Brasil Colônia

colônia de Portugal entre 1500 e 1815
(Redirecionado de Brasil colônia)


Os termos Brasil Colônia, ou Brasil Colonial, referem-se ao período no qual o atual território brasileiro - entre, mais ou menos, meados do século XVI e o início do XIX[nota 1] - estava submetido ao jugo colonial do Reino de Portugal. Durante esse período, a economia e o sistema social da colônia estavam marcados, principalmente, pelo predomínio da mão-de-obra escravizada e pela economia de exportação de gêneros coloniais como açúcar, tabaco, ouro, diamantes, algodão entre outros.[1]

Brasil Colônia

Colônia
(Reino de Portugal)

1500 – 1815
Localização de Brasil
Localização de Brasil
Mapa do Brasil Colônia em 1709
Continente América do Sul
Capital Salvador (1549–1624)
Olinda (1624–1625)
Salvador (1625–1763)
Rio de Janeiro (1763–1815)
Língua oficial Português
Outros idiomas Língua geral meridional
Língua brasílica
Religião Catolicismo romano (oficial)
Governo Monarquia Absoluta
Monarca de Portugal Manuel l (primeiro)
Maria I (última)
História
 • 22 de abril de 1500 Descobrimento do Brasil pelos portugueses
 • 16 de dezembro de 1815 Elevação a Reino
Moeda Réis

Nos cerca de 30 anos entre o descobrimento e o início da colonização o Brasil foi uma parte marginal da estratégia geopolítica ultramarina portuguesa. Em 1531, no entanto, com o crescente risco do território ser apropriado pelos franceses, a coroa portuguesa iniciou, por meio do despacho da expedição de Martim Afonso de Sousa, o esforço de povoamento do litoral brasileiro. Alguns anos depois, em 1549, foi criado, com sede na Cidade do Salvador, o Estado do Brasil, com o intuito de centralizar a administração das diversas capitanias hereditárias criadas por Portugal na década anterior.[2]

Até o final do século XVII e início do século XVIII, a ocupação do território esteve concentrada no litoral, com as principais atividades econômicas - nominalmente o cultivo de cana-de-açúcar - localizadas nas capitanias do Nordeste. Porém, com a entrada da concorrência holandesa a produção canavieira viveu um momento de declínio, o que coincidiu com a ascensão da extração de metais e pedras preciosas nas capitanias mais interioranas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.[3]

Entre os últimos vinte e cinco anos do século XVIII e o início do século XIX, no entanto, o franco declínio das atividades auríferas somado à ascensão do capitalismo industrial na Europa fez com que as elites econômicas da colônia começassem a buscar se reinventar para manter as bases econômicas da sociedade escravista intactas. A forma como essa sociedade se reinventou foi com, a partir da chegada do príncipe regente D. João no Brasil, em 1808, iniciativas de crescente autonomia da colônia frente a metrópole como forma de se inserir no novo sistema capitalista global. Essa reforma do sistema colonial viria a levar, em 1815, à transformação da colônia em Reino Unido com Portugal e, alguns anos mais tarde, em 1822, à declaração de independência do Brasil.[4][5]

História

editar

Ocupação pré-cabralina

editar
 
Índia Tupi e seu filho. Óleo sobre tela de Albert Eckhout (1641).

A tese mais aceita é que os povos indígenas do continente americano são descendentes de caçadores asiáticos que cruzaram o estreito de Bering passando da Sibéria para a América do Norte. Os mais antigos povoadores do atual território brasileiro chegaram há aproximadamente 12 mil anos.[6] Estima-se que, no início da colonização portuguesa, cerca de quatro milhões de ameríndios viviam no atual território brasileiro.[7] Encontravam-se divididos em diversos grupos étnico-linguísticos: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques e caraíbas (Amazônia).[carece de fontes?]

Período pré-colonial (1532 - 1549)

editar
 
Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500. Óleo sobre tela de Oscar Pereira da Silva (1922).

O início da colonização no Brasil está intimamente ligado com as constantes empreitadas portuguesas nos oceanos Índico e Atlântico no século XIV, em especial com a tentativa de contornar o litoral da África para se atingir as Índias.[8] O litoral do atual Brasil foi visitado por europeus pela primeira vez pelos navegadores espanhóis Vicente Yáñes Pinzón e Diego de Lepe no início do ano de 1500, ocasião na qual percorreram o litoral nordeste e entraram em conflito com os povos indígenas potiguares.[9][10] Após isso, no dia 22 de abril, a esquadra de Pedro Álvares Cabral, que vinha em expedição direcionada às Índias, aporta no sul do atual estado da Bahia, onde reivindicam a terra como portuguesa e chamam-na de Ilha de Vera Cruz.[11][12]

A terra recém-descoberta não despertou, a princípio o interesse econômico da coroa portuguesa que, nesse momento, estava focada na expansão do comércio com o continente asiático. Foi apenas com a descoberta de pau-brasil durante a terceira viagem de Américo Vespúcio - liderada por Gonçalo Coelho - ao continente americano que o litoral brasileiro passou a ser particularmente visado pelos europeus - apesar de, ainda de forma marginal se comparada à atividade econômica portuguesa nas Índias ou, ainda, com o cultivo de açúcar no Brasil mais tarde nesse mesmo século -. Além de pau-brasil, o Brasil também se tornou, durante esse período, exportador de papagaios, peles de animais e pessoas escravizadas.[13][14][12]

Nesse período, a concorrência pela exploração de pau-brasil por portugueses e, a princípio, indivíduos privados franceses, começou a causar impactos na costa: foram construídas fortificações por ambas as facções nos trechos mais ricos e proveitosos para servir de proteção em caso de ataque e para armazenamento do pau-brasil à espera do embarque. As fortificações não duravam muito, apenas alguns meses, o necessário para que se juntasse a madeira e embarcasse.[15] Com receio de que os franceses se apropriassem da costa ocidental sul-americana, os portugueses enviaram, no ano de 1531, uma expedição liderada por Martim Afonso de Sousa que tinha como objetivo expulsar os traficantes da costa e assegurar, por meio do assentamento de colonos, a presença portuguesa na costa. Alguns anos depois, para a organização desse objetivo, foi instituído, pela coroa, o sistema de capitanias hereditárias.[16][17]

Primeiros anos (1532 - 1580)

editar
 Ver artigo principal: Capitanias do Brasil
 
Mapa das Capitanias Hereditárias "originais" de Jorge Pimentel Cintra. Apesar das cores e das linhas se estenderem até o interior (ou, como era chamado na época, o "sertão"), o domínio português estava concentrado em alguns poucos polos no litoral, como nos arredores de São Vicente eOlinda.

