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Caidar ibne Cavus Alafixim

(Redirecionado de Caidar ibne Cavus al-Afixim)
Pabaco conversa com Afixim Caidar, o general do califa abássida Almotácime

Caidar ibne Cavus Loudspeaker.svg? escutar(Khaydār b. Kāvūs), conhecido por seu título hereditário de al-Afixim (em persa: افشین), foi um general sênior na corte do Califado Abássida e o filho do príncipe vassalo de Osruxana.[1][2]

Índice

Nome e contexto familiarEditar

Afixim era um título hereditário dos príncipes de Osruxana na época da conquista muçulmana da Pérsia.[2] O termo é uma forma "arabizada" do persa intermediário Pishin e Avestan Pisinah, um nome próprio de etimologia incerta.[2] Minorsky sugere que o título "Afixim" era de origem sogdiana.[3]

Nesta época, quando a invasão árabe de Transoxiana (incluindo Osruxana) se deu sob Cutaiba ibne Muslim (712-714), Osruxana era habitada por uma população de origem iraniana[1] e governada por seus próprios príncipes que detinham o título tradicional de "Afixim".[4]

O general Afixim é geralmente considerado como sendo iraniano,[1][5][6][7][8][9] apesar de duas fontes clássicas (e alguns autores modernos) terem-no considerado como sendo turco.[9][10] Ele certamente veio de um meio cultural iraniano[1][9] e não é geralmente considerado como sendo turco.[9] A confusão decorre do fato de o termo "turco" ser utilizado de forma pouco acadêmica pelos escritores árabes da época para denotar as novas tropas do califa, que certamente incluíam soldados de origem iraniana, incluindo os oriundos de Fergana e Osruxana.[9][11][12] Na realidade, os turcos chegaram na Pérsia duzentos e oitenta nos após a invasão do Irã pelos árabes do deserto.

Primeiros anosEditar

De acordo com Iacubi, durante o reinado do terceiro califa abássida, Almadi (r. 775–785), Afixim de Osruxana foi mencionado entre diversos os governantes iranianos e turcos da Transoxiana e das estepes da Ásia Central que se submeteram nominalmente ao califa.[2] Mas não foi antes do reinado de Harune Arraxide (r. 794–795) que Fadal ibne Iáia liderou uma expedição até a Transoxiana e recebeu a submissão dos governantes chamados "Akin" e conhecidos como Kharākana.[13] Estes Karākana jamais haviam se submetido antes a nenhum outro poder estrangeiro. Expedições subsequentes foram, de qualquer forma, enviadas a Osruxana por Almamune quando ele era governador em Marv e, posteriormente, califa. Cavus, filho de Afixim Karākana, que se submetera a Fadal ibne Iáia, renegou sua aliança com os árabes. Porém, pouco antes da chegada do califa a Bagdá vindo do oriente (817-818 ou 819-820), uma disputa de poder irrompeu entre os governantes de Osruxana.

De acordo com a maior parte das fontes, o herdeiro de Almamune, Almotácime não apenas nomeou Afixim governador do Azerbaijão e subordinou diversos oficiais de alta patente a ele, mas também mandou que salários excepcionalmente altos, despesas discricionárias e rações lhe fossem dispensadas.[14] Em 831-833, ele suprimiu revoltas no Egito originadas nas regiões remotas de Alexandria. Em 2 de junho de 832, espalhou-se a notícia de seu grande sucesso em Bima, no Egito, que se rendera após Afixim oferecer à cidade a promessa de salvo-conduto do califa.

Afixim e PabacoEditar

Em 838, o califa Almotácime nomeou Afixim como governador do Azerbaijão[15] para que ele combatesse Pabaco, líder de um movimento anti-islâmico e neo-masdaíta persa dos curramitas.[2]

Após uma feroz resistência por parte do exército de Pabaco, Afixim eventualmente o derrotou e capturou o castelo de Pabaco em agosto de 837. Iacubi[16] relata que Afixim, após liberar 7 600 prisioneiros árabes nesta fortaleza, destruiu o castelo.[2] O líder curramita escapou e se abrigou sob a proteção do príncipe cristão Sahl ibn-Sunbat,[17] que acabou entregando-o a Afixim. Em agradecimento, o califa o recompensou com o governo de Sind além da Armênia e do Azerbaijão.

Campanha AnatólicaEditar

 Ver artigo principal: Saque de Amório

Afixim lutou ao lado de Almotácime durante a sua campanha de 838 contra o Império Bizantino e que chegou até Amório comandando a ala direta no massacre que se seguiu.[2]

Conforme os dois exércitos adentravam o Império Bizantino - separadas por 240 quilômetros -, o imperador Teófilo decidiu atacar uma das partes do exército invasor antes que ela pudesse se juntar à outra. Assim, foram as tropas de Afixim que o imperador atacou em 21 de julho de 838. A batalha que se seguiu resultou, porém, numa decisiva vitória muçulmana. Apesar da vantagem inicial dos bizantinos, o devastador golpe dos arqueiros montados turcos e a crença errônea de que Teófilo teria morrido desmoralizaram o exército bizantino, que debandou e fugiu. O imperador e sua guarda conseguiram fugir com dificuldades.

