamente o que espera um bolsonarista afeito ao Olavo das redes sociais, aquele que fala em "cu" e "piroca", que solta pílulas como esta aqui de quinta-feira (4): "Só quem se fode nas revoluções socialistas são os pobres. Os ricos vão para Nova York, Paris ou Londres". 
  20. Nicolazzi, Fernando (17 de janeiro de 2020). «Brasil Paralelo, uma empresa colaboracionista». Sul 21. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2020. Entre as pessoas físicas e jurídicas que se ocupam de espalhar a palavra de Olavo pelo país, encontra-se a produtora Brasil Paralelo. Como se sabe, a empresa é responsável pela criação de conteúdos de história que conciliam falsificação documental, distorções interpretativas, preconceito religioso, inverdades históricas e desonestidade intelectual. Não é difícil comprovar este argumento. 
  21. Fucs 2017, Talvez o caso de maior sucesso seja o do pessoal do site Brasil Paralelo, que vendeu milhares de assinaturas do conteúdo que produz. Segundo informações não confirmadas pelos fundadores, a empresa teria amealhado R$ 1,5 milhão em seis meses. É sinal de que, ao menos para alguns, a onda da direita na internet pode ser sustentável.
  22. a b «Direito de Resposta Brasil Paralelo». O Globo. 25 de junho de 2019. Cópia arquivada em 19 de março de 2020 
  23. «Evento apresentou projeções políticas e econômicas para o ano de 2017 - Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul». Consultado em 15 de Abril de 2017 
  24. Luiza Veber (24 de março de 2017). «Evento apresentou projeções políticas e econômicas para o ano de 2017». Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  25. «Vídeo com suspeitas sobre eleições de 2014 usou lei matemática que não prova fraude». Estadão. 10 de outubro de 2018. Consultado em 29 de Maio de 2020 
  26. a b «História nas redes sociais – Brasil Paralelo lança nova série sobre A Última Cruzada. Acompanhe e compartilhe - A Voz do Cidadão». www.avozdocidadao.com.br 
  27. «Brasil: A última cruzada». historiaehistoria.com.br. 2 de janeiro de 2018 
  28. «Episódio 3 - A Guilhotina da Igualdade - Série Brasil - A Última Cruzada - Blog do CDPSI». cdpsi.com.br. 19 de fevereiro de 2018 
  29. «História do Brasil – Lançado pelo Brasil Paralelo o quarto episódio da série Brasil, a última cruzada - A Voz do Cidadão». www.avozdocidadao.com.br 
  30. «O dia depois da eleição – O que sobrou do Brasil? (Série Brasil Paralelo)». Revista O Conservador. 3 de julho de 2018 
  31. a b «Educação política – Lançado o primeiro episódio de "O Teatro das Tesouras" do Brasil Paralelo e você pode assistir gratuitamente». A voz do cidadão. Consultado em 21 de setembro de 2018 
  32. «Brasil Paralelo». Brasil Paralelo. Consultado em 10 de abril de 2017 
  33. «Opinião: Trilogia sobre educação mostra nova trincheira do bolsonarismo contra esquerda». 5 de abril de 2020 
  34. «Trilogia Pátria Educadora | Assista todos episódios.» 