No início da década de 1530 - entre 1532 e 1534 - se iniciaram os primeiros esforços de ocupação efetiva do território brasileiro, com a divisão arbitrária do litoral em quatorze capitanias hereditárias doadas a doze donatários - pessoas de confiança da coroa - que ficaram responsáveis de supervisionar o povoamento e o estabelecimento das atividades econômicas nas suas respectivas capitanias, que, nesse momento, estava focado no cultivo da cana-de-açúcar movido por meio da mão-de-obra escravizada - a princípio indígena e depois africana.[18][19]

Esse arranjo decentralizado, no entanto, durou pouco tempo. A maioria dos colonos fora das capitanias de Pernambuco e de São Vicente não conseguiram, por diversos motivos, que variam da dificuldade geográfica até à resistência indígena, obter o mesmo êxito dos pernambucanos e vicentinos. Isso levou com que, em dezembro de 1548, por ordens do rei de Portugal à época, João III, o fidalgo Tomé de Sousa fosse instruído à instaurar, no local onde tinha fracassado a empreita do antigo donatário da capitania da Baía de Todos os Santos, a sede de um governo-geral para coordenar o esforço da colonização. O que foi feito no ano seguinte, em 1549.[20][21][22] A partir desse momento a colonização engrenou e o cultivo de cana de açúcar se tornou a principal atividade econômica da colônia, dando início, também ao processo de importação de escravizados africanos para trabalhar nesses plantios.[23][24][25][26][27] No início do século XVII, Pernambuco já tinha se convertido na maior e mais rica área de produção de açúcar do mundo.[28]

Enquanto isso, no sudeste do Brasil, os portugueses encontravam sérias dificuldades. O plantio de cana nessa região era abastecido, a princípio, por duas fontes principais: o escambo do trabalho dos povos aliados aos portugueses em troca de artefatos de origem europeia e o "resgate" de cativos obtidos nas guerras indígenas para que fossem escravizados nos engenhos. A insatisfação dos indígenas com esse status quo cresceu a ponto de, já na década de 1540, estourarem as primeiras revoltas que dariam origem à Guerra dos Tamoios.[29] Os indígenas, aliados à pretensos colonizadores franceses, foram derrotados - e os que ainda estavam vivos, escravizados - por fim, apenas na década de 1560, quando muitos deles já haviam sucumbido à doenças contra as quais não tinham imunidade. Os indígenas que restaram foram "reduzidos" a aldeamentos jesuíticos onde passaram à condição de exército de mão-de-obra barata para o sustento da colonização nesses primeiros anos após a guerra.[30]

Expansão ao interior (c. 1580 - 1713)

editar
 
Ciclo da caça ao índio, óleo sobre tela de Henrique Bernardelli (1925).

Ciclo das Bandeiras (c. 1580 - 1641)

editar
 Ver artigo principal: Bandeirantes

O sistema de aldeamentos, apesar do sucesso em assimilar os indígenas e em colocá-los a serviço da colonização, não foi o suficiente para atender as necessidades econômicas dos colonos da capitania de São Vicente, que começaram a procurar, a partir da década de 1580, indígenas no interior do continente para serem escravizados em São Paulo.[31][32] Durante esse período, encerrado com a vitória indígena na Batalha de M'Bororé, os principais alvos da atividade dos bandeirantes - como se chamavam os colonos que saíam ao sertão - foram os empreendimentos jesuíticos na Bacia do Rio da Prata nas regiões de Guairá, Itatins e Tape. Respectivamente parte dos atuais estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.

É importante destacar que, apesar de representar os primeiros esforços portugueses de exploração do continente, esses empreendimentos não se traduziram em uma ocupação permanente do sertão, o que só aconteceria anos depois, com o descobrimento dos veios auríferos.

Conquista da Amazônia (1621 - c. 1750)

editar

No ano de 1621, algum tempo após a expulsão dos franceses da região da ilha de Upaon-Açu e da fundação da cidade de Belém, foi criado pelo rei Filipe II o Estado do Maranhão, separado administrativamente do restante do território da América portuguesa a sul do Cabo de São Roque, no atual estado do Rio Grande do Norte. A separação, motivada pela dificuldade de comunicação entre as duas repartições por conta da difícil navegação causada pela diferença entre regime de ventos e correntes marítimas.[33]

Durante esse período, no qual as coroas portuguesas e espanholas estavam em união pessoal, a expansão em direção ao interior do continente por meio da conquista das margens do rio Amazonas - além, até, dos limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas - passou a ser de particular interesse para os espanhóis, que passaram a querer salvaguardar as suas colônias andinas de ataques ingleses e holandeses advindos da Amazônia. Em 1637 a expedição de Pedro Teixeira partiu de Belém em direção ao interior, alcançando a cidade de Quito no ano seguinte e retornando à foz do Amazonas em dezembro de 1639. Durante essa viagem o explorador supostamente fundou - e reivindicou a posse para Portugal - do povoado de Franciscana, nas margens do Rio Napo. O povoado não sobreviveu durante muito tempo, mas foi o primeiro marco da reivindicação portuguesa sobre a maior parte das terras amazônicas, cujos limites mais extremos viriam a se instalar nas margens do rio Javari, a mais de 2500 km da foz.[33]

A conquista em definitivo da Amazônia, consolidada através dos séculos XVII e XVIII e reconhecida, finalmente, em 1750, com a assinatura do Tratado de Madrid foi, como também era o caso com a colonização em outros lugares, sedimentada com o uso do trabalho indígena, seja como contingente para as guerras de conquista, tropas de reconhecimento, ou, ainda, como mão-de-obra escravizada. Conforme o contingente de mão-de-obra ia rareando nas imediações dos principais núcleos de povoamento colonial, os colonizadores iam "buscar", por meio de expedições de "resgate", indígenas cada vez mais a montante dos rios amazônicos.[34]

"Ciclo do ouro" (c. 1690 - c. 1770)

editar
 Ver artigos principais: Ciclo do ouro e Inconfidência Mineira

Período inicial (c. 1690 - 1720)

editar
 
Estátua de Manuel de Borba Gato em São Paulo. Borba Gato liderou os vicentinos - ou paulistas - durante o período de turbulências que ficou conhecido como "Guerra dos Emboabas"

Ao final do século XVII, principalmente após a expulsão dos holandeses das capitanias do nordeste, o preço e a quantidade de açúcar exportado a partir do Brasil começa declinar devido, entre outras coisas, à concorrência com as colônias inglesas, francesas e holandesas recém estabelecidas nas Antilhas. Com essa nova realidade econômica causando problemas a economia da colônia, os portugueses começam a incentivar expedições em direção ao interior do continente tanto para suprir a demanda por escravizados quanto como para procurar novas fontes de extração de riqueza.[35][36] Isso acaba acarretando, no final do século, na descoberta de veios auríferos por exploradores advindos das capitanias de Itanhaém e São Vicente na região que viria a se tornar o estado de Minas Gerais.[37]

A descoberta desses veios logo causou uma "corrida do ouro" em direção às minas de portugueses advindos tanto de outras partes da colônia como da própria metrópole, o que, além de uma crise generalizada na região, que ficou marcada pela falta de um poder centralizado e constantes crises de fome, também gerou animosidade entre os vicentinos descobridores das minas, que se julgavam donos legítimos das novas fontes de riquezas, levando ao episódio de violência que ficou conhecido como Guerra dos Emboabas - palavra da língua geral paulista que significava "forasteiro" -. Seja como for, em 1709, eles acabaram derrotados e o controle da capitania de São Vicente passou para a Coroa, que passou a administrá-la por meio de um governador escolhido diretamente por Lisboa.[38][37][39]

Nos anos seguintes a Coroa conseguiu, de certo modo, estabelecer as bases da sua administração sem, no entanto, consolidar o seu poder sobre os colonos. No final da década de 1710 a região já estava mais urbanizada e já se havia, a essa altura, tentado se instituir diversos impostos sobre a extração do ouro que sempre acabavam resultando em revoltas contra a autoridade real. Em 1719, eclodiu, após a instituição da tributação de um quinto da produção aurífera nas minas, uma revolta na vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui, que foi seguida, no ano seguinte, por uma revolta em Vila Rica - atual Ouro Preto -, também direcionada contra a imposição de impostos pela Coroa.[40] A partir de então, a autoridade metropolitana se consolida definitivamente e se inaugura o período de maior "prosperidade" da colônia.[41]

Auge da atividade aurífera (c. 1720 - c. 1770)

editar
 
Prisão de Tiradentes, óleo sobre tela de Antônio Parreiras (1914). O alferes foi o único condenado à morte pelo seu envolvimento na Inconfidência Mineira.

