Brigadeiro (doce)

Doce típico da confeitaria brasileira

O brigadeiro é um doce típico da culinária brasileira,[1] de origem paulista,[2][3] na qual rapidamente se difundiu pelo resto do país, tornando-se comum em todo o país a sua presença em festas de aniversário, junto com doces como o cajuzinho e o beijinho.[1] É conhecido também no Rio Grande do Sul pelo nome de negrinho.

Brigadeiros

Os ingredientes do brigadeiro são leite condensado, chocolate em pó, manteiga e chocolate granulado para a cobertura.[1] Pode ser feito tanto no fogão quanto no forno de micro-ondas.

EtimologiaEditar

A origem do nome "brigadeiro" é ligada à campanha presidencial do Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da União Democrática Nacional (UDN) à Presidência da República em 1946.[4]

No Rio Grande do Sul, ao contrário de no resto do país,[5] o brigadeiro é popularmente conhecido pelo nome "negrinho". Tal fato, conforme é relatado nas memórias do político udenista catarinense Hercílio Deeke, se deve também a razões políticas ligadas à candidatura de Eduardo Gomes. Segundo comenta o mesmo, o forte antagonismo político do caudilho gaúcho Getúlio Vargas - hegemônico na política gaúcha da época e forte opositor da candidatura de Eduardo Gomes - fez com que no Rio Grande do Sul o termo "brigadeiro" fosse pouco utilizado, usando-se em seu lugar o termo "negrinho" como um substituto "politicamente aceitável" para os meios de comunicação majoritariamente varguistas abertamente hostis ao candidato da UDN.[6]

HistóriaEditar

OrigemEditar

Conforme relatam historiadores da alimentação, o nome seria uma homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes.[7] Durante a candidatura do militar à presidência da República pela União Democrática Nacional, um grupo de mulheres paulistanas do bairro do Pacaembu que eram engajadas na campanha do candidato organizaram festas para promover sua candidatura. O doce teria sido criado por essas mulheres durante a primeira campanha do candidato à presidência, pela conservadora União Democrática Nacional, logo após a queda de Getúlio Vargas.[8]

A guloseima, feita de leite condensado, manteiga, açúcar e chocolate em pó, inicialmente feita como uma forma de arrecadar fundos para a campanha, rapidamente ganhou popularidade e se espalhou pelo resto do país junto da campanha do Brigadeiro. Como as festas dos correligionários e cabos eleitorais eram muito disputadas pela população, estes logo começaram a chamar os amigos para irem comer o "docinho do brigadeiro". Com o tempo, o nome "brigadeiro" se tornou tão associado ao doce que o mesmo passou a ser conhecido apenas como "brigadeiro". Apesar do apoio recebido, Eduardo Gomes foi derrotado nas eleições, tendo a eleição sido vencida pelo então general Eurico Gaspar Dutra.[9]

Tal versão é reforçada não só pelo contexto político da época (em que São Paulo, ainda com a memória recente da Revolução de 1932, tinha forte engajamento de sua população contra Getúlio Vargas e seu candidato, o General Dutra), mas também pelo próprio contexto econômico e material da época. Era justamente no Estado de São Paulo em que se encontravam as duas únicas fábricas brasileiras de leite condensado (as Fábricas da Nestlé em Araras e em São Paulo, fundadas em 1921), além de ser na cidade de São Paulo em que era fabricado o notório "Chocolate do Padre" (nome popular do chocolate citado em grande parte das receitas antigas do doce), o qual era produzido pela Fábrica Gardano (fundada na capital paulistana também em 1921, junto com a fábrica da Nestlé).[10]

Outras versõesEditar

Outras versões, aparentemente derivadas da história acima descrita e popularizadas nos anos 1980, narram histórias similares vinculando o doce à campanha de Eduardo Gomes, alterando no entanto a localidade da criação do doce e alegando que o mesmo foi criado por mulheres do Rio de Janeiro. Em uma dessas versões cita-se que Heloísa Nabuco, de tradicional família carioca que apoiava o brigadeiro, criou um tipo de doce, ligeiramente diferente da versão atual sendo feito com leite, ovos, manteiga, açúcar e chocolate, e o denominou com a patente do candidato preferido.[11] Outras versões, também derivadas da história original, apontam também localidades em Minas Gerais.[12]

Ver tambémEditar

 
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Referências

  1. a b c «Receitas de brigadeiro» (PDF). Nestlé Brasil. Consultado em 6 de outubro de 2017 
  2. BELLUZZO, Rosa. São Paulo: memória e sabor. São Paulo: Ed. UNESP, 2009.
  3. RAMOS, Regina Helena de Paiva. A cozinha paulista. São Paulo: Melhoramentos, 2000. ISBN 9788571398832
  4. «Origem do nome do doce brigadeiro está ligada à história do Brasil». Portal G1. Consultado em 6 de outubro de 2017 
  5. «Folclore e Gastronomia Brasileira». Sites Google. Consultado em 7 de outubro de 2017 
  6. DEEKE, Hercílio Artur Oscar. Meu legado na política. Blumenau: Sociedade Colonizadora Hanseática, 1966.
  7. «O doce brigadeiro». Revista Isto É. 18 de janeiro de 2012. Consultado em 6 de outubro de 2017 
  8. ABRAHÃO, Fernando. "Delícias das sinhás – História e receitas culinárias da segunda metade do século 19 e início do século 20". São Paulo: Ed. Arte Escrita, 2008. ISBN 978-85-8805911-8
  9. «Muito bem organizadas as manifestações no Dia da Paz». Diário de Cuiabá. Consultado em 7 de outubro de 2017 
  10. «Quando o leite condensado virou brigadeiro? - a história do doce mais famoso do Brasil». Essencia Stúdio. Consultado em 7 de outubro de 2017 
  11. «A origem histórica do doce de brigadeiro». História Digital. Consultado em 7 de outubro de 2017 
  12. Viaro, Mário Eduardo. «O doce enigma do brigadeiro - Revista Língua Portuguesa». Revista Língua. Consultado em 7 de junho de 2012