A partir de Ancira, o exército muçulmano reunido avançou para a cidade fortificada bizantina de Amório. Um prisioneiro muçulmano escapou da cidade e revelou que uma seção das muralhas estava enfraquecida. Ali o califa concentrou seu poder de fogo e logo uma brecha se abriu permitindo a captura da cidade.

QuedaEditar

A estrela de Afixim começou a declinar aparentemente por conta do ciúme que ele já havia demonstrado em relação a Abu Dolat - e Abdalá ibne Tair, governador do Grande Coração e, aparentemente, considerado por Afixim como um "arrivista" e um rival pelo poder na Transoxiana. Ele se envolveu também com Maziar (filho de Qaren), um príncipe iraniano e um aspabedes do Tabaristão, na costa do Mar Cáspio. Afixim supostamente teria encorajado Maziar em segredo, contando que Abdalá seria deposto e que Afixim herdaria o posto. A revolta de Maziar foi esmagada em 839 e a posição de Afixim se tornou muito complicada e culminou em sua desgraça. A situação piorou quando se descobriu uma suposta correspondência entre ele e Maziar. Além disso, o governador de Coração, Abdalá, alegou que teria interceptado parte da fortuna de Babaque que Afixim havia obtido na campanha e que estava sendo secretamente transferida para as terras de Afixim em Osruxana. Quando Maziar chegou a Samarra, Afixim foi preso.

Maziar participou do interrogatório do ex-general, confirmando que Afixim havia conspirado com ele. Outros presentes levantaram questões adicionais sobre a sinceridade da conversão de Afixim ao islã (ele era zoroastriano), mas Afixim tinha resposta para toda as acusações. Ele alegou que os artefatos e livros zoroastrianos encontrados com ele eram heranças de família da época anterior à sua conversão. Ele explicou também que, quando ele puniu dois muçulmanos fanáticos que estavam destruindo ídolos em Osruxana, ele estaria apenas exercitando uma liderança razoável com o objetivo de manter a harmonia num território religiosamente diverso. Ele contou ainda que a forma como ele era chamado por seu povo nas cartas que eles escreviam para ele, como "Senhor dos Senhores" em persa, era simplesmente uma tradição e que não invalidava sua crença no Deus único (Alá).[18]