Para acompanhar o desenvolvimento da região sudeste da colônia, e impedir a evasão fiscal e o contrabando de ouro, Portugal transferiu a capital do Estado do Brasil para o Rio de Janeiro. Para garantir a manutenção da ordem colonial interna, além da defesa do monopólio de exploração econômica do Brasil, o foco da administração colonial portuguesa se concentrou em manter sob controle e erradicar as principais formas de rebelião e resistência dos escravos (a exemplo do Quilombo dos Palmares);[42] e em reprimir todo movimento por autonomia ou independência política (como a Inconfidência Mineira).[43][44]

Crise do Antigo Sistema Colonial (c. 1775 - 1815)

editar

Transferência da Corte para o Brasil (1808 - 1815)

editar

No final de 1807, forças espanholas e do Primeiro Império Francês ameaçaram a segurança de Portugal Continental desencadeando a Guerra Peninsular, fazendo com que o Príncipe Regente do Brasil D. João, em nome da rainha Maria I, transferisse a corte real de Lisboa para o Brasil.[45] O estabelecimento da corte portuguesa trouxe o surgimento de algumas das primeiras instituições brasileiras, como bolsas de valores locais[46] e um banco nacional, e acabou com o monopólio comercial que Portugal mantinha sob o Brasil, liberando as trocas comerciais com outras nações, o que pôs fim ao período colonial brasileiro.[47]

Conflitos coloniais

editar

Invasões estrangeiras

editar
 
Batalha dos Guararapes, óleo sobre tela de Victor Meirelles (1879). A Batalha dos Guararapes é um dos episódios que marcam o fim da ocupação neerlandesa das capitanias do Nordeste.

Desse período destacam-se os conflitos que rechaçaram as incursões coloniais francesas (no Rio de Janeiro em 1567 e no Maranhão em 1615) e expulsaram os holandeses do nordeste (Nova Holanda), sendo o conflito com os holandeses parte integrante da Guerra Luso-Holandesa.[48][32]

As invasões francesas do Brasil registram-se desde os primeiros tempos da colonização portuguesa, chegando até ao ocaso do século XIX. Inicialmente dentro da contestação de Francisco I de França ao Tratado de Tordesilhas, ao arguir o paradeiro do testamento de Adão e incentivar a prática do corso para o escambo do pau-brasil (Cæsalpinia echinata), ainda no século XVI evoluiu para o apoio às tentativas de colonização no litoral do Rio de Janeiro (1555) e na costa do Maranhão (1594).

Entre os anos de 1630 e 1654, o Nordeste brasileiro foi alvo de ataques e fixação de neerlandeses. Interessados no comércio de açúcar, os neerlandeses implantaram um governo no território. Sob o comando de Maurício de Nassau, permaneceram lá até serem expulsos em 1654, pela Insurreição Pernambucana. Nassau desenvolveu diversas obras em Pernambuco, modernizando o território. Durante o seu governo, Recife foi a mais cosmopolita cidade de toda a América.[49]

Revoltas coloniais

editar
 
Guerra dos Emboabas, autor desconhecido (século XVIII).
 
Zumbi, óleo sobre tela de Antônio Parreiras (data desconhecida). Zumbi foi o líder de Palmares, um dos maiores quilombos do Brasil Colonial.

Em função da exploração exagerada da metrópole, ocorreram várias revoltas e conflitos neste período:

  • Guerra de Iguape: Ocorreu entre os anos de 1534 e 1536, na região de São Vicente, São Paulo. A força portuguesa, liderados por Pero de Góis, ao desembarcar na barra de Icapara, em Iguape, foram recebidos sob o fogo da artilharia, sendo desbaratada, em um local conhecido como entrincheiramento de Iguape. Na retirada, os sobreviventes foram surpreendidos pelas forças espanholas emboscadas na foz da barra do Icapara, onde os remanescentes pereceram, sendo gravemente ferido o seu capitão Pero de Góis, por um tiro de arcabuz. No dia seguinte, Ruy Garcia de Moschera e o "Bacharel de Cananeia", aliados aos espanhóis, embarcaram em um navio francês, capturado em Cananeia e atacaram a vila de São Vicente, que saquearam e incendiaram, deixando-a praticamente destruída, matando dois terços dos seus habitantes. Foi o primeiro confronto entre europeus portugueses e espanhóis na América do Sul;[50]
  • Insurreição Pernambucana: ocorreu no contexto da ocupação holandesa, culminando com a expulsão dos holandeses da região Nordeste do país;
  • Guerra dos Emboabas: os bandeirantes paulistas queriam exclusividade na exploração do ouro nas minas que encontraram; Entraram em choque com os imigrantes reinóis (ou seja vindos da metrópole portuguesa) que estavam explorando o ouro das minas;
  • Guerra dos Mascates: que se registrou de 1710 a 1711 na então Capitania de Pernambuco.
  • Guerra Guaranítica: espanhóis e portugueses (apoiados pelos ingleses) entram em conflito com os índios guaranis catequizados pelos jesuítas, de 1751 a 1758;
  • Revolta de Filipe dos Santos: ocorrida em Vila Rica, representou a insatisfação dos donos de minas de ouro com a cobrança do Quinto do ouro e das Casas de Fundição. O líder Filipe dos Santos Freire foi preso e condenado à morte pela coroa portuguesa;
  • Revolta de Beckman: Ocorreu em fevereiro de 1684, no Estado do Grão-Pará e Maranhão, liderado pelos irmãos Manuel e Tomas Beckman, apenas reivindicando melhorias na administração colonial, o governo português reprimiu violentamente o movimento;
  • Inconfidência Mineira (1789): liderada por Tiradentes, os inconfidentes mineiros eram contra a execução da Derrama e o domínio português. O movimento foi descoberto pela Rainha de Portugal (na época D.Maria I) e os líderes condenados;
  • Conjuração Baiana (1798): Também conhecida como "Revolta dos Alfaiates". Revolta de caráter emancipacionista ocorrida na então Capitania da Bahia. Foi punida duramente pela Coroa de Portugal.

Administração colonial

editar

A partir de 1577 Salvador voltou a ser capital geral colonial por mais de dois séculos, porém, durante a primeira das Invasões holandesas no Brasil, o então Governador de Pernambuco Matias de Albuquerque foi nomeado Governador-Geral do Estado do Brasil, administrando a colônia a partir de Olinda entre 1624 e 1625.[51] Em 1763, a sede do governo colonial foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. Ressalte-se que, com a ascensão de outras regiões econômicas, outros estados coloniais foram criados, como o Estado do Maranhão e Piauí e o Estado do Grão-Pará e Rio Negro, com capitais respectivamente em São Luís e Belém. Desta forma, administrativamente, o território colonial português no atual Brasil dispôs de cinco sedes até 1775: Salvador, Olinda e Rio de Janeiro no Estado do Brasil; São Luís no Estado do Maranhão e Piauí; e Belém no Estado do Grão-Pará e Rio Negro.[52]

Economia

editar

Ciclo do açúcar

editar
 Ver artigo principal: Ciclo do açúcar
 
Olinda foi o local mais rico do Brasil Colonial da sua criação até a Invasão Holandesa, quando foi depredada.[53]

A base da economia colonial era o engenho de açúcar. O senhor de engenho era um fazendeiro proprietário da unidade de produção de açúcar.[54] Utilizava a mão de obra africana escrava e tinha como objetivo principal a venda do açúcar para o mercado europeu. Além do açúcar, destacou-se, também, a produção de tabaco e de algodão. As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou seja, eram grandes fazendas produtoras de um único produto, utilizando mão de obra escrava e visando o comércio exterior.[55]

O Brasil se tornou o maior produtor mundial de açúcar nos séculos XVI e XVII. As principais regiões açucareiras eram Pernambuco, Bahia e São Vicente (São Paulo).[56] O Pacto Colonial imposto pelo Reino de Portugal estabelecia que os estados coloniais localizados no atual Brasil só podiam fazer comércio com a metrópole, não devendo concorrer com produtos produzidos lá. Logo, o Brasil não podia produzir nada que a metrópole produzisse.[57]

O monopólio comercial foi, de certa forma, imposto pelo governo da Inglaterra a Portugal, com o objetivo de garantir mercado aos comerciantes ingleses. A Inglaterra havia feito uma aliança com Portugal, oferecendo apoio militar em meio a guerra pela sucessão da Coroa Espanhola e ajuda diplomática a Portugal e em troca os portugueses abriram seus portos a manufaturas britânicas, já que Portugal não tinha grandes indústrias. Nessa época, Portugal e suas colônias, inclusive o Brasil, foram abastecidas com tais produtos. Portugal se beneficiava do monopólio, mas o país era dependente comercialmente da Inglaterra.[58] O Tratado de Methuen foi uma das alianças luso-britânicas. A colônia vendia metais, produtos tropicais e subtropicais a preços baixos, estabelecidos pela metrópole, e comprava dela produtos manufaturados e escravos a preços bem mais altos, garantindo assim o lucro de Portugal em qualquer das transações.

