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Caio Minício Fundano
Cônsul do Império Romano
Consulado 107 d.C.

Caio Minício Fundano (em latim: Gaius Minicius Fundanus) foi um senador romano nomeado cônsul sufecto para o nundínio de maio a agosto de 107 com Caio Vetênio Severo[1]. Um amigo de Plínio, o Jovem, Fundano é conhecido por ter sido o recipiente de um édito do imperador Adriano sobre julgamentos de cristãos em sua província.

CarreiraEditar

Detalhes sobre a carreira de Fundano são escassos. Sabe-se que ele foi governador da Acaia, mas o ano é incerto[2]. O terminus ante quem do começo de seu mandato foi 101, quando sabe-se que Caio Caristiano Juliano estava no posto[3], e o terminus ante quem do final é o ano de seu consulado, embora as cartas que ele recebeu de Plínio indiquem que ele não estava mais na Acaia, o que permite inferir que o fim de seu mandato pode ter sido, na data mais cedo, 105.

A maioria, senão todas, das cartas que Plínio escreveu a Fundano são de antes do consulado. Na primeira, Plínio declara que viver em suas terras era preferível a viver em Roma, onde ele estava sujeito a constantes pedidos de ajuda[4]. A segunda é uma petição para que Fundano nomeie o filho de seu amigo Asínio Rufo para servir como questor durante seu esperado consulado[5]. A terceira é outro pedido, desta de vez de seu voto em favor de Júlio Naso, que estava concorrendo a um cargo não determinado[6]. Apesar de estas cartas demonstrarem claramente que os dois se conheciam, elas não revelam sinais de uma amizade mais próxima.

Depois de seu consulado (107), durante o reinado de Trajano, Fundano foi nomeado governador da Dalmácia, provavelmente entre 108 e 111[7].

CristãosEditar

É através do historiador Eusébio que sabemos que Fundano foi procônsul da Ásia[8], provavelmente entre 122 e 123[9]. Seu predecessor, Quinto Licínio Silvano Graniano, havia perguntado a Adriano como lidar com processos legais nos quais habitantes da província estavam acusando seus vizinhos de serem cristãos através de "informantes ou mero clamor". A resposta de Adriano foi afirmar que todas as acusações deste tipo deveriam ser tratadas nas cortes, onde o assunto poderia ser adequadamente investigado e, se eles forem "culpados de qualquer ilegalidade, você [Fundano] deve pronunciar sua sentença de acordo com o gravidade da ofensa".

Eusébio preservou o texto da resposta em sua "História Eclesiástica", uma importante testemunha independente da existência de uma ou mais comunidades cristãs naquela parte da Anatólia no início do século II. A única outra evidência da evidência destas comunidades é a lista das sete igrejas da Ásia no livro do Apocalipse (2:1-3:22).

FamíliaEditar

O nome da esposa de Fundano é desconhecido, mas sabe-se que ele teve uma filha, Minica Marcela, a partir de duas fontes independentes. Seu vaso funerário foi identificado e, segundo ele, ela morreu com apenas 12 anos, 11 meses e sete dias[10]. Plínio também atesta a existência dela, revelando informações sobre ela que indicam que os dois eram mais amigos do que o tom das cartas sugere. Numa delas, que Plínio escreveu para Efulano Marcelino, ele conta que a garota, apesar de ainda não ter quatorze anos, já havia sido prometida em noivado e que Fundano estava ocupado com os preparativos para a cerimônia. No fim, ele pede que Marcelino escreva a Fundano para consolá-lo por causa da morte prematura da garota[11].

Não se sabe se ele teve outros filhos.

Ver tambémEditar

Referências

  1. E. Mary Smallwood, Principates of Nerva, Trajan and Hadrian (Cambridge: University Press, 1966), p. 4
  2. Werner Eck, "Jahres- und Provinzialfasten der senatorischen Statthalter von 69/70 bis 138/139", Chiron, 13 (1983), pp. 186f
  3. Eck, "Jahres- und Provinzialfasten der senatorischen Statthalter von 69/70 bis 138/139", Chiron, 12 (1982), pp. 334f
  4. Plínio, o Jovem, Epístolas I.9
  5. Plínio, o Jovem, Epístolas IV.15
  6. Plínio, o Jovem, Epístolas VI.6
  7. Eck, "Jahres- und Provinzialfasten", (1983), p. 194
  8. Eusébio, História Eclesiástica IV.8-9; trad. por G. A. Williamson, Eusebius: The History of the Church (Harmondsworth: Penguin, 1965), pp. 162f
  9. Eck, "Jahres- und Provinzialfasten", (1983), p. 157
  10. CIL VI, 16651
  11. Plínio, o Jovem, Epístolas V.16