Contudo, suas respostas não conseguiram salvá-lo. Almotácime mandou construir uma prisão especialmente para Afixim, chamada "A Pérola" e que tinha o formato de um minarete. Lá, Afixim passou os últimos nove meses de sua vida, falecendo em maio/junho de 841.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d C. Edmund Bosworth(2005), "OSRUŠANA" in Encyclopaedia Iranica. Accessed November 2010 [1] "At the time of the Arab incursions into Transoxania, Osrušana had its own line of Iranian princes, the Afšins (Ebn Ḵordāḏbeh, p. 40), of whom the most famous was the general of the caliph Moʿtaṣem (q.v. 833-42), the Afšin Ḵayḏar or Ḥaydar b. Kāvus (d. 841; see AFŠIN)", "The region was little urbanized, and it long preserved its ancient Iranian feudal and patriarchal society. "
  2. a b c d e f g C.E. Bosworth. «Afshin». Encyclopedia Iranica. During the reign of the caliph Mahdi (158-69/775-85) the Afshin of Oshrusana is mentioned among several Iranian and Turkish rulers of Transoxania and the Central Asian steppes who submitted nominally to him (Iacubi, II, p. 479) 
  3. V. Minorsky, Studies in Caucasian history, Cambridge University Press, 1957, (footnote on page 111).
  4. Kramers, J.H. "Usrūshana." Encyclopaedia of Islam. Edited by: P. Bearman , Th. Bianquis , C.E. Bosworth , E. van Donzel and W.P. Heinrichs. Brill, 2007
  5. Lewis,Bernard. "The Political Language of Islam", Published by University of Chicago Press, 1991. excerpt from pg 482: "Babak's Iranianizing Rebellion in Azerbaijan gave occasion for sentiments at the capital to harden against men who were sympathetic to the more explicitly Iranian tradition. Victor (837) over Babak was al-Afshin, who was the hereditary Persian ruler of a district beyond the Oxus, but also a masterful general for the caliph."
  6. Clifford Edmund Bosworth (Translator with Commentary), The History of al-Tabari Vol. 33 "Storm and Stress along the Northern Frontiers of the 'Abbasid Caliphate: The Caliphate of al-Mu'tasim A.D. 833-842/A.H. 218-227", SUNY Press, 1991. Footenote 176 on pg 59: "Abu Dulaf's contigent [sic?] of volunteers from lower Iraq would be mainly Arabs, and there seems in fact to have been hostility between him, as a representative of Arab influence at the caliphate court, and the Iranian Al-Afshin"
  7. P.B. Golden, "Khazar Turkic Ghulams in Caliphal Service", Journial Asiatique, 2004, vol. 292. pg 292:Some of the soldiers were slaves, others, such as al-Afshin, the scion of a ruling Central Asian (Ustrushana/Ushrusana) Iranian family, clearly were not".
  8. Mottahedeh, Roy, "The Abbassid Caliphate in Iran", Cambridge History of Iran, IV, ed. R.N. Frye, 57-89. 1975 pg 75:" Al Mu'atism chose for this task the Afshin, the Iranian king of Ushrusuna".
  9. a b c d e D. Pipes. Turks in Early Muslim Service — JTS, 1978, 2, 85—96. excerpt:"Although two classical sources claim him a Turk, he came from Farghana, an Iranian cultural region and was not usually considered Turkish"
  10. Sourdel, D. "The Abbasid Caliphate." Pages 104-39 in P.M. Holt, Ann K.S. Lambton, and Bernard Lewis (eds.), The Cambridge History of Islam, I. Cambridge: Cambridge University Press, 1970. Quote from Pg 125: "and finally of Mazyar, a local chieftain of Tabaristan, against whom the caliph sent the Turkish general Afixim, the conqueror of Babak"
  11. M.A. Shaban, “Islamic History”, Cambridge University Press, v.2 1978. Page 63:"These new troops were the so-called “Turks”. It must be said without hesitation that this is the most misleading misnomer which has led some scholars to harp ad nauseam on utterly unfounded interpretation of the following era, during which they unreasonably ascribe all events to Turkish domination. In fact the great majority of these troops were not Turks. It has been frequently pointed out that Arabic sources use the term Turk in a very loose manner. The Hephthalites are referred to as Turks, so are the peoples of Gurgan, Khwarizm and Sistan. Indeed, with the exception of the Soghdians, Arabic sources refer to all peoples not subjects of the Sassanian empire as Turks. In Samarra separate quarters were provided for new recruits from every locality. The group from Farghana were called after their district, and the name continued in usage because it was easy to pronounce. But such groups as the Ishtakhanjiyya, the Isbijabbiya and groups from similar localities who were in small numbers at first, were lumped together under the general term Turks, because of the obvious difficulties the Arabs had in pronouncing such foreign names. The Khazars who also came from small localities which could not even be identified, as they were mostly nomads, were perhaps the only group that deserved to be called Turks on the ground of racial affinity. However, other groups from Transcaucasia were classed together with the Khazars under the general description."
  12. ʻUthmān Sayyid Aḥmad Ismāʻīl Bīlī, "Prelude to the Generals", Published by Garnet & Ithaca Press, 2001. pg 47:"The name Turk was given to all these troops, despite the inclusion amongst them of some elements of Iranian origin, Ferghana, Ushrusana, and Shash – places were in fact the centers were the slave material was collected together....Judging from the specific names of their origin, Soghd, Farghana, Urshusuna, Shahs, the majority of them might have been of Iranian origin"
  13. whose name, by inference from Tabari, III, p. 1066, was something like Kharākana; according to Gardīzī led. Habibi, p. 130
  14. Encyclopedia Iranica, "Babak Khorrami" by G.H. Yusofi
  15. Daftary, F. (1998). «2». In: Asimov, M.S.; Bosworth, C.E. Sectarian and national movements in Iran, Khurasan and Transoxania during Umayyad and early Abbasid times [History of Civilizations of Central Asia: Age of Achievement, 8750 Ad to the End of the 15th Century]. [S.l.]: UNESCO. p. 50. ISBN 92-3-103467-7 
  16. Tarikh II, 579
  17. Dowsett, C.J.F. (1957). «A Neglected Passage in the "History of the Caucasian Albanians». University of London. Bulletin of the School of Oriental and African Studies. 19 (3). 463 páginas. Among the prisoners captured by Bogha al-Kabir in 854, John Catholicos and Tovma Arcruni mention three Albanian princes: Atrnerseh, lord of Khachen, Sahl ibn-Sunbat, lord of Shake, Esay Abu Musa, lord of Ktish in Artsakh. 
  18. Tabari v. 33, p. 187f.

BibliografiaEditar

  • C. E. Bosworth,"Afshin", Encyclopedia Iranica
  • Tabari History v. 32 "The Reunification of the Abbasid Caliphate", SUNY, Albany, 1987; v. 33 "Storm and Stress along the Northern Frontiers of the Abbasid Caliphate", transl. C.E. Bosworth, SUNY, Albany, 1991
  • John Bagot Glubb, The Empire of the Arabs, Hodder and Stoughton, London, 1963
  • E. de la Vaissière, Samarcande et Samarra. Elites d'Asie centrale dans l'empire Abbasside, Peeters, 2007 [2]