Ciclo do gado

editar
 Ver artigo principal: Ciclo do gado

Cultura

editar
 Ver artigo principal: Arte colonial no Brasil
 
Interior da Igreja de São Francisco em Salvador, Bahia, uma das mais ricas expressões do barroco brasileiro.
 
Velho entregando carta de amor a uma jovem mulata. Obra de Carlos Julião. Século XVIII.

As pessoas livres naturais do Brasil eram portuguesas e, como tal, tinham estatuto e direitos exatamente iguais às dos portugueses nascidos na Europa. Diferenciavam-se dos ameríndios e dos escravos que não tinham direitos de cidadania. Nesta época o vocábulo "brasileiro" designava apenas o nome dos comerciantes de pau brasil. Só depois da independência do Brasil se pode diferenciar brasileiros de portugueses, visto que é um anacronismo chamar "brasileiro" a quem morreu português antes da independência. Distinguia-se o cidadão português natural do Brasil dos outros portugueses da metrópole e províncias ultramarinas (português de Angola, português de Macau, português de Goa, etc.) designando-o de Português do Brasil, Luso Americano ou pelo nome da cidade de nascimento.[59] A partir do século XVII o termo "reinóis" era usado popularmente no Brasil para designar os portugueses nascidos em Portugal e os distinguir daqueles nascidos no Brasil. Dentro do Brasil podiam-se diferenciar os cidadãos em nível regional, por exemplo os pernambucanos dos baianos, no entanto a nível nacional e a nível internacional eram todos conhecidos como portugueses. Os escravos davam o nome de "mazombo" aos filhos de portugueses nascidos no Brasil, e mais tarde a qualquer europeu.[60]

A sociedade no período açúcar era marcada pela grande diferenciação social. No topo da sociedade, com poderes políticos e econômicos, estavam os senhores de engenho. Abaixo, aparecia uma camada média formada por pessoas livres (feitores, capatazes, padres, militares, comerciantes e artesãos) e funcionários públicos. E na base da sociedade estavam os escravos, de origem africana, tratados como simples mercadorias e responsáveis por quase todo trabalho desenvolvido na colônia.[61]

 
Casa-grande típica.

A casa-grande era a residência da família do senhor de engenho. Nela moravam, além da família, alguns agregados. O conforto da casa grande contrastava com a miséria e péssimas condições de higiene das senzalas (habitações dos escravos).[62]

Era uma sociedade patriarcal, pois o senhor de engenho exercia um grande poder social. As mulheres tinham poucos poderes e nenhuma participação política, deviam apenas cuidar do lar e dos filhos.[63]

Alimentação

editar
 
Frutas brasileiras, por Albert Eckhout (século XVII).

Os portugueses que vieram para o Brasil tiveram que alterar seus hábitos alimentares. O trigo, por exemplo, foi substituído pela farinha de mandioca, o mais importante alimento da colônia. A mandioca, originária da culinária indígena, foi adotada no Brasil por africanos e portugueses, sendo usada para fazer bolos, sopas, beijus ou simplesmente para se comer misturada ao açúcar. Além da farinha, no engenho também se consumiam: carne-seca, milho, rapadura, arroz, feijão e condimentos como pimenta e azeite de dendê.[64] As verduras, as frutas, a manteiga e os queijos eram raros e só entravam na alimentação dos ricos. Mas não faltavam doces locais, que eram consumidos em grande quantidade, tanto no campo como nas cidades.

Alimentação diferente experimentaram os moradores de Recife e Olinda durante a invasão holandesa (1624-1625 e 1630-1654), uma vez que vinha da Holanda o toucinho, manteiga, azeite, vinho, aguardente, peixe seco, bacalhau, trigo, carne salgada, fava, ervilha, cevada e feijão. Tanto nas casas mais humildes como nas dos senhores de engenho, as refeições eram feitas utilizando a mão, devido à ausência de garfo, este só começando a integrar o dia a dia a partir o século XIX. Outro costume de todas as classes era o de comer sentado no chão.[65]

As bebidas alcoólicas consumidas eram principalmente a bagaceira e o vinho, trazidos de Portugal. Nos engenhos de açúcar coloniais logo foi descoberto o vinho de cana, ou seja, o caldo de cana fermentado, muito apreciado pelos escravos. Na primeira metade do século XVII descobriu-se que os subprodutos da produção do açúcar, o melaço e as espumas, misturados com água fermentavam e podiam ser destilados obtendo-se a cachaça. Ela também podia ser fabricada com o vinho de cana. Devido ao baixo preço e facilidade de produção, aos poucos foi caindo no gosto da população, ao menos entre os escravos e as pessoas de baixo poder aquisitivo. Com o tempo, as classes abastadas foram paulatinamente também adotando a cachaça.[66]

Demografia

editar
 
Soldado do regimento de infantaria de Moura, de partida para o Brasil, despedindo-se de moça que chora. Obra de Carlos Julião (c. 1767).

Século XVII

editar

Nos primeiros dois séculos de colonização (XVIXVII), relativamente poucos portugueses migraram para o Brasil, não mais que cem mil. Em meados do século XVI, Portugal tinha uma população bastante pequena, de somente 1,5 milhão de habitantes, e os portugueses estavam empenhados em povoar as ilhas atlânticas e em se expandir da África à Ásia, havendo pouco excedente populacional exportável. Ademais, a produção do açúcar no Brasil não era atrativa para os portugueses comuns, uma vez que o estabelecimento de um engenho exigia altos investimentos, com os quais apenas os mais abastados tinham condições de arcar. O Brasil era pouco atrativo para os portugueses mais pobres, pois não era do interesse dos camponeses europeus se submeterem ao trabalho massacrante nos engenhos de cana, trabalho este que acabou sendo exercido largamente por escravos.[67]

Na década de 1690, bandeirantes paulistas finalmente encontraram ouro no atual estado de Minas Gerais, ao longo de uma linha que se estende entre as atuais Ouro Preto e Diamantina. A notícia se espalhou e o povoamento de Minas deu-se muito rapidamente

Século XVIII

editar
Celebrações da Semana Santa em Pirenópolis, tradição do século XVIII com Moteto pelo Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário.