Bibliografia

  • Alcântara, Mauro Henrique Miranda de; Silva, Katiane da (2020). A historia a la carte do Brasil Paralelo e o ensino de história: explicando em sala de aula a importância da pesquisa histórica. 6º Simpósio Eletrônico Internacional de Ensino de História. LAPHIS - Unespar. Trata-se, na verdade, de uma empresa de caráter privado, com o intuito de promover o revisionismo histórico. E por divulgar e propagar seu conteúdo no Youtube, por meio de divulgação paga, um/a estudante, ao buscar nesta plataforma sobre um determinado assunto da História do Brasil, terá acesso, antecipadamente, ao conteúdo desta empresa. Isso impacta, diretamente, no conhecimento histórico que, tanto o/a estudante, quanto o/a professor levará para sala de aula. 
  • Dias, André Bonsanto (2019). Um Brasil (em) Paralelo: as “verdades” da ditadura e sua historicidade mediada como um empreendimento político. XII Encontro Nacional de História da Mídia. Natal. ISSN 2175-6945. Nos parece fundamental perceber como este discurso está baseado sob premissas bastante paradoxais, no sentido de que a empresa parece se colocar em cima de um muro que ela mesma pretende derrubar. Ou seja, de acordo com esta perspectiva, existiria uma ideologia dominante responsável por encobrir a “verdadeira” história do país e o Brasil Paralelo, de forma comprometida e ao mesmo tempo “imparcial”, iria revisitá-la não a seu bel prazer, mas para “resgatar” uma narrativa que nos havia sido negada e que todos mereciam receber. 
  • Lopes, Reinaldo José (2017). «Olavo de Carvalho afunda série do Brasil Paralelo». Folha de S.Paulo. Cópia arquivada em 5 de janeiro de 2018. Atendendo a pedidos, analisei o ep. 1 da série de vídeos de história do Brasil Paralelo, que recebeu o título geral “Brasil: A Última Cruzada”. Resultado: a perspectiva “cruzada” é interessante e importante, mas há uma série de erros bizarros também — dois deles cometidos por ninguém menos que Olavo de Carvalho. 
  • Lopes, Reinaldo José (2017). Brasil Paralelo: Erros bizarros e alguns acertos no ep. 1. Consultado em 16 de maio de 2020 – via Youtube. ...tem coisas que realmente é um foco interessante e importante. Agora, para quem quer ser ou parece que os caras querem ser a palavra definitiva, a visão revolucionária que vai mostrar a verdade sobre as origens de Portugal e do Brasil. Não. Não é isso e tem problemas sérios que deveriam ser corrigidos na minha opinião. 
  • Nicolazzi, Fernando (23 de março de 2019). «A história da ditadura contada pelo Brasil Paralelo». Sul 21. Cópia arquivada em 1 de abril de 2019. Ou seja, trata-se de uma obra com claro viés político e ideológico, resultando paradoxalmente em algo que seus próprios autores e colaboradores condenam. O problema, gostaria de deixar claro, não é a existência do viés, mas sua vergonhosa negação. Supondo, assim, ser este um produto que mostre como são “todos os conteúdos gerados” pela Brasil Paralelo, podemos já fazer algumas inferências a respeito do vídeo que estreará em 31 de março. 
  • Nicolazzi, Fernando (7 de abril de 2019). «2019 – O Brasil Paralelo entre o passado histórico e a picanha de papelão». Sul 21. Cópia arquivada em 8 de abril de 2019. Estamos diante de uma instrumentalização e de uma falsidade por dois motivos bastante simples: meu artigo não dizia respeito diretamente ao vídeo em questão, tampouco sugeria qualquer tipo de boicote ou censura à sua exibição. Ou seja, ele aparece ali deslocado de seu contexto de origem e utilizado unicamente para repercutir o vídeo veiculado. Trata-se de marketing publicitário, não de uma verdade factual. Em outras palavras, se não estamos diante de uma mentira explicitamente enunciada, é certo que o que vemos é uma falsidade sugerida de forma implícita e que engana o espectador. Seria como, por exemplo, colocar uma imagem de garimpeiros de Serra Pelada realizada pelo fotógrafo Sebastião Salgado após o fim da ditadura para representar supostos guerrilheiros encarados como responsáveis pelo início dessa mesma ditadura. Não apenas um erro cronológico, mas uma falsificação histórica. 
  • Ratier, Rodrigo (16 de dezembro de 2019). «TV ligada ao MEC traz História preconceituosa, diz especialista». UOL. Cópia arquivada em 23 de abril de 2020. A gente ainda não encontrou alternativas para fazer frente a esse tipo de estratégia que se ampara na mentira. De toda forma, essa discussão tem uma dimensão positiva, que é trazer para o primeiro plano a importância das demandas sociais pelo passado e do direito à democratização da História. Sobretudo, mostra a relevância do conhecimento histórico e da necessidade de ele ser produzido de forma honesta e com compromisso em relação à democracia. 
  • Vieira, Isadora Muniz (9 de outubro de 2019). «Historiadoras/es e o paralelismo charlatão». HH Magazine: humanidades em rede. Cópia arquivada em 16 de maio de 2020. Sabemos que não se trata de oferecer a um público interessado por essas temáticas um conteúdo de qualidade. Menos ainda, trata-se de um compromisso de formar as pessoas historicamente e “expandir o intelecto”. O objetivo é suprir uma demanda no mercado da conspiração, estabelecer um projeto nacional reacionário e lucrar com a desinformação. Como já pontuou o professor Fernando Nicolazzi, da UFRGS, o lucro por si só não deveria ser considerado um problema se o conteúdo vendido pela empresa não fosse intelectualmente desonesto e não tivesse a finalidade nefasta de desconstruir projetos políticos e sociais da nossa breve experiência democrática com revisionismo histórico barato (no sentido ruim da palavra, porque a assinatura do plano anual é de R$197,90). Acontece que esse paralelismo é paternalista, racista, sexista e avesso à pluralidade de ideias. É antidemocrátivo e autoritário. Vende conteúdo meramente opinativo e desprovido de constatações. 

Ligações externas