Se por um lado a sociedade mineira transformou-se num importante fator de atração, Portugal passou a ter um forte fator de expulsão, especialmente na província do Minho. No século XVIII, a produção de milho espalhou-se no Norte de Portugal, melhorando significativamente a alimentação da população e, consequentemente, gerou taxas de crescimento populacional relativamente elevadas. Como a economia no Norte de Portugal era baseada na pequena propriedade rural, o crescimento da população forçou muitos portugueses mais pobres do Minho a migrarem para o Brasil, de modo a não sobrecarregar a economia local. O surto migratório que se deu de portugueses do Minho em direção às áreas mineradoras da colônia foi tão intenso que Portugal teve de baixar três leis proibindo a migração de pessoas do Noroeste português para o Brasil, nos anos de 1709, 1711 e 1720. Em relação à lei editada em 1720, autoridades portugueses afirmaram: "Tendo sido o mais povoado, o Minho hoje é um estado no qual não há pessoas suficientes para cultivar a terra ou prover para os habitantes".[68]

Segundo dados do IBGE, 600 mil portugueses migraram para o Brasil, entre 1701 e 1760. Celso Furtado estimou, para todo o século XVIII, um número entre 300 e 500 mil portugueses. Maria Luiza Marcilio apontou um número intermediário: 400 mil. C. R. Boxer considerou esses números exagerados, que, para ele, seriam de 3 mil a 4 mil portugueses ao ano, no período mais movimentado da corrida do ouro. Após 1720, a imigração não teria superado 2 mil pessoas ao ano, devido à introdução do passaporte. De qualquer maneira, nunca haviam chegado tantos portugueses ao Brasil, até então.

As ilhas dos Açores eram uma região mais pobre de Portugal e com excesso de habitantes. Em consequência, várias vezes o governo português recrutou grupos de açorianos e os enviou para regiões de fronteira. Entre 1748 e 1754, em torno de 6 mil açorianos foram enviados para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para garantirem a posse portuguesa da região, historicamente disputada com a Espanha (ver: Colonização de povoamento).

Em 1750, o Tratado de Tordesilhas deixou de vigorar com a assinatura do Tratado de Madri – quando as Coroas estabeleceram novos limites fronteiriços para a divisão territorial nas colônias sul-americanas,[69] onde rios e montanhas seriam usados para a demarcação.[70]

Em 1808, com a transferência da corte portuguesa para o Brasil, foi oficialmente extinto o sistema administrativo de Governo-Geral. Também pôs fim ao pacto colonial, levando a Abertura dos Portos às Nações Amigas.[71][72] Iniciou-se a integração política da Amazônia (as capitais Belém e Manaus) com o Estado do Brasil.[73]

Os Judeus

editar
 
Sinagoga Kahal Zur Israel, em Recife. Primeira sinagoga das Américas.

Os Judeus tinham importante participação na sociedade portuguesa desde a Idade Média. Na época do descobrimento do Brasil havia em Portugal um grande número de judeus, incluindo muitos que foram expulsos da Espanha em 1492.

Em 1497 o rei D. Manuel I, pressionado pelos espanhóis, expulsa os judeus de Portugal, ao mesmo tempo em que determina que os judeus que se declarassem cristãos poderiam continuar no país tendo os mesmos direitos que os demais portugueses. Assim surgiu a figura do Cristão-Novo ou Criptojudeu, que se declarava cristão em público, mas continuava a praticar o judaísmo às escondidas.[74] A partir de então os judeus portugueses passam a ser vítimas de vários atos de intolerância como, por exemplo, o massacre de Lisboa de 1506. Essa nova situação de perseguição religiosa fez com que muitos Judeus portugueses fugissem para o Brasil, vindo a fundar em Pernambuco a primeira Sinagoga da América, a Sinagoga Kahal Zur Israel.[75]

A colonização era um verdadeiro combate, pois além dos perigos naturais que a nova terra oferecia, os colonos tinham que enfrentar também as populações indígenas. Logo, cristãos-novos e cristãos-velhos, que na Europa (generalizadamente) se odiavam, por falarem ambos o português, por padecerem de vicissitudes análogas e encerrarem interesses comuns, praticamente se irmanam na conquista do solo brasileiro. Seria esta a única alternativa passível de sucesso. Muitos marranos e cristãos-novos participaram de alguma forma nas expedições que dilataram a colonização para o Norte, para o Oeste e para o Sul, pois participações importantes de elementos de sangue judeu são notadas nas conquistas do Rio Grande, do Rio de Janeiro, da Paraíba, de Sergipe e do Maranhão. Alguns Judeus dessa época se tornaram grandes senhores de engenho como o judeu Diogo Fernandes Santiago e sua esposa Branca Dias, que fez de sua casa um centro de ensino do Judaísmo.[76]

No século XVIII, com o desenvolvimento da mineração na colônia, milhares de portugueses se deslocaram para a região das Minas Gerais, entre eles, um número considerável de cristãos-novos. De fato, muitos desses cristãos-novos já não mantinham mais ligações com o judaísmo, mas, por serem ricos comerciantes e mineiros, eram acusados de praticar judaísmo por seus inimigos e acabavam tendo os seus bens confiscados.

No final do século XVIII, já não havia mais relatos de prática de judaísmo no Brasil. Todos haviam se convertido ao Cristianismo ou saído da colônia, o que faz com que muitos brasileiros atualmente possuam, mesmo sem saber, origens de judeus portugueses.

Colonização por espanhóis, holandeses e franceses

editar
 
Vilarejo da época do Brasil Holandês. Obra do pintor Frans Post.

Durante a colonização, um número impreciso de pessoas com origens em outras partes do mundo, além de Portugal e do Continente Africano, se fixaram no território que hoje corresponde ao Brasil. Embora a presença espanhola no Brasil durante o período colonial tenha sido importante em algumas regiões específicas, ela foi frequentemente ignorada ou mesmo negada. O historiador Capistrano de Abreu, em seu clássico A História do Brasil, de 1883, chegou mesmo a afirmar que os espanhóis não tiveram nenhuma importância na formação histórica brasileira ou, se a tiveram, ela foi menor do que a dos franceses. O próprio IBGE afirma que houve um "exagero" da parte do autor, e salienta que a presença de colonos espanhóis no Sul do Brasil foi "histórica e demograficamente densa".[77] Isto porque grande parte da região Sul do atual Brasil foi uma zona de disputa entre Portugal e a Espanha e, como não havia barreiras naturais impedindo a movimentação de pessoas (exceto o Rio Uruguai a oeste), por séculos houve ali uma convivência (frequentemente conflituosa) entre lusos e hispânicos.[78] O antropólogo Darcy Ribeiro escreveu que os gaúchos dos pampas "Surgem da transfiguração étnica das populações mestiças de varões espanhóis e lusitanos com mulheres guarani", demonstrando a importância do elemento espanhol na formação da população na zona fronteiriça entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai. Um estudo genético realizado pela FAPESP chegou mesmo a concluir que os espanhóis tiveram uma maior importância na formação étnica dos gaúchos do Sul do Brasil do que os próprios portugueses.[79]

Outro povo que se estabeleceu no Brasil colonial foi oriundo dos Países Baixos. Os invasores holandeses estabeleceram-se em diferentes partes do Brasil, a mais duradoura invasão ocorreu em Pernambuco, onde permaneceram por 24 anos (de 1630 a 1654). Existem mitos, especulações e até um certo "romantismo" em relação à presença holandesa no Brasil. Até hoje esse tema levanta discussões, quase sempre suscitando o imaginário de como seria o Brasil atualmente se tivesse sido colonizado pelos holandeses.[80] Em relação a uma possível contribuição holandesa para a formação da população brasileira, não existem dados sobre quantos holandeses permaneceram no Nordeste após a retomada do domínio português na região, tampouco se eram em número suficiente para ter deixado algum legado minimamente importante após apenas 24 anos de presença. Um estudo genético, porém, abre a possibilidade de ter havido alguma contribuição holandesa para a formação da população do Nordeste, com base numa análise do cromossomo Y.[81]

Durante o período de dominação holandesa, não foram poucos os casamentos entre holandeses oficiais da WIC e brasileiras pertencentes a aristocracia açucareira da época,[82] e ainda muito mais numerosas as uniões informais entre os praças da WIC com negras, índias, mestiças e brancas pobres.

Autores do período afirmam não terem sido poucos os colonos holandeses livres que se dedicavam à agricultura.[83][84]

Os franceses também invadiram as regiões onde atualmente ficam parte do então Estado do Maranhão (atual Maranhão) e do Rio de Janeiro. Ficaram muito pouco tempo no Brasil, foram rapidamente expulsos, mas alguns deles deixaram filhos tidos com mulheres indígenas. Porém, assim como no caso dos holandeses, não existe nenhuma comprovação factível que os franceses tenham tido qualquer influência considerável na formação do povo brasileiro.[85][86]

Portugal sempre foi muito preocupado em impedir a entrada de europeus de outras nacionalidades no Brasil. Foi só em 1808, com o fim ao pacto colonial e a abertura dos portos (transferência da Coroa Portuguesa ao Brasil e encerramento do Governo-Geral)[71][72] que foi permitida a entrada de cidadãos de outras nacionalidades no país. Até então, somente portugueses e escravos africanos podiam entrar de forma livre na colônia. Com a exceção da região de disputa de fronteira do Sul, onde a presença espanhola foi marcante,[77] no resto do Brasil a presença de outros povos, além de portugueses e de africanos, foi bastante exígua. Tal fato só se alterou no século XIX, quando permitiu-se a migração de outros grupos para o país. O Brasil se mostrava muito diferente dos Estados Unidos. A Inglaterra não se preocupava em limitar a entrada de não ingleses nas suas colônias da América do Norte. Desde os primórdios da colonização do atual Estados Unidos, além dos ingleses, diferentes nacionalidades europeias para lá se deslocaram, como suecos, espanhóis, alemães, irlandeses, escoceses, holandeses, franceses, além de diversas etnias de escravos africanos.[87]

No Brasil, as origens da população colonial eram bem menos diversificadas, compostas basicamente de portugueses e de diferentes etnias africanas, além de índios brasileiros. Todavia, os diferentes "cruzamentos" entre esses povos davam ao Brasil, desde o período colonial, um caráter de sociedade multi-étnica.[88] A partir do século XIX, a população do Brasil se diversificou mais, quando para o país passou a se dirigir correntes migratórias de origens relativamente diversificadas. Todavia, mais de 80% do fluxo migratório para o Brasil veio de apenas três países: Portugal, Itália e Espanha.[89] Nos Estados Unidos, por outro lado, os imigrantes vinham de quase todos os cantos da Europa.[90]

Colonização por outras origens

editar
 
Nova Friburgo durante sua colonização (1820-1830).

Os primeiros grupos de imigrantes não lusos e não africanos chegaram ao Brasil, de forma organizada, somente depois da abertura dos portos de 1808.

Excetuando os portugueses e alguns poucos estrangeiros que se tornaram súditos de Portugal, os primeiros imigrantes voluntários a vir para o Brasil após a abertura dos portos foram os chineses de Macau que chegaram ao Rio de Janeiro em 1808.[91][92] Cerca de 300 chineses foram trazidos pelo governo do príncipe regente (futuro rei Dom João VI) com o objetivo de introduzir o cultivo de chá no Brasil. Eles tiveram importante participação na aclimatação de plantas feitas pelo recém-criado Jardim Botânico do Rio de Janeiro.[91][92]

Entretanto, a mão de obra livre de imigrantes estrangeiros ainda era considerada dispensável pelos grandes fazendeiros. Na primeira metade do século XIX ainda desembarcaram no Brasil cerca de um milhão e 300 mil africanos subsaarianos, certamente o maior grupo de imigrantes recebido neste período.

O primeiro movimento organizado, contratado pelo governo brasileiro, de imigrantes europeus foi a imigração suíça para a região serrana do Rio de Janeiro.[93]

Em 16 de maio de 1818, o príncipe regente baixou um decreto autorizando o agente do Cantão de Friburgo, Sebastião Nicolau Gachet, a estabelecer uma colônia de cem famílias de imigrantes suíços. Entre 1819 e 1820, chegaram ao Brasil 261 famílias de colonos suíços, 161 a mais do que havia sido combinado nos contratos, totalizando 1 686 imigrantes. A sua maioria era composta de suíços de cultura e língua francesa. Os imigrantes estabeleceram-se na fazenda do Morro Queimado, situada na então vila de Cantagalo. A região era conhecida pelo seu clima ameno e relevo acidentado, o mais semelhante que poderia haver no Rio de Janeiro com a Suíça. Muitos dos imigrantes suíços logo abandonaram seus lotes e se dispersaram por toda a região serrana e centro-norte do estado do Rio de Janeiro, em busca de terras férteis e mais acessíveis.

Classes sociais

editar
 Ver artigo principal: Classes sociais no Brasil
 
Posição e magnitude relativa dos estratos sociais no Brasil colonial. A classes dominantes, devido a seu pequeno tamanho, são representadas por uma linha.

Conforme Darcy Ribeiro, em Teoria do Brasil (1975), a estratificação social do Brasil Colônia era mais simples. Havia as classes dominantes, os livres e os escravos.[94]

As classes dominantes se dividiam em um patronato e em um patriciado burocrático. O primeiro compreendia, por um lado, um patronato senhorial, aqueles cujo poder decorria da propriedade de grandes fazendas (de açúcar, por exemplo) e minas (como as de ouro, em Minas Gerais); e, por outro, um patronato parasitário, dedicado ao comércio de escravos, à usura e à importação e exportação de mercadorias em geral.[94]

O patriciado burocrático, por sua vez, envolvia aqueles cujo poder advinha do exercício do mando político, na qualidade de agentes da potência colonial. Ocupavam cargos, entre eles os de governantes, comandantes militares e eclesiásticos de alto escalão. É relevante ressaltar que os dois componentes da classe dominante (patronato e patriciado), bem como os subdivisões do patronato, persistiram ao longo dos anos e existem no Brasil contemporâneo.[94]

Os livres eram um setor intermediário entre as elites dominantes e os escravos. Formavam um grupo pouco numeroso de pobres, mestiços e mulatos que sobreviviam em atividades auxiliares ou complementares, entre elas o pequeno artesanato, a pequena lavoura de subsistência, o pastoreio, entre outras. Também se engajavam em corpos militares, oficiais ou não, com fins à repressão de revoltas indígenas ou escravas (como a destruição do quilombo dos Palmares por Domingos Jorge Velho). Os escravos, na base da pirâmide, eram o contingente mais numeroso.[94]

Escravidão

editar

Indígena

editar
 Ver artigo principal: Escravidão indígena no Brasil

Foi durante esse período em que os indígenas brasileiros começaram a passar pelo processo sistemático de etnocídio, escravização e genocídio.[95] Mesmo os grupos que haviam se aliado aos portugueses também sucumbiram ao avanço de doenças contra às quais não tinham imunidade e - como aconteceu com a instituição dos aldeamentos jesuíticos na capitania de São Vicente - passaram à condição de exército de mão-de-obra barata para o sustento da colonização.[96][97]

Africana

editar
Entrada de escravos africanos no Brasil[98]
Período 1500-1700 1701-1760 1761-1829 1830-1855
Quantidade 510 000 958 000 1 720 000 618 000

O tráfico internacional de escravos da África subsaariana para o Brasil foi um movimento migratório, embora forçado. Seu início ocorreu na segunda metade do século XVI, e desenvolveu-se no século XVIII, atingiu seu ápice por volta de 1845 até ser extinto em 1850.

 
Mulheres negras do Brasil colonial em dia de festa. Obra de Carlos Julião. Século XVIII.

O tráfico negreiro foi uma atividade altamente lucrativa e contou, até 1850, com amparo legal. Iniciou oficialmente em 1559, quando a metrópole portuguesa decidiu permitir o ingresso de escravos vindos da África no Brasil. Antes disso, porém, transações envolvendo escravos africanos já ocorriam no Brasil, sendo a escassez de mão de obra um dos principais argumentos dos colonos.

A escravidão era utilizada nas mais desenvolvidas sociedades da África Subsaariana antes mesmo do início do tráfico negreiro para a América e do envolvimento com as potências europeias. Escravos negros eram comumente transportados através do Saara e vendidos no norte da África por mercadores muçulmanos (ver: Escravatura no mundo muçulmano e Tráfico árabe de escravos). Estes escravos podiam ser pessoas capturadas nas guerras tribais, escravizadas por dívidas não pagas ou mesmo filhos de outros escravos por várias gerações. A necessidade de trabalhadores escravos na América aumentou a procura de escravos de modo que passaram a ser organizados grupos que entravam pelo interior da África Subsaariana com o único propósito de capturar pessoas de outras nações para serem vendidas como escravos nos portos do litoral.

A maior parte dos escravos africanos provinham de lugares como Angola, Guiné, Benim, Nigéria e Moçambique. Eram mais valorizados, para os trabalhos na agricultura, os negros Bantos ou Benguela ou Bangela ou do Congo, provenientes do sul da África, especialmente de Angola e Moçambique, e tinham valor os vindo do centro oeste da África, os negros minas ou da Guiné, que receberam este nome por serem embarcados no porto de São Jorge de Mina, na atual cidade de Elmina, e eram, por outro lado, mais aptos para a mineração, trabalho o qual já se dedicavam na África Ocidental. Por ser a Bahia mais próxima da Costa da Guiné (África Ocidental) do que de Angola, a maioria dos negros baianos são Minas.

Os traficantes trocavam os escravos por produtos como fumo, armas e aguardentes. Os escravos comprados eram transportados nos chamados navios negreiros principalmente para as cidades do Rio de Janeiro (Cais do Valongo), Salvador, Recife e São Luís. As péssimas condições sanitárias existentes nas embarcações, que vinham superlotadas, faziam com que muitos escravos morressem, entretanto, a maior parte das mortes ocorria no transporte desde o local de captura até o porto africano de embarque. Quando desembarcavam em solo brasileiro, os escravos africanos ficavam de quarentena enquanto recuperavam a saúde e engordavam para serem vendidos em praça pública. A maior parte ainda viajava a pé para as regiões mais distantes do interior onde havia minas ou plantações.

Os escravos homens, jovens, mais fortes e saudáveis eram os mais valorizados. Havia um grande desequilíbrio demográfico entre homens e mulheres na população de escravos. No período 1837-1840, os homens constituíam 73,7% e as mulheres apenas 26,3% da população escrava. Além disto, os donos de escravos não se preocupavam com a reprodução natural dos escravizados, pois era mais barato comprar escravos recém trazidos pelo tráfico internacional do que gastar com a alimentação de crianças.[99]

Ao todo, entraram no Brasil aproximadamente quatro milhões de africanos na forma de escravos.[77]

Ver também

editar

Notas e referências

Notas

  1. Os anos exatos variam de acordo com a periodização, levando em conta fatores como descobrimento, início do povoamento, fim da colônia e independência. Considerando todos os pontos de vista, o período de colonização inicia-se entre 1500 e 1532 e termina entre 1808 e 1815.

Referências

  1. Prado Júnior 1961, pp. 13 - 26.
  2. Schwarcz & Starling 2022, pp. 30 - 31.
  3. Um Governo de Engonços: Metrópole e Sertanistas na Expansão dos Domínios Portugueses aos Sertões do Cuiabá (1721-1728). [S.l.: s.n.] 
  4. Pimenta 2022, p. 68.
  5. Novais 1989, p. 57 - 116.
  6. Wanessa, Souza. «As populações indígenas no território brasileiro» (PDF) 
  7. [1]Arquivado em 13 de novembro de 2008, no Wayback Machine. Aracruz [Celulose]. A questão indígena no Brasil e no Espírito Santo
  8. BOXER, C. R.. O Império Marítimo Português. São Paulo: Companhia da Letras, 2002. Pgs. 98-100.
  9. «Martín Alonso Pinzón and Vicente Yáñez Pinzón | Explorers, Voyages, Caribbean | Britannica». www.britannica.com (em inglês). 1 de janeiro de 2024. Consultado em 12 de janeiro de 2024 
  10. PE, Do G1; PE, com informações do Bom Dia (14 de outubro de 2011). «Pinzón ou Cabral: quem chegou primeiro ao Brasil?». Projeto Educação. Consultado em 12 de janeiro de 2024 
  11. Caminha, Pero Vaz (1500). «Carta a El Rei D. Manuel». pt.wikisource.org 
  12. a b Boxer 1969, p. 98.
  13. Zemella, Mafalda P. (5 de dezembro de 1950). «Os ciclos do pau-brasil e do açúcar». Revista de História (4): 485–494. ISSN 2316-9141. doi:10.11606/issn.2316-9141.v1i4p485-494. Consultado em 19 de janeiro de 2024 
  14. Hollanda 2007, p. 105.
  15. «500 anos de destruição». Reserva da biosfera da Mata Atlântica. Consultado em 20 de julho de 2023 
  16. Ceballos, Rodrigo (7 de agosto de 2013). «Os portugueses do Prata:: tratos, contratos e privilégios locais (1580-1670)». História, histórias (1). ISSN 2318-1729. doi:10.26512/hh.v1i1.10711. Consultado em 22 de janeiro de 2024 
  17. Cabral, Gustavo César Machado (1 de janeiro de 2015). «Os senhorios na América Portuguesa: o sistema de capitanias hereditárias e a prática da jurisdição senhorial (séculos XVI a XVIII)». Jahrbuch für Geschichte Lateinamerikas – Anuario de Historia de America Latina (1). ISSN 2194-3680. doi:10.7767/jbla-2015-0105. Consultado em 22 de janeiro de 2024 
  18. «O estabelecimento do exclusivo comercial metropolitano e a conformação do antigo sistema colonial no Brasil». SciELO. Consultado em 18 de janeiro de 2017 
  19. «O Sistema de Capitanias Hereditárias». Portal MultiRio. Consultado em 18 de janeiro de 2017 
  20. Orlandi, Eni Puccinelli (26 de dezembro de 2011). «A fundação de um estado: cidade de São Salvador, Brasil». Cadernos de Estudos Linguísticos (2): 101–112. ISSN 2447-0686. doi:10.20396/cel.v53i2.8636980. Consultado em 15 de junho de 2024 
  21. Skidmore 2003, p. 27.
  22. Boxer 1969, p. 101.
  23. Skidmore 2003, p. 36.
  24. Cashmore 2000, p. 39.
  25. Lovejoy 2002, p. 51-56.
  26. Boxer 1969, p. 32–33, 102, 110.
  27. Skidmore 2003, p. 34.
  28. «Recife — cidade que surgiu do açúcar — BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia». wol.jw.org. Consultado em 13 de janeiro de 2021 
  29. Monteiro, John Manuel (1995). Negros da Terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras. pp. 29 – 35 
  30. Monteiro 1995, p. 42 - 51.
  31. Boxer 1969, p. 207.
  32. a b Donato 1987, p. 71-82.
  33. a b Rezende 2006, p. 70 - 76.
  34. de Oliveira, Mauro Leonardo da Costa (2001). «Escravidão Indígena na Amazônia Colonial» (PDF). Universidade Federal de Goiás - Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia. Consultado em 17 de junho de 2024 
  35. Godinho, Vitorino de Magalhães (7 de setembro de 1953). «Portugal, as frotas do açúcar e as frotas do ouro (1670 —1770)». Revista de História (15): 69–88. ISSN 2316-9141. doi:10.11606/issn.2316-9141.v7i15p69-88. Consultado em 18 de junho de 2024 
  36. Puntoni 2000, p. 25 - 26.
  37. a b Boxer 1969, p. 159 - 160.
  38. Holanda 1963.
  39. Souza, Laura de Mello e; Bicalho, Maria Fernanda Baptista (2000). 1680 - 1720: o império deste mundo. São Paulo: Companhia das Letras. pp. 21 – 39 
  40. Souza & Bicalho, p. 77 - 80.
  41. Souza, Laura de Mello e (2015). Desclassificados do Ouro. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul. p. 29 
  42. Donato 1987, p. 82.
  43. Mello 2009, p. 51, 59, 85.
  44. Pedroso 2005, p. 67, 2º§ (final).
  45. Boxer, p. 213
  46. Barcellos 2011, p. xiv.
  47. Bueno.
  48. Mello 2007.
  49. «Maurício de Nassau, o brasileiro». Guia do Estudante. Consultado em 5 de abril de 2015. Arquivado do original em 23 de dezembro de 2014 
  50. Bueno, Eduardo (1998). Náufragos, traficantes e degredados: As primeiras expedições ao Brasil, 1500-1531. [S.l.]: Objetiva 
  51. «Biografia de Matias de Albuquerque». eBiografia. Consultado em 9 de junho de 2017 
  52. Vidal 2011.
  53. Luiz Geraldo Silva. «A Faina, a Festa e o Rito. Uma etnografia histórica sobre as gentes do mar (sécs XVII ao XIX)». Google Books. p. 122. Consultado em 28 de junho de 2016 
  54. Santana (II).
  55. «O Ciclo do Açúcar». Marfaber 
  56. «Ciclo do açúcar». Mundo vestibular 
  57. «Ciclos Econômicos no Brasil». Portal Amigo Nerd 
  58. Cancian (II) 2005.
  59. «Apostila de atualidades» (PDF). Colégio/Curso desafio 
  60. Ribeiro 2003.
  61. «Sociedade Colonial». Portal São Francisco 
  62. Schwartz.
  63. «Sociedade Colonial Brasileira». Cola da web 
  64. «A feijoada foi criada pelos escravos». Super Interessante 
  65. Lima 1999.
  66. Cavalcante 2011.
  67. Ribeiro, Darcy (2008). O Povo Brasileiro. [S.l.]: Companhia de Bolso 
  68. Figueiredo, Lucas (2010). A Corrida do Ouro no Brasil. [S.l.]: Record. p. 387–387 
  69. Radioagência Nacional (7 de junho de 2017). «Tratado de Tordesilhas era assinado há 523 anos». Agência Brasil. Consultado em 8 de setembro de 2022 
  70. Brazilian diplomatic thought : policymakers and agents of foreign policy (1750-1964). Pimentel, José Vicente de Sá,, Pimentel, José Vicente de Sá,. Brasília: [s.n.] OCLC 1046680379 
  71. a b «Governo Geral». Toda Matéria. Consultado em 22 de fevereiro de 2022 
  72. a b «Brazil Chronology». World Statesmen (em inglês). Consultado em 29 de abril de 2022 
  73. «Pará também nasceu de uma divisão». NoTapajós 
  74. "Marranos"ENCYCLOPEDIA BRITANNICA http://www.britannica.com/EBchecked/topic/366145/Marrano.Consultado em 12 de Fevereiro de 2021.  
  75. A Memória Judaica em Pernambuco (PDF). Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. Consultado em 12 de Fevereiro de 2021.  ↑ 
  76. Koren de Lima, Cândido Pinheiro (2012). Branca Dias - Tomo I. [S.l.]: Fundação Gilberto Freyre 
  77. a b c «Cópia arquivada». Consultado em 17 de agosto de 2015. Arquivado do original em 8 de maio de 2013 
  78. Fernando A. Novais (1997). História da Vida Privada no Brasil. [S.l.]: Companhia das Letras. pp. 523–523 
  79. [2]
  80. «Holandeses no Brasil: E se o Brasil tivesse sido colonizado pela Holanda?». educacao.uol.com.br. Consultado em 13 de janeiro de 2021 
  81. «Cópia arquivada». Consultado em 17 de agosto de 2015. Arquivado do original em 4 de dezembro de 2013 
  82. CALADO, Manuel. O Valeroso Lucideno (2 v.). Belo Horizonte: Itatiaia 1987. (Coleção Reconquista do Brasil) ISBN 1181510007. Original de 1648
  83. Wätjen, Hermann. O Domínio Colonial Hollandez no Brasil: Um Capítulo da História Colonial do Século XVII. Tradução de Pedro Celso Uchôa Cavalcanti. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938.
  84. Barléu, Gaspar, O Brasil Holandês sob o Conde João Maurício de Nassau – História dos Feitos Praticados no Brasil, Durante Oito Anos, sob o Governo do Ilustríssimo Conde João Maurício de Nassau, Tradução Cláudio Brandão, Editora: Edições do Senado Federal.
  85. Walter (21 de fevereiro de 2017). «História da Fundação de São Luís do Maranhão». Guia de turismo e viagem de Salvador, Bahia e Nordeste Brasileiro. Consultado em 12 de janeiro de 2024 
  86. França & Hue, Jean & Sheila (2014). Piratas no Brasil: As incríveis histórias dos ladrões dos mares que pilharam nosso litoral. São Paulo: Globo Livros. p. 91
  87. Marcus Vinicius de Morais, Sean Purdy. História dos Estados Unidos: das Origens ao Século XXI. [S.l.]: Cotexto 
  88. Darcy Ribeiro (1995). «O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil» (PDF). Companhia das Letras. p. 151 - Tabela 1. 477 páginas. Cópia arquivada (PDF) em 19 de abril de 2015 
  89. «IBGE Educa». IBGE - Educa. Consultado em 13 de janeiro de 2021 
  90. «WHKMLA : Emigration to America 1770-1914». www.zum.de. Consultado em 13 de janeiro de 2021 
  91. a b DORÉ, Andrea. Os Macaenses no Brasil. Lusotopie 2000, pp. 224-225 (visitada em 22 de agosto de 2008)
  92. a b «LIMA, Silvio Cezar de Souza. Os filhos do império celeste: a imigração chinesa e sua incorporação à nacionalidade brasileira. Rede de Memória Virtual Brasileira (visitada em 22 de agosto de 2008)». Consultado em 17 de agosto de 2015. Arquivado do original em 31 de março de 2009 
  93. Imigração no Brasil[ligação inativa] Colégio São Francisco
  94. a b c d Ribeiro, Darcy (1975). «Estratificação social». Teoria do Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira 
  95. Skidmore 2003, p. 30, 32.
  96. Soihet 2003, p. 29, 2º§.
  97. Lopez 2008, p. 95-97.
  98. IBGE. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de janeiro : IBGE, 2000. Apêndice: Estatísticas de 500 anos de povoamento. p. 223 apud IBGE. Desembarques no Brasil Arquivado em 25 de junho de 2002, no Wayback Machine. (visitado em 23 de agosto de 2008)
  99. TOLEDO, Renato Pompeu de. À Sombra da Escravidão Arquivado em 7 de junho de 2008, no Wayback Machine. (visitada em 22 de agosto de 2008)

Bibliografia

editar
Livros
Trabalhos acadêmicos
Páginas web

Ligações externas

editar
Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
  Categoria no Commons
Período da história do Brasil
Pré-cabralino

(antiguidade à 1500)

Brasil Colônia

(1500 à 1822)

Império do Brasil

(|1822 à 1889)